Even Love
19 Capítulo XVIII - Um dia ensolarado
Notas iniciais
O sol estava batendo diretamente em meu rosto. Tão intensamente que tive que me levantar da cama só para fechar a janela, e no meio do caminho de volta, notei como meu corpo estava dolorido e cansado.
Lembrei-me da noite com Patch, das sensações que eu senti. Na verdade, que ainda sentia.
Meu corpo parecia estar queimando.
Olhei meu quarto, triste, por não encontrar Patch ao meu lado assim que acordei. Decepcionada por não despertar com ele me acariciando minhas costas, ou sussurrando coisas doces em meu ouvido. Eu estava vestindo apenas uma lingerie preta de renda, que eu tinha colocado ainda na noite passada, e só. Minhas roupas estavam espalhadas pelo quarto, encharcando todo o carpete.
Voltei para a cama, sentando-me bem onde Patch deveria estar. Ao meu lado. No calendário na parede, o dia de hoje estava circulado com marca texto azul, como lembrete de que minha mãe estaria em casa nesse dia. Droga. Não ia poder mais trazer Patch nem para o gramado da frente da casa.
De canto de olho, vejo alguma coisa preta, ocupando espaço em meu criado mudo. Era uma pena, uma pena negra e brilhosa, extremamente macia. Logo abaixo dela, num pedaço de folha –que reconheci ser do meu caderno-, estava escrito numa caligrafia rustica e caprichada:
Volto logo, Anjo. Tome um banho e espere por mim.
E foi exatamente isso que eu fiz, joguei minha toalha sobre o ombro e entrei no banheiro de meu quarto. Tranquei a porta atrás de mim, e comecei a me despir. Quando passei pelo espelho de corpo inteiro para entrar no Box, algo me chamou a atenção e eu voltei para encarar-me no espelho.
Eu tinha marcas do prazer do qual desfrutara noite passada, meu corpo estava completamente vermelho, havia marcas de dentes e de chupões por toda a extensão de minhas pernas, seios, barriga... Por sorte ele não tinha feito tanto estrago em meu pescoço, só alguns roxos discretos. Eu me lembrava muito bem de cada uma dessas marcas que ele tinha deixado. Corei ao lembrar de como ele tinha tocado meu corpo inteiro na noite passada, do jeito como ele tinha apalpado sem pudor algum cada centímetro do meu corpo, enquanto jurava que me amaria para sempre e que me queria para sempre.
“Eu disse que poderia de devorar.” Foi oque ele disse na segunda vez em que fizemos amor. Passei as mãos por minhas coxas avermelhadas me lembrando de como Patch tinha me beijado. Cada beijo era tão doce, tão sexy, tão excitante que deveria ser proibido. Como ele me acariciava e gemia e meu ouvido, dizendo como eu era linda. Ele realmente tinha feito eu me sentir a mulher mais bonita do mundo.
Sorrindo para meu reflexo, que parecia mais bonita e mais confiante, entrei no box e demorei-me no banho, lavando meus cabelos e fazendo a higiene completa.
Sai do banheiro com os cabelos um pouco úmidos apesar de já tê-los secado, uma calça jeans que cobria os avermelhados em minha pele e uma regata que deixava apenas as partes mais intactas do meu corpo de fora. Parei no meio do caminho quando vi a figura perfeita parada em frente ao calendário na parede, tocando de leve a folha.
— Tem compromissos para hoje, anjo? Que decepção, tinha um lugar para te levar. – Ele me olhou e um dos cantos de sua boca subiu levemente, fazendo-me perder o folego com aquele sorriso de matar.
— Minha mãe chega hoje. – Declarei e fui para mais perto dele, quase implorando para que ele me tocasse.
Deus! Como ele estava deslumbrante com aquela calça preta justa nos pontos certos, a camisa preta colada em seu tórax esculpido, e jaqueta de couro marrom por cima. Droga, ele estava tão sexy. Seu cabelo negro, com leves cachos nas pontas estava molhado e grudado em seu pescoço, eu podia quase sentir o aroma de menta exalando dele.
— Estava planejando algumas coisas para hoje. – Ele disse com um sorriso malicioso em sua boca.
— Então vamos. – Disse empolgada.
O que estava acontecendo comigo? Desde quando eu precisava e dependia desse jeito da presença de Patch? Desde quando eu me pegava pensando coisas impuras desse jeito?
