“A partir de agora, não poderei mais cuidar de você nesse corpo. Por favor, tome cuidado, minha filha.”

A voz de seu pai soou distante em sua mente que recém começava a despertar. Aquilo não havia sido nenhum sonho, mas sim uma memória sensorial; a última coisa que seu pai havia dito quando lhe concedeu aquele corpo completamente humano a anos atrás.

A ruiva abriu os olhos, primeiro vendo o teto de madeira do orfanato, desgastado, e depois virou seus orbes marrons avermelhados para o lado, encontrando Naruto ainda em um sono calmo. Ver como ele respirava fazia-a relaxar, acalmar seus instintos que diziam para sair de lá, se afastar dos humanos, de seu cheiro imundo cheio de ganância e arrogância, sentir a terra em baixo de suas patas e o vento contra seu rosto, algo que poderia ser resumido em liberdade. E principalmente se afastar daquele bebê.

Mesmo que tenha feito uma promessa quando esse corpo se tornou seu, tudo em si gritava para se rebelar do pedaço de carne que quase espremia toda sua magia e não se deixar afeiçoar por aqueles humanos. Mas nessas horas ela pensava no que costumava ser, as responsabilidades que ela costumava ter... A segurança dos humanos ainda era de sua responsabilidade, certo? Não sabia se ainda era responsável por isso, mas Naruto era uma consequência de seus atos inconsequentes, Kurama sabe disso e aceita, com dificuldade.

Ela ainda se perguntava o que tinha acontecido com Minato e Kushina, seu plano inicialmente era proteger eles também junto com aquela vila, mesmo que significasse olhar pelos Uchihas—talvez pudesse fazer uma exceção—, mas já se passaram semanas e agora ela só poderia pensar no pior.

A raposa deixou de pensar nos dois após algumas semanas, já tendo preocupações ocupando sua mente quanto a sobreviver a aquele lugar que ainda seria sua casa e de Naruto pelos próximos anos.

A vida naquele orfanato não se tornou melhor só por ele ser menor, foi exatamente como ela pensara que seria, apenas talvez por alguns pequenos detalhes. Sarutobi continuou visitando ambos, mas nos horários com menos gente, já que aquilo era obviamente contra a vontade do conselho— o Hokage mostrando preferência pelas crianças que o povo odiava. As vezes ele trazia Rin ou Kakashi ou ambos, outras vezes eles vinham sozinhos. O menino demorou mais para se aproximar dele e Naruto. Medo ou apreensão, ele quase a deixou cair quando a morena a colocou em seu colo. Sarutobi apenas ria e dizia diversas vezes ‘calma Rin, você fará os bebês chorarem assim’, mas Naruto só ria como o sol que ele era enquanto a ruiva encarava o Hatake, desafiando a deixá-la cair com uma expressão que não era a de um bebê e fazia o menino suar frio—essa era talvez a sua parte favorita.

Ainda assim foi estranho que com o passar do tempo, ela ao invés de esperar as visitas deles com irritação e algo incomodo que era impossível impedir, isso mudou para ela ansiar a visita deles, sentindo se próxima... Talvez como se eles fossem uma família. Sua família. A ruiva sacudiu a cabeça quando esse pensamento veio a sua cabeça pela primeira vez— e pela segunda e terceira e quarta vez, continuando até que não percebesse mais quando ele passava pela sua mente—, decidida que não deixaria aquilo acontecer. Naruto era o único com quem tinha alguma ligação sanguínea, mesmo que arcaica, e uma sensação de dever. Ela manteria apenas ele sobre a proteção de suas caudas e era isso que pensava como um mantra.

Ainda assim, não era apenas os três que os visitavam, mas às vezes tinha uma velinha. Era ela enrugada, com cabelos finos e lisos brancos, corcunda com uma bengala e um sorriso de mãe.

A sua primeira visita foi quando eles tinham seis meses de vida, ela trazia brinquedos para eles, coisas não muito cara como se soubesse que as monitoras iriam tirar deles assim que ela fosse embora para dar as outras crianças. Ela sempre se referia a eles como ‘pequenos heróis’ e quando ia embora era ‘desculpa’. A última vez que a viram foi com quatro anos, Kurama já cheirava o cheiro de doença nela há tempo e a dor que impregnava ela como se fosse seu cheiro natural. Uma parte de si ficou agradecida que ela teve seu descanso e a outra triste, ela era uma razão que Naruto sorria.

