Evans
1 Evans
Notas iniciais
Tudo bem com vocês?
Bom, chegou a vez da futura senhora Potter e realmente espero que vocês gostem, porque ficou bem diferente da forma como a Lily é normalmente representada.
.
Há algo ironicamente trágico sobre uma boa moça. Você sabe de quem estou falando, não é preciso muito para o estereótipo surgir em sua mente, iluminado pela áurea da perfeição. Sorrisos contidos, notas exemplares, comportamento impecável. Cabelos bem penteados, saia acima dos joelhos e a determinação em proteger os fracos e oprimidos. Lily Evans era uma boa moça. Pelo menos, fingia ser. Porque a grande e trágica ironia sobre uma garota boa é que tudo não passa de aparência. Acredite em mim quando digo que por trás de uma fachada de perfeição, sempre há algo sombrio, enferrujado ou sujo. E não importa o quão maravilhosa e cobiçada seja a superfície, o grande e indecifrável enigma é o que se esconde em seu interior.
Lily sabe muito bem de tudo isso. Na verdade, toda boa moça sabe, mas finge não saber. No fim das contas, dissimular é sempre seu maior talento. Contudo, ao contrário das dissimuladas comuns, não fazem por mal. Apenas precisam de suas mentiras perfeitas para sobreviverem a todas as expectativas que as sufocam. Não se sabe como o ciclo é criado, se são as expectativas que fazem com que se tornem boas moças, ou se o fato de serem boas moças que traz as expectativas. Não importa, afinal nessa equação o resultado é tudo o que interessa. A Evans tem total consciência disso. Então, ajeita os cabelos avermelhados e finge prestar atenção à aula de poções.
Veja só, a ruiva não é tão diferente de você e também divaga enquanto o professor trava seu monólogo incessante. Também não é tão boazinha quanto parece. Oh, não! Às vezes, ela deseja poder lançar um feitiço na irmã. Ama Petúnia, mas há momentos em que verdadeiramente a odeia. Ódio real e latente. A grande antítese vem do fato de que não quer odiar. Na verdade, odeia odiar. Que tipo de pessoa odeia a própria irmã? Definitivamente, o tipo que ela não quer ser.
Partindo de um extremo ao outro, há o Potter. Ela diz que o odeia, ou melhor, que não é particularmente sua fã, afinal garotas boas não podem odiar ninguém. De qualquer forma, nos dois casos é mentira. Não que o ame, mas sente algo por ele e definitivamente o deseja. Deseja sem nenhuma inocência, da forma mais carnal e imunda que pode haver. O simples pensamento é suficiente para fazer sua suposta mente ingênua ser invadida por fantasias impuras. Ela sabe que ele também a deseja e gosta disso. Finge que não, mas seu peito se enche em chamas a cada mísero segundo de atenção que ele lhe dedica. O problema é que não deveria nutrir nenhum desses sentimentos pelo rapaz. James não é uma boa pessoa e ocupa boa parte de seu tempo infernizando Severus, o amigo mais antigo da ruiva. Como poderia sequer cogitar algo com alguém assim? Não importava o quanto quisesse, sabia que não deveria querer.
Severus, por sua vez, era outro problema. Lily não era cega e, ao contrario da crença popular, não tinha nada de inocente. Ela sabia dos sentimentos do sonserino por ela, mas agia como se não soubesse. Dissimulando, sempre dissimulando! A Evans, contudo, não conseguia vê-lo como algo além de um grande amigo. Não fazia por mal e verdadeiramente tentara, mas os sentimentos dos dois seguiam retas paralelas, que não se tocavam. Ainda assim, pensar em perder Snape lhe era insuportável demais e, talvez no ápice de seu egoísmo, ela preferia fingir não enxergar o óbvio a matar o que o amigo sentia e, com isso, talvez assassinar aquela amizade.
A verdade era que, no âmago de seu ser, Lily Evans não era uma garota boa ou uma garota má. Era apenas uma garota, que como todo ser humano tinha luz e trevas em seu interior. No entanto, a sina de uma mocinha é sufocar suas trevas e maquiar qualquer imperfeição. Acorrentada ao que deveria ser ou sentir, a ruiva travava batalhas épicas contra si mesma. Batalhas que nunca chegavam ao fim ou tinham um verdadeiro vencedor. Como eu disse, ironicamente trágico.
Notas finais
Espero que tenham gostado! ♥
Beijinhos...
Thaís
Fale com o autor