— Até porque estou te devendo algumas explicações, não é? – Senti-me triste e curiosa ao mesmo tempo. Triste por ele não estar planejando me levar para um lugar bem longe dali onde pudéssemos ficar só nós dois. E curiosa, por, bem, quem não estaria intrigada sobre oque ele era?
Eu tinha acabado de passar a noite com um anjo caído.
— Quer mesmo arriscar e sair comigo? – Perguntou vindo até mim e passando um braço ao redor de minha cintura, apertando-me contra seu peitoral, deliciando-me com o cheiro de seu pós-barba.
— Droga. – Resmunguei. – Acho que eu arriscaria tudo por você. – Confessei, e enfiei mais o rosto na curva de seu pescoço.
— Vamos. – Então ele me puxou pela mão e me levou porta a fora. Só me deu tempo de trancar a porta de entrada e esconder a chave dentro do vaso de plantas – local em que minha mãe sabia que estaria – e andamos até seu carro.
— Para onde está me levando? – Perguntei sorrindo.
Patch era espontâneo. Uma caixinha cheia de surpresas. E eu tinha tantas coisas para me preocupar, como, o fato dele ser um anjo caído. Ah! Também tinha o fato de que Eric era um vampiro do mal que queria tomar meu sangue. E para completar, a louca história de que eu já tinha vivido antes. Tudo isso estava na minha cabeça nesse exato momento, no momento em que concordei ir para seja lá onde que ele planejava me levar, mas eu não me importava.
Eu estava apaixonada por ele. Completamente apaixonada por Patch Cipriano, o cara que eu conheci de forma estranha, que eu sai apenas algumas vezes, que me ajudou e me livrou de enrascadas. Aliás, que mulher não se apaixonaria por ele? Estar com ele, na presença dele, era como levar um soco de adrenalina na cara. Patch era tão... Perigoso, como se fosse arriscado estar ao seu lado. A sensação de que eu estava arriscando tudo... Eu amava brincar com o perigo, e esse devia ser o segundo nome de Patch.
— Você está quieta. – Sua voz doce me tirou de meus devaneios e me trouxe de volta para o carro. – Pensei que teria milhares de perguntas.
— E eu tenho. – Olhei pra ele, que gesticulou para que eu prosseguisse. – Quantos anos você tem?
Patch deu uma risada rouca e olhou rapidamente para mim.
— Anjo, pensei que ia começar com uma pergunta mais séria, como: Você é realmente um anjo?
— Mas é sério! – Cruzei os braços. – Você tem 19 anos, tudo bem, mas há quanto tempo você vive?
— Hum... – Ele fingiu pensar, para poder responder: — Há muito, muito tempo. Vamos mudar de assunto, posso garantir á você que esse não é um caso de pedofilia.
Eu ri e virei-me para ele, no banco do carro.
— O que você pode fazer? Quero dizer, você tem superpoderes? – Sorri para ele.
— Depende. O que você chama de superpoder?
— Você é um anjo caído, então pode voar? – Perguntei entusiasmada, já tinha lido vários romances onde o “anjo” levava a garota para voar com ele.
Patch pigarreou e lançou um olhar decepcionado á estrada.
— Sinto muito, essa é uma das coisas que eu não posso fazer. Perdi minhas asas durante a queda. – Ele deu os ombros, como se não se importasse, mas continuou com o olhar triste.
— Você queria tê-las de volta? Tem alguma coisa que você pode fazer?
— Voar é a melhor sensação que você pode ter, Nora. – Ele disse, suspirando. — É uma das únicas coisas de que sinto falta em ser um anjo.
Mordi o lábio. Talvez eu já estivesse me intrometendo demais, visivelmente ele não gostava de tocar nesse assunto.
— Então... Eu não sei nem por onde começar. – Fui sincera, dando um riso seco. – O que eu devo perguntar? – Disse para mim mesma.
— Sinceramente não sei como você ainda não está surtando com tudo isso. Ontem foi um dia cansativo, não? – Patch perguntou sem malicia, mas minhas bochechas instantaneamente ficaram coradas. Meus pensamentos foram para a noite anterior e para as caricias que tínhamos trocas, eu estava nervosa, mas ele parecia tão bem. Falando normalmente do dia de ontem como se fosse normal.
Não que fazer sexo fosse coisa de outro mundo, mas foi minha primeira vez. Eu ficaria com isso fixo em minha cabeça por mais um tempo.
— Sim. Foi cansativa. – Respondi, enfim. – Que tal começar me contando sobre minha vida passada?
