Notas iniciais
Feliz aniversário, Kiba!! Parabéns, Akamaru!! Nós sempre vamos te amar ♥ mesmo que o Tanabata não tenha sido criado por causa do seu aniversário... hehehehe Não foi betado. Digitei e postei xD

Kiba estava fascinado. Como sempre acontecia em momentos pontuais como aquele: o Matsuri de sete de julho.

A era data especial por dois motivos importantes e óbvios. O Tanabata, uma das principais festas do País do Fogo... e era o aniversário de Inuzuka Kiba, claro.

Quando criança, ele acreditava que a festa acontecia para comemorar seu aniversário! Ao crescer, foi percebendo que uma coisa tinha nada a ver com outra, embora um pedacinho pequeno e secreto do seu coração ainda alimentasse a fantasia infantil...

Enfim...

Estava sentado em um dos primeiros bancos do local, observando as barraquinhas coloridas e analisando as pessoas, enquanto sentia o cheiro delicioso de tudo o que ia provar, e das brincadeiras das quais ia participar. Vinha ao Matsuri desde os sete aninhos (esse era o que contava como primeiro, porque foi o primeiro a poder participar sem a mãe e a irmã!) e aproveitava tudo de bom! Algumas situações vinham como desafio pessoal: nunca, naqueles vinte e sete anos de vida, Kiba conseguiu pescar um peixinho com a rede de papel! E não aceitava que Shino tentasse salvar sua honra. De jeito nenhum!

Porque seu companheiro era um Alpha com aquele jeito besta de achar que tinha que salvar Kiba de tudo, só porque ele era empolgado e impulsivo, metendo as mãos pelos pés e se enroscando de quando em quando... hunf.

Seu companheiro.

Como soava bem! Eles tinham dois anos de casados! Começaram a morar juntos há três anos, para testar a compatibilidade. E foi perfeito, afinal, eram Almas Gêmeas. E os planos vinham dando certo, Shino terminou a faculdade e ministrava aulas na Academia, Kiba saiu do colégio e foi trabalhar com a família, treinando e cuidando de ninken. A casinha por fim estava concluída (o acabamento era muito mais trabalhoso e caro do que o alicerce!) e eles começavam a falar sobre ter dois ou três filhotes correndo pelo lar...

Nesse ponto fez um carinho atrás da orelha de Akamaru, que estava deitado sonolento aos seus pés. Aqueles animais viviam mais do que cães normais, mas até eles tinham seu limite. O grande amigo de infância já não era mais tão ágil, a acuidade da audição havia diminuído, já tão era tão assertivo com o faro... embora respeitasse tradições como Kiba, e a ida anual ao festival era uma delas! Com o Ômega vestido em um quimono tradicional, de tons amarronzados e uma yukata de verão verde claro. Estava sozinho, esperando o companheiro, que se atrasara por problemas no trabalho, com o reforço escolar na tarde de sábado. Não era inédito, estava acostumado em tempos que Shino assumia uma turma de alunos bagunceiros.

Então viu Ino passando. A Alpha de cabelos loiros acenou de longe e seguiu em frente, apressada.

Kiba acenou de volta, apesar de a amiga já estar de costas. Analítico, levou a mão ao queixo e refletiu. Sakura tinha passado por aquele caminho e seguido naquela direção a poucos minutos atrás, pisando duro e parecendo irritada. Ele vinha notando umas atitudes estranhas entre as duas jovens, e Naruto lhe disse que...

Não. Nada disso. Não era da sua conta o que um ou outro deixava de fazer. Já tinha problemas demais na sua vida doméstica e desafios demais para lidar. E, claro, a parte boa que era maior e ocupava todo seu tempo.

Ele nunca ia imaginar como a vida de casado podia ser complicada. O que parecia ser o charme do casal: a diferença de personalidades, se mostrou um desafio e tanto! Kiba era bagunceiro, desorganizado, pouco dedicado a tarefas de casa... Shino era sistemático, organizado, comprometido com a vida doméstica! Ambos extremamente dispostos a se adaptar, abrir mão de certos hábitos e aderir a outros, pelo bem do relacionamento.

Kiba amava esse aspecto de seu companheiro. Sabia-se um espirito livre, que se adaptava fácil a qualquer contexto. O Alpha era diferente, e, apesar disso, fazia o possível para adequar-se às mudanças do relacionamento.

Acenou para Shikamaru e Temari que passaram juntos, a moça com uma das piores expressões, muito parecida com as de Tsume em dia de castigo, com o filhotinho de ambos nos braços. Shikamaru seguia perto, as mãos cruzadas na nuca e a expressão de tédio congelada na face. Sabia que o relacionamento era tão tumultuado quanto o amor era forte. Dois Alphas se relacionando acabava causando certo nível de atrito.

Naruto tinha lhe dito que...

Não! Nada de ficar remoendo a vida dos outros. Tinha mais no que pensar! A barriga estava roncando de fome, mas preferia esperar o marido para comerem juntos. Por algum motivo tudo ficava melhor quando Shino estava por perto!

Fato que servia para outras pessoas também. Ele era daqueles professores que recuperavam a maioria dos alunos “problema”, com o jeito estoico acabava acalmando rompantes como os de Tsume, e sua educação mediava situações tumultuadas, principalmente quando os pais dos bagunceiros eram chamados ao colégio. Um Alpha incrível!

Suspirou.

Relacionava-se com Aburame Shino desde os dezessete anos, quando ele pediu o namoro no dia do seu aniversário, e o sentimento apaixonado não diminuiu em nada durante aqueles três mil seiscentos e cinquenta e dois dias de convivência. Talvez uns diazinhos a mais, porque o namoro oficializou-se há dez anos, mas ambos já vinham se sondando e testando um tempo antes, quando os hormônios começaram a mudar.

