Notas iniciais
Boa Leitura e cuidado com as fu...benevolentes! ;)

Acordei em uma sala escura, iluminada somente por um abajur na mesa de canto ao lado, estava sentada em uma poltrona de frente a uma lareira, o chão era de madeira e havia uma escrivaninha perto da janela. Era noite e tinha uma ideia de que ainda era “hoje”. Vestia as mesmas roupas de hoje de manhã – camisa com o símbolo do super-homem, calças jeans e All Star vermelho. Tentava descobrir conde estava quando um homem entrou na sala, ele cheirava à vinhedo e não parecia o tipo de cara que te mataria ao virar as costas.

– Quem é você? – perguntei.

– Vá com calma, garota, eu vou lhe fazer as perguntas, Ok? Quem é você?

– Meu nome é Sofia.

– Como chegou aqui? – ele fez um gesto com a mão indicando que era para eu falar mais.

– Minha mãe me deixou aqui hoje à tarde, falou que eu era uma...falou que era para eu subir a colina e atravessar aquele pinheiro – apontei para o pinheiro que se via através da janela.

– Hum...é normal os pais abandonarem vocês mesmo, não é fácil cuidar de vocês. – imaginei que estava em uma escola militar do jeito que ele falava – Sabe onde está, garota?

– Não...

– Você está no Acampamento Meio-Sangue e se você atravessou aquela barreira, garota...

– Sofia – o corrigi.

– Tanto faz, você é uma meio sangue. Isso significa que você é uma semideusa.

– Então ela tinha razão, meu pai é um deus olimpiano. Eu sou filha de um deus olimpiano!?

– Ou deusa.

– Aqui, por mais vaga...por mais desnaturada que minha mãe seja ela não é lésbica não.

– Tanto faz. – ele parecia mesmo não se importar.

– E...já que você já falou tudo o que queria, quem é você?

– Eu sou o Sr.D, diretor do acampamento, garota. – já estava me irritando ele me chamar de garota.

– D? Mas, por que D? Espera...cheiro de vinhedo, essas roupas...- ele fez uma cara de esperança, como se eu estivesse quase adivinhando quem ele era – Não...eu devo estar maluca.

– É, garota, eu sou Dionísio, deus do vinho, garota esperta.

– Eu não sou cachorro não. – ele revirou os olhos.

– Por mais que eu não gostaria de ficar não tenho tempo para bater papo com você e já passou da hora de se recolher, meu filho vai te mostrar onde vai dormir e tal.

Neste momento um garoto bateu na porta e entrou, ele tinha cabelos e olhos castanhos claro, era alto em comparação a mim e vestia uma camisa laranja que dizia “Acampamento Meio-Sangue”, parecia que não entendia o que estava fazendo naquela sala:

– Me chamou, Sr.D? – ele esfregava os olhos parecendo que estava com sono.

– Sim, quero que leve esta garota para o chalé dela.

– Indefinida ou Definida? – ele perguntou me observando.

– Indefinida, um milagre ainda não terem espalhado que ela chegou.

– Na verdade todo mundo já sabe, só não sabemos seu nome nem nada.

– Ah, ta bom, não me importo. – Sr.D saiu da sala e o garoto veio falar comigo.

– Olá, sou o Jackson! – ele esticou a mão e eu a apertei meio envergonhada.

– Prazer, Sofia. – eu dei um sorriso de lado envergonhada.

– Vem, eu vou te mostrar seu chalé, você vai ficar com os indefinidos, ficaria com os filhos de Hermes, mas construímos um chalé para indefinidos por estarem abarrotados de semideuses – ele esticou a mão e me puxou pelo pulso para eu me levantar. Nós andamos por um longo corredor, descemos umas escadas e logo já estávamos fora daquela casa, se é que aquilo era uma casa. Ele me levava para não sei onde, estava muito escuro e ventava frio.

– A propósito, eu sou filho de Dionísio, sim aquele é meu pai — ele falava muito rápido, eu quase não conseguia acompanhar – amanhã cedo eu vou te mostrar o acampamento, se precisar de qualquer coisa pode me chamar no meu chalé, mas...

– Olha, isso é muita coisa pra minha cabeça, conversamos amanhã, certo? – eu falei meio baixo enlaçando os braços em volta da barriga por causa do frio.

– Ah, claro, desculpa.

Nós chegamos em um lugar cheio de chalés construídos em forma de U, o Jackson me acompanhou até o meu chalé.

– Então...você fica aqui, meu chalé é logo ali, — ele apontou para um dos chalés — é só me chamar, mas não liga pro meus irmãos eles são meio...atirados – ele deu uma risadinha.

– Hum...Ok.

– Bem...Até amanhã e bem vinda!

– Obrigada.

Eu abri a porta e entrei, parece que nenhum deles se importou com o barulho da porta rangendo e os meus passos no chão de madeira. De todas as camas eu escolhi a última, “Por quê?” porque é super normal você acordar e ter uma estranha dormindo em uma cama ao seu lado. Me deitei e fiquei observando o teto, me veio à cabeça a lembrança da minha mãe me olhando enquanto dizia “eu te amo”, o desprezo em seus olhos e as lágrimas escorrendo dos meus. Adormeci com lágrimas nos olhos e sonhei com a minha mãe conversando com alguém no telefone:

– Eu a mandei para estudar fora, não a aguentava mais, nunca me obedecia. – parecia estar falando de mim – É, estou melhor sem ela, posso até usar seu quarto como escritório. Nunca percebi o quanto ela não me faria falta se a largasse, acho que ficava com dó do pai já a ter abandonado e se a mãe também fizesse o mesmo, ela desmoronaria...

Ela continuava falando, mas no sonho estava olhando pela janela da sala e não aguentei mais ouvir, eu sai correndo pela rua, mas parecia infinita, nunca chegava ao fim. Corri até chegar em um lugar totalmente escuro, quando dei mais um passo cai em um buraco escuro e sem fim onde ouvia minha mãe falando “Estou melhor sem ela” “Nunca percebi o quanto ela não me faria falta”. Mas, de repente tudo ficou claro como se o Sol iluminasse tudo, uma luz me acolheu e eu simplesmente acalmei, me deitei nesta luz e dormi tranquila como nunca.

Notas finais
Gostou? Recomenda aí, favorita e comenta ;), Bjs, Laurinha XD
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.