— Bem... – Ele parecia estar escolhendo muito bem as palavras. – Você morava numa cidade chamada Coldwater, em Maine. Na época em que eu te conheci você tinha dezessete anos, você era... Difícil. – Olhei para ele, erguendo a sobrancelha. – Foi complicado eu me aproximar de você, parecia que você me queria o mais longe o possível. A Nora Grey morava com sua mãe em uma casa de campo grande e isolada, na saída da cidade, era uma aluna esforçada, inteligente, bonita. Um ser fascinante.
O carro de repente parou, e eu olhei ao redor. Estávamos cercados por árvores, o carro tinha parado no acostamento ao lado da estrada de terra que dava para lugar nenhum. Patch desceu do carro, fazendo sinal para que eu o seguisse, e eu fui. Descemos um pequeno barranco de terra e continuei seguindo-o enquanto ele falava, olhando para trás como se quisesse conferir que eu não tinha me perdido.
— Tenho que confessar que só entrei na escola porque me encantei com você. Eu tinha te visto várias vezes antes de você finalmente reparar em mim. – Ele sorriu. – Seu sorriso era lindo, seu jeito era diferente, você era única. Eu fiquei curioso sobre você, então me matriculei na escola em que você estudava. Depois de algumas semanas finalmente consegui com que você saísse comigo, e desde então ficamos juntos. Foi um dos momentos mais felizes da minha vida. — Patch começou a andar mais rápido e eu apenas o segui.
As árvores estavam ficando maiores e mais grudadas umas as outras, havia arbustos e musgos por todo o lado, não que eu me importasse. Na verdade, eu não ligava para onde ele estava me levando, desde que ele fosse junto.
— Eu me sentia completo quando estava com você. Eu vaguei pela terra, sem rumo, por muito tempo. Eu nunca tinha me fixado a algo ou a alguém, até que você apareceu e virou meu mundo de cabeça para baixo. – Ele olhou para mim e me viu sorrindo. – OK, isso foi piegas, mas é a verdade, anjo. Ficar sem você por dezessete anos foi a pior coisa que aconteceu comigo, eu preferiria que arrancassem minhas asas infinitas vezes do que sentir aquela dor de novo.
Quando ele disse isso, não pude evitar dar mais alguns passos rápidos e entrelaçar nossos dedos. Sua mão era quente, como um choque que percorria todo meu corpo.
— Você não vai senti-la mais, eu prometo. – Tentei confortá-lo mesmo sabendo que aquilo era a maior mentira que tinha dito em toda a minha vida.
Um dia eu morreria. Poderia ser num acidente, uma doença, ou simplesmente por causas naturas. E Patch continuaria assim para sempre, jovem, esbelto e lindo. Não só lindo, ele continuaria estonteante como sempre fora. Pensar nisso me fazia ficar triste.
Meu coração doía só de pensar em deixa-lo.
— E como eu... Morri? – Tentei perguntar isso com a voz mais delicada que consegui, mas ainda senti sua mão apertando forte a minha.
— Aconteceu depois que você conheceu Eric. Você era muito teimosa, pensava que podia controlar coisas que você nem pensava que existiam antes. Quando conheceu o mundo dos vampiros, Nora Grey quis saber mais sobre eles e então se aproximou mais de Eric. Bem, o resultado foi que ele se apaixonou por ela, e ela por ele. – Nós paramos de andar, mas só notei isso porque Patch colocou as mãos em meus ombros e começou a me guiar até uma rocha enorme que estava ali.
As árvores tinham ficado para trás, e agora davam lugar a uma enorme clareira, com um lago de água cristalina o cortando bem ao meio. A rocha era alta, e provavelmente tinha uns bons três metros de largura. Patch me ajudou a subir e eu caí para trás, ainda boba com oque ele tinha acabado de contar.
Então eu tinha me apaixonado por outro homem mesmo estando namorando com ele? Eu estava com raiva de mim mesma. Como eu pude ser tão... Idiota? E ainda por um homem como Eric!
— Então eu... Te trai? – Deduzi, mordendo o lábio. Eu queria ter alguma coisa para esconder meu rosto.
Patch não respondeu, ele apenas deu os ombros e abaixou a cabeça. Enquanto eu estava deitada de costas na rocha, ele permaneceu sentado, com as pernas cruzadas.
— Continuando... O mundo dos vampiros é diferente, eles ainda vivem numa monarquia, onde um rei é escolhido á base da carnificina, para cada estado. Eric tinha problemas com o rei de sua área e isso acabou afetando você. Ele e sua namorada vieram atrás de você, querendo se vigar de Eric. A namorada do rei matou você numa noite em que estávamos tentando lutar contra os vampiros. Depois de um tempo descobri que ela se chamava Sookie.
