Eu quero você
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Quando Lucas acordou, sua mãe já estava atendendo clientes em casa e seu pai já havia saído. O garoto preguiçosamente tomou café da manhã, ainda de pijamas, e sentou-se na sala para assistir um pouco de televisão, mas no final das contas não achou nada que prestasse, por isso desistiu e foi mexer um pouco no computador.
Lucas estava vendo algumas notícias na internet quando a última cliente da manhã foi embora e dona Luiza foi para a cozinha preparar um almoço.
Enquanto os dois almoçavam, Lucas explicou para a mãe que iria a pé para a casa de Marcelo, e que ele já havia pegado o endereço com seu amigo. Depois do almoço, Lucas lavou a louça, como de costume, e depois deitou no sofá enquanto mexia no celular.
Em um dado momento, recebeu uma mensagem de Marcelo, que perguntava quando Lucas apareceria. Então, o garoto deu por si que já havia mexido bastante no celular, e foi se arrumar para ir à casa do amigo.
Lucas banhou-se, vestiu-se, despediu-se da mãe e foi caminhando até a casa de Marcelo. No caminho demorou mais ou menos vinte minutos, por sorte conseguiu abrigar-se do sol em algumas árvores. Quando percebeu estar chegando, procurou a casa, que, segundo a descrição de Marcelo, deveria ser amarela com um portão marrom.
Tocou a campainha.
Marcelo veio lhe receber sorridente, de camiseta e bermuda, abraçando-lhe ao abrir o portão. Lucas ficou um pouco constrangido, pois tinha a testa um pouco molhada de suor, mas o amigo não pareceu se importar.
— Meu vídeo game é um Play Station 2 velhinho, espero que você não se importe.
— Claro que não – respondeu Lucas, sorrindo.
Entrando na casa, os dois atravessaram a sala.
— Vou te apresentar para os meus pais – disse Marcelo.
O amigo chamou os pais, que estavam dentro do quarto. Os dois saíram para cumprimentar Lucas.
— Prazer, Lucas – disse a mãe, acenando-lhe – fique à vontade.
— Obrigada, como vocês se chamam? – perguntou.
— Leonardo e Patrícia – respondeu o pai.
Os dois amigos então voltaram para a sala, Lucas sentou-se no sofá de três lugares enquanto Marcelo pegava os jogos.
— Que tipo de jogo você gosta? – perguntou Marcelo.
— Não sei – respondeu Lucas – raramente jogo vídeo game.
— Bom, então vou mostrar os que eu tenho aqui pra você.
No meio daqueles jogos, Lucas já conhecia alguns famosos, como o GTA e Resident Evil, outros nunca havia visto. Sem saber o que dizer, sugeriu que Marcelo escolhesse.
— Vou escolher um pra gente jogar junto – ele disse – de luta.
Então, escolheu o Mortal Kombat. Marcelo dirigiu-se para a televisão, o Play Station já estava arrumado, e colocou o jogo para rodar, levando um controle para Lucas.
— Já jogou antes? – perguntou Marcelo.
— Já – respondeu Lucas – faz muito tempo. Lucas já havia jogado na casa de seus amigos quando era mais novo, mas não conhecia todos os personagens.
Quando o jogo começou, Lucas se perguntou com qual personagem ele gostava de jogar, ele não conseguia lembrar direito, por isso foi olhando e escolheu um que parecesse interessante.
“Quais eram os poderes dele mesmo?”, perguntou-se.
No fim das contas, Lucas acabou perdendo feio. Ele resolveu trocar de personagem, mas não pareceu uma boa solução, já que perdeu de novo.
— Acho que sou meio ruim – comentou, rindo.
— Liga não – disse Marcelo – com certeza você ainda vai ganhar de mim hoje.
Realmente, Lucas conseguiu ganhar algumas vezes. Lembrou-se de alguns poderes, Marcelo também lhe deu algumas dicas com os botões, e no final acabou se divertindo.
Em alguns momentos, pensou que estava prestes a perder, mas consegui reverter a situação. Em outros, era ele que acabava sendo derrotado, ou jogado pra fora do cenário, quando tudo indicava o contrário.
