Eu no CHB
16 Regras, novo campista e nome para o shipp
Notas iniciais
POV/Lety
Assim que nos sentamos, Quíron apareceu, sendo iluminado pela luz avermelhada da fogueira. Ele assobiou alto, e todos os campistas pararam de conversar.
– Hoje – começou Quíron – nós agradecemos a esses três semideuses, e a esse deus menor por aplacar a fúria de Zeus, e livrar os deuses Apolo e Hermes, e seus respectivos herdeiros de fúria eterna. Descobrimos também que Bia Guedes, e Letícia Silva são descendentes de diversos deuses, além de seus próprios pais. Mas, como em cada missão, os semideuses envolvidos recebem uma lembrança – pensei nas minhas cicatrizes – entregaremos a eles as contas, marcadas com uma insígnea de coroa. – ele nos chamou com as mãos, e fomos até lá. A cada um de nós foi entregue uma conta, e aos que não tinham colares, um cordão. Coloquei a pequena bolinha de madeira entalhada junto com Elise, minha cobrinha de estimação. – Aplausos.
A arquibancada explodiu em aplausos, principalmente nossos chalés – Apolo, Hermes, e Afrodite, por causa de Erik.
– Erik, você como um deus menor jovem pode permanecer aqui o quanto quiser – falou Quíron, enquanto voltávamos aos nossos lugares. – Falando em campistas remanescentes, quero apresenta-los mais um campista, que foi encontrado no Brasil, terra de alguns de nossos semideuses. Venha cá, Diego Miguel – um garoto apareceu, já vestido com a camisa do camp, mas o que o diferenciava dos outros, eram os braços cobertos de tatuagens, e os alargadores nas orelhas. O cabelo castanho ondulava abaixo do queixo – filho de Zeus.
Ele deu um leve aceno e seguiu um direção a arquibancada onde se sentou ao lado de Jason, que aparentemente já o conhecia.
– Agora, o assunto que vocês mais esperavam. – continuou Quíron, alegremente – As regras, e informações sobre o The voice CHB. Uma simulação do The Voice. Esse concurso acontecerá na primeira semana do ano novo, e vocês poderão se inscrever até o dia 25 de dezembro; No dia 26, todos os inscritos serão convocados a casa grande e cantarão uma música para mim, um dos jurados principais. Dentre todos os jovens cantores, serão selecionados trinta, e esses trinta poderão comemorar com seus convidados, e escolher os componentes da sua banda, numa festa que acontecerá a noite. Os componentes da banda podem fazer back and vocal, e até duetos, mas não serão julgados, e não podem cantar mais que os concorrentes. – ele parou por um instante para respirar e depois voltou – A primeira faze se chama solo: todos cantarão a partir das 5 horas do primeiro dia, e somente 15 passarão para próxima fase. A segunda fase, se chama dupla: os quinze selecionados cantam com um concorrente, e ambos serão analisados; apenas 7 campistas continuarão. A próxima etapa, será também em solo, e eles cantarão 3 em uma noite, e quatro em outra, resumindo a etapa em 2 dias, e deixando que 4 campistas continuem. Esses quatro cantam em solo novamente, mas todos em um único dia, e serão resumidos a dois, que cantarão no dia seguinte, definindo o vencedor. Tudo começa numa segunda, e termina num sábado. No domingo, os convidados do campista vencedor receberão uma festa. Perguntas?
Alguém mais acima de mim, perguntou um “e os prêmios?”
– O chalé do vencedor ganhará uma reforma, o ganhador 1000 dracmas, e tanto o ganhador, quanto o vice ganharão descontos em todas as lojas para semideuses do país.
– E os juízes? – perguntei, elevando um pouco a voz.
– O próprio Deus da música julgará, junto comigo, e uma cantora semideusa brasileira – ele parou de falar, e tossiu um pouco. A voz de Quíron já estava rouca – Podem jantar, ou se divertir agora.
– Vamos fazer o quê agora galera? – perguntei me levantando.
– Eu vou com Erik conhecer a matilha – disse Bia – se quiserem vir.... – eles se beijaram e eu assumi uma cara estranha.
