Everlong
1 Capítulo 1
Eu estava sentada no jardim. Olhava para o céu, observava as duas luas ficando cada vez mais visíveis. Eu arrancava a grama molhada do chão, sujando minhas mãos e meu vestido — eu tinha quase a certeza que, Rosmerta, a empregada encarregada de "cuidar" de mim, iria reclamar irritada do estado das minhas roupas.
Ali, no jardim, a beira do lago, eu podia ouvir os berros do meu pai que estava no castelo a discutir. Já estava a escurecer, decidi entrar e me aquecer. Nos portões tinha dois guardas postados com espadas, eles abriram e dizendo algo como "nossa princesa", coisa que eu detestava. Corri pelos corredores, subindo as longas e intermináveis escadas de pedra até que fui barrada por a pessoa que eu esperava:
– Pelo senhor! — ela exclamou, olhando para minhas vestes.
Me auto-revistei. Realmente, eu estava horrível. Meu vestido estava com as barras sujas de terra, manchas que possivelmente não iriam sair tão cedo. Eu ri e disse:
– Tudo bem, não gosto de vestidos mesmo.
– Não diga isso, Madley. — ela tentou limpar de alguma forma irracional meu vestido, mas sem sucesso. — Você é uma princesa, deve agir e se vestir como uma.
Revirei os olhos, querendo explicar epla milésima vez que eu odiava aquelas roupas. Eu apenas assenti e continuei a correr até o fim do corredor. Entrei abrindo com um beck as portas, todos me encararam apavorados.
– É melhor você cuidar da sua filha direito, Arthur. — um dos reis murmurou para o meu pai.
– É melhor você cuidar da sua vida. — cortou e depois me fuzilou com os olhos. — Que diabos você vem fazer aqui? Escutar a conversa dos outros não é nada educado... e o que aconteceu com suas roupas? Parece que acabou de rolar na areia. — tentei ignorar todas aquelas palavras mas era quase impossível.
– Eu estou bem, pai. — cerrei os lábios. — Mas você parece não notar que o clima tem ficado mais frio a cada dia e que, todos presentes aqui nessa sala tem estado com medo constante. — me fitaram, um deles parecia querer me estrangular. Eu estava cansada dessas reuniões que aconteciam a cada semana, papai não falava mais comigo apenas se importava com o seu trabalho de rei. — A qualquer momento o reino do norte pode nos atacar, atacar os reinos de todos aqui nesta sala, e vocês estão mais preocupados com as táticas deles.
Eu parei de falar e tudo o que restou foi um silêncio cortante. Todos eles me fitavam. Reis imponentes e arrogantes que se importavam mais que a riqueza do que com seu povo.
– Você nem ao menos completou quinze anos, sua tola. Não me diga o que fazer. — ele pronunciou a última frase vagarosamente, como se eu não fosse entender.
Meu pai se levantou, seu rosto tinha a cor de uma rosa ,mas, manteu a calma na hora de falar:
– A reunião acabou. Nos vemos na próxima semana. — grosso e frio, ou melhor, irritado.
Os reis desapareceram como um toque de mágica. O único que restou foi meu pai com seu olhar que parecia que iria me matar a qualquer segundo, eu jurava que ele pudesse fazer aquilo.
– O que você pensa que estava fazendo quando invadiu minha sala no meio de uma reunião? EU JÁ LHE DISSE PARA NÃO FAZER ISSO, ERA ISSO QUE VOCÊ QUERIA? ENTRAR EM GUERRA COM MAIS REINOS? MAIS MORTES E DOR? VOCÊ TINHA QUE SER TEIMOSA E ENCRENQUEIRA COMO SUA MÃE.
– Não fale assim da mamãe. — foi tudo o que saiu da minha boca. Me retirei da sala, batendo a porta e indo em direção ao meu quarto.
Tive que subir mais uma escadaria até poder me deitar na cama e chorar. Eu sempre estragava algo mas pensando bem, nessa vez eu tinha armado uma das maiores confusões. Não era uma simples confusão, era uma guerra. Mortes, sangue, dor e perdas. Tudo minha culpa. Papai tinha razão de me xingar, ele estava certo.
Eu fiquei deitada por horas. Não compareci ao jantar, não queria olhar na cara do meu pai e não queria ouvir mais xingões. Já era tarde quando tive coragem de me levantar e me arrastar até o banheiro. Tirei meu vestido imundo e entrei na água quente da banheira. Relaxe, relaxe. Fechei meus olhos e deixei ser levada pelo cansaço.
