Annabeth acordou animada. Antes de ir dormir na noite passada, Reyna havia mandado uma mensagem para ela perguntando se havia algum problema se eles fossem no dia seguinte ao acampamento. Ela não pensou duas vezes, disse um sim tão alto que quase acordou todos da casa.

Desceu correndo as escadas, a mochila pesava em suas costas. Encontrou a madastra na cozinha:

– Bom dia! O que temos para o café.

– Bom dia, querida — disse a madastra com um sorrido.

– Cadê todo mundo?

– Seu pai já foi trabalhar e os meninos estão no quintal.

– Entendi. Olha, pode avisar meu pai que volto daqui uns dias? Eu preciso resolver uns assuntos no acampamento.

– Aviso sim.

– Ok, obrigada — e virou-se para sair.

– Hey, mocinha, onde você vai sem comer?

– Não estou com fome.

– Nada disso, sente-se aqui e coma.

Relutante, Annabeth largou a mochila na sala e foi tomar seu café.

***

Meia hora depois ela encontrou todos os outros e juntos foram até o acampamento meio-sangue. No caminho, Annabeth estava tão empolgada que não parava de falar. Hanzel estava impaciente sentada de mãos dadas ao lado de Frank. Reyna não parecia tão feliz, Annabeth percebeu. Chegou perto da amiga e disse:

– O que ta acontecendo, Reyna?

– Nada não — disse ela evasina.

– Ah, isso não cola comigo, me diga.

– É o Nico.

– Mas, hein? Nico?

– Sabe, Annabeth, eu achava que tinha um tipo diferente de sentimento por ele. Eu confio nele. Mas nunca imaginei que seria outra coisa. Esse tempo todo afastado me fez pensar melhor nisso, e decididamente me apaixonei por ele. — Reyna olhou para Annabeth — mas ele jamais poderá ser o que eu quero dele.

– Isso é um fato. Mas não pense nisso Reyna, você encontrará alguém. Nico pode ser seu amigo... Seu melhor amigo. Ele é uma pessoa bacana.

– Sim. Ele é.

– Então acalme-se, ok?

– Obrigada.

Annabeth abraçou Reyna. Já sentira algo parecido na vida, mas nunca algo tão complexo.

***

Chegaram a colina meio-sangue quase na hora do almoço. Annabeth reparou que o acampamento não mudará desde o dia em que saiu dali. Seguiram juntos até a casa grande. O clima estava pesado, apesar da aparencia do acampamento ser a mesma, as pessoas ali pareciam agitadas. Algo de errado estava acontecendo. Annabeth não estava gostando do que sentia.

Encontraram Quíron parado na frente da casa, Reyna foi a primeira a dizer:

– Olá Quíron. Vinhemos passar um tempo aqui!

Quíron suspirou e olhou para todos, parecia feliz pela presença repentina deles, mas a sua preocupação era maior. Seu olhar encontrou o de Annabeth, e ele o encarou mais tempo do que os outros.

– Olá, pessoal. Que bom que vieram, apesar de não estar sendo um dia bom.

– Como assim? O que aconteceu? — Hanzel perguntou.

– Briga entre semideuses. Ainda não apurei a razão. Mas um está bem ferido.

Annabeth sentiu seu coração afundar, não sabia o motivo, mas algo no tom de voz de Quíron incomodava Annabeth.

– Annabeth, querida, entre. Vamos conversar um pouco.

Suas suspeitas estavam prestes a se confirmar. Sentia que era algo envolvendo Percy. A garota se adiantou para dentro da casa, mas antes ouviu Quíron dizer aos outros:

– Podem ir, crianças. Se acomodem em seus chalés. Mais tarde vamos conversar — seu tom era de preocupação.

Annabeth se sentou na poltrona. Ouviu Quíron fechar a porta e se aproximar.

– Annabeth...

– É com Percy, não é?

Quíron a olhou e assentiu levemente com a cabeça. Annabeth não se segurou mais, as lagrimas escorreram pelo seu rosto.