“Akame-nee!” A voz animada de um Naruto com quatro anos e meio a chamou, mostrando o kimono que Sarutobi havia comprado para eles e enviado por um ninja de confiança.

A raposa ainda se lembrava de como havia gostado do nome Akane, mas quando as pessoas mudaram seu nome na documentação para Akame, olhos vermelhos, ela admitia que seu lado mais animalesco estava feliz com aquilo. Em como as pessoas assimilavam seus olhos como o de um monstro sangrento que ela ainda era, mesmo que na verdade a sabedoria era a principal característica de seu ser.

“Você fica bem de laranja,” ela se aproximou dele, arrumando melhor a vestimenta que Naruto claramente não sabia como colocar e muito menos ela deveria. Fechou mais a roupa no peito do loiro, apertando também a faixa, o que não o fez ficar muito confortável, ele até começou a reclamar, mas Kurama beijou sua testa, fazendo sua carranca suavizar “os machucados ainda estão visíveis.” Ela tentava não usar muito do seu chackra para curar Naruto, mas agora a partir dos anos, aquele filhote era legitimamente sua família e ela tinha todo o direito de querer cuidar dele usando seus melhores meios, então ela sempre esperava quando todos estavam dormindo para cura-lo.

As coisas no berço eram suportáveis, eles somente ‘esqueciam’ de alimentar eles e trocar a fralda. Kurama ainda conseguia aguentar a fome junto com a vontade de chorar e também podia passar seu chakra para Naruto, ajudando-o a suportar a falta de alimento. Não era tão ruim, pois quando saíram da proteção do berço e foram para quartos com camas e com as outras crianças de outras idades, foi ai que os hematomas começaram a aparecer, sempre em lugares que poderiam ser escondidos com roupas.

Foi ai que ela cumpria sua promessa, pois sempre ficava na frente do loiro, tomando os golpes— mas sempre revidando também. Nunca chorava, seus olhos só se afinavam em uma ameaça muda enquanto seus lábios se crispavam, isso gerou medo nos adultos enquanto que com as outras crianças, elas criaram a brincadeira de ‘quem consegue fazer Akame chorar’. Ninguém nunca venceu. Kurama tem orgulho disso.

A partir dos três anos que ela conseguiu começar a revidar com aquele corpo, mesmo que na verdade fosse a raposa que ficasse com as brigas e Naruto sempre reclamava disso e ela sempre dizia que aquilo era tarefa dela, por ser a irmã maior. Por isso que ele começou a cuidar de seus machucados, ‘roubando’ band-aids para os pequenos cortes, pomada para os hematomas e ataduras para quando eles pegavam mais pesado. Ele acabou aprendendo a fazer bem os curativos e Kurama começou a brincar que ele iria se tornar um iryou-nin quando virasse um ninja, o sorriso da ruiva suavizando quando ela o via corando, mas ainda tendo uma determinação nos olhos, ele pensava nisso também.

“Né, onde está o vovô?” Naruto sabia de onde havia vindo o dinheiro para aquelas roupas, assim como para várias outras coisas deles. Tratava como seu avô de verdade, mesmo que sempre com certo gosto amargo por ele nunca estando muito tempo com eles. A última visita que ele veio no orfanato já fazia mais de um mês e Kakashi e Rin não o visitavam desde que tinham dois anos, pelo menos não na frente deles.

“... Está em uma vila próxima conversando com o senhor feudal,” a expressão fechada de irritação, que escondia a decepção dele afetava diretamente Kurama, fazendo-a ter a urgência de fazê-lo sorrir de novo, “mas ainda sobrou bastante dinheiro para a gente gastar. Para onde queres ir?”.

Ela pegou ele pela mão, arrastando para fora da sala até que ele, vendo todas as luzes e decorações do festival de inverno na vila, começasse a puxar ela com a animação renovada. Esse ciclo de Naruto se desanimar e ficar eufórico de novo se repetia diversas vezes, em todas era a ruiva que estava lá para fazê-lo sorrir.

