As longas cortinas vermelhas escorriam vivas, do teto ao chão, por de traz se ouvia lamentar a donzela, estava abraçada a escuridão.

- Não posso errar, não posso errar, não podem me assistir fracassar.

As cortinas se abrem, La estava a donzela no escuro, eu não via seu rosto, somente a silhueta do corpo caído ao chão.

- Não posso errar, não posso errar, não podem me assistir fracassar. Se eu cair quem vai me levantar? Que é santo o bastante para me acusar?

Devagar se levanta do tablado, sentindo dores, com o corpo curvado. Por traz surge uma alva luz, em sua frente surge a penumbra. Não se pode ver o rosto.

- Minha historia se confunde com as luzes brancas, clarões e dramas, damas que não diziam uma só palavra a meu favor. Se eu errar, quem é que à de me ajudar?

“Rogue a seu Deus! Espere, ele vai te esconder. Chore! Espere a compaixão do homem te atender.”

- Não posso errar, não posso errar, não podem me assistir fracassar. Tenho que padecer como ovelha ,muda, sem murmurar.

O grito da moça rasga a escuridão, o que antes penumbra, agora é luz, isto iluminou toda a congregação. Isto iluminou seu rosto, eu não vi o seu rosto, ela o tampou-o com as mãos.

- Quem à de me levantar quando cair, e me fazer sorrir quando preferir morrer? Onde esta a esperança? Por vergonha escondo minha face.

“ora! Quem à de atender sua prece? Será que há na congregação alguém que se apresse a te socorrer? Alguém disposto a amar e te salvar? Tampe o rosto, e deixe o evangelho de devorar.”

Novamente o tablado fica escuro, não há mais luz, penumbra ou chiaroscuro. O grito rasga a garganta e rasga a congregação. Mas ninguém vê nada. A luz novamente se acende por de traz. A mortalha foi trocada por nudez, e novamente a voz dentro de sua mente a perturba.

“Acaso tem medo de mim que sou sua mente? Acaso tem vergonha de si? Não ouve a si mesma, e é incapaz de ajudar a si própria. E agora? Se esconda na rocha.”

- Não há uma rocha, não há perdão, ouço o meu lamento, não ouço a tristeza da congregação. Porque não se revolta a congregação? Injustiça deveria trazer a revolta. Padeço em vão por tudo a minha volta.

“assistem a pão e circo, o evangelho os dopou, o mal evangelho os cegou. Abra os olhos, olhe para si, estas com vergonha da nudez, ou tens medo de mim?”

- Minha historia se confunde com as luzes brancas, clarões e dramas, damas que não diziam uma só palavra a meu favor. Se eu errar, quem é que à de me ajudar? Tenho vergonha da congregação pois ali esta meu rosto, é como olhar no espelho, ou não quero me enxergar.

Um querubim toma o tablado, não tocava o chão, tinha seis asas (com duas tampava o rosto, com duas tampava os pés, mas somente duas voavam). Cedeu duas de suas asas a Donzela, ele cedeu as que tampavam os pés. Ao ver a nudez, o querubim a tampou com seu véu e a vendou os olhos com sua faixa.

- Não posso errar, não posso errar, não podem me assistir fracassar. Se eu cair quem vai me levantar? Que é santo o bastante para me acusar? O evangelho devorou minha cabeça e meu coração. A ira, não me deixa prestar gratidão.

“Não devorou ainda não! Tente prestar alguma gratidão.”

- Não posso errar, não posso errar...

As assas a suspendem no ar.

- não imaginei que pudesse me perdoar, não merecia que viesse me perdoar.

De fato pelos pecados recebeu perdão. Mas é atirada uma flecha do meio da congregação. A flecha acertou seu coração.

As asas a suspende no ar, ela havia recebido a redenção. Agonizando ela dá seu ultimo grito, mas da platéia não houve comoção, a jovem morreu em vão.

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