Um jantar em um restaurante francês, eles só fazem isso quando Gabriel está aqui e é visível que ele é o “Favorito”. Geralmente os filhos excluídos ficam tristes foi o que vi em alguns filmes, mas eu nem ligo fico até impressionada por não me importar, a vida é muito curta pra ficar se preocupando com isso. Cheguei e vi que em cima de minha cama havia um lindo vestido branco de mangas longas rendado, ele batia em meu joelho e por mais que eu odeie admitir ele era deslumbrante. Helena arrumou meu cabelo com um penteado incrível e me maquiou. Fiquei um longo tempo me olhando no espelho, essa era uma das poucas vezes em que eu me vejo com vestido.

–Vamos Lauren, para de se admirar nesse espelho que Gabriel te aguarda na sala. – Disse Helena me apressando.

–Tudo bem , já estou indo. -Falei pegando meu celular e minha bolsa.

Estava descendo a escada calmamente, pois o salto que Helena me obrigou a usar era enorme, isso lembrava quando eu tinha quinze anos e vivia descendo as escadas imaginando minha festa, a festa que nunca aconteceu. Eu pedia tanto para meus pais e eles diziam que iriam fazer uma festa só quando eu terminasse a faculdade, aquilo só me trazia sentimentos ruins.

–Nossa Lauren que linda, só podia ser da Família Fernandes!-Disse Gabriel, me pegando pelo braço.

–Obrigado maninho, você está ótimo!-Eu afirmei. – Vamos logo senão vamos nos atrasar, mas porque me esperou eu poderia ir sozinha , Alfredo poderia ter me levado!

–Porque eu não ia deixa-la sozinha e eu seria um péssimo irmão.

Era o que eu amava em Gabriel , irmão tão cobiçado por qualquer irmã mais nova. Não demorou mais que quinze minutos e estávamos em frente ao restaurante, entrei com Gabriel, meu braço entrelaçado ao dele, era enorme e vi a mesa reservada para nós, mas havia pessoas a mais naquela mesa.

–Pensei que era um jantar em família?-Disse a Gabriel.

–De negócios, papai está virando sócio do Reitor da universidade em que você estuda. -Disse ele sorrindo. –Me parece que seu amigo John está ai.

–Ah não acredito nisso e você nem pra me falar isso antes, sei lá. -Falei irritada e sorrindo.

–Surpresa! – Gabriel disse rindo.

Ficamos em pé diante da mesa e John me viu sem entender nada só sorriu de lado, me sentei em frente a ele, a gente se encarava demais até minha mãe desconfiava de algo.

Roberto este é Gabriel meu filho mais velho e é médico. Essa é minha filha que estuda em sua universidade.

–Prazer, este é meu filho John. -Disse o Reitor. – Já devem se conhecer, John me disse que são da mesma classe e que sua filha é uma das melhores alunas até agora, espero que ajude meu filho, pois ele teve uns problemas o ano passado, esse ano vai ser diferente pra John.

–Sim eu o ajudarei. –Falei sorrindo para John.

Enquanto eles conversavam sobre negócios, John e eu estávamos conversando sobre as aulas, tive a certeza que ele salvou esse jantar, nunca me diverti assim antes nem com Gabriel.

–John tem quantos anos?-Perguntou minha mãe.

–Tenho dezenove. -Disse John.

Durante aquele jantar todo eu namorava a sacada, que tinha a vista da cidade toda e do céu repleto de estrelas, era aquilo que eu queria pintar, me inspirei totalmente naquela lua cheia. Algo que não dá para explicar, esse dom que nasceu em mim queria florescer, o problema é como que eu faria para sair.

–Vocês me dão licença. – Falei levantando-me e indo até a sacada.

Fiquei um longo tempo observando tudo, as pessoas que passavam pela rua e os lindos casais namorando na praça, era tudo inspirador e eu só queria imortalizar aquilo tudo.

–Lindo né?-Chegou John falando.

–Sim, uma noite inspiradora. -Falei sorrindo. – Deu vontade de pintar sabia?

–Se você quiser pintar, por que ainda está aqui? — Disse ele.

–Ah, meu pai não vai me deixar ir embora. -Falei.

Então ele pegou minha mão e me puxou até a mesa, não entendi nada.

–Eu e Lauren vamos sair não se preocupem. – Disse John, ainda segurando minha mão nessa hora eu estava toda corada.

