Notas iniciais
Esse capítulo vai para a Ruki-chan e seus comentários lindos (que eu vou responder daqui a pouco, juro!) que inauguraram a seção de comentários! Obrigada, sua linda!

A semana havia sido dura com Taiga. Não somente por carga exorbitante de trabalho, mas porque havia uma mulher que permanecia rondando seus pensamentos a cada instante do seu dia, com feições delicadas e voz autoritária. Ao fim da semana, estivera tão distraído que até mesmo errava nas massas dos pães que ele próprio havia inventado, chamando atenção de Himuro, que o questionou do humor agressivo.
— Estou bem. — replicou, voltando a sovar a massa ligeiramente amarela. O moreno o encarou longamente, antes de deixá-lo a sós na cozinha por mais algum tempo, uma vez que faltava pouco para fechar a padaria e deixar os ingredientes descansando para o dia seguinte. Estava tão concentrado que quando foi adicionar farinha e se prestou a ouvir os sons da rua, se assustou com um som metálico que deveria ter acontecido na rua, o que o fez derrubar farinha em suas roupas pretas, sem contar o que voou, pegando em seus cabelos. — Ótimo. — resmungou, terminando de amassar as coisas e arrumando a bagunça que fez.
— Taiga, tem alguém para vê-lo. — disse Himuro através da fresta da porta. — Eu termino de arrumar. Você está dispensado.
— Mas... — o olhar de Himuro foi suficiente para que ele se calasse. — Ok.
Despiu a blusa preta, guardando-a dentro da mochila e foi andando em direção a loja, enquanto vestia um suéter que deixava ali para casos acontecesse algo do gênero. A loja já estaria fechada mesmo e devia ser Kuroko quem o esperava. Se surpreendeu, porém, quando foi verificar o salão da padaria, encontrando uma figura distraída.
— Sak... Yukino-san? — estava a meio caminho de vestir a blusa e ela comia um donut. Mas foi pega tão de surpresa que deixou o donut cair.
— Amém, kami-sama. — exclamou, cobrindo a boca em seguida, enquanto percebia a tonalidade de Kagami mudar para vermelho. — Me desculpe! — o homem ficou meio desconcertado, ao passo que a garota recolhia o donut e o jogava no lixo. Não só pelo que ela falara, mas por encontrá-la ali: estava mais bonita que em seus pensamentos, com sua saia longa e blusa de corte oriental. E ele estava cheio de farinha no cabelo. — Eu só vim conversar com você sobre as aulas.
— Ah... erm, claro. Sobre o que quer falar? — disse, alisando os cabelos como forma de amenizar seu desconforto e para disfarçar o pó branco.
— Queria saber se podemos transferir as aulas para um lugar mais neutro aqui na cidade. Talvez até aqui, se você quiser. — comentou, sinalizando para seus arredores. — Eu poderia conversar com o Himuro-kun e ver se ele aluga a cozinha por algumas horas. — Kagami franziu a testa.
— Mas por que?
— Você está sobrecarregado, Kagami-kun. Queria auxiliá-lo em alguma coisa sem que cancelássemos as aulas. — puxou uma mecha de cabelo que fugia de seu coque frouxo.
— Não seria mais fácil.... — ela o interrompeu com um gesto.
— Já tivemos essa discussão antes, Kagami-kun. Se você quiser se recusar a dar as aulas, eu entendo. Porém, não espere que eu abra mão disso.
— Por que? — questionou, a pergunta saindo mais rápido do que pretendia.
— Honestamente? Não sei. — ela cruzou os braços abaixo dos seios. — Mas gosto do que sinto. — Taiga arqueou uma das sobrancelhas. — Sua resposta?
— Se importaria de cozinhar na minha casa? — Sakura negou. — Então, domingo, às 9h. — a mulher sorriu tão abertamente que o fez derreter por dentro.
— Obrigada.

Mais tarde, bem depois de fornecer seu endereço e de vê-la ir embora para um hotel, quando já estava deitado na cama, ele ficou se perguntando por que aceitara. Mas sabia que, em poucas vezes que havia visto a garota, ela o tinha conquistado. E, sem querer, dormiu com um sorriso no rosto.

