Notas iniciais
Fanfic sobre um dos meus casais favoritos, Alfred Graves e Aurora Luft (Alfora), baseada na música "Evaporate - Gabrielle Aplin". Para quem quiser ver a letra em inglês da música "Evaporate" usada na história, segue aqui o link: https://www.youtube.com/watch?v=xEF5M4MsB9M

A cada dia que passava, Aurora se sentia mais dominada pela personalidade de Helene Bauer, perdendo aos poucos sua própria identidade no papel que interpretava.

Quase na mesma proporção estava sua frieza ao falar com Alfred. Ela o amava, mas não sabia mais se o jovem sinestésico a amaria depois de tudo o que ela estava fazendo para afastá-lo dela, para protegê-lo dela e pelo que ela estava fazendo em nome da missão.

Alfred e Neil, os últimos membros da equipe liderada por Aurora, tinham ido ajudá-la a se livrar de Heidi, que havia descoberto que a canadense era uma espiã. No entanto, quando chegaram, a sargento já havia assumido o controle da situação e a desprezível colega simpatizante do nazismo jazia ao lado da líder da equipe.

Apesar de aparentar estar calma, como se não tivesse sido afetada pelos últimos acontecimentos, quando Neil pergunta o que farão com o corpo de Heidi, Alfred sente o ódio e o desprezo contido na voz de Aurora quando ela diz:

— Faremos o mesmo que ela fez com todos. A vala comum não fica longe daqui.

Quando Neil se afasta para esconder o corpo de Heidi, Alfred pergunta:

— Você está mesmo bem?

O jovem sinestésico percebe a dor contida no olhar dela, quando ela lhe responde secamente:

— Sim, estou.

Alfred, vendo que Aurora não se abriria, pergunta o que houve, enquanto tenta captar o que a perturbara tanto, sem questionar diretamente como ela estava.

Aurora pensa em como formular sua resposta, pois temia que ele descobrisse tudo o que houve no dia anterior e visse quem ela era agora. Sendo objetiva na tentativa de esconder os detalhes, a canadense diz:

— Heidi descobriu que eu era uma espiã, então tive que me livrar dela. A missão está segura outra vez.

— E como ela descobriu você? — ele pergunta.

A espiã sabia que ele não ficaria satisfeito com uma resposta tão vaga. Assim, se sentindo culpada, com vergonha por ter permitido aquilo acontecer, ela se força a responder:

— Depois que eu saí do acampamento, não fui para o quarto que dormia como Helene. Fui atrás de Faber e Heidi me viu… Com ele.

Alfred, percebendo que ela escondia algo, fez a pergunta que Aurora tanto temia:

— E o que você foi fazer lá?

Ao olhar nos olhos de Aurora enquanto aguardava a resposta, ele sentiu o gosto da vergonha, da culpa e do medo na voz dela quando ela respondeu:

— Não me faça dizer isso. — diz ela, com a dor quase palpável no olhar.

Alfred então entendeu que eles não foram apenas vistos juntos. Que algo havia acontecido entre a espiã e o nazista, algo que ela não quis contar por medo de magoá-lo ainda mais.

Nesse momento, Aurora se odiou ainda mais. Porque ela não era capaz de contar a ele tudo o que havia acontecido, por não querer que ele visse o que ela era agora. Imunda. Um monstro. Alguém que destruíra a si mesma realizando atos imperdoáveis. Alguém que compartilhara um beijo com o homem que odiava e era seu espelho, seu igual e não um beijo com Alfred, o homem que ela amava. Por isso, ela partia ainda mais o coração do jovem sinestésico, com outra lembrança dolorosa por palavras não ditas.

Por isso, a loira não ficou surpresa quando ele não veio se despedir dela na estação, antes que ela partisse para Berlim. Quando Neil disse que Alfred tinha que resolver alguns assuntos pendentes, ela tinha quase certeza que eles envolviam Irena, a filha do chefe da estação, com quem o canadense já tinha tido alguns encontros.

Assim, pouco a pouco, o medo que Aurora tinha de perdê-lo aumentava, pois além dos riscos da missão, ela temia perder o amor dele, pois sabia que a forma como vinha tratando Alfred não correspondia à verdade oculta em seu coração. Ela já não sabia se ele percebia, em meio às meias verdades e a trama de mentiras em que estava envolvida, o que ela realmente sentia por ele.

