O que eu deveria fazer?

Essas palavras não paravam de ecoar no coração de uma jovem. E eu hipnotizado pelo encanto em que a encontrei, não conseguia parar admirar sua beleza e sua tristeza. O vento frio do inverno abafado e as gotas de chuva geladas, cobriam nossos corpos perdidos na escuridão da noite. Ela não me via, com os olhos focados no horizonte, nada nesse mundo existia em sua visão, apenas a profundezas de seus pensamentos incertos e os medos que a assombravam.

Aquela era a primeira vez, meu coração paralisou.

Eu podia ouvir o que ela pensava, as memorias que fugiam do fundo de sua alma amargurada e perdida entravam na minha mente como imagens dispersas e corrompidas.

É dolorido.

Um evento espetacular como esse, capaz de me tirar o folego. Por que isso está acontecendo? Eu nunca pedi para receber um dom tão complicado. E agora posso ver e ouvir tudo que existe na mente de uma jovem que nunca conheci e me entristece só de imaginar o quanto isso me afeta.

Eu quero abraça-la.

Gritar que todas as suas ideais e percepções só podem ser mentira.

Disser que não precisa existir um final.

Mostrar que alguém a entende.

Fazer com que essa dor reprimida saia do seu coração e...

Limpar suas lágrimas.

Porém, eu não posso salva-la.

Não importa o quanto eu a ame, mesmo sem tê-la conhecido.

Eu não posso fazer nada e serei para ela um problema enorme, por muito ... muitos anos.

Isso se nos for permitido viver mais alguns minutos.

Não faça isso, mamãe.

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