Os dois xingaram e riram muito – coisas que não irei reproduzir aqui – eram dois meninos jogando, afinal de contas.
— Vamos fazer um lanche? – sugeriu Marcelo.
— Vamos, estou ficando com fome.
Marcelo parou o jogo e os dois foram para a cozinha. Havia bolo de cenoura e também suco. Cada um serviu-se de uma generosa fatia e sentaram-se na mesa para comer.
— Nossa, esse bolo tá uma delícia! – disse Lucas.
— Foi a minha mãe que fez.
— Ficou perfeito – elogiou.
Os dois comeram enquanto conversavam.
— Não aguento mais assistir a aula do Fabrício, ele é muito chato! – reclamou Marcelo.
— Ele já brigou várias vezes comigo por conversar – comentou Lucas, rindo.
— Eu fico só desenhando.
— Você desenha?
— Desenho sim.
— Me mostra seus desenhos? – perguntou Lucas.
— Claro, daqui a pouco eu te mostro.
— Aceita mais? – perguntou Marcelo.
— Com certeza! Obrigado.
Depois de terminar de beber o suco, Lucas recolheu seu prato e seu copo e foi lavá-los à pia.
— Não precisa, Lucas!
Lucas terminou de lavar, rindo, e voltou para a mesa. Marcelo então foi lavar a sua própria louça. Quando acabou, chamou o amigo para conhecer seu quarto.
Ele era simples, uma cama, ainda bagunçada, guarda-roupas, uma mesinha com alguns livros. Enquanto Marcelo procurava seus desenhos, Lucas aproximou-se dos livros.
— Você está lendo Harry Potter?
— Estou terminando o último livro, você já leu?
— Não, só vi os filmes mesmo.
— Se você quiser eu posso te emprestar.
— Ah, obrigado, tenho vontade de ler.
— Então pode pegar o primeiro que está aí na mesinha pra você levar hoje.
— Posso demorar pra devolver? – perguntou Lucas.
— Não precisa se preocupar – disse Marcelo, rindo – desde que devolva um dia, né.
— Haha, obrigado!
Marcelo sentou-se na cama com uma pasta na mão. Tirou alguns desenhos, chamando Lucas pra ver. O menino sentou-se também e pegou os desenhos na mão.
— Nossa, são perfeitos! – elogiou.
— Obrigado – agradeceu – não são tão bons assim – disse sem graça.
Eram vários desenhos diferentes, algumas pessoas, homens vestidos de lutadores, de cavaleiros, desenhos de objetos, paisagens.
— Deixa eu ver esse aqui! – disse Lucas.
— Não, esse não, esse é feio! – tentou esconder Marcelo.
— Não é nada, deixa eu ver.
Marcelo, finalmente, mostrou. Era um desenho de um homem montado num cavalo. Lucas não entendeu por que o desenho era feio.
— Está lindo, o que tem de errado?
— Ah, acho que não ficou muito bom – disse Marcelo – olha, esse aqui é o meu melhor desenho.
Lucas pegou para observar. Era um dragão, perfeito. Marcelo desenhou cuidadosamente suas escamas com o grafite, sombreando-as com paciência.
— Nossa, que lindo!
Enquanto admirava o desenho, o celular de Lucas começou a tocar. Era a sua mãe.
— Alô, mãe?
— Oi, Lucas, onde você tá?
— Tô aqui na casa do Marcelo.
— Você vai ficar muito tempo aí? Daqui a pouco vai ficar tarde.
— Já vou pra casa, mãe.
Lucas se despediu da mãe e guardou o celular.
— Minha mãe pediu pra eu voltar pra casa.
— Ainda está cedo, está sol ainda.
— É que a minha mãe fica preocupada.
— Ok, vou te acompanhar até a porta – falou Marcelo, antes, ele foi até a mesinha do quarto pegar o livro que iria emprestar a Lucas.
Os dois amigos chegaram ao portão, Marcelo entregou o livro a Lucas e os dois se abraçaram.
— Até mais, Marcelo.
— Até mais.
Fale com o autor