Event Horizon 2
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Já estavam indo para a seção de regressão de Justin, quando Stark percebeu como o garoto estava quieto e vislumbrava com o olhar perdido o céu de outono daquela manhã meio fria e meio quente ao mesmo tempo. Enquanto Cooper e Christine conversavam sobreo que iriam fazer depois da consulta Justin só ficava a tentar se lembra de tudo que passara a quinze anos atrás. Como sentia saudades da mamãe urso* e dos outros que acabaram morrendo, mas o que ele estava se esforçando muito para se lembra era o que tinha visto ao ser puxado para dentro do campo magnético da nave, era como se as imagens estivessem todas desfocadas e os sons que ouvia em sua cabeça totalmente bagunçados e em desarmonia total, mas tinha esperanças de que tudo daria certo e logo aquele infortúnio iria acabar.
– Pronto Justin já chegamos, vamos entra que em minutos a sua seção irá começar e sabe que o médico é muito pontual. – Disse Cooper ao abrir a porta do carro para que ele pudesse sair e entra dentro do consultório do médico.
– Sim Cooper já estou indo. – Disse o rapaz ainda com um pouco de dificuldade de pronunciar as palavras, pois com a despressurização e o seu próprio lançamento no espaço sem estar com o traje especial, suas cordas vocais por pouco que não estouram e ele fica sem voz, a única coisa que não foi afetada foi a capacidade de falar e pensar, mas a fala ficou um pouco tanto que ainda estava indo a fonoaudióloga para conseguir voltar a ter a dicção boa novamente.
Depois que todos haviam saído do carro foram para dentro do consultório do médico, que era em sua maior parte todo de móveis rústicos e muito bem trabalhados. Sentaram na salinha de espera Stark e Justin enquanto Cooper levava os documentos do Justin para a recepcionista, depois dela falar que logo seriam chamados Cooper se reuniu aos dois na salinha de espera, ficaram ali por pelo menos uma meia hora quando finalmente a porta da sala de consultas do médico abriu e ele saiu para chamar o rapaz. O médico tinha na faixa de uns 35 anos, altos cabelos curtos e com duas ligeiras entradas, corpo definido por causa de suas quase duas horas de musculação por dia, um homem calmo, sereno e muito educado e atencioso com seus pacientes, seu nome era Antoine Piaf.
– Pode entra Justin estou à sua espera, só estava organizando umas coisas por que hoje será diferente, vamos tentar fazer você desenhar na hora que em estiver fazendo o regresso está bem? Assim poderemos saber melhor o que vc estará vendo. – disse o médico num tom calmo e manso com um leve sotaque francês.
– Tudo bem doutor se isso ajudar estou de acordo, só quero tentar me lembra e acabar logo com isso, pois essa situação de eu não me lembra de nada já esta começando a me perturba muito. – disse o rapaz com um tom de preocupação na voz ao mesmo tempo que estava frustrado por não conseguir se lembra.
– Você vai lembra meu jovem e isso acabará logo, lhe prometo. – disse o médico. O Dr. Antoine fechou a porta quando Cooper e Christine passara e pediu para Justin se deitar no divã e ficar calmo e tranquilo, deu um bloco de folhas grandes e um lápis para ele desenhar e pediu que o segurasse por enquanto.
Explicou como seria o procedimento e que a folha e o papel serviria para ele ir desenhando tudo e fosse se lembrando, e que seria muito importante que os dois, Cooper e Stark, ficasse com ele ali. Os dois sentaram em um sofá perto do divã e o médico numa cadeira próxima, se colocou à frente de Justin, começou a balançar o pendulo na sua frente e assim começou a seção.
– Seus olhos estão começando a ficar pesados Justin, muito pesados, você está com sono. – Fala o médico com a voz calma e mansa e continuando a balançar o pendulo na frente do rapaz, até que ele adormeceu e o Dr. Antoine disse a ele para somente ouvir sua voz.
– Agora Justin, vamos voltar a quinze anos atrás, no momento em que você estava entrando na nave de pesquisa Event Horizon junto com os seus colegas, o que você está vendo? Pode desenhar para mim? – Perguntou o médico e assim ao mesmo tempo que Justin relatava começou a desenhar.
