Eu sempre te amei, Lily.
1 Capítulo único.
Estava me arrumando, me olhando no espelho enquanto ajeitava o véu. Afinal, hoje eu teria que estar lindo para o casamento, o qual eu serei a noiva. Isso normalmente é considerado uma coisa maravilhosa, mas para mim era assustador. Assumir um compromisso de amor com uma pessoa, mesmo não sabendo a anos o que é amor. Charlie Zabini é um homem maravilhoso, ótimo cargo no mistério, simpático e atencioso. Meus pais gostaram dele de cara, não houve nenhuma implicância, como com meu antigo namorado. Às vezes, sinto que Chai é perfeito demais.
– Você tem certeza? – A voz aveludada da minha mãe me despertou. Eu não ousei olhar para trás, não aguentaria mentir mais uma olhando em seus olhos. Ginerva Weasley, ou melhor, Gina Potter, não desistia fácil. Quando queria saber de uma coisa ia fundo. Eu já havia notado há dias sua inquietação, até mesmo repulsa quanto minha decisão.
Foi com ela que mais chorei após o fim de meu ultimo namoro, foi no colo dela que repousei meu rosto cansado, foi sobre seus carinhos que passei os dias mais difíceis. Então, por que mentir? Porque não eu não sabia a resposta.
Levantei meu olhar. A minha frente estava uma mulher de quarenta anos, seus cabelos ruivos e suas sardas, eram as coisas mais bonitas em sua aparência, duas coisas que me foram herdadas.
– Me responda, Lílian Luna Potter. – Ela pegou meu rosto em suas mãos, fazendo assim eu encara-la. Senti minhas pernas enfraquecerem e o ar sumir dos meus pulmões. Abri a boca algumas vezes, as palavras me fugiam. Sentia-me indefesa, a mesma garotinha que chegava em casa chorando porque ralhou o joelho, ou a que veio contar-lhe sobre o primeiro beijo.
Quando eu consegui juntar as palavras em uma frase lógica, a porta foi aberta. James entrou sorridente. Afastei-me da minha mãe e ele me abraçou, animado.
– Vamos, Lil. Esta na hora. – Disse sem tirar o sorriso hipnotizante. E, eu sentia que ele estava até mais feliz que todos. Afinal, sua irmã e seu melhor amigo.
Minha mãe olhou mais vez para mim, esperando que eu despejasse tudo, que corresse para seu colo. Mas eu somente sorri, e mantive a pose. Eu iria casar-me, não ser enforcada.
O caminho foi de total silencio entre todos. Papai até tentou puxar algum assunto, mas logo foi cortado pela minha mãe. O clima estava tenso, e ali dentro daquele carro trouxa, eu só queria paz.
Meu sonho sempre foi casar na toca, como todos. Mas Chai era contra, sua família era podre de rica, e assim não aceitava um casamento simples. Tinha que ser tudo muito bem arquitetado, e cada detalhe se possível, banhado a ouro. O carro parou na porta da enorme igreja, papai saiu para resolver os últimos detalhes junto com James e Alvo. Meu coração batia rápido, e minha cabeça doía. Abri a janela para poder o ar entrar, e talvez aliviar o clima entre nós duas.
Então, quando eu pensei que não podia ficar mais tensa, vi seu rosto. Ele veio, fiquei um pouco espantada. Afinal, depois de tudo, eu não esperava. Meu Hugo.
Parado um pouco longe da entrada, escorado em uma viga, conversando com Rose e Roxanne, como se fosse só mais um casamento banal. Aquilo esmagou meu coração.
Ele sorriu e colocou o braço entorno da cintura de uma mulher. Como não notei sua presença antes? Era baixa, tinha cabelos loiros, e olhos tão verdes que chegava arrepiar. Isabella. Ele pareceu notar meu olhar, apertando mais a moça.
Lembro quando era a mim em seus braços, quando eu era a dona de seus beijos e carinhos. Um choro ficou preso em minha garganta.
– Lily, vem aqui. Quero te mostrar uma coisa. – Estava sentada a mesa comendo um sanduiche quando escutei Hugo me chamar, levantei, limpei minha mão no verso da minha blusa e fui a seu encontro.
Era inverno e fazia muito frio. Segurei meu casaco em meu corpo com mais força. Ele estava parado a porta. Corri a seu encontro e lhe abracei. Um abraço rápido, que o pegou desprevenido. Encostei-me à porta de casa, e me sentei. Hugo se sentou ao meu lado.
– O que foi? – Perguntei curiosa ao ver que ele segurava algo com tanto carinho em sua mão.
