Eu quero ser teu lar
4 Corra... De volta para os meus braços
Notas iniciais
Regina sentia-se perdida, já fazia quase um mês que ela havia ido atrás de Emma e apesar de agora estar conseguindo conversar com a loira, não conseguiu obter nenhum resultado para trazer suas memórias de volta. Era como se Emma não quisesse se lembrar, mas também sentia que ela não queria que ela fosse embora, era algo ‘louco’ em sua mente. O que estava acontecendo?
Estava revirando na cama, perdida em pensamentos durante a madrugada quando de repente ouviu uma voz conhecida através do espelho que ficava perto de sua cama, levantou-se rapidamente seguindo o som.
— Mãe – Henry dizia aliviado – Você tá bem, estamos preocupados!
— Está tudo bem – tentou dizer num tom convincente – Como você está? E a rainha má, o Gold, eles tem tentado algo?
— Não perca tempo – Killian interviu entrando na frente de Henry – Cadê a Emma? Me deixa falar com ela – Regina sentiu naquele momento um dos piores sentimentos que alguém pode sentir, medo. Todas as vezes em que ela pensava em trazer as lembranças de Emma de volta, ela sentia o medo corroendo-a por dentro até que aquilo a consumisse inteiramente. O que Emma ia pensar sobre o que ela havia falado sobre Killian não ser bom pra ela?
— Ela não está aqui, pirata – retrucou com mais raiva do que gostaria – Acha que eu posso simplesmente colocar ela na frente desse espelho e você vai fazer com que ela acredite em tudo? Sinto muito, mas isso não funciona assim.
— Você devia fazer alguma coisa, faz quase um mês que não temos noticias, um mês que Emma está longe, você tem noção de como isso é pra nós? Traga ela de volta agora – disse perdendo o controle – Você não entende Regina, eu preciso abraça-la, dizer o quanto a amo!
— Eu estou fazendo – Regina sentia cada centímetro do seu corpo, cada fio de cabelo tomado pelo medo, ela não sabia o que pensar, o que fazer... Ela ia levar Emma de volta para Killian? Entregá-la numa bandeja de prata? – Mas não é tão simples eu não...
— Mãe, tá tudo bem – Henry disse sentindo o quanto sua mãe estava sobrecarregada – A gente só queria saber se vocês estão bem, não precisa fazer nada com desespero, nós entendemos como essa situação é delicada e estamos tentando conseguir achar uma forma para ir até aí te ajudar – foram as últimas palavras que Regina conseguiu ouvir até que a imagem deles sumisse por completo.
***
Regina mal tinha conseguido após ter conversado com Killian e Henry, saiu logo pela manhã preparou um de seus cavalos e decidiu passar o dia fora. Cavalgou até perto de uma cachoeira onde pode voltar a ser quem ela realmente era, sem aquelas roupas de rainha má. Sentia que nada que fizesse ali fosse suficiente, faltava alguma coisa, estava sendo demais para ela ter que lidar com toda aquela responsabilidade de “trazer Emma de volta” que foi jogada em suas costas. Queria algum descanso, mesmo que fosse apenas por alguns minutos, queria poder conversar com a velha Emma e perguntar o que ela deveria fazer, queria tantas coisas e ao mesmo tempo não queria nada.
— Você ficou louca? – Uma Emma ofegante e mais branca que o normal falou encarando a morena que abriu a boca em surpresa.
— Emma? Como você me achou? – perguntou inconformada.
— Como eu te achei? – disse irritada – Eu fiquei te procurando por todos os lugares, porque você não disse que ia sair?
— Eu não achei que você fosse se importar – respondeu surpresa ao ver que a loira estava realmente irritada.
— Vou voltar pro castelo – disse virando de costas enquanto Regina permanecia imóvel olhando a cachoeira, no fundo ela esperava que a morena insistisse para que ela ficasse, quando ela não o fez ficou ainda mais irritada – Ta certo Regina, obrigada pela preocupação!
— Emma eu não to entendendo, se você quer ficar aqui, pode ficar – disse inconformada – Mas se quiser ir, quem sou eu pra te pedir alguma coisa?
— Como você quer que eu consiga confiar em você? – rendeu-se sentando ao lado da morena – Eu entendo que deve estar sendo difícil, inclusive eu não sou uma pessoa fácil de lidar, assim como você também não é, mas todas as vezes em que você me fala desse lugar, eu sinto como se te machucasse... Eu não quero voltar pra um lugar que te machuca.
— Você tem que pensar em você, não em mim – suspirou sentando-se de frente para a loira para que conseguissem conversar melhor – Tem tantos motivos do porque pensar na realidade me machuca, mas isso é por quem eu fui, pelas consequências de todas as coisas que eu fiz. Mas acredite em mim você não vai se machucar como eu e eu não queria que isso fosse de outra forma, Emma... Eu me sinto aliviada por você não ter que passar pelo que eu passei, eu não mudaria nada.
