Eugeni
22 Nervos no limite
Notas iniciais
Carlota falava sobre a nova mansão da família Salles e as novas criadas vindas da Itália. Suas críticas iam desde a escolha do carpete, até as cores nas paredes. Mas não negou que gostaria de contratar as italianas que vinham das fazendas de São Paulo. Seu tom preconceituoso bastou para que Eugênia mandasse ela se calar.
Todos na mesa ficaram em choque pela atitude dela.
“Aqui em minha casa eu exijo respeito!” Seu pai falou.
“Estás a beira da loucura” Carlota disse, com a voz embargada. “Tem agido estranho, largado os bons costumes e vestindo-se como homem. Eu a protegi das más línguas e é assim que trata a mim e sua família? Meros rebotalhos?”
“Mama, me desculpe, mas sua falsidade não me comove. És tão vil e ardilosa que estás a me difamar chamando-me de louca pelas casas por onde passa. Mas tem um coração tão bom que não quer me prender em um Manicômio.”
Carlota largou o guardanapo na mesa.
“O que eu deveria dizer? Que minha única filha vive na esbórnia até de madrugada e chega em casa fedendo tabaco e ainda usando calças? Meus nervos estão no limite, Maria Eugênia, você ainda vai me matar.”
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