– Senhora, senhora. — disse uma das empregadas a me sacudir. Ela arregalou os olhos quando eu me movi, devia pensar que eu estava morta. Puxei a toalha das mãos dela e agradeci, me enrolando e fazendo um coque no cabelo.
Eu tinha enormes cabelos ruivos que desciam até abaixo das costas. Para uma garota que tinha acabado de completar quatorze anos, eu era bem bonita. Eu era bonita mas agia como um garoto, correndo pela floresta com os filhos das empregadas. Algo que poderia destruir a reputação do rei, segundo os seguidores do meu pai.
A última coisa que eu lembrava daquela noite era de me vestir e me jogar na cama, caindo de sono e logo dormindo. Na manhã seguinte eu segui para tomar o café da manhã, ouvi papai dizendo com um dos seus seguidores: "O reino do norte, agora eles tem aliados do reino do oeste. É, o reino que Madley conseguiu uma briga. Esta tudo piorando a cada momento."
Existiam quatro reinos. O reino do norte era o de Sywn, leste dos Cabrion, Oeste dos Victins e o meu reino, sul era dos Odjin. Todos os reinos estavamos em guerra, a princípio era o reino dos Sywn contra os outros, agora se tornou Sywn e Victins aliados. Os reinos eram governados por linhagens e mais linhagens de reis, puro sangue. Eram todos um bando de arrogantes e idiotas, isso eu posso garantir pois viviam em guerras a anos.
Entrei na sala de fininho. Papai sorriu para mim e me abraçou com um "bom dia, bebê". Sorri forçado. Ele notou e suspirou, fez sinal que eu me sentasse e pediu para que o seu seguidor saisse.
– Madley, você sabe que não foi sua culpa nós estarmos em guerra. Eu já estava de mal com aquele nojento do Victins a meses, não me surpreender ele ter achado um motivo besta para se juntar os Sywn. — sorriu, acariciando meu rosto. — Agora sorria, vai te fazer bem.
Por mais que meu pai fosse estúpido as vezes, eu o amava. Ele era a única pessoa de família que eu tinha, ele foi quem me educou e me amou todos esses anos. Minha mãe morreu pouco depois de eu nascer, a causa foi hemorragia, meu pai disse. Papai ainda diz que eu penso igual a ela, temos o mesmo carácter mas de aparência eu sou a cópia do meu pai em versão feminina.
Ele entrelaçou seus dedos nos meus e seguimos para a sala de jantar, para tomar o café que já tinha sido servido. Alguns seguidores do meu pai como o Sr.Filch já estavam a espera dele, ao lado da mesa em uma posição dura como mortos. Nos sentamos, tomamos café e cada um foi para um lado.
– Madley. — meu pai chamou antes que eu saísse. Eu me virei. — Volte antes do anoitecer. — concordei com um aceno.
Desci os degraus do castelo e me sentei no ante-penúltimo. Fiquei a observar o chafariz, uma bela sereia no centro. A água saia pela boca dela e voltava a cair no chão de pedra do chafariz, um tanto elaborado.
– Você fica maravilhosa com esse vestido, Srta.Wolfgan. — sim, infelizmente Wolfgan era o meu sobrenome. Já não bastava ter um nome ruim tinha que ter um sobrenome pior ainda.
– E você é um idiota, Sr.Raupp. — eu retruquei.
Charlie riu. Ele era um idiota.
Charles Raupp, era o meu melhor amigo. Eu podia contar com ele para tudo, sério. Certa vez ele me ajudou a fugir do castelo até o povoado e acabou levando uma surra da mãe, mesmo assim ele continuou me ajudando. E teve aquela vez que fomos até a floresta e uma bruxa perseguiu a gente, no final queimaram ela. Eu o invejava, ele podia ir a escola com outras pessoas e eu tinha que estudar em casa. "Uma princesa tem que ser educada como uma", dizia um dos seguidores do meu pai que me ensinava astronomia. Charlie era um dos únicos que não olhavam para mim e diziam que me odiavam, diferentes dos outros ele sabia que eu não era arrogante.
– Aonde vamos hoje? — ele parecia entusiasmado — Povoado? Na cachoeira?
Eu o encarei com um olhar malicioso e um sorriso maldito nos lábios. Ele entendeu e fez o mesmo. Eu me levantei, puxando o vestido para não me atrapalhar e seguimos em direção aos fundos do castelo. Seguimos nos esgueirando para ninguém nos ver e pulamos o muro. Infelizmente cai por cima de Charlie.
