Eu, eu mesma e meus fones de ouvido.
1 Capítulo único
Notas iniciais
Alaine sempre foi uma pessoa romantica, apaixonada... bom, pelo menos ela seria, se alguma vez na vida tivesse tido alguma chance de provar isso a alguém.
Ela não entendia isso. Ela era uma pessoa muito legal e boa companhia (Claro, não era uma das MAIS bonitas, mas nada que muita maquiagem não resolvesse). Porque ainda estava sozinha?
Ela sempre se importou com isso, mas nunca deu sorte . Com o tempo, todas as amigas dela foram achando um "par ideal" e ela continuava na mesma. O que tinha de errado com ela? Era isso que ela queria saber.
Nesse dia ela acordou ainda mais desanimada que o normal. Por que ? Fácil, no outro dia seria dia dos namorados e ela não tinha ninguém para comemorar juntinho com ela.
Ela se levantou pensando nisso e se arrumou do melhor jeito possível para ir à escola. Quem sabe alguém decidiria chama-la para sair no dia dos namorados. Ela era uma garota clássica e sempre gostou desse tipo de homem romântico que presenteava a amada com rosas e caixas de bombom e depois a chamava pra sair na véspera do dia dos namorados. É coisa de filme, eu sei, mas ela ainda tem esperança de que isso aconteça, afinal, a esperança é sempre a ultima que morre.
Ela entrou na sala e se sentou na última carteira. A aula era de português e, até onde ela prestou atenção, a professora estava introduzido uma matéria nova, provavelmente importante para o nosso futuro e blá blá blá. Tinha coisas mais importantes para se prestar atenção naquela hora. Mais especificamente falando, um homem mais importante
Erik, o cara mais bonito da classe, na verdade ele era o mais bonito do colégio, talvez até da cidade!! OK, exagerei agora. Mas o fato é que Alaine era apaixonada por ele, assim como todas as garotas que estudavam ou já estudaram com ele.
Ela não sabia se era realidade ou ilusão, mas ele estava olhando para ela. Ela tentou fingir que nem viu, mas fracassou e, nas próximas três aulas, ela não tirou os olhos do garoto, para ver se os olhares do mesmo se dirigiriam a ela. Pode ter sido realidade ou ilusão, mas os olhares dele de fato se desviaram da professora e, realidade ou ilusão, os olhares se dirigiram sempre a ela.
O sinal bateu, anunciando o início do recreio (Eu sei que a maioria das pessoas dizem que o certo é falar "intervalo", mas, na boa, se eu quiser eu chamo até de "lanchinho").
Ela foi uma das ultimas a sair da sala. Até se esqueceu do recreio, na verdade. Ela não conseguia tirar Erik da cabeça...
Saiu correndo em direção à cantina, não queria nem um pouco enfrentar fila. Infelizmente, quando chegou a fila já estava enorme. Ela foi para o final e teve que aguardar. Ela ainda queria dizer ao Alex o que aconteceu e conversar com Erik sobre o dia dos namorados, as moças da cantina, porém, pareciam não querer que isso acontecesse. Elas haviam escolhido o pior dia para enrolar na entrega do lanche.
Finalmente saiu da fila e foi procurar Alex enquanto devorava o lanche. Até eencontra-lo ela já havia acabado com a comida.
Ela o encontrou em um canto, na sombra de uma árvore. Foi se aproximando e quando chegou deu de cara com o Alex alegre e sorridende de sempre. Ela nem deu tempo pra ele a cumprimentar e já foi falando do Erik e sobre o que aconteceu na sala de aula.
Enquanto ouvia o sorriso foi sumindo de seu rosto e quando ela acabou ele parecia realmente mal-humorado.
— Sabe. O Erik nem é assim tão incrível, é realmente uma idiotice as garotas todas ficarem babando desse jeito por ele! — Alex disse furioso.
Ela não teve tempo de discordar , pois ele virou as costas e saiu andando.
Alaine ficou paralizida no lugar, sem saber o que fazer. Bem, se ele queria ficar irritado com ela agora, ele que fique. Ela estava muito ocupada. Ela tinha que encontrar o Erik pra conversar.
Infelizmente a sorte não estava a seu favor, o sinal novamente tocou, dessa vez anunciando o fim do recreio ( lê-se lanchinho).