– Estamos entrando na Event Horizon, agora estamos no corredor principal e o Dr. Weir está nos explicando sobre a nave e onde fica a parte de engenharia e a parte da ponte de comando. – disse o rapaz num estado de profundo sono mas falando e desenhando como se estivesse acordado e consciente
– Isto procede Sr. Cooper e Srta. Stark? – perguntou o médico aos dois amigos do rapaz, e assim que os dois confirmaram e que no setor de engenharia se encontra o campo gravitacional o médico continuou.
– Justin, agora vamos para o setor de engenharia, o que você vê? – Foi a perguntou do doutor.
– Agora estou entrando no setor da engenharia e esta muito escuro, estou entrando em contato com o pessoal que ficou na Lewis & Clark, agora estou passando o bio scanner para ver se eu encontro vestígios de vida na nave mas só estou recebendo dados muito esquisitos. – disse o rapaz num tom confuso de que não sabia o que estava vendo.
– muito bom Justin você está indo muito bem, agora é a parte mais importante, o que você vê agora e o que está acontecendo? – perguntou o médico.
– Estou diante de uma imensa bola com anéis rodando em volta dela – disse o rapaz – agora os anéis pararam e estão todos alinhados, agora tem uma luz muito clara que está saindo na imensa bola e ela está ficando com interior liquido.
– Justin – disse o Dr. Antoine – eu quero que você desenhe exatamente tudo o que você estiver vendo a partir de agora está bem? disse o médico dando novamente o bloco de papeis e o lápis – o que esta acontecendo agora justin?
– Estou chegando perto do núcleo liquido da imensa bola – e começou a desenhar no papel uma bola grande – agora estou parado na frente dela e estou colocando um dedo meu para ver do que é esse liquido...é muito viscoso e escorregadio.
– Muito bom, e agora o que está acontecendo Justin? tente se lembra desse ponto em diante e desenhe, o que esta acontecendo? – perguntou o Dr. Antoine num tom mais severo e analítico.
– Agora estou colocando a minha mão dentro da bola...alguma coisa está segurando a minha mão e ... e ... ai meu deus tem alguma coisa me puxando com força e não posso me soltar!!!!!!!!! – disse num tom de desespero – estou passando por um tipo de túnel mas muito luminoso e está tudo passando muito rápido por mim e não consigo saber o que é – disse o rapaz num desespero que seus amigos nunca tinham visto, tanto que começou a suar frio e agarrar os braços do divã com tanta força que quase rasgava o fino tecido vermelho.
– Acalme-se Justin e nos conte o que você está vendo agora, estamos aqui com você – disse o Dr. Enquanto o acalmava e segurava ele no divã. Quando o garoto se acalmou um pouco ele retornou a falar mas com uma voz rouca, séria, e ao mesmo tempo amedrontadora – Onde você está agora Justin? Que lugar você está e o que está acontecendo?
– Agora estou num lugar que parece a nave em que estamos...mas está um pouco diferente, está iluminada, e sem nenhum liquido flutuando. Agora estou voltando pro corredor central da nave, está tudo silencioso...nossa agora ouço gritos vindos da ponte de comando, muitos gritos... meus deus!!!! Os tripulantes estão morrendo, estão sendo mortos!!!!!! E ... e tem uma coisa que eu não sei o que é esta matando todos eles!!!!!!, nossa...agora está vindo pro meu lado...não...naaaaaaaaaaaaão!!!!!!!!!! – disse Justin começando a tremer todo e se agitar, todos na sala começaram a chama-lo de volta à consciência e de repente ele acordou, tremendo e chorando ao mesmo tempo que agarrou-se em Christine.
– Calma bebê urso*, estamos aqui com você ta, já acabou você está seguro agora aqui a com a gente, se acalme está bem – Falou Christine, numa voz tranquila e materna, conseguindo assim acalmar o garoto. Quando ele ficou mais calmo, Christine pediu para o Cooper leva-lo para a sala de espera, e quando os dois já estavam longe ela perguntou ao Dr. Antoine.
– Doutor, o que aconteceu aqui agora a pouco? O senhor pode me dizer o que aconteceu aqui? – perguntou Stark.