–Podem sair, quem sabe se divertir um pouco. -Disse Senhor Lucena para nós. –Não se preocupem John é de confiança.

E saímos ainda de mãos dadas era muito estranho e eu não conseguia deixar de ficar vermelha, então entramos no carro de John e saímos.

–Vamos a sua casa pintar!-Disse ele. – Não se preocupe eu sei onde fica. -Disse ele.

–Como?-Perguntei.

–Tenho informantes. -Disse ,o informante dele era um GPS.

Ele estava tão animado, isso me deixava feliz. Fazia tantas brincadeiras acho que nunca havia sorrido tanto na minha vida. Tantas sensações diferentes,ficou mais divertido quando ele colocou a música Mother da banda Dazing. Cantamos de um jeito único e engraçado ,chegamos e entramos Helena se assustou, fomos até meu ateliê, que meu pai me deu para passar o tempo.

–Nossa que grande é maior que o meu. -Disse ele observando.

–Obrigado, presente de meu pai. -Falei. –Ele achou que era um passatempo bobo até ver minhas telas.

–Vamos pintar juntos nessa tela grandona. -Disse ele pegando os pinceis.

Parecia que ele era de casa, colocamos um avental e começamos a pintar aquela paisagem que não saia de nossas cabeças. Coloquei James Blunt, que me acalmava e ficamos horas pintando. Existem momentos na vida da gente, em que as palavras perdem o sentido ou parecem inúteis, e, por mais que a gente pense numa forma de empregá-las, elas parecem não servir. Então a gente não diz, apenas sente. Foi o que exatamente quando terminamos de pintar, era tão lindo que não conseguia encontrar palavras para descrevê-las.

–Incrível!-Disse John.

–Incrível é pouco. -Falei olhando pra ele.

Chamamos todos e mostramos ao Senhor Lucena e aos meus pais, nunca os vi tão admirados antes, principalmente meu pai o grande Enrique que nunca se surpreende logo ele que nunca quis que eu cursasse arte. Essa era daquelas cenas que você não acredita, queria fotografar só para guardar de recordação e o melhor era ver sua expressão facial parecia como se eu tivesse convencido ele de que aquilo era uma boa.

–Realmente tenho que reconhecer que minha filha tem um talento extraordinário, fiz bem em coloca-la em sua instituição, quem sabe ela não se torna o próximo Picasso! –Disse meu pai ao Lucena.

–Ah pai, deixa de exagero que eu nem sou tão boa assim, tenho muito que melhorar e também não fiz sozinha, John me ajudou. -Falei puxando John pelo braço.

–Isso se chama “Química Artística”. – Disse o Senhor Lucena.

–Como? –Perguntou John meio confuso.

–Vocês sozinhos são bons artistas, mas juntos são perfeitos! –Afirmou ele dando um risinho de lado. –Quero lhes dizer, que é como almas gêmeas da arte e essa pintura prova isso, nenhum desses quadros que você fez sozinha se compara a este e também nenhum dos quadros de John. Digo que vocês juntos fariam uma parceria incrível!

–Nossa que papo estranho. –Falei.

–Já conheci um casal assim, hoje estão fora do país e famosos no mundo todo, foram meus alunos se não me esqueço em mil novecentos e noventa e oito e John era pequeno, foram os meus melhores alunos na faculdade.

–Como nunca me falou sobre eles? –John perguntou.

–Ah meu filho, devo ter esquecido. –Disse. –E fui eu quem inventou esse nome, pois eu os acompanhava em quase todas suas obras, era como vocês dois. Separados eram como quaisquer alunos, mas junto era outro nível. –Disse o Roberto Lucena.

–Bem, já são nove e meia e temos que ir! –Disse John. –Temos que ver as papeladas da faculdade. –Disse ele nada animado.

Ele veio e me abraçou forte, era tão bom e deu um beijo na minha bochecha.

–Boa Noite pra vocês!-Disse ele a meus pais. –E até amanhã Lauren. –Falou a mim.

–Boa noite e até. — Falei.

E quando eles saíram eu fui correndo pro quarto tirar aquele salto enorme que me incomodava e me deitar, mas John me chamou pelo Skype e ficamos até de madrugada conversando. No outro dia eu estava morta assim como John não conseguíamos nem prestar atenção nas aulas, e implorávamos para que acabasse logo.

–Nossa não deveríamos ter ficado a noite toda acordados. – Disse John.

Notas finais
Mais um cap :*
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.