Andou desanimada até a sala, prometendo a si mesma falar com ele no final da aula e assim o fez quando acabaram, para falar a verdade da nem precisou procura-lo para conversar, ele foi até ela.
— Oi, Alaiae.
Aliane?! Tudo bem, ele só tinha cometido um pequeno erro, não fazia diferença.
— O-oi, Erik...
— É que, eu estava pensando nisso a semana inteira ... É que, pensei que você gostaria de... — ele foi interrompido por Aliane, que sentia como se todos os seus sonhos estivessem se tornando realidade.
— Sim!!
— O que?
— Quer dizer... sim. Eu gostaria de sair com você.
— O que? Eu... — as feições dele passaram de confusas para incrédulas e depois olhou para ela com ar zombeteiro e deu uma gargalhada que soou cruel aos ouvidos de Aliane — Não acredito... Eu... Chamar você... No dia dos namorados... Só se fosse brincadeira — disse, tentando tomar folego — Eu só ia te devolver os fones que você me emprestou — terminou de um jeito cruel e ela pode sentir o rosto esquentar e os olhos se encherem de lágrimas.
Ela se lembra que ela emprestou seus amados fones à Erik, até ele comprar outro, mas tinha sido à muito tempo. Ela sentiu muita falta, mas não pensou que ele pretendesse devolver mais. Sinceramente ela nem teria se importado com isso, desde que ele a chamasse para sair, mas isso foi mais arrasador do que qualquer falta de um fone de ouvido poderia ter feito.
Ela se segurou para não chorar perto dele, mas ao encontrar Alex não se conteve. Ela contou todo o ocorrido e ao terminar parecia que ele iria explodir de raiva, ela esperou que fosse do Erik, mas:
— Eu disse. Não sei porque mulher gasta tanto tempo querendo impressionar garotos que vão trata-las desse jeito quando existem vários caras legais bem na frente delas.
E, de novo, virou as costas e simplesmente saiu andando. E, de novo, ela não impediu.
Ela voltou para casa chorando, nem tocou no almoço, mesmo morrendo de fome. Ela estava acabada, não conseguia pensar em mais nada a não ser na vergonha que passou.
Bom, pelo menos tinha havido alguma coisa boa naquilo tudo : ela tinha os fones de ouvido de volta, eles eram importantes para a distrair, talvez até se esquecesse do que aconteceu. Talvez.
Ela colocou seus fones e começou a ouvir suas músicas favoritas. Não se lembrava como havia sobrevivido por tanto tempo sem a companhia desses preciosos.
Enquanto ouvia as músicas a sua mente foi se clareando e começou a pensar no que aconteceu naquele dia. Não sobre o Erik, mas sim em outra pessoa.
Alex sempre fora super protetor com ela, não como hoje. Ela pensou que ele só ficou assim quando ela tocou no assunto do Erik. Isso significa que...
Eureka!!! É isso, só pode ser!
"Talvez Alex goste de mim e só estava com ciúmes. É isso, tem de ser. Talvez seja essa a minha história de amor!"
Ela trocou de uma música calma para uma mais alegre, assim como ela estava naquele momento. A música ia a acalmando e a fazendo vibrar de alegria ao mesmo tempo. Mas ela parou de tocar de repente. Os fones de ouvido pararam de funcionar. O que Erik fez com os seus fones? Ela teria que comprar outro. E nunca mais de empresta-los pra ninguém. Mas isso não é importante.
Ela acordou no outro dia mais feliz que o normal, com a certeza de que iria sair com alguém nesse dia dos namorados. Mas para isso ela teria que sair um pouco do clássico, que é esperar o homem a convidar, e se declarar por ela mesma.
Ela passou uma maquiagem forte, a que sempre usava ( ela sempre queria impressionar os outros, principalmente os do sexo oposto ), e foi para a escola.
As aulas passaram rápido, logo o sinal do recreio bateu e saiu correndo para fora procurar Alex. Tanto faz a comida, ela não estava com fome mesmo.
Passou o intervalo inteiro procurando mas não achou ninguém e voltou para a aula meio triste de novo.
Mas ela não teve muito do que reclamar, bom, tirando umas notas vermelhas que ela recebeu e uma prova da qual ela se esqueceu totalmente, ela estava muito ocupada com (ah, quer saber, eu não vou ficar repetindo isso toda hora, acho que você já sabe, mas caso não saiba...) garotos.