Eles eram os últimos no orfanato, na verdade sendo deixados ali, então era óbvio que eles estavam por contra própria quando saíram para a rua... E também um alvo fácil. Foi incrível como pareceu que todos os olhos das pessoas foram para eles no mesmo instante, fazendo um calafrio de apreensão subir a espinha de Kurama, mudando mais para raiva quando ela sentiu Naruto apertar mais forte sua mão, o que deixava claro que ele também estava ciente. Seu resto endurecia perigosamente, um aviso de morte para quem tentasse algo.

Normalmente os cidadãos tinham mais medo dela, diziam que seu cabelo era o mesmo do pelo da Kyuubi e seus olhos eram vermelhos porque refletiam o sangue que a raposa derramara. E ela era a que menos parecia uma criança, mas sim alguém que parecia poder abrir sua garganta com as unhas apenas com um afinar dos olhos. Ela ainda não se esqueceu de como uma mulher que apareceu no orfanato um dia, supostamente para adotar alguém, tentou machucar Naruto e Kurama literalmente rosnou para ele, mostrando os dentes, ocasionando com que a mulher se urinasse e caísse para trás. Foi patético.

Com Naruto, ele sempre está sorrindo e ainda tentando fazer outras pessoas gostarem deles, isso não faz com que elas criem simpatia por ele, mas o vejam como um fraco e é ai que entra toda a personalidade fria e agressiva de Kurama para fazerem elas não tentarem nada. Mas não sendo gélida obstante porque ela se derrete por completo com esse filhote tão lindo e que ela já sentia ligação obstante para sentir como se isso fosse apenas dever. Ela daria sua vida para salvá-lo, então para fazê-lo ter o sorriso sempre que possível não era algo nada para ela.

Eles foram para as principais barracas, assim também onde tinha mais pessoas. Era arriscado e a raposa sabia disso, mas era perigoso o quanto a sua capacidade de dizer ‘não’ ao Uzumaki havia ficado baixa. Então era claro que eles foram para lá, ela queria fazer com que a primeira vez do pequeno no festival fosse como ele quisesse. Com tudo o que uma criança normal queria e tinha o direito.

Após três horas, todos os maiores incidentes foram alguns empurrões com alguns arranhões e xingamentos sussurrados com raiva contida. Isso não era obstante para ultrapassar a felicidade radiante do loirinho, porque ambos conseguiram comprar coisas­­­­­­­— com algumas certas ameaças da ruiva. Ambos possuíam máscaras presas a suas cabeças, Kurama tinha uma de gato—mas o sorriso era totalmente o de uma raposa— e Naruto que tinha a desse animal arisco e sábio. Enquanto ela tinha uma banana caramelada, o outro estava com uma bola de borracha amarada em um elástico e brincando com aquilo como se fosse um ioiô de verdade.

Estava tudo tão bem, nada tão ruim havia acontecido e, sendo honesta, Kurama deixou sua guarda abaixar. Isso foi um erro estúpido dela e ela pagou aquilo com uma pedra acertando sua cabeça e a dor aguda de ter suas mãos e joelhos contra o chão, contra as pequenas pedras que abriram pequenos cortes em sua pele humana e assim mais frágil. Ela sentiu algo quente em sua cabeça e logo percebeu que era o sangue do ferimento que escorria por sua testa e chegava até seu olho esquerdo, fazendo-a ver vermelho por outra razão que não raiva.

Seus sentidos estavam embaralhados e demorou alguns segundos para ouvir as risadas que parecia vir de todos os lados, algumas abertas e outras mais anasaladas, e ver aqueles olhos azuis cheios de preocupação e medo. Sua boca até abriu para falar algo, provavelmente algo reconfortante, tirar aquela expressão que não se encaixava no rosto do outro, mas então veio outra pedra, essa não os acertou, mas bateu próxima obstante para ela sentir o vento contra sua bochecha. Agora com o gatilho da pólvora dado, eles não parariam de primeira, todas as agressões que não haviam acontecido antes, aconteceriam agora.

Dessa forma, Kurama não precisou pensar, só tinha uma opção para proteger Naruto: correr. Então ela pegou o pulso do humano e começou a correr enquanto o puxava, deixando para trás as vaias das pessoas enquanto via outras pedras passando raspando por eles.

