Notas iniciais
Espero que apreciem....

Em meu quarto de treino, me troquei, colocando uma roupa apropriada para treinar. Peguei uma espada e comecei a treinar e logo senti aquele arrepio tão conhecido.

– Apareça Ares.

– Essa ligação que compartilhamos é algo que você realmente deveria considerar.

– Não temos ligação alguma Ares, simplesmente sinto seu fedor de longe.

– Minha conquistadora, deveria lhe ensinar como deves me tratar.

– Você quer dizer tentar, mas acho que você começaria a perder a credibilidade completamente em continuar levando surras de mim.

– Ah conquistadora.

Ares era um bom oponente, e eu por mais que não gostasse de Deuses sabia que treinar com um deles me deixava sempre melhor preparada, afinal de contas, se você enfrenta um Deus, o que são alguns reles mortais.

Nós lutamos seriamente, eu me concentrei nisso, o que era perfeito, minha mente sempre trabalhava melhor no momento em que eu me focava naquilo que eu era realmente boa.

Depois de cerca de cinco marcas de velas eu resolvi acabar com isso e acabei derrotando Ares.

– Creio que você precisa melhorar senhor da guerra, pois eu acho que derrota-lo sempre me deixa até entediada.

– Eu deveria lhe ensinar a dobrar a língua para falar comigo Conquistadora.

– Como tentou ensinar agora Deus da Guerra?

– Um dia eu terei o prazer de lhe ver derrotada, creio que ainda acharei seu ponto fraco.

– Você sabe que não tenho pontos fracos Ares, eu sou imbatível por isso, e é exatamente por esse motivo que você tanto deseja que eu seja a líder de seu exercito.

– Você considera isso conquistadora?

– A resposta é a mesma depois de todos esses anos Ares.

– Eu me retiro então conquistadora, quem sabe no futuro, quando tenha algo a perder.

Quando Ares saiu eu senti alívio, treinar com ele era bom, mas me irritava o fato de que ele me queria a frente de seu exercito. Eu nunca gostei do pensamento de ter algo me controlando e não seria agora que isto mudaria, eu tenho o título de Senhora Conquistadora por um motivo e ele é bem simples, sou eu quem conquista e nunca sou a conquistada.

Dentro de algumas poucas marcas o um novo dia nasceria e eu deveria descansar, mas quando eu treinava meu corpo ficava mais alerto do que nunca, meu corpo era a arma perfeita, anos de prática e treinamento, e toda essa energia acumulada deveria ser gasta, eu pensei em Gabrielle, mas eu não poderia, estar com ela me deixava a sensação de fraqueza e eu não queria e nem poderia sentir isto hoje, eu inspecionaria os campos de treinamento, pois dentro de cinco dias eu receberia meus “aliados” e deveria estar completamente pronta.

Entrei em meus aposentos, me troquei e recebi Alkanthys na antecâmara ligada aos meus aposentos.

– Senhora conquistadora sairemos hoje para visitar os campos, temos que vistoriar nossos soldados e como a senhora informou que me acompanhará eu devo lhe avisar que deixei Mátilo encarregado da escolha das escravas.

– Ele tem ótimo gosto quanto a isso.

– Todas as escravas corporais foram reunidas, e ele escolherá dentre as melhores.

– Eu preciso ver qual Eracles escolherá e terei que dar minhas instruções sem que ele perceba, fiquei refletindo e se colocarmos alguma delas para se insinuar, ele é deveras inteligente para perceber e isso poderia causar complicações.

– Concordo senhora conquistadora.

– Eu preciso saber quais são os planos, eu soube que nas Gálias os principais membros de controle da população tem andado insatisfeitos com o tratamento, porém são fortes, você melhor que ninguém sabe como foi difícil conquista-los e quantas baixas tivemos, e eu não gostaria de passar por isto novamente.

– Compreendo senhora, somente não entendo qual o problema, não há mais guerras civis, não existe mais os problemas que outrora existiram.

– Você sabe disso por que estava aqui e está ao meu lado, essas complicações são geradas pelas pessoas que estão contra mim Alkanthys, é exaustivo controlar tudo e todos e manter a paz, alguns reclamam da escravidão, mas ela é um meio necessário, alguns reclamam dos gladiadores, mas eles também são necessários, não é por que quero manter a civilização assim por vontade, é necessária que seja assim, caso essa cadeia de poder não exista estamos fadados ao caos, você conhece tanto quanto eu da natureza humana para saber que todos precisam de uma mão de ferro para controlar, eu aprendi isso da pior forma possível.

