Notas iniciais
Hey, era pra ter postado ontem, desculpa. Mas as próximas serão postadas de quinta para sexta como prometi. Vamos ver o que Cato aprontou?! Divirtam-se!!!

Capítulo 14

– Katniss! — Gritou Prim, quando se virou e correu em direção à irmã.

Katniss abriu os braços e recebeu a irmã caçula com um abraço bem apertado. Ambas claramente emocionadas com o reencontro.

– Você está bem? — Katniss perguntou, segurando o rosto da irmã entre as mãos. Os olhos fixos nos dela.

– Sim. Estou. E você? — Prim quis saber.

Mas em vez de responder, Katniss soltou-a e rumou em direção a Cato, que já parecia esperar por isso.

– Você sabia que ela era minha irmã, não sabia?

Antes de responder, Cato franziu a testa e fingiu desentendimento. — Sabia? — Fixou o olhar no de Katniss em provocação. — Sabia sim. — Confirmou com sarcasmo e Katniss apertou os olhos, fuzilando-o. — Mas... Em minha defesa, houve sim um sorteio. Eu não tenho culpa se a sua irmãzinha é tão azarada quanto você, garota quente.

A raiva de Katniss foi tão grande que sua respiração se tornou ofegante. Então, sem pensar nas consequências, ela partiu pra cima com o objetivo de socar Cato, mas Peeta a impediu segurando seu pulso.

– Não, Katniss! Não vale a pena.

Katniss se virou para Peeta com os dentes trincados. — Fica na sua, Peeta! — Esbravejou e se soltou dele.

Peeta franziu a testa decepcionado com o jeito como Katniss o havia tratado. Engoliu a seco e se afastou dela sem mais encará-la.

– Ora, vejam... — Cato começou a falar. — Parece que o casal sensação da Capital está com problemas no Paraíso.

– Não é da sua conta, Cato! — Exclamou Peeta, indignado. — O que acontece entre a Katniss e eu só diz respeito a nós dois.

– Não. — Rebateu Cato. — Aí é que você se engana, conquistador. Porque a partir dessa noite... Tudo que diz respeito às selecionadas, diz respeito a mim também, fui claro?

– Como água. — Respondeu Peeta, com raiva. Sabia que para o bem de todos, era melhor entrar no joguinho de seu oponente. Ou, pelo menos fingir que entrou.

Cato abriu um sorriso. — Que bom que compreendeu. Isso quer dizer que você não é tão estúpido quanto achei que era.

Peeta revirou os olhos. E Katniss ficou indignada, pois apesar de tudo, não suportava o jeito como Cato tratava Peeta.

– Bom — Cato voltou a falar, atraindo a atenção de todos. — Mas vamos logo ao que interessa: Os Jogos Vorazes deste ano. — Katniss passou um braço ao redor de Prim, puxando-a para si e apertando-a com carinho. Em resposta, Prim abraçou sua cintura. — Agora que já estão todas aqui, posso explicar as regras.

Mas antes que pudesse continuar, ele se dirigiu até um painel de controle, que ficava do lado oposto da sala. Apertou um botão. E, após alguns poucos segundos, uma imagem holográfica apareceu diante dos olhos de todos.

Tratava-se de uma estratagema criado minuciosamente por Cato.

– Como vocês podem ver pela imagem, os Jogos serão divididos em competições que acontecerão a cada semana, durante dez semanas. — Apertou o segundo botão antes de continuar. — A cada semana serão sorteadas seis de vocês para competirem entre si. Até só restar uma. A vencedora — que além de receber como prêmio: um encontro com nosso Conquistador — também ganhará pontos para grande final. — Apertou mais um botão. — Todos os sorteios ocorrerão entre todas as vinte selecionadas, o que quer dizer que algumas de vocês poderão se repetir em muitas das competições, assim como algumas, talvez, nem cheguem a competir. Isso, é claro, dependerá da sorte ou do azar de vocês. — Sorriu de forma cínica. Em seguida, apertou mais um botão. — Por fim, ao término das dez semanas,as dez selecionadas que acumularem o maior número de pontos, estarão aptas a participar da grande final, que será dentro de uma arena. O que acontecerá lá? — Perguntou com um olhar de mistério. — Essa será minha grande surpresa.

Todas as selecionadas se entreolharam e, naquele instante, começou um burburinho entre elas. Cada uma tentando especular o que viria a ser: A grande surpresa.

– Silêncio! — Ordenou Cato. E imediatamente, as selecionadas se calaram e se voltaram novamente para ele. — Eu ainda não terminei. Ainda preciso dizer que a primeira competição acontecerá hoje mesmo às 21:00 no Centro de Treinamento. E... Será televisionada para toda Panem. Portanto, não se atrasem! — Deixou bem claro. Em seguida, parecendo se lembrar de algo importante, continuou: — Ah, acho que vocês já devem imaginar que faltar, se negar a participar, ou ainda, participar sem vontade, está totalmente fora de cogitação, sob o risco de serem punidas... Severamente.

Todas arregalaram os olhos, pois muitas já haviam cogitado aquela idéia.

– Bom, é isso. Espero que todas tenham compreendido, pois não aceitarei erros de natureza nenhuma.

