Acordei e percebi que estava na cama da conquistadora ainda, o que havia acontecido eu não me entendia, ela cuidara de mim, eu não sentia mais dor, somente um leve incomodo nas minhas partes intimas, foi ai que percebi, ela havia cuidado de mim, certo, talvez eu fosse diferente das escravas dela por tê-la aguentado por todo uma noite, ou talvez eu fosse especial de alguma forma, respirei resignada, pensamento tolo.

– Está acordada?

– Oh sim. Quem é você?

– Sou Kara, escrava pessoal da conquistadora. – ouvir aquilo me causou certa irritação, na verdade ciúme, Kara era linda e com certeza a conquistadora já havia abusado dela como fizera comigo.

– E onde está a senhora conquistadora? – perguntei com raiva incontida.

– Saiu e pediu para que lhe desse de comer e se banhasse, disse que era para a senhorita continuar aqui em seus aposentos e que não saísse.

– Senhorita? – ri.

– Desculpe falei algo demais?

– Sou escrava como você, bem talvez pior, pois você não parece ter marcas pelo corpo e estar dolorida.

– Como se chama?

– Gabrielle.

– Venha Gabrielle, coma enquanto solicitou que preparem seu banho.

Não entendia, eu não havia feito nada para ganhar este tipo de tratamento, ou talvez à conquistadora tenha feito enquanto e dormia esteja tentando aliviar sua culpa agora, chacoalhei a cabeça, a conquistadora não tinha consciência, portanto não sabia o que era culpa.

Comi e me encaminhei à casa de banhos, ao entrar na água morna me permiti relaxar e então chorei as lembranças dos últimos dois dias vieram à tona, enfim a realidade do que ocorrerá me acertou, eu sabia que assim que a conquistadora se cansasse de mim eu teria destino parecido com o que ocorrera ontem, porém ao invés de um ou outro soldado seriam muitos, e eu não resistiria, eu não poderia tirar minha vida, pois talvez a conquistadora fosse atrás de Lila e tudo até agora teria sido em vão, eu já ouvira tantas histórias sobre a conquistadora que isso era o mais provável de acontecer do que qualquer outra coisa.

Diferente do que eu sentira com a conquistadora aqueles homens me fizeram sentir repulsa, mas se eu tivesse que me submeter a isto por vontade da conquistadora eu me submeteria, para proteger minha irmã valia o risco.

Algumas marcas de vela depois eu percebi que a água ficara fria, resolvi sair daquela banheira, eu pensara demais, criei um mundo diferente em minha mente, eu sempre fazia isto para fugir da realidade, e eu sabia que se quisesse continuar viva ali, se quisesse manter alguma parte de mim inteira eu precisava me esconder dentro de mim mesma, e seria assim.

Notei que havia uma nova túnica ali, me vesti com ela, entrei nos aposentos da conquistadora e a mesa estava posta e a senhora conquistadora sentada ali, esperando que eu saísse de sua casa de banhos.

– Já não era sem tempo não escrava? Achei que estivesse morta!

– Perdão senhora conquistadora. – me ajoelhei e baixei minha cabeça.

Ela saiu de lá e entrou em sua casa de banho, mantive-me ajoelhada.

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Percebi que Kara já havia trocado a água da banheira, como era eficiente. Tomei um banho sem delongas, e logo retornei para a mesa de jantar, Gabrielle ainda mantinha-se de joelhos e eu a deixaria assim por fazer esperar-me tanto.

Jantei, bebi meu vinho, e o restante de minha comida coloquei em um prato a parte e coloquei ao pé de Gabrielle.

– Coma escrava, mas sem usar as mãos. Adestra-se um cão assim.

Percebi uma lágrima cair e contive o impulso de enxuga-la, eu não podia demonstrar o poder que aquela garota tinha sobre mim. Ela abaixou sua cabeça e comeu, notei que ela estava com fome, pois comeu tudo, despejei agua no mesmo prato.

– Agora beba, da mesma forma.

Ela tentou de inúmeras maneiras, mas a única forma que conseguiu foi beber a água como os cães faziam.

– Venha escrava. Não se levante, venha de quatro. – eu deitei em minha cama e a chamei e logo ela veio.

– Boa garota. Agora se deite no chão e durma.

EU já havia sido muito boa para deixa-la dormir novamente em minha cama. Ouvi-a chorar durante um tempo, um choro silencioso, que logo cessou e percebi que ela dormia, tão diferente de mim, eu não consegui dormir a noite toda, a única coisa que pude fazer foi olhar para o teto, senti a diferença da noite anterior, como queria poder dormir bem novamente, uma ideia passou pela mente, mas eu não faria isto, acabei cedendo em menos de duas marcas de vela. Deite-me no chão ao lado de Gabrielle, logo ela lançou um braço e uma perna para cima do meu corpo e eu adormeci.

Acordei bem antes de Gabrielle e saí para treinar, chamei Zeriah ao meu escritório.

– Senhora conquistadora.

– Tenente Zeriah, conhece os soldados Ghoir e Zantler?

– Sim senhora.

– Quero que os chame e diga que hoje teremos uma apresentação especial aos novos recrutas e eles estão escalados. Porém o faça de maneira que ninguém mais esteja por perto e quando pedir para se apresentarem que não hesitem.

– Senhora conquistadora, permite-me uma pergunta?

– Outra?

– Desculpe senhora, somente peço que me diga à hora que eles devem se apresentar? – notei a mudança de postura de Zeriah,ele era um bom tenente, chegaria a dizer que ele tinha um coração puro, ele era tão diferente, no campo de batalha era uma fera, nunca teve piedade, mas somente lá, era como um cão treinado, que eu soltava quando queria que matasse. Ele era educado com todos os escravos, sem distinção, nunca havia participado das orgias que eu oferecia, e quando eu mandava garotas aos soldados ele não as tocava.

– Na hora que o sol estiver mais alto.

Logo Zeriah saiu e pedi por Éculos.

– Senhora conquistadora?

– Éculos, você é o soldado mais leal que conheço comparo-o somente a Alkantys neste quesito, e colocarei isto a prova agora, pois odeio estar enganada.

– Peça o que quiser e eu farei senhora conquistadora.

– Qualquer coisa?

– Sim senhora! – resolvi brincar com aquele soldado.

– Retire a espada de sua bainha e enfie-a em seu pé esquerdo.

Eu pensei que ele hesitaria, mas não o fez, retirou a espada e cravou em seu pé, o sangue jorrou, mas ele não se curvou, não emitiu nenhum som de dor, nem nada.

– Algo mais senhora conquistadora?

– Poucos são a quem posso dizer isso Éculos, mas desde momento em diante você tem meu respeito, lhe incumbirei de uma tarefa, você fará chegar aos ouvidos de Ghoir e Zanther que a luta de hoje no treino será até a morte.

– Sim senhora.

– Tome, trate de seu pé, e depois de espalhar a noticia, chame Silenyus e peça para ele tratar seu ferimento.

– Sim senhora.

Eu ouvira Éculos falar com Gabrielle na noite em que a acompanhou até seu aposento, não houve intenção oculta, e eu conhecia sua história, ele mais que ninguém deveria me odiar, eu sempre o colocava para acompanhar as garotas de meu aposento até o quarto para descanso, e ele sempre agira da mesma forma. Era outro no campo de batalha feroz como Zeriah. E eu também o testava até seus limites, era difícil encontrar bons soldados e ainda por cima leais a este ponto, eu não me enganava e sentia que Zeriah e Éculos seriam ótimos comandantes de meus exércitos futuramente.