Notas iniciais
sem palavras apenas

POV/Lety

– Tinha que ser – exclamou Erik apavorado – tinham que ser espectros aquáticos.

Os monstros espiavam por dentro da água. Aparentavam ser humanos em decomposição.

– Desculpa, mas eu to boiando nessa história – disse, sacando a adaga

– Lety, lembra dos Inferi, de Harry Potter? – perguntou Bia, e eu concordei – digamos que eles tenham sido mordidos por vampiros. Espectros d’agua, Inferi Espectros ou vampiros aquáticos. Inimigos naturais de Lícaon, filhos de Urano. Temos que acabar com eles, antes que eles ataquem.

– Eu, eu faço – disse me lembrando que tenho parentesco distante com Poseidon – afastem-se.

Eles foram para trás de mim, ainda com armas em punho, lembrando vagamente de alguma história que eu já havia escutado sobre eles. Os Inferi Espectros ficam meio desorientados fora d’água, então eu lembrei dos meus poderes de poseidon, e parti pra cima.

Me concentrei em todas as imagens de água que vinheram na minha mente, e fiz força para a água se afastar da ilha e deixar os monstros fora d’água. Uma grande pressão se fez presente no meu abdômem, e eu suspendi os braços, como se estivesse empurrando uma parede. Quando eu abri os olhos, uma parede de água havia se formado cerca de 3 metros de onde a água estava antes, ao redor de toda a ilha.

– Lutem por mim, eu tenho que mantê-los fora do mar – eu disse, e meus amigos partiram para a batalha.

Apesar de parecerem gente morta, os vampiros aquáticos atacavam com agilidade, e tentavam morder todo mundo. Ian lançava bolas radioativas e flechas matando cada um dos milhares que apareciam em nossa frente. Erik, transformado em lobo, quebrava pescoços azulados; e Bia cortava cabeças, perfurava costelas, e rancava braços e pernas.

Eu não podia fazer nada, pois os poderes de Poseidon me causavam grande esforço, e eu tinha que me concentrar todo o tempo.

Um Inferi estava se aproximando sorrateiramente de mim, e eu sabia pois conseguia sentir o cheiro de morte. Comecei a rezar imediatamente, pois se eu morresse agora, meus amigos também morreriam, e algo me diz que Zeus não deixaria meu pai em paz nunca mais.

– Doce sangue de Hermes – sussurrou o Espectro tão próximo que eu conseguia sentir a frieza de sua pele. – adoro sangue de semideus.

– Não dessa vez, — sussurrei – Elise, acorde! – a cobra que Hermes me deu ganhou vida, e deu uma baita mordida no nariz do monstro. A pele naquele lugar ficou preta, e essa cor se espalhou por todo o corpo, fazendo com que o Inferi se sufocasse e caísse morto ao meu lado.

Restavam poucas feras a serem abatidas, mas meu corpo doía devido ao esforço, e meu nariz escorria sangue, coisa que não acontecia a mais de dez anos.

Virei a cabeça levemente para olhar meus amigos, e vi todo o acontecimento.

Erik versão lobo havia caído, e um Inferi estava grudado em seu pescoço. Bia avistou a cena no mesmo instante que eu.

– Não! – ela gritou em alto e bom som, correu até o monstro e literalmente, repito LITERALMENTE, partiu a criatura ao meio, a jogou de lado, e se ajoelhou próxima a Erik. Ian os defendia, e eu já de joelhos, observava a cena com lágrimas nos olhos.

Bia debruçou a cabeça sobre o coração de Erik, mas quando ela levantou e me olhou com mais lágrimas nos olhos que sal no oceano, eu entendi tudo. Soltei a parede de água, e fui o mais rápido que minhas costelas e minhas reservas de força aguentavam.

Antes de chegar lá, e Ian fomos derrubados: Bia gritou extremamente alto, fazendo com que tapássemos nossos ouvidos, e uma rajada de vento, estilo explosão super sônica de vento nos derrubou no chão. Os olhos delas estavam brancos, e ela entoava uma cantiga quase inaudível, sendo que todo o ar ao nosso redor girava, dificultando nossa respiração.

Passaram-se minutos, ou horas naquele mesmo rítimo. Todos os Inferi Espectro restante foram derrubados pela ventania feita por Bia, e agora, Ian estava abraçado a mim.

Mais um tempo curto se passou, e de repente, uma única lágrima parecida com cristal escorreu do rosto de minha irmã, e caiu nos lábios entreabertos de Erik. Nada aconteceu além disso, então o vento “despencou” batendo no mar, e fez com que uma chuva de água salgada nos molhasse, gelando nossos ossos e almas.

Bia desmaiou, no exato instante em que Erik sugou quase todo o ar restante daquele lugar, se sentando com dificuldade.

Ian havia desmaiado, minha visão e audição estavam falhas, mas ainda pude ouvir Erik falar enquanto acariciava os cabelos molhados de água sangue e suor de Bia:

– Minha princesa, você salvou a minha vida com uma lágrima de amor, e eu não tive chance de dizer que também te amo, lhe pedirei em casamento, assim que tivermos chance. – ele dirigiu o olhar para o céu nublado, e eu já estava deitada na areia, apenas ouvindo – Mãe, eu sei que está aí, mande para seu filho, meus amigos, e minha amada uma carona para o CHB. Só te peço isso.

Foram as últimas palavras que ouvi

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Acordei com um baque, como se um carro tivesse passado por um quebra-molas, mas não tive coragem de abrir os olhos, pois até meus cilios doíam. Continuei parada apenas ouvindo.

– Eles chegaram! Eles conseguiram! – ouvi a voz de Quíron gritar, fazendo minha cabeça latejar. – Ajudem – os, levem eles para os quartos.

– Sim Quíron – ouvi entre várias vozes as vozes de Travis e Connor.

Poucos instantes depois senti mãos fortes me levantarem de onde quer que eu esteja.

– Lety, você está tão acabada – disse Travis beijando a minha testa.

Forcei todos os músculos do meu rosto a formar uma única palavra: — Travis.

Senti que ele tentou me abraçar, mas assim que fui colocada eu uma superfície macia, apaguei novamente

Notas finais
Comente leitoras fantasmas. Agradeço a idéia de Bia guedes, o tal "salvar com uma lágrima"