– Isso. – Abriu a mão revelando um dente e sorriu mostrando sua janelinha. Eu ri, afinal, o meu já havia caído há dias.
– Você demorou muito pra arrancar. Medroso. – Ele perdeu o ar de riso, e fez um bico.
– Meu pai disse que eu tenho que ser muito corajoso, porque se eu não for vou pra Sonserina, eu fui corajoso Lílian Luna. – Eu odeio que me chamem de Lilian, é Lily ou Lil, ponto final.
– Não quis ofender Hugo. – Apertei suas bochechas, o fazendo sorrir.
– Para de me apertar. Eu sei que sou lindo, mas para.
– E também convencido.
– Pode ser. – Rimos. – Lil, você poderia me dar uma recompensa.
– Que recompensa? – Perguntei um pouco curiosa e apreensiva.
– Essa. – Chegou para perto. E junto nossos lábios, me dando um estalinho. Igual meus pais faziam.
– Hugo, isso foi errado, nossos pais não vão gostar de saber. – Na verdade, eu tinha amado.
– Eles não precisam saber. – Arrumou a franja. – Ninguém precisa.
– Nem Rose? – Perguntei.
– Muito menos a chata da Rose. – Confirmou.
Passamos o resto da tarde assim, dando pequenos estalos. E isso foi até a puberdade, quando demos o nosso primeiro beijo.
– Esta tudo pronto, princesa. Chegou sua hora. – Alvo abriu a porta do carro revalando o tão esperado momento. Peguei em sua mão, ele me ajudou a sair.
Meu pai me esperava na porta da igreja. O abracei, e aconcheguei minha cabeça em seu ombro. Ele beijou minha testa, e disse:
– Seja qual for sua escolha, eu sempre te amarei. – Eu me surpreendi com isso. Isso me pareceu mais palavras de libertação, como se dissesse que se eu desistisse ele estaria ali para mim.
– Eu também te amo.
A macha nupcial tocou, me soltei de meu pai. Passei a mão pelo vestido, e respirei fundo entrando na igreja. A arrumação estava impecável, os padrinhos estavam lindos, e o local cheio. Logo reconheci uns amigos de Hogwarts.
Olhei para meu futuro marido, ele sorria. Mas seu olhar era enigmático, não tinha nenhum brilho, nada que o destacasse como noivo. Papai me entregou a ele, e apertou sua mão. Charlie beijou minha bochecha, e seu sorriso aumentou.
O padre deu inicio a cerimônia. Meus pais choravam, e até James, que era durão, se derramava. Estava sendo perfeito, o casamento dos sonhos.
– Lílian Luna Potter, você aceita esse homem na riqueza e na pobreza? Na saúde e na doença? Até que a morte os separe?
– Hugo, é lindo. – Disse ao ver o anel que ele me presenteou em meu décimo quinto aniversario. Estavamos sentados em minha casinha da arvore. Uma que sempre quando algo dava errado eu corria pra cá.
– Ainda bem que gostou. – Suspirou aliviado. – Ele simboliza o nosso amor. Nada explica o começo, e nada o fará ter fim.
– Hugo Weasley, eu te amo. — O abracei, ele se arrepiou e retribuiu. Senti meu coração bater mais e forte.
– Eu sempre te amei, Lily. – Ele tocou meus lábios com a palma dos dedos, em seguida me beijou.
– Não. – Respondi fazendo o padre me olhar assustado. Os convidados soltaram gritinhos de surpresa, e Charlie parecia que iria desmaiar. – Eu não posso. Me desculpa.
Sai correndo da igreja, mas não antes de ver a expressão risonha de Hugo, e olhar de encorajamento de Rose. Escutei alguém vindo atrás de mim, olhei para trás e vi Chai, ele estava desesperado.
Escondi-me em uma rua atrás da igreja e ali aparatei. Primeiro pensei em minha casa, mas depois a mesma lembrança minha e de Hugo me veio à cabeça.
Nenhuma sensação era igual a aparatar, o enjoo e tudo rodando, sua cabeça parece que vai sair do lugar. Cai no chão de madeira da casa da arvore,
Sentei-me, encolhi meu corpo e abracei minhas pernas. Só então, me permite chorar. Um choro que rasgava minha garganta. Um choro misturado de maquiagem. Arranquei o véu, e o joguei para longe.
Hoje eu fui corajosa, a verdadeira grifonoria que eu não sou.
– Eu não consigo entender. – Disse Hugo. Estavamos sentados na dedos de mel. Ele usava um cachecol típico da Grifinoria, e eu pra deixar barato usava um Sonserino. – Por que logo ele?