Dessa forma, na sua partida para Berlim, só Neil tinha vindo se despedir, o que, apesar do desapontamento por não ver Alfred, dava a Aurora um certo alívio que o inglês tivesse apenas afirmado que ela tinha tido um dia horrível, dando um abraço e um beijo na testa da canadense, como se ele entendesse que as coisas estavam difíceis e que ela não queria falar sobre isso, mas precisava de apoio para conseguir seguir em frente.

Mesmo assim, já em Berlim, apesar do crescente desentendimento entre Aurora e Alfred, ambos tiveram que trabalhar juntos para sabotarem a Operação Marigold, que aumentaria os estoques de combustível da Alemanha e aumentaria as chances dos nazistas ganharem a guerra.

A sabotagem consistia em esconderem explosivos nos quadros que seriam expostos na condecoração de Voigt, o responsável pela fórmula do combustível. Com a explosão, eles criariam uma distração para que Faber, teoricamente um agente duplo, levasse o cérebro da operação até Aurora, que mataria o cientista chefe e impediria esse avanço dos alemães, dando alguma vantagem aos Aliados.

Enquanto realizavam esse importante passo para o fim da missão, a canadense sentia que o peso dos segredos que escondia do jovem sinestésico era quase palpável, assim como a distância que ela provocara entre eles.

A espiã sabia que ele retomaria o assunto não acabado da última conversa, por isso, não se surpreendeu quando ele começou dizendo:

— Você precisa ser mais cuidadosa. Por pouco todo o progresso que tivemos até agora não foi perdido e tivemos que limpar a sua bagunça. Por pouco Harry não morreu em vão! Não deixe seus sentimentos interferirem na missão outra vez. — ele diz, com um tom de voz ferido.

As palavras de Alfred acertam Aurora em cheio. É claro que ela tinha consciência de que cometera um erro grave. Mas ao mesmo tempo, ele não sabia o que ela tinha passado. O que ela estava passando.

Carne e osso envolvidos em pele

Mantida viva pelo oxigênio

Mas neste momento respirar é tão difícil

Eles dizem que sabem o que eu posso sentir

E que o tempo vai encontrar uma maneira de curar

Mas neste momento o tempo não é suficiente

No entanto, a sargento não aceitaria que ele pensasse que ela se descuidou por não dar valor ao esforço que faziam para cumprirem o objetivo da missão:

— Você não faz mínima ideia do que eu fiz para que pudéssemos chegar até aqui. Tudo o que eu faço é pelo bem maior da missão e da equipe. Não ouse dizer que eu não tenho responsabilidade. Não confunda as coisas. — ela responde, tentando conter a raiva.

Porém, quando o museu é abalado por um ataque aéreo, Aurora vê Alfred se encolher, paralisado pelo medo e por todas as memórias que ele tem que carregar. Isso faz com que toda a raiva que ela direcionava ao canadense fosse substituída pela preocupação com ele, tão indefeso, desprotegido.

Assim, ela assume um tom protetor, ainda que um pouco autoritário, na tentativa de trazer o jovem sinestésico para o presente, para perto dela.

Ver Alfred dessa forma a desestabilizou ainda mais. Ela estava tão centrada nos seus próprios problemas que não notara o quanto ele estava sendo afetado pelos últimos acontecimentos, por todo esse ambiente instável, sem a presença dela para ajudá-lo suportar tudo isso. Ele precisava dela. Tanto quanto ela precisava dele, mesmo que Aurora relutasse em assumir isso para si mesma.

Por isso, ela diz, tentando soar mais calma e confiante do que de fato estava:

— Alfred, você está bem? Eu estou aqui. Vai ficar tudo bem, está me ouvindo? Vai ficar tudo bem. — Aurora toca o rosto dele levemente, fazendo com que ele fixe o olhar no rosto dela.

O canadense estava verdadeiramente assustado, com o olhar cheio de lágrimas, como se não pudesse conter o turbilhão de memórias que revivia em sua mente.

Na tentativa de acalmá-lo, Aurora o guia para um canto mais seguro do museu e faz com que ele se sente ao seu lado. Ela mesma quebra a distância entre eles, permitindo que o canadense encostasse a cabeça junto ao peito dela, de forma que ele ouvisse as batidas do coração dela, enquanto ela acariciava lentamente o cabelo do rapaz, sentindo seu vestido molhar com as lágrimas que insistiam em escorrer pela face dele.