– Eu sei que você me ama mas não era pra tanto. Você tem só quatorze anos, não pudemos fazer isso. — ele disse malicioso, aquele infeliz dos infernos.
– Idiota. — eu o chutei. — Você é só um ano mais velho.
– Isso me dá uma penca de possibilidades. — mostrou a língua e eu bufei.
Ele riu e me abraçou de lado. Eu era uma anã perto daquele magricelo. Soquei o braço dele fazendo-o se afastar de mim.
Pulei algumas raízes, com os sapatos nas mãos eu caminhava de pés descalços. Eu adorava a floresta, não só pelo simples fato de que ali eu estava livre mas eu podia ver coisas que nas propriedades do castelo eu só via mortas. Charlie estava estranhamente quieto, com as mãos nos bolsos. Ele tinha o nariz reto e os cabelos escuros na altura dos ombros, alto e magro vivia com olheiras abaixo dos olhos sem contar algumas pequenas cicatrizes abaixo do olho esquerdo dele. Eu sabia o motivo daquelas olheiras. Ele tinha perdido o pai a alguns anos, descobriram que ele era bruxo e o queimaram, Charlie viu tudo. Lembro-me pouco daquilo mas duas cenas nunca saíram, o pai dele sendo arrastado até um poste e amarrado, logo depois jogaram fogo e a última coisa foi um grito agonizante. Charlie sumiu por dias, nunca me contou aonde tinha ficado mas quando voltou não sorria tanto quanto antes. Naquelas primeiros dias após a volta dele eu passei as noites fugindo para dormir na pequena casa dele, tinha medo que o levassem e o queimassem também, pois ele tinha erdado a bruxaria do pai.
– Porque esta me olhando com essa cara, fedorenta? — perguntou me dando um empurrãozinho.
– É a única cara que eu tenho, Raupp. — respondi voltando a andar.
De súbito ele me empurrou para o chão, átras de um tronco e caiu sobre mim.
– Vá se... — eu disse mas ele interrompeu, tapando minha boca.
Passos altos e estrondosos começaram a se aproximar, e logo depois foram rosnados. Um cheiro horrível invadiu minhas narinas. Arisquei a dar uma espiadinha e vi um trasgo, ele segurava um bastão feito de algum galho de árvore e tinha sangue em torno da boca e na roupa. Ele olhou diretamente para onde nós estavamos e eu me abaixei rápido, cerrando meus olhos com força. Na aula de criaturas das trevas o sr.Lugman explicou que trasgos comem todo tipo de carne... até de humanos. Abri meus olhos e vi que Charlie me encarava, mordendo os lábios que estavam sempre machucados. Ouvimos mais um rosnado e o trasgo saiu correndo, derrubando algumas árvores no caminho. Charlie olhou rápido por cima do tronco e se levantou, rindo da nossa sorte.
– Deus, você viu o tamanho daquilo? Era três maior que nós e como fedia! — exclamei pulando e rindo.
– Seria ótimo se ele te devorasse, pelo menos assim me livraria de ti. — murmurou, se abaixando até mim.
Olhei para minhas vestes. Estavam novamente sujas, teria que aguentar mais xingões.
– Ei, Mad. — desgrudei de meus pensamentos e encarei-o. — Você não tem aula hoje? — perguntou.
– Tenho. — respondi adentrando ainda mais a floresta.
Ele me seguiu, acho que estava a observar a floresta, sei lá. Continuei andando até ficar cansada e me sentar em uma raiz de árvore. Coloquei a cabeça entre os joelhos e respirei. Comecei uma frase na esperança que Charlie estivesse ali, mas não estava. Arregalei os olhos, ele não poderia ter se peerdido. Comecei a gritar por ele até receber uma reposta, segui na direção da voz.
– O que diabos você está fazendo aqui? — perguntei mas ele pareceu não se importar.
Ele apontou com um sussuro de "ali". Eu olhei na direção e me deparei com um pequeno chalé de madeira. Tinha janelas redondas e a parede tinha a cor de diferentes tipos de madeira, a chaminé estava sem dar sinal de fumaça mas a casa parecia ser habitada.
– De quem será que ela é? — perguntei, me aproximando. Ele segurou meu braço, pensativo e se aproximou junto comigo mas sem me soltar. Não era medo, era mais preocupação.
Tentei abrir a porta, mas sem sucesso. Então arrombarinhamos, como sempre mas a porta de súbito se abriu, revelando um homem com uma espingarda na mão.
– Quem são vocês? O que querem? — perguntou, o tom de voz alterado.