– Eu estive ao seu lado Xena, eu vi e senti, eu sofri e lutei, e por isso eu compreendo que as coisas são necessárias, muitas eu não concordo, mas eu vejo o mundo da forma que você vê, é uma pirâmide e elas são construídas com a base solida, e você é essa base, você equilibra, é necessário que você seja assim, o monstro que os inimigos temem, a guerreira que o exercito necessita, a conquistadora que controla e a mulher que está à frente de tudo.

– Eu agradeço por você entender Alkanthys, por isso é você meu mais fiel comandante.

– Eu morreria por você senhora, assim como sei que devo minha vida a você por diversas vezes.

– Eu aprecio isso Alkanthys. Eu preciso que mande Éculos levar a escrava que está em meu aposento de volta aos serviços. – ao falar em Gabrielle eu senti um fio percorrer minha espinha e o estomago ficar com aquela sensação de vazio, eu não poderia dar atenção a ela, não nos próximos dias e eu deveria começar a agir assim a partir de agora.

– Senhora conquistadora, permite-me uma pergunta de âmbito pessoal?

– Não abuse da sorte. – Olhei-o severa.

– Eu entendo, é algo simples, a escrava corporal que tens em seu aposento significa algo para você? Digo por que sabe que se ela significa deveria mantê-la longe daqui e de todos, deveria escondê-la até a próxima lua nova.

– Não há motivos para isso Alkanthys, ela significa o que todas as outras significam prazer e atender meus desejos, aproveitando que estamos nessa conversa de cunho pessoal, pode saber o que o leva a crer que nesse caso seja diferente?

– Ela esteve em seus aposentos por mais de duas vezes, e permaneceu lá durante o dia, apesar de a senhora lá não estar.

– Ela é muito boa no que faz Alkanthys, e ela significa tão pouco ela estará na apresentação da noite que recepcionará nossos convidados.

– Compreendo senhora e me perdoe pelo abuso.

– Tudo bem, desta vez, está dispensado.

– Senhora. – ele me saudou da forma atual e se retirou.

Se Alkanthys pensava isto de mim logo outros poderiam pensar, colocar Gabrielle na apresentação fora algo de última hora, mas necessária, ninguém poderia suspeitar que houvesse qualquer preferencia por Gabrielle. Eu correria o risco de algum convidado se interessar e requerer sua companhia, mas era algo que eu teria que aceitar e conviver, pois como ela dissera em seu desabafo, essa era a escolha, a minha escolha.

Eu estou fadada a enfrentar meus temores, meu o passado sempre estará à espreita, com meus inimigos velhos e atuais e eles podem via a qualquer momento. Meu passado cruza mares, nações e até mundos, procurando meios de se vingar. Em décadas é a primeira vez que meus instintos me diziam que aquela garota que acabara de completar 16 verões é alguém em quem eu posso confiar. Que, não importava o que acontecesse, ela me apoiaria, guardaria meus segredos e nunca usaria o que sabia para me trair, mas até mesmo meu instinto pode falhar por isso nem em mim eu confio plenamente no que diz respeito ao que eu estou sentindo. Parte de mim quer puni-la por me fazer sentir assim, outra parte quer mata-la e no fim ambas as partes a querem plenamente.

Resolvi adiantar minha partida para os acampamentos de concentração de nossos exércitos, eram três campos, com seis marcas de vela para chegar a cada, eu não planejara ficar mais que um dia em cada, mas dada as circunstâncias eu deveria mudar os planos iniciais.

Deixar Gabrielle com Mátilo seria insuportável, talvez se eu não visse o que aconteceria eu não me perturbaria tanto.

Após minha refeição saí com Alkanthys e mais alguns guardas, saí sem ver Gabrielle, e isso me torturava, eu estaria cercada por exércitos, homens que dariam a vida por mim e no fim somente sentiria saudades dela.

Ao chegar a nosso primeiro acampamento o dia já estava terminando, algumas putas entretinham os soldados, eu incentivava isso, se nossos exércitos estivessem felizes não criariam motins, eu os pagava bem e pertencer ao exercito da senhora conquistadora era uma grande honra a todos eles.

Especialmente Achaeus, eu nutria certa afeição por ele, subiu rápido dentro de meu exercito, agora aos 34 verões era o comandante deste acampamento, um excelente guerreiro, leal, eu o vi crescer, seu pai foi um de meus soldados mais valiosos, mas morreu ao proteger sua mulher, uma galesa. Ele sempre treinou o filho e o trazia ao acampamento consigo, aos dez verões o garoto lutava de igual para igual com meus soldados.

– Achaeus, bom que esteja elevando o potencial deste acampamento, eu fico muito feliz de que você esteja a frente dele, seu pai teria orgulho.

– Obrigada senhora conquistadora.

Logo me retirei para uma tenda vazia e tomei um banho em uma relaxante banheira improvisada, logo me troquei e juntei-me aos soldados mais velhos em torno de uma fogueira. Todos os soldados presentes me cumprimentaram.