Mas, então, eu sinto você se infiltrando

Eu posso sentir o sangue correndo novamente

Ao mesmo tempo, ela continua repetindo como um mantra, não só para ele, mas para si mesma:

— Vai ficar tudo bem, eu estou aqui. Estou bem aqui.

E a canadense estava mesmo. Pela primeira vez em muito tempo, ela estava por inteira ao lado de Alfred. E ao mesmo tempo em que isso o acalmava, pela simples presença real dela ali, esse fato a preocupava, pois ela tinha certeza de que o jovem sinestésico era capaz de ver a dor e a confusão que ela tentava esconder de todos. Ainda mais quando ele, já mais calmo, se vira e questiona:

— Está mesmo? — ele pergunta, entristecido ao sentir o peso que a loira relutava em guardar para si própria.

Aurora sabia o que o olhar dele queria dizer. Que ela tinha visto o pior dele, o Alfred perdido no peso das memórias que ele teria para sempre e, como ela o ajudou a enfrentar isso, o canadense queria que ela compartilhasse com ele o que tanto atormentava a alma dela.

A espiã não sabia por onde começar, mas sabia que não podia esconder isso dele para sempre. Ela sabia que não só as barreiras dele haviam caído com o bombardeio, mas as suas próprias também haviam cedido. Por isso, mesmo ainda relutante, ela diz:

— Alfred, eu não quero que você me veja assim. Como eu me vejo.

— Assim como? — pergunta o jovem sinestésico, incentivando que ela continuasse.

— Como um monstro. Não quero que você me veja como um monstro. — ela diz, à beira das lágrimas.

Sim, Aurora temia que ele não a amasse mais se soubesse o que ela tinha feito, o que ela tinha sido capaz de fazer. A canadense podia aprender a lidar com o fato de ser um monstro, mas não suportava a ideia de decepcionar Alfred, de não ser a mulher que ele esperava que ela fosse, por não saber mais o que era certo ou errado.

Para a surpresa da espiã, a reação dele não foi de decepção ou aversão às palavras dela, mas uma resposta sincera, no tom mais doce que ela já vira na voz dele:

— Nada do que você disser pode mudar o que eu sinto por você. — diz ele, segurando as mãos dela entre as suas, para demonstrar seu apoio.

A resposta dele desarmou Aurora por completo e a canadense se permitiu chorar. Permitiu que ele visse como ela de fato de sentia. Confusa, com raiva e com nojo de si mesma, mas que, ao mesmo tempo, não aguentaria carregar mais esse fardo sozinha.

Quando é muito difícil e muito tarde,

Quando eu estou muito cansada para fugir

Quando as coisas não podem continuar do jeito que estavam

Eu preciso de você, porque

Você esmaga o problema que eu não posso lidar

E todas as peças quebradas

Evaporam, evaporam, evaporam

Sem suas barreiras, as palavras começaram a fluir como suas lágrimas, sem que a espiã conseguisse conter nenhuma das duas.

— Na festa de Schmidt, eu fiz uma coisa terrível. Algo que eu nunca deveria ter feito. Eu matei um homem inocente. Um dos empregados judeus. Eu o vejo cada vez que fecho meus olhos. Como ele estava desamparado, assustado, implorando silenciosamente para que eu não o matasse. Mas mesmo assim eu o matei. — ela diz, com a raiva de si mesma evidente no gosto que Alfred sentia na voz dela.

Aurora faz uma pausa. A dor em seu olhar é nítida. Suas lágrimas caem copiosamente, marcando seu rosto com a dor e a vergonha de si mesma. Ela respira fundo e continua:

— E por quê? Para impressionar nazistas. Eu matei um judeu, só por ele ser judeu. Isso não me faz melhor do que nenhum nazista. — a loira diz, se afastando do jovem sinestésico.

Alfred então compreende porque aquele fato a havia afetado tanto. Ela era filha de um judeu alemão e sentia como se tivesse matado alguém como seu próprio pai. Como se tivesse matado seu próprio povo e se tornado exatamente aquilo que combatia.

Aurora então lhe confessa seu maior medo:

— Eu não sei mais quem eu sou. — ela diz, enquanto Alfred sente o gosto da dor e da vergonha na voz dela, condizentes com o tom negro que a circundava ao invés do azul que o acalmava.