Vinte anos.

Era um bocado de tempo vivendo ao lado de alguém. Aprendendo, amadurecendo, errando, se corrigindo, se aperfeiçoando. Se apaixonando e se amando conforme se conheciam melhor. Não era muito de declarações, confiava que o vínculo entre eles deixava tudo claro. Mas Shino também não era de soprar palavras ao vento em toda oportunidade, embora fosse mais direto com os sentimentos do que o Omega. Shino mostrava com gestos constantes o quanto se importava e se preocupava com o companheiro. E vez ou outra lançava um “amo você” em momentos chave, que aceleravam o coração de Kiba, cobrindo-o daquele acanhamento que despertava o comportamento tsundere.

Ah, ele amava tal jeito certeiro. Como amava! Só não gostava muito de admitir...

Fungou um tanto emotivo, atraindo a atenção de Akamaru que latiu.

— Está tudo bem, amigão. É a fome — disfarçou.

Voltou os olhos selvagens para o Matsuri. Já havia mais pessoas transitando por ali, à medida que os minutos passavam. O cheiro das guloseimas continuava ótimo. Reconheceu uma ou outra pessoa, inclusive Naruto e Sasuke que passaram por ali de mãos dadas.

De. Mãos. Dadas.

Kiba girou os olhos com enfado. Sasuke era o cara do “nunca mostro os sentimentos”, que eventualmente mostrava sim, senhor. E Naruto, esse não tinha mais solução. Naquela manhã mesmo se encontraram no centro da vila, e o Alpha de cabelos loiros ficou chorando as pitangas sobre ter terminado com o namorado. De novo. Pelas contas de Kiba... aproximadamente... pela décima terceira vez. E estavam em julho!

Aff.

Passaram tão apressados e concentrados em si mesmos (a mão livre de Naruto tentava enfiar uma chocobanana na boca de Sasuke e Kiba não via jeito de aquilo terminar bem...), que nem repararam no Omega sentado no canto, quietinho só assistindo tudo o que acontecia.

Kiba não se importou. Porque ele sentiu uma presença familiar se aproximando, justamente a que esperava!! E logo Aburame Shino apareceu em seu campo de visão. O Alpha alto, de cabelos curtos negros e o inseparável par de óculos escuros, trajando roupas ocidentais e quebrando a tradição de sempre vestirem quimonos durante o Tanabata.

Não foi uma surpresa completa, e nem a primeira vez que aconteceu. Na verdade, a primeira vez que Shino rompeu tal tradição, foi depois de uma briga. Uma das mais feias, que resultou no término do relacionamento e no afastamento do casal por algum tempo. E a reconciliação veio durante um Matsuri, com o Alpha transtornado demais para se preocupar com detalhes, mais preocupado em corrigir o erro que ele próprio provocou.

Naquela noite não havia sentimentos de tristeza e arrependimento movendo os passos de Shino. Ele era apenas um professor que passou do horário em uma atividade extra com os alunos indisciplinados, e que escolheu ir direto ao encontro do marido, ao invés de perder tempo trocando de roupa.

— Yo, marido!! — Kiba ficou em pé, o sorrisão expondo os caninos afiados.

— Olá — Shino respondeu, aproximando-se o bastante para segurar no rosto do Omega com uma mão cheia de carinho e inclinar-se um pouco e beijar os lábios do companheiro, do jeito que ambos desejavam.

O velho sonho de ficar alto havia sumido das bravatas, mas ainda restava um tiquinho secreto, morando ao lado daquela ideia sobre o Matsuri ser para comemorar o seu aniversário... temas quietinhos e pequeninos, conquanto firmes no coração de Kiba! Afinal, completava apenas vinte e sete anos! Não diziam por aí que as pessoas cresciam até os trinta...?

O beijo seguiu calmo, quase cálido. Nenhum dos dois sustinha pudores sobre carícias em público, fase que enfrentaram no começo do namoro e seguiu enquanto entravam na vida adulta. Que foi desaparecendo quanto mais ficavam confortáveis um com o outro. Agora era apenas natural.

Ao se afastarem, Shino exibiu a outra mão. Trazia um pratinho cheio de takoyaki.

— Achei que poderia gostar. Feliz aniversário.

Era só um complemento. Shino já havia entregado o presente, tanto de Kiba quanto o de Akamaru pela manhã. Sabia como o companheiro era ansioso para essas coisas, era melhor para ambos que o mistério não durasse muito tempo. O celular novo estava bem guardado no bolso do Omega, só esperando para as ótimas fotos que tiraria. E a coleira vermelha ia bem presa ao pescoço do ninken.

— Caralho, marido! Você acertou em cheio! — aceitou a guloseima que ainda soltava uma fumacinha apetitosa — Vamos dar uma volta?

— Vamos.

— Akamaru, vem, amigão!!

Esperaram que o grande cão levantasse, devagar e com algum esforço. Em seguida saíram os três, em passos lentos e se pressa. Kiba fazia isso pela afinidade e amor que nutria pelo mascote, o amigo canino prezava esses momentos e fazia questão de participar de todos. Cada um deles mais precioso a medida que o tempo passava. Shino apenas seguia o ritmo, algo que fazia com prazer e alegria.

Agora sim, podiam aproveitar o Tanabata Matsuri. E comemorar mais um aniversário de três fatos importantes. O nascimento de Inuzuka Kiba, de Akamaru e o começo daquela família.

Notas finais
até o próximo!!