Ela tentava levar Naruto para um lugar mais seguro, com menos gente ou se possível sem nenhuma. As perguntas preocupadas que ele fazia, a raposa respondia com um ‘estou bem’, tentando não deixa-lo mais preocupado enquanto também tentava ver com um olho apenas e pensar em que direção deveria ir. Foi óbvio que isso era o máximo que ele conseguia fazer ao mesmo tempo, porque prestar atenção também no chão não foi algo que conseguiu fazer. Então a pedra a pegou de surpresa, apenas conseguindo reagir em saltar a mão do Uzumaki para não leva-lo junto ao chão.

Ou foi isso que aconteceria. Então na verdade, chegou ser a uma surpresa para ela quando Naruto conseguiu puxá-la a tempo e logo após começar a guiar ela.

Kurama deixou-se confiar no loiro, vendo suas costas com orgulho, ela foi tateando sua cabeça até achar o machucado que a pedra havia feito. O que ela encontrou ali foi um verdadeiro buraco que com certeza a requisitaria um hospital se ela fosse humana, mas tudo o que Kurama teve que fazer foi exercer um pouco de seu chackra vermelho no machucado para ele começar a curar, ainda assim não sarando completamente.

Com o trabalho quase terminado, ela de repente sentiu duas presenças à frente, as únicas nas redondezas. Não estava próxima obstante para conseguir sentir o cheiro e identifica-los, mas todos os seus instintos estavam gritando em desconfiança. Ainda assim, ela não avisou Naruto, tinha um máximo que poderia fazer sem levantar suspeitas, e em questão de poucos segundos ele se chocou com um dos estranhos.

Que na verdade de estranho não era nada.

O vento trouxe o cheiro que a fez identificar quem eram antes que seus olhos pudessem, mas seus instintos na hora relaxaram. Pelo menos internamente. Ela supostamente não era para conhecer aqueles na sua frente ainda, então a ruiva apertou mais a mão de seu irmão dando um puxão de leve enquanto dava um passo para trás, sua face dura com o único olho aberto encarando os dois à frente. Não importa a sua forma, ela ainda era uma predadora e isso foi obstante para deixar Kakashi e Rin sentirem um arrepio em suas colunas e Kurama também poder sentir um leve cheiro de apreensão no ar, muito fraco para ser de medo.

Rin foi a primeira a se aproximar deles, seu cheiro de ansiedade aumentando, possivelmente por poder ver todo o sangue que cobria uma boa parte do rosto da ruiva e seu cabelo, algumas partes já estando secas e por isso quebrando quando a raposa fechou sua expressão. “Ei... Você arranjou um machucado bem feio ai,” ela falava em um tom doce, não querendo deixar aquelas crianças mais desconfiadas ou assustá-las “eu poderia ajudar se deixasse, vê?” Rin deixou o chackra verde medicinal fluir em volta de sua mão “sou uma Iryou-nin.”

“... Você pode curar ela?” O primeiro que falou foi Naruto, o primeiro a acreditar naquela que ainda lhe era uma estranha, olhando-a com olhos grandes azuis cheios de inocência. Ele ainda conseguia acreditar tão facilmente.

“Claro que sim.” Rin e Naruto então olharam para a raposa, esperando a resposta dela. Ela não reagiu por alguns segundos, segurando seu papel de ignorância. Primeiro a ruiva encarou a outra, seus orbes castanhos avermelhados desviando para Kakashi. Ele não havia se manifestado até agora, mas agora tinha um cheiro predominantemente de raiva, uma mão estando de leve dentro da bolsa de kunais e ela sabia que ele estava se segurando para não ir atrás de alguns aldeãos, querendo culpa alguém por aquele machucado em sua cabeça. Kurama quase soltou uma risadinha, ainda assim sentindo uma sensação gostosa no peito.

Ela voltou o olhar para a garota a sua frente, o olho aberto ainda duro dizendo ‘não tente nada’. Virou a cabeça um pouco para o lado, dando mais facilidade para ela conseguir trabalhar. Pode perceber pelo quanto do olho que a morena relaxou quando pode ver que machucado não era tão sério.