– Não precisamos ser duas velas no castiçal, Ian. – reclamei rindo – vamos. Te vejo mais tarde Bia. – nos separamos e eu e Ian começamos a andar de mãos dadas. – Eu tô morta de fome.
– E eu também, mas tenho uma ideia melhor que ir comer no refeitório. Espera aqui.
– Tá certo. – voltei a sentar na beirada da arquibancada – mas volte logo.
Ele caminhou em direção ao refeitório, e sumiu lá. Comecei a pensar sobre as músicas, e a banda que eu ia ter que arranjar pra o concurso. Ian disse que ia se inscrever, então ele não pode ser da minha banda. Avistei Will conversando com o novo campista, Diego, perto da fogueira e fui até lá ver se Will não queria ser da minha banda.
– Will – falei me aproximando – eu vou me inscrever no The Voice CHB, e eu queria saber se caso eu passe, você não queria ser um componente da minha banda?
– Claro Lety. Eu adoraria! Eu toco baixo, então, pode riscar qualquer baixista que você tinha em mente. O Diego toca bateria e guitarra, estávamos falando disso agora.
– Will! Eu disse que sou tímido – exclamou Diego revoltado.
– Deixe de coisa Diego, você até parece um roqueiro. Seria bom pra você se enturmar, e eu só tenho o Will na minha banda por enquanto. Prefere ser guitarrista, ou baterista? – perguntei tentando ser simpática com o novato.
– Me deixe na guitarra. – disse ele com um sorriso seco.
– Hey Lety! Voltei! – disse Ian com uma sacola e uma tocha diferente (parecia um lampião com cabo).
– Tchau galera – disse caminhando em direção a Ian, chegando lá perguntei – O que é isso tudo.
– Piquenique noturno, quero te mostrar um lugar. – falou ele pondo um braço sobre os meus ombros.
Caminhamos durante uns quinze minutos, adentrando na floresta que era iluminada apenas pela luz da tocha. Depois de muitas curvas, paramos em frente a um grande carvalho. A árvore era imensa, e seu tronco tinha uma pequena diferença dos demais carvalhos. O centro , de onde os galhos da copa saíam, era levemente plano, e o tronco tinha um tipo de escada entalhada.
– Que lugar é esse? – perguntei surpresa.
– O Carvalho. – ele pronunciou como uma divindade – O próprio Pã o fez crescer aqui, antes desse lugar ser o Camp. Eu o encontrei, e pedi a Quíron permissão para ter como meu. Sempre que quero pensar, ou relaxar venho para cá.
– É lindo. Vamos jantar aqui em baixo? Porque esse lampião não ilumina lá no alto.
– Não é um lampião comum. – Ian falou e me entregou a bolsa (que mais parecia uma mochila de viagem). Ele tomou o lampião da minha mão, e o fincou no chão como uma lança. Girou de diversos modos, até que o cabo se alongou até iluminar a parte plana da árvore. – Tchanrants – ele disse, e eu ri. – Vou subir primeiro, e você vai me passando as coisas, depois eu te ajudo a subir.
– Ok. – respondi abrindo a bolsa.
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Poucos minutos depois, eu já estava lá em cima, sentada numa coberta macia, e encostada em várias almofadas de penas. Um prato com sanduiches de geleia de uva e pasta de amendoim repousava junto com duas latas de Sprite. Na verdade, as latas estavam vazias, e só tinha um sanduiche no prato.
– Lety – disse Ian me tirando de meus devaneios – Qual o nome do nosso Shipp.
– Sei lá – respondi me aproximando o suficiente para que nossos narizes se tocarem – Letian?
– Perfeito – respondeu ele colando nossos lábios. Foi um beijo calmo, e cheio de romance, como uma daquelas cenas de filme em que os personagens se beijam embaixo da árvore. As mãos dele estavam nas minhas costas, e as minhas em seu cabelo recém aparado. Nos separamos apenas para respirarmos. – podemos dormir aqui, se você quiser.
– Da mesma forma que naquele dia você invadiu o quarto da rainha? – disse irônica, passando os dedos sobre a pequena cicatriz que ele havia ganhado sobre a sobrancelha esquerda.
– Da mesma forma. – disse ele sorrindo. Nos abraçamos, e adormecemos, ali mesmo, na árvore, como num conto de fadas.
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