Eu te odeio! Com amor, Quinn
3 Capítulo 3 - Aminimigas
Notas iniciais
Eu nunca gostei das segundas-feiras. Os piores dias da minha vida aconteceram nas segundas. Hoje, é claro, não podia ter sido diferente. Era o meu primeiro dia como professora e tinha três turmas. Todas do ensino médio. Plateia difícil.
As aulas seriam muito… Agitadas. Veja bem, eu sou pequena e quase sempre sou vista como frágil, como uma professora novata no meio de adolescentes indisciplinados e malcriados, eu era praticamente um pedaço de carne jogado numa jaula de leões famintos.
Seria uma carnificina.
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Hora do almoço. Finalmente.
Eu tinha ido até o refeitório comum dos alunos pegarem algo para comer, estava morrendo de fome, mas de jeito nenhum eu ficaria por ali mais do que o necessário. O McKinley estava um pouco mais selvagem do que eu me lembrava e as duas primeiras turmas foram um pesadelo.
A sala dos professores não era muito longe dali e rapidamente estava segura entre os adultos. Não tinha muitos professores no momento, poucos presentes dormiam ou liam papéis — provavelmente corrigindo trabalhos. Uma mesa mais afastada no canto da sala grande chamou minha atenção e decidi que aquele seria meu lugar até me acostumar a nova rotina.
Ri comigo mesma ao imaginar papai e mamãe me vendo agora. Papai provavelmente estouraria de tanto rir da minha covardia e mamãe não seria tão diferente. Apenas mas discreta.
— Olá, novata. — Ouvi uma voz grave — com um forte sotaque inglês — falar e pouco depois uma sombra cobriu a mesa. Um homem alto com um sorriso suave estava vestido de modo demasiado aristocrático para um professor. A roupa social quase toda preta — com exceção da camisa branca. E o sobretudo. Que tipo de homem usa aquele modelo de sobretudo hoje em dia? Do tipo muito, muito rico com certeza. Eu podia facilmente imaginá-lo vivendo no século 18. Ele era bem charmoso, uma pena que não me atraía…
— Olá… — Eu não sabia quem ele era.
— Mika, Mika D’onahill. Sou professor de história. E você é a senhorita Berry, a nova professora, eu suponho. — Estendeu a mão para mim e se sentou quando aceitei.
— É, sou eu. Em carne, osso e pânico. — Disse antes de começar a comer furiosamente. Estava com fome demais para ignorar meu almoço durante uma conversa.
Uma gargalhada extremamente divertida veio do outro lado da mesa.
— Você conheceu os monstrinhos do ensino médio pelo que vejo. Deu aula para os gêmeos Sanchês?
Quase perdia a fome ao ouvir o nome dos lideres da enorme algazarra que tive que contornar na primeira aula. Dois marmanjos de dezessete anos que pareciam ter cinco.
Pela nova risada, Mika totalmente percebeu isso.
— Parece que sim. Quando é sua próxima aula? — Ele perguntou tirando um relógio de um bolso interno do sobre tudo.
Um relógio de bolso. Quem é esse cara?
— No ultimo tempo.
— Bem, eu tenho uma aula daqui a pouco, depois do almoço. Vejo você por ai, senhorita Berry.
Mika pegou minha mão novamente, beijando levemente desta vez, antes de sair elegantemente da sala. Algumas professoras que haviam chegado a suspirar quando ele acenou para elas.
Realmente uma pena.
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A ultima aula não foi tão ruim. Turma do primeiro ano,eram mais calmos. Ainda bem.
Depois da aula fui até a sala do diretor fazer um relatório de como tinha sido o meu dia. Eu estava em uma semana de teste e faria isso ao fim de cada dia. Depois disso eu seria oficialmente professora do McKinley segundo o RH. Levei quase uma hora fazendo isso.
Estava quase indo embora quando lembrei que ainda não tinha visitado a sala mais importante da minha curta vida escolar ali. A sala do coral. Fui até lá correndo na esperança de ainda encontra-lá aberta. Se é que ainda era usada, afinal o carol não tinha muita importância para os patrocinadores.
Estava praticamente correndo quando cheguei no corredor certo. Na pressa não percebi que a porta tinha sido aberta e alguém saia de lá. A batida foi inevitável. Minha queda também.
