Eu vejo além do monstro
29 Capítulo 29
#Xena
Olhei para Gabrielle ao meu lado, ela estava coberta pela roupa que usara o mesmo material dos escudos que agora meus soldados empunhavam, as flechas das balestras não seriam mais incomodo, eu sentira que era hora de acabar com aquela guerra, pôr fim a tudo de uma vez. Eu já havia perdido demais nesta guerra. Todas as armas que outrora foram usadas por Éracles, eram bem mais avançadas por culpa de Ares, mas a cada nova arma, eu conseguia maior proteção, eu conseguia as armas de meu inimigo e as melhorava, agora eu e meus soldados as usavam de forma melhorada e mais mortal.
Vi um batedor conseguir chegar ao cimo da brecha, e logo um de meus soldados o abateu com uma flecha enterrada em seu peito. Éracles mandou o batedor para saber de meus exércitos, significava que ele irá logo marchar com poder total, e se há este batedor, com certeza outros também vieram.
Já havia dois verões que esta guerra perdurava desde que Gabrielle está aqui e apesar de fazer com que meus inimigos retrocedessem, ainda assim eles insistiam em combater, eu soube que eles acreditam que Éracles é algum tipo de Deus, um soldado inimigo capturado me contou isto enquanto estava sendo torturado, algum tipo de truque e todos os soldados estavam crente nisto, por este motivo não desistiam.
Eu observava meus inimigos, quase sempre adivinhando seus movimentos e estava pronto para recebê-los com uma flechada, ou qualquer outra arma que seria usada em minha direção, eu percebera que durante esta guerra minhas habilidades foram melhoradas exponencialmente.
E sabia também que apenas tinha mais um ou dois dias. Éracles possuía menos de algumas centenas homens e um sexto deles estava doente, se não lhes conseguisse arranjar abrigo, teria de marchar de volta para as Gálias, com o rabo entre as pernas.
Não era difícil arruinar uma terra os homens de Éracles bem o sabiam, as casas e celeiros podiam ser feitos de pedra, mas os telhados ardiam. O gado era capturado e, se houvesse demasiados animais que não pudessem ser transportados, matavam-nos e lançavam as carcaças para dentro dos poços, de modo a envenenarem a água com a podridão das carnes. Os homens de Éracles queimavam tudo o que ardia, partiam tudo o que se quebrava e roubavam tudo o que pudesse ser vendido. Matavam, violavam e saqueavam. Meu povo ficou com medo que lhes, abandonando suas vilas, deixando a terra desolada. Eu teria um pouco de trabalho na reconstrução, mas as deixaria mais forte, colocaria soldados ali, num posto fixo, eu me reforçaria, após esta guerra, eu mostraria porque sou a senhora destruidora de nações.
Eram os cavaleiros do demónio e cumpriam a vontade do comandante ao provocar a devastação da minha terra. Destruíam aldeia atrás de aldeia, bem como mais de uma vintena de lugares cujos nomes nunca souberam.
Os soldados não eram modelos de virtudes; eram homens marcados e cruéis, que tinham prazer na destruição. Foi um inverno da mais completa miséria. As chuvas frias açoitavam a terra.
O dono era despido, mutilado e enforcado numa árvore, para servir de aviso a outros que não se deveriam meter com os eles; as lições davam resultado, pois as emboscadas rareavam cada vez mais.
Como espetáculo era assombroso, parecia um torneio, só que, naquele prado não havia juízes para pouparem a vida de um homem. Os dois, exércitos, o dele e o meu, aprontaram-se. Os escudeiros apertavam as cintas, os homens ergueram as lanças e verificaram se as correias dos escudos estavam bem presas. As viseiras fechavam-se com um ruído metálico, transformando o mundo dos cavaleiros num local escuro, fendido apenas por riscos; de luz do dia.
Alguns homens usavam duas espadas, uma, mais pesada, para cortar e outra mais fina, para apunhalar e ambas tinham de deslizar perfeitamente das bainhas.
Meus soldados combatiam selváticamente, obrigando o cavalo a dar meia volta, de modo a derrubar dois oponentes. Um foi posto fora de combate com um braço inutilizado e o outro foi castigado pelos rápidos golpes da sua espada roubada.
