Me conte lindas mentiras
Me olhe no rosto
Diga-me que você me ama
Mesmo que seja falso
Porque eu não ligo
Nem um pouco

Albus gemeu baixinho quando Scorpius beijou seu pescoço, querendo chorar.

Queria conseguir sair de baixo do homem e ir correndo até sua mãe, como um pré-adolescente que possui o coração partido por um namoradinho. Se sentia estúpido e até culpado por possuir sentimentos que não deveria ter. Sabia que tudo que Scorpius queria de sí era seu corpo e nada mais, seu relacionamento aberto já durava seis meses e o mais novo dos Malfoy permanecia o mesmo, frio e inabalável.

Ele sempre fora o tipo de pessoa que não se podia competir, sua altura, porte físico e os olhos felinos como os de um gato, sempre um passo a frente de tudo que você possa fazer.

O amava tanto que quase desejava morrer, não aguentava mais tantos sentimentos em seu coração.

Não iria começar falando sobre aquelas bobagens de amor a primeira vista, pois não fora nada disso, no começo tudo que Albus queria dele era alguns beijos e nada mais do que isso. A forma que se sentiu atraído por aquele homem é algo que não consegue descrever, e, apesar de ser alguém um pouco retraído comparado a seus amigos, a primeira coisa que fez quando viu Scorpius pela primeira vez foi o agarrar. Assim, do nada.

Você esteve fora durante toda a noite. Eu não sei onde você esteve.

No meio da festa de aniversário de seu melhor amigo, com um milhão de conhecidos em volta. E seus lábios formigaram quando tocou os de Scorpius, enquanto as pessoas a sua volta pareciam alheias ao que acontecia, quase como se aquilo fosse um segredo que não pode ser dito.

Não conseguiu resistir, sequer conseguiu pensar, seu corpo reagiu antes de sua mente e quando viu estava com as mãos nos cabelos loiros enquanto era beijado com a mesma intensidade que o beijava.

Se tivesse pensado um segundo antes de tomar aquela atitude, não teria ido, pois era inseguro demais para chegar assim em qualquer pessoa, seria rejeitado, tinha total convicção. Não se achava bonito, apesar de todos o dizerem o contrário.

Mas não chegara nem perto de ser rejeitado, Malfoy estranhamente parecia estar tão necessitado daquilo quanto ele.

Era um cafajeste e pegava qualquer um que aparecesse em sua frente, apesar de Albus estar longe de ser qualquer um. Era puro, intocado, virgem.

O favorito dos Potter, pequeno com seus olhos esverdeados e sua carinha de filhotinho. Inocente, por mais que sua curiosidade superasse qualquer inocência que houvesse em seu ser. Havia beijado pouquíssimas pessoas em sua vida e a palavra sexo o deixava vermelho e com vontade de se esconder em suas vestes, e aquilo só fazia Malfoy, dez anos mais velho e muito mais experiente, perder a cabeça. Era louco por Albus.

Louco por seu corpo e sua pele macia. Não louco por sua pessoa. Sua personalidade. Seu jeito de falar.

Na verdade, achava o garoto irritante quando não estava com sua boca ocupada, ele era mimado e nada sabia da vida, filhinho de papai e podre de rico, não o suportava, mas gostava de fode-lo.

Eram diferentes demais para terem uma conversa e o mais velho não fazia nenhuma questão que tivessem, não tinha paciência com aquele garoto e seus pensamentos fúteis, sua voz manhosa quando queria algo o irritava ao ponto de querer agredi-lo. Mas nunca o faria, pois por mais que um milhão de adjetivos ruins o definisse, covarde não era um deles. Albus quase se parecia com uma criança, apesar de já ter quase dezessete anos, era tão pequeno... sequer batia em seu ombro.

Sua boca fininha e os cabelos com cheiro de morango, a pele sem nenhum defeito, tudo nele era feito e calculado em detalhes para o fazer perder a droga da cabeça.

— Você está calado hoje.

Albus sorriu, quebrado — Sei que não gosta de ouvir minha voz.

O loiro riu, mordendo seu maxilar.

— Está certo.

Voltou a beija-lo, não reparando que as mãos de Albus tremiam e lágrimas desciam do canto dos seus olhos.

Pelos deuses que rezava todas as noites, era apaixonado por cada pedaço de Scorpius e sentia seu coração doer sempre que lembrava que não era reciproco.

Era quase uma puta particular, a unica diferença era que não era pago por nada que fazia. Se sentia culpado por largar qualquer coisa que estivesse fazendo para encontra-lo. De alguém bonito que vira em uma boate Malfoy se tornara prioridade em sua vida.

Estava louco de paixão, amor, qualquer definição parecida que pudesse ser colocada. Pensava nele o tempo todo, em suas mãos em seu corpo, nas palavras sujas que dizia no seu ouvido quando todos em sua casa já estavam dormindo. Quando ouvia as pedrinhas sendo jogadas em sua janela no meio da noite, ainda sentia as famosas borboletas no estomago, não importa quanto tempo tivesse passado que estivessem juntos.

Sabia que estava entrando em algo que não poderia mais sair, mas pior do que a idéia de ficar, era ir. Não saberia viver sem Scorpius. Estava totalmente dependente do agora melhor amigo do seu irmão. Se fosse menos masoquista, talvez estivesse com Lorcan ou qualquer menino gentil que era apaixonado por si, mas havia graça em não ser despedaçado?

Vou te dar uma última chance para me abraçar

Se você me der o último cigarro

Já deve ser de manhã

Agora que eu te dei o que você queria

Tudo o que eu quero é esquecer

Vivia para a dor, gostava da destruição que aquele homem fazia, de quando suas mãos estavam em seu pescoço, tão forte que quase perdia a consciência. Tudo que Scorpius quisesse, ele daria. Seu corpo, seu coração, sua alma.

Quando o beijo foi findado e ele olhou pela primeira vez em seus olhos, Albus sorriu.

Apaixonado.

Notas finais
escrever sobre sentimentos unilaterais its my thing
espero que tenham gostado ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!