– Bem, ele fez um regresso e conseguiu chegar longe, onde nunca poderia achar que ele chegaria – disse o doutor – ele ultrapassou a barreira que não o deixava ver além do que ele conseguia e hoje ele foi para além do que nunca pode dizer a ninguém, ele passou da realidade onde estava e ao que vi e poder ouvir ele deve ter sido puxado para uma outra dimensão e ao que parece não deve ser nada natural ao que vai muito longe nosso conhecimento – disse o doutor – e o que Justin nos contou e mostrou foi ao menos uma parte do que presenciou do outro lado, mas agora não o forçarei a fazer de novo, vou deixa-lo descansar e mais pra frente faremos novamente.
– O senhor acha que estamos perto de resolver isso Doutor Antoine? – perguntou Stark.
– Sim senhorita, estamos muito perto de saber onde ele foi e pra onde a nave foi e o que trouxe com ela – disse o doutor e assim se despediu deles.
Cooper e Stark estavam muito pensativos com o que tinham ouvido Justin dizer na seção de regresso dele, ainda estavam perturbados com o que ouviram e viram. E justin estava muito pensativo, mesmo o doutor tendo falado pra ele não se esforçar para trazer a tona as lembranças ele não conseguia não parar de fazer pois queria o fim daquilo logo e poder ajudar não só Cooper e Stark...mas também ajudar os que morreram na missão, pois devia isso mais pra eles do que pra qualquer outra pessoa, e mais ainda, devia isso aos filhos da Peters, pois jurou que não iria parar até conseguir achar as respostas que queriam. Ivana e Camila eram muito suas amigas e o consideravam ele como uma pessoa da família, um segundo irmão, mas quem interessava a ele mesmo era o irmão delas, o tenente Marcelo, pois desde quando ficaram sabendo do real motivo da morte da mãe deles, foi o Marcelo que mais esteve ao seu lado, ajudando sempre que precisava e indo em todas as consultas com o Dr. Antoine, sentia muito a falta dele e das suas irmãs, aliás todos sentiam falta deles.
Quando chegaram na frente da casa estilo vitoriana de Christine, saíram do carro e foram junto com ela para dentro de casa. Enquanto ela preparava um café da tarde para todos, Justin ficou da janela da sala olhando para o céu, imaginando onde estariam Camila, Ivana e Marcelo e o que estavam fazendo naquele exato momento. Cooper ao ver o garoto daquele jeito, foi falar com Christine e os dois ficaram a fitar o garoto na janela.
– Por que será que ele fica tanto olhando pro céu assim Stark? Já peguei ele muitas vezes desse mesmo jeito e não entendo o motivo. – disse Cooper
– Isso Cooper é saudades dos filhos da Peters que estão lá no espaço, também sinto falta deles sabe, mas de quem ele sente mais falta é do filho, o Marcelo – disse Stark dando um risinho de lado.
– Também sinto falta dele e das meninas, como será que estão heim? Espero que voltem logo ou o nosso amigo ali vai ficar mais doido do que está – disse Cooper dando risadas.
– Deixa disso vai Cooper, a última mensagem que a agencia recebeu e nos mandou eles estavam numa missão de resgate de uma nave e sua tripulação...na última mensagem eles já haviam feito o salvamento mas não conseguiram salvar a nave pois a nave estava bem numa área de chuva de asteroides, só conseguiram pegar a tripulação e as coisas de importância para registro o do que foram fazer, acredito que logo estarão voltando pra casa – disse Stark calma mas com uma leve ponta de tristeza por não ter eles por perto. Quando já estava tudo pronto para o café, ela chamou eles e foram todos para a mesa, foi uma tarde agradável pois falaram de muitas coisas e deram muitas risadas, ao final da tarde Cooper e Justin se despediram de Stark e foram embora. Quando o carro virou a esquina, ela ficou por uns instantes na varanda de sua casa e olhou pro céu, esperava mesmo que viessem embora logo, pois além da enorme saudade que estava sentindo se aproximava o dia de levar flores nos túmulos dos seus amigos e companheiros de trabalho, mas ela sabia que chegariam logo, e que estavam perto de todos eles, ela entrou em casa, subiu ao seu quarto trocou de roupa e foi se deitar pois estava exausta demais para arrumar qualquer coisa ou tirar qualquer objeto do lugar.
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