Quando o chackra verde a tocou, Kurama sentiu todos os seus músculos relaxarem sem seu consentimento. Aquele chackra esse era como se pequenas ondas de prazer percorressem através de seu machucado por todo seu corpo. Seus olhos estavam semicerrados quando Rin terminou, e esta tinha um olhar que sabia muito bem o que causara a menor.

Ainda um pouco perdida, não viu quando Kakashi foi até o lado de Rin e estendeu faixa de cor branca de seu kimono. A morena em um instante a pegara, dando-lhe um sorriso agradecido. Ela aproximou o pano do rosto da ruiva, começando a passar de leve sobre a pele suja. Como o tecido estava seco, não limpava tanto assim e até machucava um pouco sua pele por causa do sangue seco. Se na pele pouco foi de grande ajuda, em seu cabelo foi menos ainda, então só restou a morena entregar o pano manchado de sangue de volta ao outro.

Mãos pequenas pegaram o rosto da ruiva, virando-o para poder ver ele mesmo como havia ficado a ferida, um ‘uau’ pequeno e longo saiu da boca do Uzumaki e ele realmente parecia encantado. “Não está nem sangrando mais! Você é boa nisso, moça!” Naruto já estava tão a vontade com Kakashi e Rin, sorrindo para eles sem pudor.

“Ora, muito obrigada, mas não foi grande coisa. Por sorte, o machucado de sua irmã não era tão sério.”

“Isso foi porque eu protegi ela!” O sorriso do loiro aumentou ainda mais quando Kurama beijou-lhe a bochecha, agradecendo-lhe por ser seu ‘herói’.

“É, ela tem sorte de ter alguém como você.”

“Eu também... Nós somos família.”

A resposta de Naruto fez com que um silêncio pesado se instalasse, Rin e Kakashi por surpresa e dor, conhecendo os pais daquelas duas crianças e sabendo que por isso essa família não estava completa. Enquanto Kurama porque mesmo não tendo dito nada até aquele instante, e agora estando muito atordoada para tentar falar, ainda não estava acostumada a esse tipo de laço depois de tanto tempo.

“... Já está ficando tarde, vocês já deveriam estar voltando para casa,” o Hatake finalmente disse algo.

“Nós ainda temos dinheiro e não jantamos ainda.” Kurama também falou, desafiando ele.

Rin pareceu perceber o quanto desagradou Kakashi em ser desafiado por uma criança, tanto que ela riu um pouco. Mas mesmo assim ela bateu as duas mãos para chamar a atenção de todos “Mas isso é fácil de resolver! Que tal todos nós irmos para o Ichiraku Ramen, hm?”

Naruto olhou para sua irmã com olhos de cachorrinhos, não falando nada, mas sendo claro como cristal. Kurama suspirou derrotada. “Onde é isso?”

Foi incrível que após essas palavras, Naruto radiou como um sol e passou todo o caminho falando sobre medicina com Rin e pedindo para ela lhe explicar praticamente tudo. Enquanto esses dois ficavam na frente conversando, a raposa e o filhote Hatake ficavam atrás, passando boa parte do caminho em silêncio.

“Você poderia parar de olhar como se quisesse voar daqui, é tão ruim quanto os outros.”

Este foi claramente pego de surpresa, quase parecendo que ele quebrara o pescoço com a velocidade em que olhou para a ruiva. “Eu... Eu não...” Seus ombros ficaram um pouco tensos antes de relaxarem de novo “Acho que essa foi a maior coisa que falaste a noite toda.”

“Idem.”

Depois disso, não disseram mais nada, mas o silêncio era muito mais confortável e Kakashi parecia relaxado ao lado de Kurama. E ela pode amenizar sua encenação, parando completamente e fazendo sua desconfiança ser cem por cento real quando chegaram ao tal restaurante— que na verdade era quase uma barraca. Que tipo de lugar era aquele?

De repente Naruto parou, sua compostura gritando nervosismo enquanto olhava para a morena “... Eles vão deixar a gente entrar?”

“É-é claro que sim,” a resposta pareceu tudo o que ele precisava, no instante seguinte ele segurou a mão de Rin e ambos foram para dentro da tenda.

“Estou bem sem,” Kurama disse quando percebeu que Kakashi estava quase fazendo o mesmo, todo desajeitado quando se tratava de suas habilidades de convívio, ou talvez fosse apenas em volta de crianças.

