Everlong

21 Capítulo 21 - Final


Notas iniciais
ENTÃO, sim, isso mesmo! Capítulo final! Muito obrigada a todo mundo que seguiu até aqui comigo ♥ E ah, talvez, eu escreva uma outra fic sobre a vida de Chris como eu já tinha dito. Obrigada, obrigada. ♥

A igreja estava decorada com gârdenias e em tons de branco e amarelo. Gârdenias são as únicas flores que resistem ao inverno e que eu acho bonitas. Todos os convidados já deviam estar lá dentro: reinos vizinhos e alguns amigos próximos de Chris.
A multidão do meu reino estava a minha volta, apenas uma longa passarela até a casa dos Deuses. Subi os degraus com cuidado e ajuda de Sr.Filch. Era ele quem iria me levar até o altar. Cheguei na grande porta da igreja e ouvi o piano ser tocado, as pessoas se levantarem e olharem diretamente na minha direção.
Nervosa, eu sorri para o Filch e entramos. Havia vários olhares carinhosos a minha volta. Olhei para o teto e vi uma pintura de uma briga de Loki e Odin. Olhei para frente e vi meu amado a poucos metros de mim.
Nesses pequenos momentos eu só conseguia em pensar no meu pai, minha mãe, Richard. Minha família que nunca esteve reunida, mas eu amava cada um deles. Todos eram importantes para mim. Então, pensei em Samie e Hayley; não fiquei magoada muito menos brava por elas não estarem ali: Hayley tinha ido atrás de seu irmão mais novo, sua grande felicidade. Samie tinha se apaixonado por um rapaz do reino vizinho. E lá estava ele, guardado na minha memória e no meu coração: Charlie. Eu lembrava dele e de como eu o amava, e eu sabia que se ele estivesse ali me vendo no altar, estaria muito feliz.
Sr.Filch beijou minha testa e sorriu. Sussurou:
– Você sempre deu trabalho para os criados do reino, mas eu sei que mesmo você nunca ter frequentado algumas aulas direito, você aprendeu tudo.
E eu sorri comovida. Ele esteve ao lado do meu pai desde que ele assumiu o trono, do meu lado desde que eu nasci.
Então, Chris me estendeu a mão e me ajudou a subir mais dois degraus. As mãos dele estrelaçadas com as minhas.

Chris tinha toda uma vida com o seu bando. Era ele quem coordenava tudo, que os mantinha unidos, mas agora ele estava disposto a largar tudo isso por um amor. O que ele sentia por Madley era a melhor coisa do mundo. Com Madley ele se sentia feliz e completo, ele era único e se aceitava.

Houve um longo discurso do padre até que ele disse:
– Christopher, você aceita Madley para todo o sempre?
Ele tinha os olhos marejados.
– Sim, eu aceito.
– Aceita com todo o seu coração? Daria seu sangue por ela?
– Sim, sim. — ele sorriu, continha as lágrimas.
O padre fez as mesmas perguntas para mim e eu concordei. — Podem trocar as alianças, ele disse — Chris tirou o par de anéis do bolso e sorriu para mim, estendi minha mão e ele deixou as primeiras lágrimas caírem. Colocou o anel no dedo anelar e beijou minha mão.
– Para todo o sempre. — ele quase soluçava de tanta felicidade.
– Para todo o sempre. — repeti.
Nos beijamos. Os lábios molhados e salgados dele transmitiam uma felicidade que eu nunca tinha sentido dele, ele me pegou no colo e rimos. Meus olhos encontraram os dele e eu sentia sua respiração a poucos centímetros da minha.
– Eu amo você. — eu sussurei.
– Eu amo você. — repetiu.
Seguimos para fora da igreja e a multidão do reino gritava a nossa volta, seguimos acenando e sorrindo até a carruagem que estava pronta para nos levar ao castelo.

Chris foi o último a entrar no quarto, fechando a porta atrás de si. Quando virou-se, viu Madley dando uma voltinha e sorrindo para ele. Ela andou calmamente até o outro, suas mãos no rosto dele e os lábios se tocando.
Tudo o que ele mais queria no momento era ter o corpo dela junto ao seu. Ele queria ama-la como ninguém nunca tinha feito. Queria mostrar que ele era capaz de ser a felicidade que ela tanto procurava.