— Ela ainda está viva? – Perguntei apreensiva.
— A tal Sookie não viveu nem meio segundo depois do que fez com você. – Sua voz fria soava triste. – Enquanto eu estava com você em meus braços, Eric foi até ela e arrancou o coração de seu peito.
Eu me arrepiei por inteira. Minhas mãos se fecharam em punhos e eu mordi o lábio, tentando reprimir o choque que eu senti. Então eu morri assim. Tudo porque fui teimosa e imprudente. Eu estava feliz por não ser a mesma Nora de antigamente.
— Essa marca em suas costas. O sinal de nascença. – Ele disse e se virou para mim. Imediatamente eu me sentei e levantei a blusa até o meio das costas, deixando a marca na altura de meus rins visível. – É onde teria uma cicatriz.
Minha boca se abriu. Eu queria dizer alguma coisa, realmente queria, o silêncio que se seguiu depois foi realmente perturbador, mas eu estava assustada demais para falar qualquer coisa, então apenas encostei minha cabeça no ombro de Patch, enquanto seus dedos quentes passavam em volta da minha marca de nascença.
— Eu tenho medo. – Ele disse de repente e eu levantei a cabeça.
— Medo de que?
— Medo de acordar amanhã e perceber que tudo isso é fruto da minha imaginação. – Confessou e fechou os olhos, deixando-se cair para trás. – Que é apenas mais um sonho.
— Acha que eu não sou real? – Perguntei e me deitei também, de barriga para baixo e com o queixo apoiado no peitoral de Patch.
— Procurei você por tanto tempo... Eu senti tanto a sua falta. Tanto. Você não tem noção de quantas noites eu acordei desesperado porque sonhei com você inerte em meus braços... E eu simplesmente não podia fazer nada! – Disse exaltado. Seus olhos ainda estavam fechados, então delicadamente eu beijei seu queixo.
Sussurrei bem perto dele:
— Patch, eu amo você. – Foi minha vez de fechar os olhos. – Eu realmente estou aqui, e desta vez eu vou fazer o certo. Eu vou ficar com você.
— Você é minha, anjo. – Disse simplesmente e colocou uma mão em minha nuca, puxando-me para um beijo lento e carinhoso. Estava quase sem fôlego quando Patch finalmente me soltou, para poder me encarar.
Foi ai que tive uma ideia.
— Onde está seu celular? – Perguntei entusiasmada. Ele me olhou por um momento e depois puxou um Galaxy Note II de dentro do bolso de sua jaqueta. Entrei no aplicativo da câmera e coloquei na opção de “câmera frontal”, então o puxei, fazendo-o sentar.
— O que você está... – Coloquei o dedo indicador sobre seus lábios e sentei-me mais próxima dele.
— Apenas sorria. – Disse antes de tirar a primeira foto. Cliquei para vê-la e ri alto ao ver a cara de espanto de Patch.
— Ei! Eu não estava preparado. – Ele disse, e tirou o celular de minhas mãos. – Minha vez de tirar, sorria.
Então eu sorri, fazendo um sinal de “paz e amor” com os dedos da mão, bem próximo de minha bochecha. Peguei o celular de sua mão e vi a foto. Realmente, tinha saído perfeita. A vista atrás de nós era só verde, com árvores altas. Eu me sai bem, mas Patch estava maravilhoso. Seus cabelos negros brilhavam e seu olhar estava mais sexy do que nunca.
— Tudo bem, me diga o motivo disso. – Ele perguntou, mas eu já estava mostrando para ele o motivo. A foto que tínhamos acabado de tirar agora estava como papel de parede de seu celular.
Patch sorriu.
— Agora quando você acordar vai saber que não foi um sonho. Basta olhar para a tela do celular. – Sorri, tirando os fios de cabelo que o vento tinha soprado para meu rosto. Ele me ajudou a prender os fios atrás de minha orelha e abriu um enorme sorriso.
— Isso me parece bom. – Disse dando uma ultima olhada em seu celular e o deixando de lado, para voltar com as mãos em meu rosto. – Mas ainda é aconselhável eu aproveitar o máximo enquanto estiver ao seu lado. – Sua voz rouca me fez ficar arrepiada, e seus lábios buscaram os meus, para me dar um selinho demorado e delicado.
Parecíamos um casal normal. Um lindo casal normal aproveitando uma tarde ensolarada de verão.
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