— Olha por onde- Eu travei quando percebi o ‘alguém’ era uma mulher extremamente bonita. A pose elegante faria qualquer um duvidar que ela tivesse acabado de sofrer um baque. Que ela nem se moveu aliás.
— Rachel Berry. Não imaginava encontrá-la aqui. — O tom desdenhoso na voz da estranha de rebeldes ondas loiras de cabeço — muito sexy -, me fez despertar do encantamento inicial. Tá, fala sério, estava mais para ‘babamento’.
— Eu te conheço? — Perguntei me levantando o mais rápido possível. De jeito nenhum eu iria deixar que ela continuasse me olhando com aquela superioridade toda. Eu tinha certeza que nunca tinha visto alguém tão arrogante antes. Eu lembraria, com certeza. Eu acho. Mas alguma coisa nela era familiar.
Esses olhos… De onde eu conheço esses olhos?
— Tenho certeza que sim, mas acredito que nunca fomos apresentadas oficialmente. Eu me chamo Quinn Fabray. — A gosto- petulante disse com um grande destaque no sobrenome. Me olhando com as sobrancelhas arqueadas como se me desafiasse a dizer alguma coisa mais.
Mas é claro, são os olhos do tio Richard.
Como se costume todos os alertas do meu corpo começaram apitar loucamente ao ouvir o nome que a Quinn– escolha estranha de nome para uma mulher — tão orgulhosamente falou. Hunf, ela quase soletrou.
— Fabray… É claro. Você deve ser a filha do Russell.
— Exatamente. — Hmm… Eu notei um sotaque inglês? Aparentemente eu não fui a única a sair de Lima.
— Bom, Fabray-
– Pode me chamar Quinn. — Que grosseira! Quente, mas grosseira. É uma Fabray sem dúvida.
— Eh, certo… Quinn, foi um prazer conhecer você, mas eu tenho que ir. — Eu tentei sair o mais depressa, mas com classe e elegância, claro, porém senti uma mão quente segurar meu cotovelo.
— Espere. — Porque esse sotaque é tão mais sexy nela do que no Mika. Ser gay pode ser frustrante as vezes…– Não tem mais ninguém aqui exceto o corpo docente. Você é uma professora?
Respirei fundo e me virei lentamente. Quinn me olhava diferente agora. Um misto de curiosidade com alguma outra coisa que eu não conseguia identificar.
— É eu sou uma professora nova.
— Oh, que bom. Escute, eu também sou nova aqui e ainda estou tentando me achar. — Professora?
— Professora? De que? — Ela sorriu levemente e se virou para fechar a porta da sala do coral com uma chave.
— Do clube do coral.
— Oh… Verdade? Eu, eu era do coral. — Se tudo o que eu sabia sobre Russell Fabray era verdade — e eu sabia que era — uma filha artista era tudo o que ele não aprovaria.
Quem sabe…
— Mesmo? Que bom. Veja, como eu dizia, eu ainda estou me adaptando aqui e já que vocês está na mesma situação pensei que poderíamos nos unir. Eu tenho um velho amigo lecionando aqui, mas seria bom falar com mais alguém.
— Olha eu não quero parecer grosseira, mas-
— Eu sei a história da família, Berry. Sinceramente eu não dou a mínima para tudo isso. Não como se precisássemos de mais do que já temos. Eu gostaria não deixar que essa rixa entre nossos pais interfira no nosso relacionamento. Somo colegas de profissão agora, afinal.
Certo, eu não podia pensar em nenhuma outra desculpa agora. Quinn Fabray parecia um ser humano completamente normal e gentil a essa altura — deve ser uma reação à quão incrivelmente bonita ela é com certeza.
Eu preciso de uma namorada.
— Então, o que me diz?
— Ah, er… Eu… Eu acho que… Tudo bem.
— Maravilhoso. — Não, eu nunca vi um sorriso tão bonito.– Bom, nos vemos, Berry. Até breve.
Eu paralisei completamente quando ela se aproximou e beijou minha bochecha. Posso jurar que por um segundo minhas pernas fraquejaram quando senti o perfume delicioso dela.
Eu nunca tive contato direto com os Fabray, mas se a filha deles servia de alerta, papai e mamãe tinham razão. Eu tenho que ficar longe deles, são um perigo para a sanidade de qualquer um.
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