Charlie arregalou os olhos, respondeu com calma.
– Nós moramos no vilarejo aqui perto. Quem é você?
O homem pareceu espantado com a calma do meu amigo, não abaixou a arma mas falou de forma normal.
– Um caçador. Vocês não deveriam estar por aqui sozinhos, são apenas crianças. — os olhos dele pararam em mim, continuou. — Você é uma ninfa?
Senti meu rosto corar. Ninfas eram mulheres muito belas, sua beleza brigava com as das sereias de tão lindas, tinham o canto mais bonito da floresta. Charlie pareceu momentaneamente incomodado com aquilo. Então era ciúmes?
– Não, senhor. — ele sorriu de canto então baixou o olhar.
– Você não deve ser do vilarejo, usa vestes muito bonitas... Cabelos ruivos... Deve ser a filha de Arthur, se eu não me engano, a princesa.
Charlie pareceu querer me esconder. O homem ainda segurava aquela arma até perceber e a abaixar. Então disse:
– Perdão, não quis assustá-los. Mas quando se mora no meio da floresta devemos ter mais preocaução.
Nós pareciamos duas estatuas. Estavamos com medo, posso garantir. Aquele homem poderia ser um bruxo das trevas.
– Querem entrar? — perguntou, dando espaço para nós passarmos.
Eu iria responder um não mas Charlie me cortou e aceitou. Ele segurava minha mão, entrelaçando os dedos dele nos meus.
A principio a casa tinha apenas uma sala e uma cozinha. Então ele deveria não durmir, então ele era um vampiro... Congelei, e se ele fosse um vampiro mesmo? E se nós morressemos ali?
– Os quartos ficam no porão. — respondeu, como se lêsse minha mente.
Eu estava tão distraida com aquilo que só fui perceber que estava sentada numa cadeira da cozinha quando ele nos serviu chá. Beberiquei o líquido, era bom e doce. Observei ele guardar a arma dentro do armario e depois se sentar conosco.
– Porque você vive aqui na floresta? Tão... solitário. — Charlie interrogou, parecia intrigado.
– Como eu disse, eu caço. — respondeu e sorriu mostrando uma presa de ouro. — Que idade vocês tem? Tão jovens e andando pela floresta sozinhos.
"Quatorze, quinze", respondemos juntos.
– O que você caça? — perguntei, me aproximando mais da mesa.
– Hum... — ele mordeu o biscoito. — Qualquer criatura das trevas, desde de vampiros até o diabo das águas. — ele arregaçou a maga da blusa, deixando cicatrizes de queimaduras no braço a mostra.
– Dragões... eles que fizeram isso? — Charlie encarava as cicatrizes.
– Infelizmente, sim. A história dessas queimaduras é muito louca. — ele riu consigo mesmo e começou a contar a história.
Eu me levantei, desinteressada e comecei a andar pela sala. Quadros e objetos malucos estavam nas paredes, as cortinas deixavam que nada de fora ficasse a mostra e escondesse tudo de dentro. Parei a frente de um quadro um tanto estranho. A tela era totalmente branca, com rabiscos desenhados nela. Esse cara era realmente louco. A pintura a seguir era de um lobisomem sendo cortado ao meio e a outra era de uma bruxa pegando fogo. Andei alguns passos para trás, tropecei. Eu estava com medo. Olhei para a outra parede, uma pintura de um rosto de demônio. Abri a porta e sai correndo, ouvi alguns gritos me chamarem mas eu não iria parar. Eu não iria voltar para lá, era tudo tão horrível.
Sentei de joelhos no chão, ofegando. Estava sozinha, eu achava mas então percebi que algo respirava comigo. Virei para trás e um duende me encarava. Arregalei os olhos. Duendes, pequenos e magricelos. Parecem tão inofensivos. Então ele se aproximou e eu corri, ouvindo a risada dele se divertindo em me perseguir. Duendes eram famosos por torturar as pessoas, eles eram famosos por causar mortes de várias pessoas dessa formas. Eram criaturas repugnantes, baixinhos e magricelos com um corpo anorexico, eles tinham uma grande cabeça e uma boca enorme que revelava pequenos dentes pontiagudos.
Eu cai. A primeira coisa que veio na minha cabeça foi pegar aquele pedaço de pau mas ele voou, com facilidade da minha mão. O duende sorriu, travesso. Tornei a correr até cair de novo por causa do vestido, ele se aproximou de mim correndo então, uma flecha atravessou a cabeça dele, fazendo-o cair no chão a minha frente. Ofegante eu me arrastei para longe, só depois eu olhei para cima e vi Charlie e o caçador que tinha um arco em mãos.