Quando a aula finalmente acabou ela saiu correndo precisava achar Alex antes que ele fosse embora. Claro, ela poderia falar com ele no outro dia, mas não seria a mesma coisa, não teria a mesma magia, sabe. Ah, você não iria entender (complicações de garotas adolescentes).
No caminho ela ia ensaiando mentalmente o que iria falar :
" Alex, eu sei que nós já somos amigos a muito tempo, mas.... NOSSA SENHORA! O QUE É ISSO ?!! "
Ela estava parada observado a cena perplexa. Não era algo muito impressionante ou absurdo, mas estragava completamente seus planos. Já adivinhou?
Isso mesmo. Alex, com outra garota, se beijando. Ela deve ter ficado parada com cara de taxo, pois, quando Alex reparou, resolveu lhe apresentar à menina ( le-sê: piranha ladra de futuros namorados).
— Alaiane! Essa é a minha namorada, Helí. Helí, essa é a amiga de que eu te falei
— Alaiane! — ela disse parecendo muito animada — muito prazer em te conhecer! Alex fala muito de você!
Argh! Sentiu vontade de vomitar. Ela era, além de linda, legal e bem humorada ?!! Não, não, não !!! Ela não podia, isso a tornava tão perfeita.
— Ah... Oi. Alex nunca me falou que ele tinha namorada.
— Nunca disse ?! Que cabeça a minha. Com toda preocupação de tirar boas notas devo ter esquecido.
Ele tentava se explicar, mais pra namorada do que pra amiga, na verdade.
— Eu entendo, morzinho — Argh...— Se quiser eu te ajudo com a matéria, sem querer me gabar, sabe, mas eu sou boa nisso.
O QUÊ? Ela também era inteligente?! Ela tinha que ter algum defeito. Ela não podia ser tão perfeita. Podia?
Alaiane já estava ragendo os dentes quando disse :
— Preciso ir.
Nada mais. Nem tchau. Nem prazer em te conhecer ( que seria mentira, na verdade). Ela simplesmente estava com muita raiva para dizer alguma coisa a mais.
Depois de dizer isso ela saiu correndo para a casa. As lágrimas inundando o rosto. Lágrimas de raiva. Não era justo! Todo mundo tinha alguém menos ela. Ela chegou em casa e se trancou no quarto, sem nem ao menos tocar no almoço (de novo, né), e ficou lá a tarde inteira. Não queria mais sair.
Ela saiu do quarto meia hora depois (ela ficou com fome), mas havia tido tempo o suficiente para pensar no seu caso. Na verdade foi mais do que o suficiente e ela tinha filosofado sobre seu desespero de encontrar alguém para lhe fazer companhia. Pra que tudo isso?
Desde que ela tem lembrança, ela viveu quase a vida inteira tentando agradar. Passava maquiagem exagerada para parecer mais bonita, usava roupas ridículas que ela achava que a deixavam atraente, mas na verdade tudo isso piorava a impressão que os outros tinham dela.
Para Alaiane aquele dia era o fim! Ela nunca mais viveria para os outros! Ela seria livre, plenamente feliz. A única pessoa que ela continuaria a tentar agradar seria a ela mesma. Sim!! Uma pessoa especial, ela mesma. Era a única que a entendia e que sempre esteve com ela (que é ela mesma).
No final ela não precisaria de um par para ser feliz: ela podia ser feliz por ela mesma, e seria a felicidade mais duradoura e profunda que ela poderia desejar!
No outro dia ela acordou muito feliz consigo mesma. Levantou animada (algo esquisito, pois era quarta. Ela odiava e ainda odeia quartas feiras) e foi fazer sua higiene pessoal. Saiu do banheiro e foi trocar de roupa. Pela primeira vez em muito tempo ela pegou alguma roupa do seu próprio guarda roupa para ir à escola. Geralmente ela pegava as roupas da mãe, mais extravagantes, chamativas. As suas próprias roupas raramente ela usava para sair de casa. A mãe reclamava. Por que não? As suas roupas eram lindas. Ela olhou melhor para as roupas, não eram ruins. Elas eram mais simples apenas. Bonitas sem exagero. Passou um gloss e base ( ela não ia fazer uma mudança muito brusca, ela não estava pronta para abandonar tooda a maquiagem) e logo estava pronta para ir a escola. Se surpreendeu com a velocidade. Não gastou muito tempo se decorando e produzindo o cabelo, que naquele dia estava em um rabo de cavalo simples.
