Eu gosto de você
1 Eu gosto de você
Notas iniciais
Eu tinha chegado a uma conclusão: Eu sou completamente desequilibrada. Essa era a única explicação plausível para o que eu tinha feito. Eu tinha beijado ele. Eu realmente tinha feito isso... Meu Deus, como eu sou estúpida! Eu não tenho culpa se ele estava tão perto. Mas, me diga, quem, em sã consciência, teria resistido à Jem Carstairs? Ninguém.
Então, porque eu deveria? Bem, ignorando o fato de eu ser a irmã do melhor amigo dele... Ah, se Will descobrisse, eu nem sei qual de nós ele mataria, ou, talvez, ambos. Afinal, Jem tinha me beijado também. Eu nunca mais vou conseguir falar com ele, olhar para ele ou pensar nele sem quase morrer de vergonha.
Suspirei, fechei os olhos e respirei fundo. Cecily, se controle. Agora mesmo. Você vai dar meia-volta, fingir que estava bêbada e que não faz idéia do que aconteceu. Isso! Era perfeito, pronta para dar continuidade ao meu plano, me virei para a direção da festa de aniversário de Tessa, namorada do meu irmão, Will, quando avistei cabelos pretos no final do corredor mal iluminado do quintal enorme de Tessa.
Sem saber se era Will, Jem ou qualquer outro, me escondi atrás de um enorme vaso e torci para que a escuridão me clamufasse.
O vulto, que notei pertencer a um garoto, andou até o fim do corredor e, por sorte, não olhou em minha direção. A informação me atingiu em cheio. Jem. Ele estava ali e, de alguma forma, eu notei que estava preocupado.
– Cecily...Onde você se meteu? – A voz dele me pareceu tão angustiada. Droga, porque é que raios eu tinha que gostar tanto dele?
Ele se virou para ir embora, quando eu me levantei e disse, sem pensar direito no que eu estava fazendo:
– Eu estou aqui. – Consegui dizer em um fio de voz. Ele virou-se, como se duvidasse dos próprios ouvidos, o que fazia sentido, já que a música que vinha da casa era realmente alta.
– Oh, Cecily. Eu, bem, estava te procurando. Acho que nos temos que, hum, conversar. Certo? – Ele pareceu repentinamente nervoso, como eu nunca tinha visto antes, e eu tive que controlar o impulso de sorrir e me jogar em seus braços de novo.
– Sim. – Mordi o lábio e me forcei a encará-lo, o que só fez com que minhas pernas fraquejarem. Ele me encarava. Os traços chineses e britânicos se misturavam maravilhosamente bem nele. – Eu... Realmente nem sei o que te dizer, para ser sincera.
– Nem eu. O que é extremamente estúpido, já que eu te pedi para conversar. – Ele respirou fundo, como se estivesse reunindo toda a sua coragem para dizer o que estava pensando. Eu não me decidia qual era a possibilidade mais provável de acontecer: Jem me dizer de forma gentil, porém muito firme, que não há menor possibilidade de existir algo entre nós, ou, ele me beijar de novo. Pessoalmente, eu preferia a segunda opção. James ergueu a cabeça novamente e continuou: – Eu estou tentando achar uma forma de te dizer que eu sinto muito, que o nosso beijo não deveria ter acontecido, que eu não perderia a amizade de Will por nada nesse mundo... Que eu, apenas, sinto muito mesmo.
Eu podia jurar que senti uma fisgada no meu coração, enquanto as lágrimas insistiam em queimar meus olhos. Tudo o que eu pude fazer foi assentir, antes que Jem virasse as costas e saísse andando pelo corredor.
Ele realmente tinha feito isso. Olhei para frente, não havia mais sombra dele. Uma lágrima escorreu e eu a limpei, respirei e levantei a cabeça, decidida a passar pela porta de entrada da casa e inventar qualquer coisa para Will me deixar voltar com o seu carro para casa, quando Jem apareceu no corredor novamente.
Eu franzi a testa enquanto o via andar em minha direção.
– Quer saber de algo? Eu não sinto muito. – Ele falou, pouco antes de me puxar pela cintura e me beijar.
Quando o ar, maldito seja, nos fez falta, ele afastou minimamente nossos lábios e colou nossas testas.
– O que te fez mudar de idéia tão rápido? – Perguntei, com curiosidade, e ainda sem fôlego.
– Apenas percebi que eu estava com medo de te magoar, de me magoar, de estragar tudo. Que eu não acho que o nosso beijo tenha sido um erro e que nem mesmo Will seria tão lerdo a ponto de não ver o quanto eu gosto de você. – Respondeu, me beijando de novo.
– Isso foi uma declaração ou eu que estou ficando louca? – Indaguei, sem conseguir frear a pergunta totalmente idiota. Jem riu e enrolou meu cabelo em seus dedos.
– Sim. Eu gosto de você.
– E eu gosto de você.
– Parece bem mais simples agora, não? – Foi a minha vez de rir antes de me inclinar e beija-lo.
Ouvimos mais gritos de comemoração dentro da casa, algo sobre já ser uma da manhã.
– Faz meia hora que nos beijamos pela primeira vez. – Eu disparei.
– Bem, feliz quinto beijo.
– Mas nos só... – Eu não completei, já que ele me enlaçou pela cintura, fazendo-me compreender o que dizia no mesmo momento.
– Agora são cinco. – Ele disse, pegou a minha mão e me levou de volta para a festa.
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