Eu não quero amar Sirius Black!!
43 Casa dos Gritos
Notas iniciais
POVs Harry
Tínhamos ido visitar Hagrid, Bicuço seria executado no final do dia, Hagrid devolveu Perebas para Rony, que logo começou a discutir com Hermione, ouvimos vozes, Dumbledore, o Ministro junto do carrasco estavam chegando. Saímos pela porta de trás, escondidos pela capa da invisibilidade. E do topo da colina, assistimos a execução do Bicuço. “Perebas, fica quieto” sibilou Rony, apertando a mão contra o peito. O rato se debatia, enlouquecido. Rony parou de repente, tentando empurrá-lo para o fundo do bolso. “Que é que há com você, seu rato burro? Fica parado aí... AI! Ele me mordeu!” Perebas estava visivelmente aterrorizado. Contorcia-se com todas as suas forças, tentando se desvencilhar da mão de Rony. “Que é que há com ele?”
Mas eu tinha acabado de ver, esquivando-se em direção a nós, o corpo colado no chão, grandes olhos amarelos que brilhavam lugubremente no escuro, Bichento.
Se podia vê-los ou se estava seguindo os guinchos de Perebas, eu não saberia dizer. “Bichento!” gemeu Hermione. “Não! Vai embora, Bichento! Vai embora!” Mas o gato se aproximava sempre mais... “Perebas... NÃO!”
Tarde demais, o rato escorregou por entre os dedos apertados de Rony, bateu no chão e fugiu precipitadamente. De um salto, Bichento saiu em seu encalço, e antes que eu ou Hermione pudessem detê-lo, Rony arrancara a Capa da Invisibilidade e se arremessava pela escuridão. “Rony” gemeu Hermione.
Ela e eu nos entreolhamos e corremos atrás do amigo; era impossível correr com desenvoltura com a capa por cima; arrancaram-na e ela ficou voando para trás como uma bandeira, quando saímos desabalados atrás de Rony; ouvimo os passos dele à frente e seus gritos para Bichento. “Fique longe dele... Fique longe... Perebas, volta aqui...” Ouviu-se um baque sonoro. “Te peguei! Dá o fora, seu gato fedorento...”
Eu e Hermione quase caíram em cima de Rony; paramos derrapando diante dele. O amigo estava esparramado no chão, mas Perebas já estava de volta ao bolso; Rony apertava com as duas mãos um calombo trepidante. “Rony... Vamos... Volta para baixo da capa...” ofegou Hermione. Mas antes que pudessem se cobrir outra vez, antes que pudessem sequer recuperar o fôlego, eles ouviram o ruído macio de patas gigantescas. Algo estava saltando da escuridão em sua direção, um enorme cão negro de olhos claros.
Tentei pegar minha varinha, mas tarde demais, o cão investira dando um enorme salto, e suas patas dianteiras me atingindo no peito; cai para trás num redemoinho de pêlos; senti o hálito quente do animal, vi seu dente de mais de dois centímetros... Mas a força do salto impelira o cão longe demais; me ultrapassara. Aturdido, com a sensação de que minhas costelas tinham quebradas, tentei me levantar; ouvi o cão rosnar e derrapar se posicionando para um novo ataque. Rony estava de pé. Quando o cão saltou contra os dois, ele me empurrou para o lado; e, as mandíbulas do bicho abocanharam o braço estendido de Rony. Atirei-me para cima dele, agarrei uma mão cheia de pêlos do cão, mas o bruto foi arrastando Rony para longe com a facilidade com que arrastaria uma boneca de trapos...
O Salgueiro Lutador começou a se balançar vários galhos vieram em minha direção e de Hermione, caímos várias vezes. Bichento disparou adiante de nós. Deslizou por entre os galhos agressores como uma cobra e colocou as patas dianteiras sobre um nó que havia no tronco. Abruptamente, como se a árvore tivesse se transformado em pedra, ela parou de se movimentar. Sequer uma folha virava ou sacudia. Os dois venceram a distância até o tronco em segundos, mas antes que pudessem alcançar o buraco nas raízes, Bichento deslizara para dentro com um aceno do seu rabo de escovinha. Entrei em seguida; avancei arrastando-me, a cabeça à frente, e escorreguei por uma descida de terra até o leito de um túnel muito baixo. Bichento ia mais adiante, os olhos faiscando à luz da minha varinha. Segundos depois, Hermione escorregou para junto do garoto. “Onde estamos?”, ela perguntou segurando meu braço, “Tenho uma idéia, espero estar errado.”, falei subindo as escadas com ela do meu lado.
Continuamos subindo as escadas, e encontramos um quarto, numa imponente cama de colunas, com cortinas empoeiradas, encontrava-se Bichento, que ronronou alto ao nos ver. No chão ao lado do gato, agarrando a perna estendida num ângulo estranho, encontrava-se Rony. Corremos para ele.
“Rony... Você está bem?” “Onde está o cão?” “Não é um cão” gemeu Rony. Seus dentes rilhavam de dor. “Harry é uma armadilha...” “Que...” “Ele é o cão... Ele é um Animago...” Rony olhava fixamente por cima do meu ombro. Me virei depressa. Com um estalo, o homem nas sombras fechou a porta do quarto.
Uma massa de cabelos imundos e embaraçados caíam até seus cotovelos. Se seus olhos não estivessem brilhando em órbitas fundas e escuras, ele poderia ser tomado por um cadáver. A pele macilenta estava tão esticada sobre os ossos do rosto, que ele lembrava uma caveira. Os dentes amarelos estavam arreganhados num sorriso. Era Sirius Black.
“Se você quiser matar Harry, terá que nos matar também!” Hermione disse impetuosamente, embora o esforço de ficar de pé tivesse acentuado sua palidez e ele oscilasse um pouco ao falar. “Só vai haver uma morte esta noite.”, ele falou se aproximando, “E vai ser você, falei pulando no pescoço dele.”, o joguei no chão, e apontei minha varinha para o seu rosto, “Você vai me matar Harry?”, ele perguntava rindo. “Você matou meus pais” acusei, com a voz ligeiramente trêmula, mas a mão segurando a varinha com firmeza.
Black encarou-me com aqueles olhos fundos. “Não nego que matei” disse muito calmo. “Mas se você soubesse da história completa...” “A história completa?” repeti , os ouvidos latejando furiosamente. “Você vendeu meus pais a Voldemort. É só isso que preciso saber.” “Você tem que me ouvir” disse Black, e havia agora uma urgência em sua voz. “Você vai se arrepender se não me ouvir... Você não compreende...”
Bichento saltou para o peito de Black e se sentou ali, bem em cima do coração. O homem pestanejou e olhou para o gato. “Saia daí” murmurou o homem, tentando empurrar Bichento para longe. Mas o gato enterrou as garras nas vestes de Black e não se mexeu. Então virou a cara amassada e feia para Harry e encarou-o com aqueles grandes olhos amarelos... À sua direita, Hermione soltou um soluço seco. A porta do quarto se escancarou com um jorro de faíscas vermelhas me virei na hora em que o Profº. Lupin irrompeu no quarto, seu rosto exangue, a varinha erguida e pronta. Seus olhos piscaram ao ver Rony, deitado no chão, Hermione encolhida perto da porta, e eu parado ali com a varinha apontada para Black, e o próprio Black.
— Expelliarmus!— gritou Lupin.
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