Diante daquelas últimas palavras, Prim apertou a cintura da irmã com muita força, fazendo Katniss se dar conta de seu medo descomunal. Então ela levantou a mão.

– Pois não, srta. Everdeen? Alguma dúvida? — Cato quis saber.

– Quero que minha irmã Prim fique comigo no meu quarto.

Um sorriso cínico se desenhou no rosto de Cato. — Srta. Everdeen, isso não me pareceu um pedido. Mas... Quase uma ordem. Por isso, pode esquecer. Sua irmãzinha querida ficará onde eu quiser. — Concluiu, e Katniss bufou de raiva. Tudo que ele queria para continuar. — A não ser que... Você esteja disposta a me pedir de uma outra maneira.

– Que maneira? — Perguntou Katniss.

Outro sorriso cínico se formou nos lábios de Cato antes que ele pudesse proferir a sentença inescrupulosa: — De joelhos.

Todos que presenciavam a cena arregalaram o olhar, inclusive Peeta, que revoltado, teve vontade de impedí-la. Mas antes que pudesse se mover, Finnick o segurou com firmeza.

– Peeta, melhor não interferir. — Aconselhou ele quase em um sussurro, recebendo de Peeta um olhar fuzilante. — Confia em mim.

Do outro lado, era Prim quem tentava impedir Katniss, não soltando sua cintura.

– Não, Kat. Você não precisa fazer isso.

– Preciso sim. — Katniss começou a dizer, se soltando dos pequenos braços de sua irmã. — Prim, eu vou te proteger de tudo e de todos. Eu prometo. E se pra isso, é necessário que eu me ajoelhe diante do... Cato, eu não me importo. — Concluiu, mesmo sob os protestos desesperados de sua irmã. Em seguida se dirigiu até onde Cato a aguardava. Deu um longo suspiro e...

Se ajoelhou diante da serpente. E quando todos achavam que o maldito iria se arrepender, ele foi ainda pior.

– Vamos, srta. Everdeen, estou esperando seu pedido.

Katniss ergueu o queixo. Estava se sentindo humilhada, mas jamais baixaria a cabeça para um Snow. Jamais!

– Eu gostaria de pedir para que a minha irmã fique em meu quarto comigo.

Cato abriu um sorriso vitorioso. — Pedindo assim... Acho que posso abrir uma excessão.

Katniss se levantou. — Obrigada. — Agradeceu, sabendo que se não fizesse, ele iria cobrar só para humilhá-la ainda mais.

– De nada, srta. Everdeen. — E como se não bastasse aquela resposta, ele ainda se inclinou para falar mais alguma coisa rente ao seu ouvido. — Só espero que se lembre disso em um futuro próximo para que não ouse me desafiar. Outra vez.

Katniss sentiu um arrepio na espinha, não de prazer, mas de profunda revolta.

Peeta, de onde estava, quis matá-lo. Entretanto continuava com um dos braços presos pelo amigo, Finnick.

Alguns minutos depois do ocorrido, Cato se virou para os seu comparsas, Marvel, Tresh e — para imensa decepção de Peeta — Finnick. Deu algumas coordenadas de como deveriam agir a partir dali, e depois de se despedir das selecionadas, foi embora.

Katniss foi uma das primeiras a querer sumir dali. Então, segurando a mão da irmã, rumou em direção à saída.

– Katniss, a gente precisa conversar. — Peeta pediu, segurando o pulso dela, quando conseguiu alcançá-la.

– Peeta, não é hora pra isso.

– Então eu passo no seu apartamento e lá a gente...

– Não. — Cortou Katniss. — Melhor não. Quero ficar um pouco sozinha com a minha irmã, se não se importa.

Peeta expirou, decepcionado, ao mesmo tempo em que a soltou bem devagar, sua mão deslizando sobre a dela até se soltar completamente. Nesse entremeio, seus olhos se encontraram. — Não. Tudo bem. Eu entendo.

Katniss ainda abriu a boca para se desculpar. Detestava vê-lo daquele jeito. Cortava seu coração. Mas, para o bem de ambos, achou melhor calar-se e, desviando o olhar, foi embora.

***

Meia hora depois de apresentar-se às novas selecionadas, Peeta estava indo em direção ao elevador, quando sentiu alguém lhe tapando a boca com firmeza e lhe puxando para um canto de penumbra no fim do corredor. Um lugar escondido de tudo e de todos.

– Finnick?! — Exclamou Peeta, estupefato, quando o seu misterioso "sequestrador" se revelou e destapou sua boca. — Enlouqueceu? Qual é a tua, heim?

– Peeta, eu precisava explicar que...

– Não, Finnick. Você não tem nada pra explicar. Escolheu o seu lado. Agora me deixa em paz! — Peeta disse, indignado, e já ia retirar-se, se não fosse Finnick tê-lo segurado com o braço em seu pescoço, assim como katniss fizera com ele. — Me solta, Finnick!

– Não! Você tem que me escutar! Peeta, toda moeda tem dois lados. Sendo assim, em vez de você pensar que eu estou jogando com o inimigo, porque não pensa que tem um aliado dentro do território inimigo?