Acordei algumas horas após o almoço. Chris não estava ao meu lado. Meus olhos percorreram o quarto escuro até ver que ele estava sentado em um dos cantos, mantinha o foco em mim e sorriu ao perceber que eu fazia o mesmo.
– Acho melhor você se arrumar, daqui a pouco a cerimonia o salão começará e bem, eu acho que você não quer se atrasar. — ele disse com um sorriso nos lábios. Eu amava o ver sorrindo.
Tomei um banho com petalas de rosas e água perfumada. Coloquei um vestido de trico azul que me caia muito bem e prendi o cabelo em um coque com alguns brilhantes para enfeitar. Eu sentia minhas mãos tremendo de tanta insegurança.
– Você é linda. — ele me observava.
Então, quando Chris já estava pronto seguimos para festa. O salão estava enfeitado nos mesmos tons da igreja, a longa mesa de carvalho estava cheia com todo tipo de comida. As portas de vidro se abriam para o jardim, o final da tarde estava lindo.
Chris segurou minha mão por muito tempo. Nós dois estavamos muito felizes.
Mas eu senti a melancolia me atingir ao ver quem estava lá. Ele segurava uma taça de bebida de uma forma casual, apoiado na porta e olhando para mim com um fraco sorriso. Ele percebeu que eu o encarava e levantou a taça.
– Mad, tudo bem? — Chris me balançou e por um milésimo de tempo eu perdi o foco de Kyro e encarei os olhos do meu noivo. Então, ele também desviou o olhar para o outro e eu pude ver a raiva. Eu o puxei.
– Tá tudo bem. Tudo bem. — eu disse acariciando o rosto dele, olhando nos seus olhos. — Eu tenho que falar com Kyro.
Chris resmungou algo e cedeu. Cedeu sem raiva, ele estava calmo.
Aqueles minutos que se passaram seguindo até Kyro foram os mais longos da minha vida. Ele estava bem vestido e o cabelo penteado, estava lindo.
– Meus parabéns. — ele disse quando eu já estava perto o bastante — Nós podemos conversar no jardim?
Na última vez que ele tinha feito uma pergunta parecida as coisas não tinham dado certas, mas eu concordei já que agora Chris estava por perto.
Ficamos alguns minutos apenas dando voltas no gramado. Silêncio. Ele ainda bebia da taça e não parecia se importar se ficaria bêbado ou não.
– Fico feliz por você ter encontrado alguém que ama. — ele tinha carinho nos olhos, as palavras tinham sido doces.
– Muito obrigada. — agradeci por educação.
Mas ele percebeu a tensão entre nós e parou, mordeu os lábios olhando para o nada e disse:
– Eu sei que as coisas nunca foram fáceis entre nós e teve uma época que elas foram boas, e eu entendo e concordo que o que eu disse na última vez que te vi não foi legal. Eu te peço perdão, Madley, de verdade. Eu te amo, mas nunca foi certo entre a gente e nunca será, e agora você esta casada e feliz, e eu realmente feliz por você. Merece tudo isso.
Senti as gotas salgadas escorrerem pelo meu rosto e sorrindo, eu o abracei. Ele passou a mão nas minhas costas e chorou também. Mas então, ele se afastou.
– Eu não vim aqui simplesmente pra te falar isso, mas, hum... — ele olhou de um lado pro outro, bebeu mais um gole — Eu me envolvi com coisas que não devia, fiz coisas erradas e bem, agora estou sem tempo.
– Ah, hum, você ja vai embora? — perguntei fazendo um biquinho.
– Não. — ele sorriu sem jeito — Não nesse sentido.
Encarei ele sem entender.
– Eu estou morrendo, Madley. Não é como o Charlie, mas eu também estou sob o efeito de uma maldição. — ele soltou tudo em cima de mim como uma cachoeira de coisas ruins.
– Você está brincando, não é? — ele fez um sinal negativo — Mas tem uma cura, não é? Tem?
– Madley — ele me segurou entre os seus braços — Há uma cura, claro que há — ele hesitou — Eu irei sair de viagem novamente, viverei os meus últimos dias conhecendo o mundo novamente. É assim que eu quero morrer. Eu só vim me despedir de você. Tu é tudo o que me resta.
Eu o abracei e sussurei, "eu te amo".
– Eu te amo também, Mad, mas tenho que partir.
Então, ele me soltou e nós sorrimos. Ele saiu andando. Eu pensei em ir atrás e dizer que eu podia procurar a cura, mas não. Essa era a vida dele. Era o que ele queria. Não tinha o poder de interferir.

– MAD? — ouvi Chris gritar em meio a multidão e vir em minha direção — Tá tudo bem? Porque você tá chorando? O que aconteceu?
– Nada, Chris. — eu puxei para os meus braços, ele aceitou. — Só queria te dizer, eu te amo. Eu te amo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!