Notas iniciais
Eu sei que ficou MUIIIIITO curtinho, mas estou sem tempo para escrever ultimamente por causa da escola. Espero que aproveitem.

Eu estava sentada na biblioteca, minhas mãos estavam suadas e eu nervosa.
– Você queria me contar algo? — Kyro perguntou quando sentou a minha frente.
– É... sim. — eu disse tentando me afastar mas sem sucesso — É sobre sua família, seu avô.
Ele parou e me encarou sério. Suas sombrancelhas se ergueram carregadas de preocupação e seus lábios em um traço fino.
– Tá tudo bem? — e sua voz sôou quase como um sussuro.
– Bom... seu avô... o que você sabe sobre ele? — perguntei, enrolando o assunto.
– Não sei nada mais que o normal. Por que? — ele se afastou e soltou nossas mãos.
– Então, você não sabe sobre o caso que ele teve com a minha avó? Que ele matou o pai de Calário porque ele era apaixonado por sua avó? Ele, seu avô, era marcado, foi tudo uma praga que o pai Calário jogou nele. — as palavras saíram suavemente dos meus lábios.
– Explique. Está tão confuso. Não tô entendendo nada, Madley. — ele fungou.
– O pai de Calário tinha um caso com minha avó, mas ela conheceu o seu avô e eles se apaixonaram, mas o pai de Calário tinha sangue de feiticeiro e descobriu, jogou a praga no seu avô e ele ficou marcado, possuído pela raiva ele matou o pai de Calário. Desde que ele foi marcado, a guerra começou.
Kyro ficou me encarando sem expressão nenhuma por um bom tempo, então sussurou "ah, meu Deus" e tapou a boca com as mãos. Eu apenas assenti. Ele parecia surpreso mas ao mesmo tempo, de certa forma, triste.
– Você não tem que ficar triste. Olha... você não foi afetado pela marca...
– Meu avô mato um homem... Ah, meu Deus... — ele parecia sem reação. Os olhos arregalados, a boca tremendo. Então ele me abraçou como uma criança que tinha acabado de machuchar o joelho e queria o carinho da mãe.
– Eu li os diários dele. Era como se eu fosse... ele. — suspirei, cansada.
Ouvimos uma batida suave vinda da porta. Aumentei o tom de voz dizendo que podia entrar. A mulher sorriu calorosa e fez uma revêrencia, começou:
– Hoje de manhã recebemos um enviado do reino de Sywn, — Kyro pareceu alerta — ele deixou isso para os senhores. — ela entregou uma carta em um papel bonito, mas deixou outras também.
Eu agradeci.
Depois de ela ter saído eu tomei a liberdade de rasgar o papel e puxar a carta. Kyro se curvou sobre mim. A carta era escrita em uma letra bonita e desenhada. A letra de Hayley.
"Madley e Kyro, não sei como começar uma carta, mas, tudo bem. Eu só queria dizer que estamos indo para o seu reino, Mad, eu e Charlie. Ele não está bem e eu não tenho condições de mantê-lo. Me desculpe. Até breve. Hayley."
Kyro parecia não se importar com aquilo. Ele estava a beira de um ataque de pânico. Ignorei, tinha coisas mais importantes a fazer.
Abri a outra carta, também era muito bonita e estava selada com a marca do reino dos Victins.
"Fomos atacados. Estamos dizimados, não temos condições de lutar. Eu sinto muito."
A carta acabou assim, sem assinatura, nem nada. Suspirei cansada e preocupada, quando levantei o olhar Kyro não estava mais lá. Levantei e sai correndo com medo que ele pudesse fazer algo.
Encontrei-o na saída do castelo. Ele estava colocando uma espada no cinto.
– Onde você vai? — perguntei andando desengonçada e brava até ele.
– Irei procurar um exército. — ele disse sério colocando uma faca na bota. — Até mais. — subiu no cavalo e saiu galopando.

Quando Kyro voltou já era noite, tarde da noite, e consigo trouxe uma dúzia de homens. Eu estava sentada no trono quando ele entrou no salão, seis homens de cada lado. Todos brutos, todos fortes, todos sem medo e piedade.
Eles fizeram as reverencias e então, Kyro disse:
– Vossa Rainha, trouxe alguns homens que farão parte do exército. — ele ficou ereto, sério, como um perfeito guerreiro.
– Quantos homens ao total irão para guerra?
– Duzentos. — ele pareceu desapontado.
Eu sorri fraco e agredeci, todos os doze guerreiros se retiraram. Kyro me abraçou, me senti calma, bem e protegida.


A noite estava fria e a lareira quentinha. Fiquei abraçada aos cobertores de pele perto das chamas por um bom tempo, o chá a minha frente esfriava.
– Eu estou com medo. Quando isso vai acontecer? Quando a guerra vai começar? — fechei meus olhos sentindo o desespero crescer dentro de mim.
– Você sabe que terá que lutar na guerra, não é? — Kyro me abraçou de lado.
– Sim.
Eu sentia falta dos meu pai, da minha normal. Das épocas que eu e Charlie corríamos pela floresta dos tragos e de quando eu soube que Richard era meu tio. E por um breve momento muito doloroso, eu queria que tudo isso voltasse.
Kyro selou nossos lábios, então, se transformou em um beijo longo e calmo. Ele me apertava da cabeça aos pés, suas mãos passeavam por todos os lugares possíveis. Quando ele estava prestes a tirar a fita do meu vestido, alguém bateu apressado na porta.
Levantei ajeitando o cabelo e corri em direção a porta. Abri e uma empregada me olhava assustada.
–Princesa...Rainha! Chegou uma carruagem do reino de Sywn!

Desci todas as 36 escadas correndo. Meu vestido atrapalhava um pouco, Kyro também me atrapalhava. Ele não parava de falar. Quando cheguei no salão vi os dois. Charlie estava apoiado em Hayley. De cara notei a cor dos cabelos dela, estavam de um ruivo escuro, um avelã muito bonito. Corri em direção aos dois.
Charlie estava terrível, mas sorriu. Magro, os olhos sem vida e sem condições de cuidar de si mesmo. Eu demorei até conseguir abraça-lo.
– Eu senti muito a sua falta. — ele disse quando nos afastamos e tossiu forte.
Eu gritei pelas empregadas e elas o levaram até um dos quartos. Hayley o acompanhou, nós também. Ele se deitou na cama e a garota o cobriu com cobertas e cobertores de pelo, ele sentia muito frio. Mas eu me sentia quente com eles ali.