Quando entrou, a ruiva teve que admitir que o interior parecia aconchegante, mesmo que pequeno e pensou que talvez fosse um negócio familiar. “Kakashi, Rin, já faz tempo,” foi a menina quem disse “e vejo que trouxeram acompanhantes, posso saber os nomes de vocês?” ela parecia ser alguém doce... Por enquanto.

“Sou Uzumaki Naruto!” o loiro disse “Eu sou Uzumaki Akame” e logo após a ruiva.

Kurama não precisava nem cheirar, podia sentir a alegria emanando do outro em ondas. Ele não estava acostumado a ser tratado assim, não que ela fosse também.

De certa forma ela ficou um pouco surpresa que mesmo que os olhos daquela mulher e do homem mais velho mostrassem que havia os reconhecido, ambos continuaram com um sorriso pequeno nos lábios. Como ela não havia encontrado essas pessoas antes? Ela levaria Naruto sempre para comer aqui se conhecesse. Mas pelo menos a partir de agora já sabia.

“Muito prazer, eu sou a Ayami e esse é meu pai Teuchi” ela sinalizou para ele “e nós vamos fazer o tipo de ramen que quiserem.”

Kakashi e Rin pegaram um cardápio para cada um enquanto os dois pequenos pegaram um para ambos, sentando no mesmo banco apertado e arrancando algumas risadas dos outros.

Com o dinheiro que tinham, eles compraram uma tigela de sabor de porco que Kurama estava neutra e Naruto amara, gritando o quanto aquilo era gostoso. Ayami e Teuchi os convidaram para vir de novo outro dia quando estavam saindo. Após isso eles apenas caminharam de volta ao orfanato, sem nenhum transtorno, já que os dois ninjas agiam como guarda-costas e nenhum civil tinha coragem de tentar algo.

“Vocês vão voltar, certo?” Naruto tinha uma voz esperançosa, já tendo se apegado aos outros dois.

“Nós... Temos uma missão amanhã, mas quando voltarmos, iremos, certo, Kakashi?” Esse deu um aceno, os olhos se fechando de leve demonstravam que estava sorrindo também.

O Uzumaki não pareceu totalmente satisfeito com aquela resposta, mas era melhor do que muita coisa que ambos ganharam e no interior, a raposa sentia-se feliz e ansiosa para ver aquelas duas crianças de novo.

Muitos já tinham voltado quando eles entraram no orfanato. Eles ignoraram todos os comentários e nomes e foram para a cama com seus pijamas. Naruto foi o primeiro a dormir, mas com Kurama, ela ficou até tarde da noite. Havia se decidido.

O selo que tinham agora, era somente uma fachada e não servia em nada para a proteção do loiro, se fosse ele quem tivesse sido atingido por aquela pedra, não poderia ter feito nada para ajuda-lo sem ter se entregado. Ela amava demais ele, tanto que iria abrir mão de grande parte de seu poder para Naruto.

Ela levantou a camisa do outro com cuidado e com seu chackra, começou a mudar o selamento para que ele não continuasse apenas uma tatuagem falsa para enganar os outros, mas a real que deveria ser. Ela então injetou uma imensa parte de seu chakra no corpo dele, adicionando com a pequena quantidade já tinha com a ligação que compartilhavam.

Inseriu possivelmente um terço de todo o seu poder e não terminou por ai. A raposa usou um pouco mais para transformar o que estava dentro de Naruto para que isso formasse vida. Outra raposa de nove caudas nascia, mas sem o amor, compaixão e gentileza que agora já conseguia entender de novo.

Uzumaki Naruto não precisava gostar de Akame, a real Kyuubi que destruiu Konoha e o motivo de todos o odiarem, mas Akame, sua irmã e única família que o amava incondicionalmente.

Notas finais
Então.... Oi? :'D Eu não sei o que falar... Ainda assim, perdoem-me pela demora por favor, eu tava com a metade escrita há um bom tempo, mas tive alguns contratempos que dificultaram para eu postar esse segundo capítulo, mas foi mais no primeiro mês na verdade... Bem, eu acho que vou estar sem internet no próximos dias, então vou tentar escrever o máximo e não fazer isso de novo. Desculpa mais uma vez.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.