Eu preciso dizer que te amo
3 Capítulo 3
2015
— Ace, no que está pensando? — a voz interrompeu seus pensamentos e ela voltou a olhar o Aidan de agora. Um pouco mais robusto, mais vivido. Tantas coisas haviam acontecido a eles dois após aquela madrugada inusitada.
— Pensando em como você conseguiu convencer meus pais de que era um ótimo rapaz depois de fazer um café da manhã no estilo britânico. — replicou Eva, recostando-se na cadeira. Era capaz de lembrar do cheiro da comida invadindo suas narinas e de descer e encontrar Aidan enchendo sua mãe de galanteios, ao passo que intercalava conversas sobre os Giants com o pai dela. Uma situação incomum, mas que parecia tão certa que Eva sequer questionou (até porque três horas de sono não eram absolutamente nada para torná-la um ser humano agradável).
— Estou com saudades dos seus pais, Eva. Devíamos tirar um fim de semana e irmos até lá visitá-los. — ela assentiu. — Se estiver livre no próximo fim de semana.
— Vou ver se consigo trocar meu plantão. Agora... Fora! — Aidan deixou a sala gargalhando e, distraído em seu próprio riso, não pôde ver o dela.
*
Eu não sei em que hora dizer
Tenho medo
— Cuidado para não se afogar, Eva, ou jogarei seu corpo na primeira caçamba de lixo que encontrar e deixarei para que os bombeiros cuidem.
— Só por preguiça de chamar a defesa civil? Você é um ridículo! — ela jogou espuma no rapaz que se esquivou a tempo. Estavam na suíte dela recém-reformada: ela desfrutava da banheira cheia de água quente e Aidan, por sua vez, chegara um pouco mais tarde, carregado de uma pizza e vinho e invadira o banheiro para aproveitarem enquanto ainda estava quente (a pizza, não a água para a infelicidade deEva). — Mais vinho. — disse, inclinando o copo na direção dele.
— "Por favor" existe, Ace. Faz parte de um conjunto chamado Educação.
— Paciência também. E faz parte de um conjunto chamado Preciso Comprar. — ele riu, pego pelo sarcasmo dela. Era uma das várias coisas que Aidan gostava em Eva. Era a sua sinceridade e a pouca importância que dava a delicadeza quando estavam a sós. Ela era ela e isso parecia ser suficiente — e, na realidade, era mesmo. Aidan experimentava com a mulher uma intimidade que nunca houvera com nenhuma mulher. Contara a ela seus segredos mais sórdidos, obscuros e vergonhosos e ela era capaz de recebê-lo de braços abertos com o sorriso mais carinhoso que poderia oferecer. Eram oito anos que poderiam ser oitenta. — No que está pensando, bem?
— Quando começamos a ser assim? — ele gesticulou para ao arredor dele. Ele sentado na beira da banheira e ela ali, com seu corpo escondido pela densa espuma.
— Se você está se referindo especificamente ao banheiro, foi num dia que estávamos muito bêbados... — ela parou um momento para pensar. — Foi logo que nos mudamos para cá, Aidan! Estávamos comemorando que arranjamos um lugar onde poderíamos ter a terça da nudez e a quinta da orgia. — a gargalhada mútua ecoou no ambiente. — Graças a Deus não implementamos nem uma, nem outra no nosso cotidiano. — ele fitou a face vermelha dela e o sorriso fácil. Muitos anos ganhando aquele sorriso o faziam se sentir responsável por ele: seu objetivo de vida era não deixar que ela ficasse triste. Justamente porque Eva nunca o deixara se sentir derrotado e, se estava hoje ali, era unicamente por causa dela. — O que foi, garoto? — espirrou um pouco de água no rosto dele, que rolou os olhos. — Sabia que não consigo ver minha vida sem você, Eva? — Aidan sorriu ao vê-la estreitar os olhos. — Não me olhe com essa cara de quem acha que estou mentindo.
— É difícil acreditar em você quando já ouvi você contar a mesma história para outras mulheres. Várias outras mulheres. — o homem sorriu, paciente.
— Entendo não querer confiar em mim por falta de respaldo moral. Mas quantas vezes eu falhei com a sua confiança? — se entreolharam longamente e ela tomou um gole do vinho. Ele trocou a beira da banheira pelo chão, recostando as costas na estrutura do objeto. — Acho que de todas as pessoas que encontrei na minha vida, a que eu tive e tenho maior prazer de conviver é você. Porque, apesar de tudo, quando eu precisava de uma mão, você se dava por inteiro. — o silêncio predominou no ambiente, sendo quebrado apenas pelos tamborilar dos dedos de Eva sobre a água, enquanto sorria discreta e feliz. — Você é demais, sabia? Muito mais do que eu mereço. Obrigado. — disse de súbito, segurando o pulso dela com delicadeza.
— De nada, bem. — girou o pulso de modo a alcançar os dedos dele e entrelaçar nos seus. Ela quem era grata por tê-lo em sua vida. — Não tem pelo que agradecer, mas de nada.
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