Notas iniciais
desculpem se eu não aceito aquele final de novela da globo.

O céu estava tão claro, ele percebera. A brisa também estava diferente, o vento corria em zigue-zague, até as pedras pareciam felizes. A dor que lhe atormentava se fazia presente apenas pra dizer-lhe que ainda não estava morto.

Seria uma ironia porque tinha quase certeza que o inferno não se parecia com aquilo.

Ao seu lado, outro corpo deitava sobre o tapete cor de carmim que se tornara suas extremidades, remexendo-se irritado por algum motivo que definitivamente não era a possibilidade de morte iminente que os encarava. Se fechasse os olhos podia imaginá-los tomando chá com a dita cuja.

– oe, Sasuke.

– hm?

– você acha que vamos morrer aqui?

Ele o encarou de canto de olho, os cabelos loiros sujos, o rosto repleto de fuligem e um sorriso meio de lado indicativo certeiro de que aquela fora uma pergunta retórica. O sangue não parava de correr de onde um dia estivera seu braço e sua visão que já não enxergava mais o azul do céu não deixava muito espaço para a dúvida.

– não sei, dobe.

– eu vou morrer sem me tornar hokage, teme.

Dessa vez ele sentiu como se estivesse chovendo, e mesmo com os olhos fechados, conseguia sentir os pingos de uma torrente salgada cobrindo-lhe o rosto e afastando o pó que se acumulara na face alva. O coração doía como o diabo, tantas coisas que ele não dissera e nunca diria, ao mesmo tanta leveza e alívio.

– eu acho que você já se tornou, Naruto.

– você acha mesmo?

– do jeito que você arrisca a vida por aquele bando de idiotas. — uma pausa — eu tenho certeza.

Ouviu sua risada escandalosa seguida por um suspiro de escárnio e irritação. — eu prometi te levar de volta.

– você me levou.

Os olhos azuis encararam-no como quem destrincha o caminho em busca de um fio de verdade; ele se sentiu repentinamente tímido.

– eu sou mesmo demais, não é? — mais uma risada.

– não fique se gabando.

– neh, Sasuke. Mesmo que eu não tenha virado hokage oficialmente, eu tô satisfeito só de ter te derrotado.

Os olhos do outro voltaram a fitar o nada e o moreno fez o mesmo, com um sorriso mínimo no rosto. Ele viu quando a xícara de esvaziou do outro lado da mesa e a morte sorriu um sorriso passional.

– vai sonhando, usuratonkashi.

No fim, o moreno só queria poder segurar a mão do outro pela última vez.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!