– Me escuta, nunca tivemos nada. – Segurei seu rosto em minhas mãos. Aproximei nossos lábios, mas ele virou o rosto.
– Como nunca tiveram? Eu vi o jeito que ele olhava para você. E como você retribuía? Eu não sou burro, Lílian. — Hugo conseguia ver coisas aonde não existiam.
– Eu te amo, Hugo. Somente a você. – Nesse momento eu já estava chorando.
– Ama mesmo? Eu duvido. – Minha vontade era de dar na sua cara, e foi isso que eu fiz. Ele me olhou indignado, mas eu mantive minha armadura de gelo. Mesmo morrendo por dentro.
– Acabou Hugo, eu nunca mais quero saber de você. – Disse com a voz tremula. – Já não damos certo há meses.
Já fazia algum tempo que estava lá. Em um ataque acabei rasgando meu vestido, nada fazia mais sentido.
Escutei um barulho, e então alguém aparatou na casa da arvore. Fechei meus olhos, esperando uma bronca de minha mãe. Mas ao contrario a pessoa me abraçou. Um abraço aconchegante, que eu retribui.
Quando abri os olhos eu encontrei quem menos esperava, Hugo.
– O que faz aqui? – Perguntei me afastando.
– Estão todos a sua procura. Você sumiu, que coisa feia. – Ele disse irônico e riu, o olhei feio. Não acredito que ele veio aqui para rir de mim.
– Vá embora, finja que não me viu! – Falei um pouco na defensiva.
– Por que eu faria isso?
– Porque você não se importa. – Ele me encarou. Seus olhos era a coisa mais bonita que eu vi em dias, poderia olha-los por dias.
– Quem disse que não? – Perguntou, e se sentou ao meu lado. – Eu fui o único que lembrei que você se escondia aqui. Não posso negar que gostei de ver você recusa-lo, mas eu me preocupei com seu bem estar. Eu te conheço, sei o quanto é orgulhosa. Não iria procurar ninguém, e quando aparecesse voltaria com mil desculpas, e um sorriso falso. Eu sei bem.
Eu fiquei sem palavras. Até abri a boca algumas vezes, mas nada vinha a minha cabeça. Ele pegou um maço de cigarros no bolso, o olhei incrédula. Pegou um e acendeu.
– Desde quando você fuma?
– Desde quando você se tornou essa pessoa fria? – Jogou a fumaça em meu rosto. Eu tive um ataque de tosse. Ele riu. Sua risada era calma e ao mesmo tempo espalhafatosa. Era uma risada tão Hugo.
– Eu não sou fria, e não mude de assunto. – Deixei meu lado mediabruxa, falar mais alto. Afinal, para me formar eu estudei doenças trouxas, e eu sei o quanto aquilo faz mal.
– Não é fria? Você é uma pedra de gelo. Desde que se formou em Hogwarts não aparece mais na casa da vovó, não se enturma com a família, e é um poço de grosseria.
Ele tinha batido no meu ponto fraco. Poxa, não que eu seja a antissocial da família. Mas também não sou fácil. Então, eles tinham que me agradecer por evitar confusões.
– Eu apareço sempre.
– Sempre? Como nos aniversários e datas especiais? Você era a princesinha. Do nada sumiu, eu não entendo. – Tragou mais uma vez.
– Eu tava cansada. – Disse com a voz baixa.
– Cansada de que? De ser mimada?
– De ver você e não poder de abraçar, eu sei que foi errado sumir, eu sei. Só que eu me cansei de fingir estar bem. – Hugo ficou alguns segundos absorvendo o que eu disse. O silencio era desconfortável.
– Eu não te entendo, Lílian. Eu tento, mas não consigo.
Ele ia da mais uma tragada, mas arranquei o cigarro de sua mão e o joguei para fora da casinha.
– Pare com isso, ele pode te matar. – Deu de ombros.
– Não iria fazer nenhuma diferença.
– Agora é depressivo?
– Não, realista, Lílian.
– Para de me chamar de Lílian, que saco. E você faria muita diferença, todos te amam.
– De um exemplo, não vale minha mãe, nem meu pai e Rose.
– Eu te amo. – Hugo não esperava isso, ele me encarou e sorriu.
– Eu sempre te amei, Lily.
– Por que esperamos tanto tempo para ter essa conversa?
– Orgulho? – Falou receoso.
– Medo? — Sugeri.
– Talvez. – Ele novamente me abraçou, eu deitei minha cabeça em seu ombro. Hugo fazia carinho no meu cabelo, na hora eu relaxei. Não havia motivo para dor, ele estava aqui. O amanhã pode ser um mistério, mas que seja ao seu lado.
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