– Continuem o que estavam fazendo.

– Contávamos histórias senhora, histórias de guerra das quais participamos.

– Pode continuar.

– Contávamos das Guerras contra os persas minha senhora, como derrotamos aqueles persas malditos, os arrasando completamente.

– Bons soldados eles eram, mas não tanto quanto nós. – falei apontando para todos nós ali.

– Senhora, posso lhe fazer um elogio sem que pense que estou querendo lhe bajular?

– Pode sim Makaros.

– Agradecemos de verdade que esteja a frente de nosso império, você melhorou dignamente a vida de muitos, você nos ensinou que a vida não é digna de se viver. Ela é para ser tomada e surrada. E combatida, e formada a sua imagem. É aí onde o sentido repousa. No que você pode insinuar-se à vida. Para aqueles que simplesmente aturam a vida, sim: ela é uma piada muito sórdida. Mas para aqueles que a formam com a sua vontade, a piada está em quem se coloca no caminho. E você provou que todos aqueles que ficaram em seu caminho era grandes piadas.

Acenei com a cabeça e todos bebemos um grande gole de vinho, passamos a noite toda conversando sobre nossas guerras, mulheres e bebemos muito, eu tinha grande resistência a bebida, esperei o vinho ali acabar, meus soldados se retirarem e logo Achaeus aproximou-se e chamou-me.

– Senhora, tenho um agrado e espero que goste.

– Dê-me então soldado. – eu estava um pouco alegre por causa do vinho.

– Está em sua barraca minha senhora.

– Então creio que eu não deva me demorar.

Levantei-me e segui a minha barraca, ao adentrar havia uma jovem em meus aposentos, não deveria ter chego aos seus 20 verões, estava como uma camponesa qualquer, suspirei, eu sempre ganhava presentes como esses de meus soldados, usava a garota, ela deveria estar noiva de alguém dali, eles consideram uma honra que eu dormisse com suas noivas, era quase um ritual. Suspirei fundo.

– É noiva de algum de meus soldados?

– Não senhora, sou irmã de um deles.

– E por que está aqui?

– Meu irmão foi mal em seu treinamento e recebeu um castigo severo, e estou aqui para negociar sua soltura.

– Jovem eu não me intrometo no tipo de treinamento e nem nas punições dados em meus acampamentos.

– Senhora conquistadora eu lhe imploro. Meu irmão é muito jovem, acabou de completar 16 verões, e logo se alistou, pois sempre nutriu grande admiração por sua pessoa. Achaeus disse que se eu lhe satisfizesse dignamente ele consideraria diminuir a pena de meu irmão.

– E como ficou sabendo das punições de seu irmão?

– Nosso vizinho de aldeia esteve nos visitando e me contou, disse que estava preocupado com meu irmão, ele estava recebendo castigo atrás de castigo, disse que os melhores soldados eram forjados assim, mas não meu irmão, ele sempre foi gentil e útil, sempre lhe admirou, mas somente entrou no exercito após nosso pai falecer e ele precisava nos sustentar.

– E lhe disseram o tipo de punição que seu irmão estava sofrendo?

– Eu só sei que ele passou dos níveis 1, 2,3 e já está no quarto.

Senti pena do garoto, todos meus acampamentos tinham um padrão de punição, primeiro: ficar sem alimentos dois dias, segundo: ficar por três dias amarrados em uma cruz, sem bebida ou comida, terceiro: reuniam-se cinco dos mais fortes soldados e jogavam-no para lutar com eles, ele só terminaria o castigo no dia que conseguisse deixar todos inconscientes, se o punido desmaiasse, logo que acordasse era jogado para as lutas novamente, a quarta punição era a mais dura, andar sob o toras de madeira com fogo com os pés descalços, caminhando lentamente, depois que terminasse era afogado diversas vezes, até perder a consciência, porém o pior era a quinta punição, se chegasse a essa logo depois seria expulso do acampamento, a quinta punição consistia em um estrupo coletivo, para que o soldado ficasse marcado eternamente e entendesse que falhou bruscamente com a senhora conquistadora, quando ele não era morto, saia humilhado e acabava se matando.

Dificilmente tivemos alguém que chegava a quinta punição, as seleções eram cada vez mais rigorosas e dificilmente eram aceito alguém tão propenso a erros.

– Então faça o que veio fazer garota, me satisfaça dignamente e verei se libero seu irmão da punição e até mesmo do exercito.

Deixei de lado qualquer resquício de humanidade de mim de lado, eu não suportava pessoas fracas, mas suportava menos ainda que alguém intercedesse por elas.

Notas finais
Próximo sendo desenvolvido, creio que até terça eu o poste... Bjs