Eu no CHB
3 Mais que diabos aconteceu?!
Notas iniciais
Em poucos segundos, cornetas soaram, e o meu grupo, com elmo de penas vermelhas avançou aos berros. Preparei meu arco e olhei de relance para Travis que estava a meu lado, e ele apontou o indicador para um galho, e eu logo entendi. Uma armadilha. Era nisso que Travis e Connor andaram trabalhando o dia todo. Mesmo sendo a primeira vez que utilizo um arco e flecha, peguei o arco de madeira escura e uma das flechas com pontas douradas, encaixei ela no cordão maleável de metal, e atirei na direção do galho.
Uma grande parte dos soldados azuis, e uma pequena parte dos nossos foi pego por uma rede de ferro com grandes bolas do mesmo material nas pontas.
– Mandou bem Travis! – gritei para o garoto que corria derrubando qualquer um á minha direita, e sorri para o grandão a minha esquerda.
Fui me esgueirando atrás de árvores, e disparando flechas em armadilhas durante uns quinhentos metros. Depois de alguns minutos restavam apenas eu, Travis e Will, que chegou perto de mim e disse:
– Avistamos alguns deles, e vamos combate-los, prossiga Lety.
– Eu vou vencer. Nós venceremos.
Trocamos um abraço rápido e nos dividimos, e eu comecei a correr. Corri por uns duzentos metros e avistei um pedaço de ceda azul ao longe, balançando com o vento noturno. Ela estava sobre uma colina, atrás de uma moita, a uns duzentos metros de distância.
Comecei a andar mais devagar, com mais atenção e observando o lugar. Ali era um lugar bonito e sombrio: altos pinheiros e árvores frutíferas, moitas de amora, e restos de guerras, espadas, escudos, flechas, – as quais fui recolhendo e guardando na aljava – e os sons também eram sinistros e calmos: corujas piando, o vento frio mexendo as folhas, os galhos quebrando sobre meus pés á leve luz do luar. Mais pera, eu parei e continuo ouvindo sons de passos.
Quando olhei para trás, vi uma silhueta de um garoto, mais ou menos da minha idade, arremessando uma faca em minha direção. Eu tinha mais alguns poucos segundos de vida e fiquei paralisada! Na luz leve, comecei a enxergar uma adaga de uns quinze centímetros com o cabo entalhado com flocos de neve, e a lâmina parecia ser afiada. Adeus. É o meu fim. Adeus Bia, Adeus Clara. Ian, eu te...
E foi no meio desse pensamento que eu vejo uma outra figura de saia a uns 2 metros de mim. Ela arremessa um dardo, com uma zarabatana, eu acho, poucos segundos antes de nos defender com seu escudo prateado.
Só quando o ar falta, que você repara que não estava respirando. Absorvi vários golpes do ar frio de Log Island, até olhar para minha salvadora, uma das minhas. A garota era um pouco menor que eu, tinha cabelos loiros cacheados que saltavam do elmo vermelho. Usava a camisa do camp, uma saia azul e uma meia calça cinza. Mas o que mais me impressionava eram seus olhos. Mesmo na luz fraca da noite, consegui enxergar os olhos que mudavam de cor. De verde, para azul, para laranja, rosa, castanho, mel e assim por diante.
– Meu nome é Lucy. – disse ela acordando-me de meus devaneios.
– Lucy, muito obrigada por isso. Essa é minha primeira batalha, e eu congelei, pensei que ia morrer.
– Sempre devemos salvar alguém que sentimos que merece ser salva. – disse ela enquanto tirava a adaga do escudo de prata – Seu nome é Lety, não é? — concordei. – Aquele garoto é meu ex, e tentou me sedar uma vez, como fiz com ele agora. Tome – disse ela me dando a simples adaga que quase me matou – eu quero que fique com ela. E agora vá, vou te proteger.
– Não sei como vocês confiam numa pessoa que mal conhecem – disse corando – nunca vou parar de agradecer Lucy.
Peguei a adaga da mão dela, e saí correndo, enquanto a ouvia murmurar algo como “isso é instinto”. Estava a poucos passos da bandeira, quando sinto a presença de alguém perto de mim, e me viro já com a adaga em punho. Minha arma se choca com uma espada de bronze, e me deparo com aqueles irreconhecíveis olhos azuis.
– Está aqui pra fazer o que os filhos de Hermes fazem? – perguntou Ian, irônico. – quero saber sweet.
– Respondendo sua pergunta – disse desferindo um golpe na coxa dele – Eu vim roubar o que me é de direito, e entregar para meu líder. Os filhos de Hermes não são apenas Ladrões, eles honram seu dever!
Nesse instante começamos uma dança, um duelo, desferindo e desviando golpes ágeis. Nunca achei que eu seria boa assim. Ian deu um corte na minha testa, um no meu joelho e um no meu braço esquerdo, mas eu ignorei a dor, e o joguei no chão, apontando minha adaga para seu pescoço.
– Sem poderes á noite sweet sun? – disse no mesmo tom que ele havia usado antes. Rimos e eu corri para pegar a bandeira.
Quando toquei no cetim – não ceda – azul, uma corrente de eletricidade passou por meu corpo, tirando todas as minhas forças, e eu caí de joelho. Num instante silêncio, e em outro, uma voz antiga, poderosa, e sinistra falou:
“Três de Hermes, um de Apolo
Juntos resgatarão
O que seus pais juntos
Roubarão em vão
Busquem pelo solo
Fujam da ira de Zeus
Pois que corre perigo
São os antecedentes seus.”
Depois dessas palavras assustadoras, vi de relance raios caindo por todo o território ao meu redor, e Ian correndo até mim. Depois disso, tudo apagou.
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