— Você acaba de assumir que prefere coisas ruins acontecendo com você do que comigo, quem sou eu te obrigando a voltar pra esse lugar? Não entendo!
— Nosso filho está nesse lugar, nossas famílias, nossos amigos – suspirou – seu amor está nesse lugar. Eu não posso te manter aqui escondida de tudo para evitar minha dor, também me dói ficar longe do Henry, ele sente tanto sua falta, minha falta...
— Mas nós temos um Henry aqui – disse cabisbaixa.
— Isso não é real – tentou não parecer tão fria – Eu sei que é difícil, mas você precisa confiar em mim.
— E se eu me sentir mal nesse lugar? E se me machucar também?
— Então você pode correr – tentou sorrir – Mas corra para onde eu estiver, vou te ouvir e te ajudar a passar por tudo, como sempre fazemos.
— Por que esse lugar te machuca? – questionou curiosa – É por algo que eu tenha feito?
— Não – respondeu desviando o olhar – Só estou cansada de perder quem amo – se Regina estivesse olhando para ela, teria visto a expressão de desconforto da loira naquele momento.
— Você ama alguém?
— Eu amei, a verdade é cruel – respirou fundo – Eu amei e em todas as vezes o amor foi tirado de mim bruscamente, eu fiz coisas horríveis, tenho cicatrizes demais e não as escondo de ninguém.
— Eu te ajudo a ficar bem? Você se sente melhor quando eu estou por perto lá?
— Bastante, se não fosse por você eu provavelmente já teria me perdido – disse baixinho, quase para si mesma.
— Isso vai passar, eu sei que vai – colocou as mãos em cima das mãos da morena, acariciando, aquilo parecia certo – Se é tão importante pra você que a gente volte pra esse lugar e eu recupere todas essas memórias, eu estou disposta a ir... Mas você pode me prometer algo em troca?
— O que?
— Que também vai correr – sorriu ao observar a expressão confusa da morena, achava Regina tão linda – De volta para os meus braços.
— Para de ser assim, Emma – disse tentando não sorrir com aquilo – Eu não mereço que você faça tudo isso por mim, te levar pra lá de certa forma é fazer você se afastar e eu estou tentando ignorar o fato de que não quero você longe pra conseguir te levar embora, mas você vem com essa carinha de Emma, dizendo essas coisas, me tirando esses sorrisos que eu não quero que apareçam...
— Eu não quero parar – disse se aproximando mais da morena e se virou deitando no colo dela – Eu me sentia vazia até você aparecer aqui, não acho que lá seja diferente, podem ser situações diferentes, mas eu não acho que exista alguma outra forma de me sentir a respeito das coisas que eu sinto.
— Eu vou te machucar, te destruir – dizia tentando encarar aquilo – Vou acabar rasgando suas entranhas e dilacerando seus sonhos, você tem todos os motivos pra ficar longe de mim e viver sua vida como ela era.
— E se eu não quiser? E se o fato de eu ter desejado não ser a salvadora for porque aquela vida estava sendo vazia pra mim e me machucando tanto quanto machuca você, já parou pra pensar nisso? – suspirou – Eu nunca tive que esconder quem eu sou aqui, as coisas que sinto, não quero voltar e ter que fazer isso, não quero ter todas as minhas memórias de volta se for pra ter que engolir todas as coisas que sinto e viver o que acham melhor pra mim.
— Você diz isso agora, quando tiver suas memórias de volta, talvez entenda que vivia da melhor forma possível, você era feliz – começou a acariciar os cabelos da loira – Você só estava cansada de tentar trazer felicidade pra pessoas que estão destinadas a não tê-la, como eu.
— Pode me falar sobre os riscos, sobre a destruição iminente e instantânea dos meus sonhos, não vou desistir de te trazer felicidade, isso não parece certo pra você – voltou a se sentar mas dessa vez bem mais perto que antes, Regina podia sentir a respiração da loira contra seu rosto – Isso não parece certo pra você? Eu, você, esse lugar... Me tocar, me sentir... Não parece tão certo quanto respirar?
A morena não respondeu, não teve tempo de dizer nada, só de sentir Emma tocando seus lábios suavemente, no começo ela considerou parar por medo de como ela se sentiria quando tivesse suas memórias de volta, mas cada centímetro do seu corpo pedia por aquilo, pedia por mais. Beijar Emma foi diferente de beijar qualquer outra pessoa, era um beijo inocente, puro, era natural. A loira deslizava os lábios pelos dela devagar, sem pressa, aproveitando cada segundo, suas línguas não brigavam por dominância, elas apenas se encaixavam, não conseguiria descrever como menos que perfeito. Sentiu uma onde de magia por seu corpo e naquele momento ela sentiu medo de abrir os olhos.
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