Ele sabia que a espiã se sentia assombrada pela possibilidade de um dia se olhar no espelho e ver apenas Helene Bauer quando ela lhe confessou que sonhava em alemão e começava a se perder. Mas agora as coisas eram mais complicadas. Ele precisava que a loira visse como ele a via. Que a sargento relembrasse quem ela era de fato. Por isso disse, com segurança:

— Não foi você quem fez essas coisas. Eu conheço você. Eu sei quem você é. Você é Aurora. Você... é... Aurora. — diz Alfred, se aproximando da canadense e acariciando levemente os ombros dela, tentando reconfortá-la.

Aurora sabia o quanto seu próprio nome significava para ele. Seu nome representava quem ela era e se Alfred era capaz de pronunciá-lo, não uma vez, suavemente, como se estivesse testando se conseguia lidar com o fato de dizê-lo, mas duas vezes, como se tivesse certeza de quem ela era e que agora sabia como lidar com o fato de amá-la, a fez se sentir muito grata.

Eu não sei como as palavras que você diz

Têm milhares de vezes mais peso

Do que qualquer outra palavra que já ouvi antes

Se Alfred não a via como um monstro, já era um começo. Se ele via o que havia na alma dela e não a odiava e sim a ajudava a encontrar a saída para sua própria escuridão, a loira podia se permitir amá-lo.

Mas, então, eu sinto você se infiltrando

Eu posso sentir o sangue correndo novamente

Pelas minhas veias, eu posso sentir o pulso começar a correr

Quando é muito difícil e muito tarde,

Quando eu estou muito cansada para fugir

Quando as coisas não podem continuar do jeito que estavam

Eu preciso de você, porque

Você esmaga o problema que eu não posso lidar

E todas as peças quebradas

Evaporam, evaporam, evaporam

Alfred a fizera se reencontrar. Ele era a luz na escuridão. Ele fizera Aurora recuperar a si mesma, se lembrar de quem ela de fato era.

Ela era Aurora Luft, franco canadense, filha de um judeu alemão e havia sacrificado tudo para ver o fim da guerra. Ela apenas fingia ser Helene Bauer por um objetivo maior e sabia falar alemão por causa de seu pai, não apenas para se infiltrar em uma missão.

Ela lutava para que não precisasse esconder suas origens e poder ter orgulho de ser meio judia. Ela lutava para que pessoas como sua prima Lotte não fossem mortas por um ideal ridículo de raça pura.

Aurora sabia que faria o que fosse preciso para acabar com a guerra e com o nazismo. Mas ela agora via que não precisava carregar seus fardos sozinha. Alfred estava ali com ela. Ele a amava e não se importava com o que ela tivesse feito, pois ele estaria ali com ela, sempre que ela precisasse.

Por isso, por ela só queria agradecê-lo por ajudá-la a recuperar a si mesma. Queria parar de mentir sobre tudo por alguns instantes, antes de ser Helene Bauer mais uma vez.

Queria se permitir amá-lo, sem se importar com as ordens de Sinclair para não ter nenhum relacionamento amoroso com o canadense. Como quando abraçou Alfred na Polônia, grata por ele estar vivo, mas ao mesmo tempo buscando o apoio dele para suportar a perda de Harry.

Assim, Aurora decidiu dar vazão ao que havia em seu coração, cansada demais para continuar fugindo do que sentia. Ao beijá-lo para agradecer por tudo, a loira se permitiu beijá-lo como não havia se permitido antes.

Ela o beijou da forma que desejava desde a troca de olhares enquanto se arrumavam para ir à festa da promoção de Faber.

Em que por trás de um simples "tudo bem?", ajeitando um broche no vestido da canadense, Alfred acariciou levemente o ombro dela e ela a mão dele. E havia ficado evidente para ambos que havia uma tensão no ar, desejos reprimidos e que a espiã só não o beijou por estarem sendo observados.

Assim, ela enfim deu vazão ao desejo que sentia de ficar mais próxima dele, de sentir o toque e o beijo dele, ao que sentia toda vez que estavam juntos, que se trocavam juntos.

Antes que percebesse de fato o que estava fazendo, ela o beijava intensamente e não conseguiria voltar atrás. Queria estar com ele, agora que a chama em seu coração estava mais forte do que antes e não poderia ser apagada ou diminuída, agora que ela a fizera recuperar quem ela era de fato.

Queria se sentir apenas Aurora, a Aurora que amava Alfred e queria se sentir segura e protegida nos braços dele. Que queria que ele fosse seu único pensamento por alguns instantes. Que a sensação de seu corpo junto ao dele fosse tudo o que havia no mundo. Que por algum tempo, suas preocupações fossem deixadas de lado.

