Eu vejo o fogo
3 Escudo de Carvalho
Notas iniciais
Era uma vez um anão filho de grandes reis.
Desde criança, esse anão era muito pressionado por todos, porque queriam que ele se tornasse um ótimo rei e guerreiro.
“O garoto Thorin ainda não sabe como usar uma espada? Isso é um absurdo!” – era o que eles diziam.
O anão queria ser tudo que esperavam dele, mas ao mesmo tempo só queria brincar, pular e correr como uma criança comum! O que havia de tão errado nisso?
Ele tentava de tudo para agradar, mas não conseguia. Até fez coisas que não queria fazer, mas também não deu certo. As pessoas continuavam a perguntar por que ele não sabia manusear uma espada.
Então ele cresceu com um único desejo: ser poderoso – porque era isso que procuravam nele, certo? Queriam que ele fosse o majestoso Thorin, filho de Thráin, neto de Thrór.
Na sua jornada em busca de seu sonho, ele conheceu várias criaturas. Pode-se até dizer que se tornou importante! Fez alguns amigos que arriscaram a vida inúmeras vezes em situações perigosas por ele, e, sabe, Thorin até chegou a gostar deles... Até se deparar com aquilo.
A chave para tudo que ele sempre sonhou, tudo aquilo que sempre quis. A Pedra Arken. A Pedra Arken nas mãos daquele hobbit... Aquele sujo e indigno hobbit.
Com as intenções confundidas por um passado amargurado, o anão traiu seus companheiros e tentou fugir. Ao entrar no barco, ele se sentou em um canto e permitiu-se sorrir por um instante, glorificando seu feito. Permitiu-se mais um instante para olhar o horizonte e mais outro para olhar o lago. Foi aí que viu seu reflexo.
A imagem deturpada de um monstro. Ele viu o mal queimando em seus olhos, viu sua boca salivando por um tesouro que não merecia, viu sua alma corrompida por um poder que não era digno. E percebeu que não era desse jeito que seria um ótimo rei e guerreiro. E se lembrou de como os reis e guerreiros da história eram lembrados.
Eles morriam para salvar seu povo.
Assim, virando-se para o céu queimado por fogo e respingado de sangue, ele seguiu para a batalha, sabendo que iria cair. Porque era aquilo que ele merecia: um último e único momento de glória.
Assim, concluiu seu último ato. Como um Escudo de Carvalho faria.
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