Eu vejo além do monstro
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Eu treinava com meu exercito, eu adorava aquilo, me sentia plena com uma espada em mãos. Todos os novos soldados lutavam comigo, era como um ritual de passagem. Aqueles que provassem que eram dignos serviriam ao meu exercito, caso contrário eu os mandava para algum outro tipo de trabalho. Eu somente aceitava os melhores comigo. Alkantys não gostava muito que eu participasse destes treinos, pois eu ficava a mercê de algum ataque, eu confiava nele, ele estava comigo desde sempre, lutei muitas batalhas ao seu lado, tive minha vida em suas mãos muitas vezes, eu vejo que hoje ele não sente mais tanto prazer em minhas tendências agressivas, porém ainda está ao meu lado com a mesma fidelidade de sempre.
Após o dia exaustivo de treinos eu me retirei aos meus aposentos, precisava de um banho quente. Kara minha escrava pessoal sempre deixava meus aposentos e banhos como eu gostava, ela era uma das poucas escravas que realmente queria me servir, nunca abusei dela, eu até gostava de sua companhia.
Após o banho um dos soldados, Tyrso bate em minha porta:
– Senhora conquistadora.
– Sim.
– Senhora, chegou um presente a pouco do senhor Gilvahn de Mende, pediu para ser entregue à senhora para seu total prazer, apesar de seus 15 verões, ainda se mantém virgem, ele sabe que a senhora prefere mais nova, porém disse que a beleza da garota compensará isto.
– E onde se encontra tão lindo presente Tyrso?
– Sendo lavada minha senhora, a trago para seus aposentos depois?
– Sim Tyrso.
– Senhora. – Tyrso bate ao peito com uma o punho fechado e se retira.
Um novo brinquedo para a coleção, um pouco mais velha, crê que preciso diversificar um pouco.
Algumas marcas de velas mais tarde a garota era encaminhada para os aposentos da conquistadora, em seus olhos eram nítidos o horror, quando seu pai a deu para quitar a divida com o senhor Gilvahn ela nunca imaginou que iria parar ali, seu pai teria mandado sua irmã mais nova, ah não, Lila não suportaria qualquer coisa. Ela tinha consciência do que aconteceria com mulheres jovens, bonitas e virgens e não queria este destino para sua amada irmã. Porém aquele desespero ao saber que seria mandada para as mãos da conquistadora era muito pior do que ela poderia imaginar.
Ela conhecia as histórias sobre a besta que a conquistadora era quando se tratava dos prazeres carnais, até mesmo em uma cidadela como Potédia as noticias chegavam e quando tinham o nome da conquistadora nunca eram boas. Ela via sua vida passar como um filme, ela queria conhecer o mundo, viajar, nunca imaginou que sua vida acabaria assim, ela ouvira falar de garotas que morreram após passar uma noite com a conquistadora, ela pensou em se matar quando soube que seria dada a conquistadora, logo ela que jamais aceitava que uma pessoa fosse posse de outra, porém faltou coragem para cumprir tal alto, uma voz interior lhe disse que seu caminho não era este, que ela ainda mudaria tudo o que fosse conhecido.
Foi em meio a esses pensamentos que ela adentrou aos aposentos da conquistadora, a Senhora do mundo conhecido não se encontra ali no momento havia saído, fora atrás de alguns novos apetrechos, queria diversificar a noite.
Gabrielle sentia medo, estava ajoelhada de cabeça baixa, assim como o soldado havia mandado que ela ficasse.
– Vejo que já está acolhida – Xena entra nos aposentos carregando cordas e um pequeno cilindro de madeira o deixando em cima de algumas peles amontoadas (formando um tipo de puff).
Gabrielle esperava outra reação, mais ao ouvir a voz da conquistadora, sentiu um calor lhe subir, levantou seus olhos e pode ver os itens sendo colocados sobre as peles amontoadas e o calor foi substituído por pânico, pequenas lagrimas teimaram em deslizar pelos seus olhos. Quando a conquistadora chegou próximo, ela sentia que a qualquer momento iria desfalecer, ela sentia um pavor imenso.
Quando a conquistadora vislumbrou aquela garota ajoelhada ao chão, uma força descomunal a precipitou a levantar seu rosto. E quando ela viu aqueles olhos verdes a fitando com tanto pavor, foi como se 10 homens a tivessem golpeado juntos no estomago. Aqueles olhos verdes, que apesar do pavor emitiam uma paz incrível a desarmou, uma corrente elétrica passava por todo o seu corpo, ela nunca havia sentido isto.
Gabriele olhava naquela imensidão azul e não compreendeu o olhar que a conquistadora lhe dava, ela se perdeu, teve que se lembrar de respirar, seu corpo respondeu aquele olhar tão simples, ela queria mais, ansiava por mais e nunca havia sentido isto antes, apesar do que vira antes pouco importava a forma que seria ela só queria ter mais que um simples olhar.
– Como se chama? – Após o choque daquele olhar pude formular a pergunta, eu nunca quis saber o nome de nenhuma mulher antes, mas o dela eu queria.
– Gabrielle minha senhora.
– Eu fiquei meio indisposta Gabrielle e não necessitarei de seus serviços por agora. – Eu precisava sair daquele aposento, eu não me sentia como eu mesma, eu não conseguiria tomar aquela garota, o que estava acontecendo comigo?
– Eu me retiro minha senhora?
– Não! Fique aqui! – As palavras saíram mais forte do que eu imaginava, em imaginava aquela garota saindo dali, com certeza meu soldado a levaria para aplacar seu prazer e depois aos demais, todas era assim, eu as deixava passar nas mãos de meus soldados para aprenderem seus lugares. Mas com aquela garota eu não queria que fosse assim, uma raiva tomou conta de mim imaginando que outra pessoa a tocasse, eu não entendia este sentimento.
– Sim minha senhora.
Eu sai daquele aposento, ficar no mesmo lugar que ela estava me fazendo mal.
– Senhora, já posso leva-la? – Tyrso me perguntou.
Eu não sei como, mas minhas mãos estavam em torno do seu pescoço, imaginá-lo tocando Gabrielle me fez perder a razão, sorte dele que Alkantys passava por lá e conseguiu me acalmar. Eu o soltei e vociferei: — Ninguém tirará a garota de meu quarto, ninguém a tocará além de mim, entendeu?
– Sim senhora. – Sua voz estava falha, e ele me deu um olhar de incompreensão.
Afinal se nem eu entendia o que estava acontecendo, como qualquer outra pessoa entenderia.
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