Voar, voar, faça-as voar para longe

Voar, voar, veja-as voar para longe

Quando é muito difícil e muito tarde

Quando eu estou muito cansada para fugir

Quando as coisas não podem continuar do jeito que estavam

Eu preciso de você, porque

Você esmaga o problema que eu não posso lidar

E todas as peças quebradas

Evaporam, evaporam, evaporam

Evaporam, evaporam, evaporam

E ela sabia que Alfred sentia o mesmo. Que ele queria apenas estar junto dela, de tê-la mais próxima do que nunca, de tê-la em seus braços, sentindo seus beijos, as carícias sob a sua pele. De ter um momento único, com todas as cores, sons e gostos que compartilhar um momento tão íntimo com ela lhe fariam sentir e registrar para sempre. De se lembrar de algum momento luminoso em um lugar tão horrível, cheio de experiências devastadoras, em que ela sempre era seu porto seguro, o azul que o deixava seguro.

Mas agora ele também era a âncora que a mantinha aqui, que a mantinha Aurora Luft por mais alguns instantes, sendo o farol que a guiava para fora de sua própria escuridão e a fazia se lembrar quem ela era.

Nesse momento, a loira se permitira sentir como não havia se permitido antes, se permitira amar como não havia se permitido antes, deixando que ele fosse sua única preocupação antes de voltar a ser Helene Bauer mais uma vez. E esperava que fosse a última, já que esse era o último ato da missão, quer ela fosse bem sucedida ou não. Porém, diferentemente de minutos atrás, Aurora agora se sentia preparada para encarar a última etapa da missão.

Acariciando o rosto de Alfred uma última vez, a canadense começa a se vestir, sendo ajudada pelo jovem sinestésico, que abotoava o vestido dela com delicadeza, como se ainda não acreditasse que haviam compartilhado um momento tão único.

A sargento então diz, triste por ter que se separar dele tão rapidamente:

— Eu preciso ir, Schmidt vai me buscar daqui a pouco.

Dando um discreto sorriso, como se voltasse a ter confiança em si mesma, Aurora olha para Alfred com ternura e diz:

— Obrigada.

Ela agradecia não só por ele ainda amá-la apesar de tudo o que ela havia feito, mas por ter sido ajudada por ele a recuperar a si mesma.

Alfred sorri de volta e lhe deseja boa sorte, pensando em como a última parte da missão seria a mais difícil, temendo não reencontrá-la novamente.

— Nos vemos no esconderijo. — responde a canadense, como se adivinhasse os pensamentos do rapaz e, por isso, tentava ser positiva e acreditar que ainda se veriam outra vez.

Mesmo sabendo que a probabilidade de se reencontrarem seria baixa, Aurora agora estava pronta para desempenhar seu papel de Helene Bauer de novo, mas dessa vez, sem esquecer quem era de fato.

Alfred mantém o sorriso, feliz em vê-la confiante de novo e, para que ela não se sentisse culpada por deixá-lo para trás, completa:

— Sim, nos vemos em algumas horas. Vá, eu cuido do resto aqui.

— Tudo bem, eu vou. — ela diz, dando um beijo de despedida no canadense.

— Não olhe para trás. — diz Alfred com seriedade, para que ela pudesse se concentrar no desafio que teria pela frente e, ao mesmo tempo, visse que ele confiava nela e acreditava na possibilidade dela conseguir terminar a missão.

Seguindo o conselho do jovem sinestésico, Aurora responde:

— Não vou. — ela diz, com a determinação no olhar que costumava demonstrar como líder da equipe.

Se afastando de Alfred, Aurora segue em frente, caminhando com passos rápidos e firmes, respirando fundo e fechando os olhos, como se estivesse se preparando para encarar o que o destino lhe reservara.

Certa de que ele terminaria de colocar os explosivos nos quadros, a sargento recupera sua coragem para finalmente poder encerrar a missão de uma vez por todas, e, fosse qual fosse o resultado, ela faria isso sabendo quem realmente era, graças a Alfred.

Notas finais
Obrigada por terem lido a fanfic! Se puderem, deixem comentários para que eu possa saber o que vocês acharam e favoritem se vocês tiverem gostado, isso me faria muito feliz! Se vocês já conheciam X Company, sabem o quanto os personagens são incríveis e porque eu gosto tanto do Alfred e da Aurora. Se não conhecem, não percam a chance de conhecer essa série maravilhosa! Bjs, Sakura Hikari =)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!