Chegou na escola atraindo olhares surpresos e, talvez, até críticos. Pela primeira vez não ligou para o que estavam pensando dela. Isso não era importante. Sentou na carteira e, como não tinha mais vontade de ficar olhando para os caras bonitos da sala (ou os que passavam pelo corredor) ela se contentou em prestar um pouco de atenção na aula (isso é chato, eu sei, mas vocês tem idade o suficiente para saber que é importante) e ela até que gostou um pouco (não de verdade, mas se eu dissesse que não gostou e voltou a olhar garotos a história não teria sentido).
A semana passou assim e ela sentiu a mudança quase instantaneamente. Estava mais feliz, autoconfiante e independente. Ela quase não se reconhecia mais. Achou que ficava mais bonita sem tanta maquiagem e percebeu que ficava muito melhor usando roupas confortáveis. As notas estavam melhores e isso encheu a mãe de orgulho. Mas sentia que faltava uma coisa.
Eu sei o que você acha. Faltava um par, um garoto para dividir a felicidade junto com ela. Porque em toda história a garota tem que achar alguém para serem felizes para sempre e fim. Mas não! O que faltava era um fone de ouvido novo. Lembra que o outro tinha quebrado?
Ela ganhou um lindo da mãe (notas boas tem suas vantagens) e ela sentiu de novo a sensação de como é se apaixonar. Ela sabia afinal que nem ela mesma nem os fones de ouvido iriam deixa-la na mão. Ela se deitou naquele dia, mas não dormiu, ficou aproveitando o incrível laço afetivo que ela adquiriu de cara pelo presente da mãe.
Plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores. William Shakespeare, Menestrel.
* Leia as notas finais se não gostou do final (eu achei legal).
Notas finais
Foi para a escola (de noovo) e assistiu às aulas como sempre. Mesmo assim se sentia feliz. Ela se sentia entediada e não vazia (só pra lembrar, eu vou parar agora porque tá ficando chato).
As aulas acabaram, ela se levantou rápido e saiu animada. Ela não ia voltar pra casa, ela avisou a mãe. Ia comprar um presente para Kati (uma amiga fazendo aniversário, não é importante).
Foi quando alguém esbarrou nela e fez com que todo o material que ela segurava na mão caísse no chão. Ela olhou raivosa para quem fez isso. Era um garoto loiro, de olhos azuis e dentes brancos (desculpem se não gostaram da cor do cabelo, ou dos olhos, ou dos dentes, vai saber né. Mas eu tenho uma quedinha por garotos com esse padrão de beleza, pode imaginar ele com outra aparência se quiser) que lhe parecia familiar. Alaiane vacilou um pouco, afinal o garoto era bonitinho (tá bom, era LINDOO!!) mas acabou falando:
— Você não olha por onde anda não?
Ela não falou de um jeto grosso, foi mais em um tom brincalhão, mas o garoto se encolheu todo, sem graça.
— Descupe. Eu queria... Deixa que eu pego pra você!
Ele falou a última parte rápido, como se tivesse acabado de ter uma ideia de última hora e se abaixou mais rápido ainda. Ele entregou a material para a garota confusa e se afastou mais rápido do que ele fez as outras coisas (se é que isso era possível).
Alaiane ficou boiando. Abaixou os olhos para o material e percebeu uma coisa diferente. Um pedaço de papel cuidadosamente dobrado. Ela pensou que fosse do garoto e seu bom senso dizia na cabeça para não abrir e devolver para o dono (podia ser uma coisa pessoal), mas a curiosidade venceu e ela abriu para dar uma espiada (adivinha...era uma coisa pessoal,mas...) :
" Sempre que eu te observo eu fico encantado. Quando te vi pela primeira vez confesso que não fiquei impressionado, você era só mais uma garota que queria impressionar. Mas sinto muito por ter te julgado desse jeito, você me provou que é especial e eu acho que gosto de você. Gostaria de ter pelo menos sua amizade, se permitir.
Com amor: Connor "
A história de amor que eles viveram depois é uma das mais cativantes que você pode imaginar, eu poderia escrever aqui, claro, mas essa é outra história....
Fale com o autor