Notas iniciais
Fazendo diferente dos outros capítulos, dessa vez coloquei dois anos diferentes no mesmo capítulo! Espero que gostem e, se sim, vem contar para mim na caixinha de comentários! ♥

2015

Eu não sei em que hora dizer
Tenho medo

Sentado de frente para mulher, Aidan a encarava longa e descaradamente e, apesar disso, Eva encontrava-se tão compenetrada no notebook que não havia reparado. Provavelmente, está vendo site de comida, pensou, rindo consigo mesmo diante de tanta concentração. Eram nesses momentos de silêncio, no qual ele a contemplava, que ele realmente compreendia a profundidade da relação que existia entre os dois. Não era preciso preencher o silêncio com palavras fúteis: a admiração, o carinho e o amor já fazia isso por si. Só Deus sabia como ele tinha sentido falta daquela mulher quando fora embora para África com o ex. Só Ele também para entender como o coração dele ficara apertado, quase do tamanho de uma noz, a cada vez que ouvia sobre os confrontos próximos a região onde ela vivera. Quando Eva voltou, ele mal pôde acreditar. Sem aviso prévio, Aidan chegou em casa e a encontrou dormindo no sofá e foi tamanha explosão em seu peito que as lágrimas rolaram antes mesmo que ele pudesse processá-las e foi logo tomá-la nos braços, acordando-a de supetão. Mais magra, mais morena e com alguns traços mais amadurecidos, ainda era a Ace de sempre. Era sua Ace.
— Vou fazer esse e pronto! — a exclamação dela dispersou seus pensamentos antigos. — Olha que coisa mais linda!
— Sabia que para tanta concentração, tinha que ser sobre comida. — respondeu, indo olhar mais de perto a imagem que ela mostrava. E sentiu o cheiro dela, a suavidade de sua pele quando roçou a coxa dela com as pontas dos dedos antes de virar o notebook numa posição que ele pudesse ver melhor. Não havia mulher ou tempo no mundo que fizesse aquela coisa dentro dele diminuir. — Vamos fazer uma aposta: quem fizer o melhor bolo, ganha.
— E quem vai decidir isso?
— Os convidados. Sabemos que seus pais dizem que é um churrasco para família e, no mínimo, metade da vizinhança para no quintal da sua casa. — ela entortou os lábios, pensando sobre.
— Isso é uma verdade. Mas sabe que seria injusto, não é? Você cozinha trocentas vezes melhor do que eu.
— Não quando se trata de doces.
— Mentiroso.
— Vai arregar nesse desafio, Ace? Achei que topasse tudo. — a competitividade brilhou nos olhos dela e Aidan sentiu o gosto da vitória.
— Liga para os meus pais e avisa que estaremos indo sábado para lá.
O sorriso aberto dela era suficiente para ele perder de propósito. Por ela, ele perdia tudo porque o principal, que era seu coração, já era dela fazia tempo.

2010

— Na maioria dos dias, era uma calmaria fingida. A gente sentia a tensão no ar e era tão presente que até mesmo o estouro do escapamento de algum carro que passasse pela área nos assustava. Era impossível relaxar, principalmente, vivenciando aquela tristeza a cada minuto. Faltava tudo: remédios, ataduras, mãos, água e comida. Era díficil lidar com a espera do reabastecimento porque isso dependia de como estava a situação de conflito na área porque poderiam saquear os veículos de entrega. — Aidan ouvia seu relato com atenção. Eram quatro da manhã e ele estava exausto, mas sabia que Eva queria desabafar o que não conseguira durante as poucas cartas que enviara e era esse fato que o mantinha acordado.
— E David?
— Ele me dava todo o suporte que eu precisava até porque estava mais acostumado a aquela situação do que eu. Só que, às vezes, quando estávamos no auge do nosso estresse, tínhamos discussões intensas e, nessas horas, sempre me fazia o favor de lembrar que era uma filhinha de mamãe acostumada a boa vida e que a realidade era bem mais cruel que isso. — passou as mãos nos cabelos, afastando-os do rosto. — De qualquer forma, não tínhamos como durar. Apesar de tudo, a alma dele era muito generosa e ele queria viver naquela situação. Eu não aguentaria suportar tanta tristeza por muito tempo.
— Faça disso mais uma experiência para sua carreira, Eva, e melhore como médica. Melhore cada vez mais e, quando achar que chegou ao limite, acredite que possa melhor ainda mais. — se encararam por um minuto inteiro, antes que ela sorrisse.
— Você precisa me atualizar sobre você. Só que antes disso, você precisa dormir e ressurgir como um ser humano porque você tá o pó da capa do Batman. — então Aidan esticou a mão dele. — Então, pelos velhos tempos, dorme comigo?
— Só se me levar lá para cima porque tô com preguiça. — num único movimento, segurou Eva no colo, subiu as escadas e a jogou na cama, tudo ao som da risada ofegante dela. — Você é um idiota, sabia? — ele se deitou ao lado dela e abriu aquele sorriso. Aquele que fazia o coração palpitar e seus lábios corresponderem imediatamente.
— Eu também senti sua falta. — os pelinhos dela se arrepiaram de um modo gostoso. — Para caralho.
Foram seis meses longe para amornar aquele sentimento dentro dela. A cada minuto longe, queria saber como ele estava, queria conversar com ele, ouvir seus conselhos ou apenas sentir seus cafunés antes de dormir. Agora estava ali novamente e não tinha como refutar a grande verdade sobre Aidan Carter: ela o amava. Verdadeira e completamente. E, infelizmente, nunca poderia admitir isso em voz alta porque seria rejeitada mais uma vez e preferia ficar longe dele a isso acontecer de novo.