*

No domingo, por volta das 9h, Kagami dormia pesadamente no sofá. Tinha acordado cedo no sábado e ficou faxinando a casa até tarde por causa de Sakura e mal se lembrava de ter deitado no sofá. A campainha tocou algumas vezes antes que ele levantasse e se arrastasse de moletom apenas para atender a porta.
— Ohayo. — exclamou Sakura, surpreendendo-se ao vê-lo somente de calça. Desta vez, conseguiu conter os pensamentos que pinicaram em sua língua ao vê-lo assim, mas Taiga não foi tão sucedido em esconder sua vergonha. Deixou que ela entrasse e correu para o banheiro para tomar uma ducha e escovar os dentes. Quando saiu — devidamente vestido, obrigado —, encontrou uma xícara de café fumegante sobre a bancada da cozinha e Sakura lendo uma revista de esporte com a sua própria. — Trouxe esses grãos de café que um amigo meu trouxe da Itália. Espero que aprecie. — disse, apontando para a xícara.
— Ohayo gozaimasu. E, hm, obrigado. Não tive tempo de fazer o café da manhã e...
— Não se preocupe comigo, Kagami-kun. — replicou, sorrindo. — Seu apartamento é muito bonito.
— Não exagere. A sua casa é muito mais bonita que a minha. — ela balançou a cabeça negativamente.
— Minha casa é muito vazia e grande demais para mim. Já pensei em me mudar algumas vezes, mas tenho apego aquela casa, principalmente por ficar longe de tudo. — replicou, levando a xícara a boca. Kagami achou que ela parecia um tanto pensativa. E, sem querer, acabou constatando que, como em outras vezes, ela estava bem vestida com um longo vestido florido e os cabelos platinados num rabo de cavalo alto. Gostava da maneira elegante e do porte que a mulher tinha e, de certa maneira, ela acabava lembrando um pouco a Aomine. — O que foi? — Kagami piscou algumas vezes antes de ver o sorriso da mulher. — Você está parado aí olhando para mim e isso me deixa desconcertada. — automaticamente ele levou a mãos aos cabelos, enquanto o rubor subia as bochechas. — Você está tão vermelho. — ela deu dois passos na direção dele e olhou para cima a fim de fitar os olhos rubros. — No que estava pensando? — Kagami deu uma risada sem graça, desviando dos olhos violetas. Por que ela tinha que ficar perto demais?
— Que tal começarmos, Yukino-kun? — afastou-se para pegar as coisas dentro da geladeira.
— Que tal me chamar de Sakura-kun? Já me chamou assim uma vez? — ele se lembrou de quando o fizera, logo no dia que dormira no sofá dela e ainda havia invadido o quarto dela. Isso era tão errado!
— Não seria adequado. — disse, ainda tirando as coisas de dentro da geladeira.
— Eu acho mais do que adequado. — a garota levou as duas xícaras para a pia e as lavou. — Mas a escolha é sua. — o ruivo não respondeu. Apenas separou a frigideira e começou a ensiná-la a fazer uma receita que havia inventado há algumas semanas e que era fácil de ser preparada. Depois de pronto, sentaram-se para comer na sala dele. Enquanto comiam e assistiam a um jogo de vôlei qualquer, o celular de Sakura começou a tocar. Assim que o pegou, franziu a testa.
— Minecchin, o que houve? — disse quando atendeu o celular. Levantou de ímpeto e caminhou até o corredor que dava ao banheiro. Kagami olhou o rompante e se questionou sobre o que poderia estar acontecendo. Não demorou muito até que ela voltasse. Guardou o celular dentro da bolsa e encarou o ruivo. — Precisamos conversar, Kagami-kun.
— Do jeito que fala está me deixando preocupado. — ela remexeu nos longos fios, jogando-os para o lado.
— Kagami-kun, eu me esqueço na maioria das vezes que eu sou uma pessoa famosa. E, atualmente, vivo tão reclusa na minha casa que tinha esquecido como era ter papparazzis atrás de mim. — o ruivo parou para processar a informação.
— Você quer dizer que tem gente lá fora atrás de você? — ela assentiu.
— Aomine disse que tem uma foto minha estampando os sites de esporte. Estão querendo saber por que não estou escalada para o time no jogo de amanhã. — Sakura suspirou. — Ainda não organizei com o meu antigo técnico a declaração oficial da minha aposentadoria. — Kagami franziu o cenho. — O ponto é: não quero envolver você nessa história. Ela é complicada demais e sua vida já parece ser bastante atarefada. O problema é que depois de hoje, eu sei que eles vão ficar rondando até tirar uma foto exclusiva e... — Kagami a interrompeu com um gesto.
— Não se preocupe com isso, Yukino-kun. — ele sorriu e Sakura relaxou em demasia com isso. — Já estou acostumado com pessoas importunando, principalmente quando Kise vem aqui. E ele tem um ponto negativo que várias garotas ficam na minha porta para falar com ele. — se bem que do jeito que é bonita, deveria existir uma fila de homens somente para ela, pensou o ruivo. Sakura mordeu os lábios e desceu a mão até os joelhos, apertando-os.
— Acho melhor pararmos as aulas, Kagami-kun. — disse, por fim. — Talvez seja o melhor a fazer. Atualmente, sou uma pessoa difícil e não quero realmente envolvê-lo nisso. — ficaram se olhando longamente.
— Se você acha isso que é o melhor, então. — deu os ombros e forçou um sorriso, sendo retribuído com um suspiro. Sakura recolheu suas coisas e, parando na frente dele — que ainda estava sentado, se inclinou numa saudação.
— Domo arigatou, sensei. — os olhos violetas se prenderam aos rubros e meio sem perceber, Kagami segurou o pulso dela. Quando se deu conta, deixou que os dedos escorregassem pelo dorso, enquanto o polegar alisava a palma dela. Sakura sorriu, antes de se afastar e o barulho da porta sendo batida se fez presente. Agora o ruivo estava sozinho novamente. Não entendia o que se passava em sua cabeça. Só tinha visto a garota umas quatro vezes, mas como poderia ficar tão desconcertado com a presença dela? E mais ainda com sua ausência? Olhou para sua mão direita e quase pôde sentir a pele macia dela em seus dedos.
— Estou louco. — murmurou para si. — Acho que preciso sair.
Ligou para os amigos, marcando de sairem mais tarde. Então, voltou para a cama e adormeceu tentando ignorar seus pensamentos.

Notas finais
Kiss, kiss!