– Obrigada. — murmurei, ele cerrou os lábios.
Charlie chutou o duende, e se abaixou ao meu lado. Seus olhos demonstravam preocupação, perguntou:
– Por que saiu correndo?
– Eu estava com medo. — sussurei.
O caçador pegou o duende pelos pés e tirou a flecha da cabeça dele. Fechei meus olhos com a cena do sangue escorrendo. Por um instante eu percebi que aquele sangue poderia ser meu, então me senti aliviada.
Antes de nós voltarmos, o homem disse para Charlie:
– Você poderia aparecer por aqui. Você tem talento para caçar, Charles. — ele cerrou os lábios e acenou com aprovação. — Você lembra ao seu pai. — então, sorriu.
A volta ao castelo foi silenciosa. Não falamos nada, apenas andamos, seguindo uma trilha. Quando chegamos ao castelo, eu fui barrada na porta pelo Lugman, que me reprimiu:
– Aonde andou a manhã toda, mocinha? Perdeu todas as aulas. — arregalou os olhos. — De novo andando igual a uma maltrapilha? Você não toma jeito? — exclamou.
– Ah, não enche. — respondi abrindo caminho.
Fui até o salão principal, onde meu pai estava a conversar com o rei de Cabrion:
– Eles podem atacar a qualquer momento, eu temo que nós peguem desprevinidos...
– Proteja a sua filha, Arthur. Deixe malas para ela, ela tem de ficar alerta. O filho Sywn, ele é o demônio. Eu estou falando sério. Nunca se viu pessoa pior que ele, ele é doido, insâno. Mata sem piedade.
– Mas tem uma forma de acabar de acabar com a guerra?
– Você quer acabar com algo que nem começou? — o outro rei irônizou mas retornou a postura séria novamente. — Sim... a morte dele... é a que nós queremos, não é mesmo? É a única que pode acabar com isso.
Papai bufou, irritado. Passou a mão por sua barba ruiva e acenou positivamente com a cabeça.
Nós eramos nada. Nunca venceriamos aquela guerra, eramos fracos e poucos perto do exército de Sywn. Ele tinha homens, homens bruxos e criaturas obscuras. Nós tinhamos apenas homens normais. Nós iamos ser estraçalhados.
– Madley? — papai me chamou, flagrando-me ouvindo sua conversa. — Venha aqui, cumprimente o rei de Cabrion. — disse normalmente.
Sai de trás das enormes portas, abrindo-as e passando. O rei abriu um largo sorriso e fez uma rápida reverência. Retribui.
– Onde esteve a manhã toda? Já é hora do almoço. — meu pai não sorriu, não parecia feliz. Não respondi e ele pareceu se zangar. — Vamos almoçar.
Seguidores do meu pai apareceram, fazendo reverências e lhe seguindo até a cozinha. Eu não podia fazer nada além de segui-lo também. Fomos até a sala de jantar, onde nos sentamos a mesa e criados apareceram com pratadas de comida. Revirei o alimento em meu prato, não estava interessada naquilo.
– Com licença. — disse, levantando-me. Papai me censurou, fazendo sinal para me sentar novamente. Fiz o que foi pedido.
– Eu não deveria te falar nada de última hora... teremos um jantar amanhã.
– Jura? Pensei que morreriamos de fome. — disse, sárcastica.
– Madley Wolfgan, não fale assim comigo. — censurou-me — Teremos um jantar formal amanhã. Todos os reis virão, chegarão amanhã de manhã. Espero que tire a tarde para arrumar um belo vestido, já chamei as costureiras. Deverá se comportar de maneira educada e passar o dia todo com eles e seus filhos, entendeu? Talvez nós conseguiremos acabar com essa guerra de uma vez por todas.
– Tudo bem. — disse sem contrariar. Sorri e sai correndo.
Subi as longas escadas, entrei em um corredor e entrei na sala do piano. Sentei-me em um dos sofás que ficava a frente da lareira. Estava realmente frio, envolvi em volta do manto. O único som era o da lenha na lareira, crepitando e queimando. Tão aconchegante, tão calmo. Nem parecia que eu estava ali.
Sorri. Não um sorriso de felicidade, de uma forma estranha eu sentia falta da compania de Charlie, sentia falta da forma que ele tinha de me fazer bem. Mesmo não assumindo, no fundo, eu o amava.
Fale com o autor