Era antes do nascer do Sol e o campo estava coberto de cinzento, raiado de bruma. Galic, meu melhor batedor olhava fixamente. Viu um bosque frondoso, a menos de um quarto de légua a sul, e um cume baixo erguendo-se acima da névoa. Depois avistou os pendões e as cotas cinzentas à luz baça e logo a seguir, uma floresta de lanças.
— Homens-de-armas — disse — E são muitos, os bastardos! – Eu não entendia como o exército de Éracles ainda estava tão grande, com certeza Ares estava por detrás disto.
Mais uma dúzia de arqueiros se juntou à sua força, mas era ainda muito pouco.
Meus cavaleiros teriam apenas de galopar em redor dessa extremidade desprotegida e nada os deteria. Eu esperava que Éracles trouxesse seus arqueiros para campo aberto, porém cinquenta homens nunca poderiam deter trezentos. Podia tirar-se o melhor partido dos arqueiros em grupo, de modo a que as suas flechas formassem uma chuva forte de pontas de aço. Cinquenta homens poderiam provocar um aguaceiro, mas, mesmo assim, seriam atropelados e massacrados por meus homens.
— Os bastardos estão a fazer tempo — disse Galic, nervoso. Colocara uma dúzia de flechas na base da sebe.
Eu sabia que aquela guerra acabaria hoje.
Conduzi meus homens para que contornassem o extremo da sebe, e entrassem no pântano, espalhando-se por entre as moitas onde saltavam fazendo espalhar a água de um emaranhado de sapais e arroios. Dirigiram-se para sul, direitos ao inimigo e, tendo-o ao seu alcance, espalhei meus homens, dizendo-lhes que praticassem tiro ao alvo com os inimigos próximos.
— Matem esses bastardos! – gritei.
As flechas ornadas de penas brancas silvaram pelo sapal, para atingir homens e montadas. Alguns dos inimigos tentaram carregar sobre os arqueiros, mas os cavalos chafurdavam no terreno mole, tornando-se alvos das revoadas de setas.
Os besteiros desmontaram e avançaram a pé, porém os arqueiros passaram então a alvejá-los. Chegavam ainda mais homens, enviados por Éracles, de modo que o pântano ficou de súbito cheio de arqueiros, que despejavam um inferno de pontas de aço. Tudo se transformou num jogo. Os homens apostavam se conseguiam ou não acertar num alvo em particular. O Sol subia no céu, lançando sombras sobre os cavalos mortos. O inimigo afastava-se para junto das árvores.
Um grupo corajoso tentou uma última carga, na esperança de contornar o pântano, mas os cavalos tropeçaram no terreno mole, ao mesmo tempo em que eram atingidos pelas flechas cuspidas para cima deles. Homens e bestas gritavam, ao cair. Um cavaleiro tentou resistir, vergastando a montada com o punho da espada. Gabrielle meteu uma flecha no pescoço do cavalo e Galic e espetou-lhe o quadril. O animal relinchou aflitivamente, invadido pelas dores, para cair dentro do pântano. O cavaleiro conseguiu retirar os pés dos estribos e cambaleou, a praguejar, em direção aos arqueiros, com a espada em baixo e o escudo erguido, mas Galic meteu-lhe uma flecha na virilha, antes que outra dezena de arqueiros acrescentasse as suas setas, antes de se atirar ao inimigo caído. Empunharam facas, abriram gargantas e poderia então seguir-se a pilhagem. Os cadáveres foram despojados das suas cotas de malha, das suas armas e os cavalos das rédeas e selas.
No momento em que o sol encontrava-se em seu ponto mais alto, conseguimos reunir o inimigo na clareira após o pântano, eu não deixaria qualquer bastardo vivo, este seria o fim e serviria de exemplo para que ninguém mais viesse a tentar algo contra mim, eles entenderiam que a vida não é digna de se viver. Ela é para ser tomada e surrada. E combatida, e formada na sua imagem. É aí onde o sentido repousa. No que você pode insinuar-se à vida. Para aqueles que simplesmente aturam a vida, sim: ela é uma piada muito sórdida. Mas para aqueles que a formam com a sua vontade, a piada está em quem se coloca no caminho. E essa piada amarga seria agora entendida para aqueles que se colocaram contra mim senhora conquistadora!
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