Peeta arregalou o olhar. — Você só pode estar brincando. Finn, isso é completamente arriscado!

– Eu sei me cuidar. — Afirmou Finnick, para em seguida soltar Peeta, que massageou o pescoço antes de falar.

– Não. Eu não vou deixar que você faça isso.

– Peeta, eu já fiz. Você não tem mais como me impedir.

– Tem sim. Eu vou lá e abro todo o jogo com o Cato.

– E ele mata a mim e a você, sem a menor piedade. É isso que você quer? Já foi difícil para mim, convencer aquele crápula de que eu podia ser um forte aliado dele. Tive de inventar um monte de mentiras, dizendo que nossa amizade tinha acabado e blá, blá, blá... Então, por favor, vê se não estraga tudo!

Peeta ainda abriu a boca para argumentar, mas se arrependeu quando seu juízo voltou a funcionar. — Não. Claro que não. Mas, Finn, se ele descobre...

– Ele não vai descobrir. — Cortou Finnick. — Tenho tudo sob controle.

Diante daquilo, Peeta passou a mão pelo cabelo, aflito. E silenciou para refletir.

– Você sabe por que ele trouxe a irmã da Katniss?

Com aquela pergunta, Finnick teve certeza de que Peeta finalmente havia entendido. Ficou extremamente aliviado.

– Porque ele descobriu que Prim é o ponto fraco dela. Assim como ele sabe que o seu ponto fraco... É a Katniss.

– E a Madge... Como diabos ele descobriu sobre ela?

– Ele não descobriu. — Peeta franziu o cenho. — Ela mesma procurou por ele.

– O quê?!

– Pois é, meu amigo, a gata é completamente apaixonada por você. E, pelo que eu percebi, está disposta a qualquer coisa para ficar com você. Qualquer coisa mesmo!

Peeta ficou um pouco assustado com a ênfase que ele deu à última frase.

– O que você quer dizer com isso?

– Ela sabe de sua paixonite pela esquentadinha, então pode ter certeza que ela é o seu principal alvo. E eu não preciso mencionar que Cato adorou saber disso, não é?

Peeta arregalou ainda mais o olhar. Precisava freiar Madge antes que fosse tarde. Não queria que ela machucasse Katniss. E nem que saísse machucada, afinal, durante o tempo que ficara com Madge, acabou adquirindo um certo carinho por ela.

******

– Acho que a Bonnie gostou de mim. — Constatou Prim para Katniss.

As duas estavam sentadas na beira da cama de Katniss. E nesse intervalo de tempo, Katniss já havia mostrado todo o seu apartamento para ela, bem como, Prim já havia tido o privilégio de almoçado pela primeira vez, um banquete preparado por Bonnie, especialmente para ela.

– E quem não gosta de você, Patinha? — Katniss disse, demonstrando todo o seu carinho. Em resposta, Prim sorriu com ternura. — Como está a mamãe? — Katniss resolveu entrar no assunto.

– Bem. Na medida do possível. — Prim respondeu com um olhar de tristeza. — Depois que eu fui sorteada, pedi para que ela se ocupasse com os feridos das Minas. Acho que ela vai fazer isso.

– Espero que sim. — Katniss respondeu, também triste. — E... O Gale?

Antes de responder, Prim deu um sorrisinho sugestivo. — Ah, ele vai todos os dias lá em casa pra ver como a gente está, e anda se ocupando com outras coisas, porque disse que caçar sem você não tem a menor graça. — Os lábios de Katniss se curvaram em um sorrisinho discreto de satisfação. — Ele mandou um beijo. E mandou dizer que já está dando um jeito de te ver de novo.

– Que jeito?

– Eu não sei. Mas ultimamente ele anda muito misterioso.

Katniss franziu a testa. O que será que Gale está tramando? Questionou-se ela em pensamento. Mas logo os seu devaneios foram quebrados quando viu algo se mexendo dentro da mochila que Prim havia trazido do Distrito Doze.

– Prim, o que é aquilo se mexendo na sua mochila? Não me diga que você... Prim, você teve coragem de trazer aquele gato fedorento com você?!

Prim arregalou o olhar e antes que Katniss pudesse pegar a sua mochila, ela mesma correu e pegou.

– Kat, eu não podia deixá-lo pra trás. — Argumentou Prim, retirando o gato de dentro da mochila. — Ele precisa de mim. — Abraçou o bichano com carinho.

Katniss revirou os olhos. — Prim, a gente pode ser morta por causa dele. Você tem noção disso, não é? — Prim assentiu com a cabeça, e seu olhar se tornou pesaroso. — Certo. Tudo bem. O gato pode ficar.

Prim pulou no colo de Katniss, tamanha era sua alegria. — Obrigada, Kat. Eu prometo cuidar dele bem direitinho. Você não vai nem perceber que ele existe.

– Quem não pode perceber que ele existe é o Cato.

Batidas na porta, interromperam aquele momento irmãs.

– Pode entrar. — Disse Katniss.

A porta se abriu devagar e Bonnie entrou com um papel dobrado na mão. Entregou para Katniss.

– Obrigada. — Katniss abriu o papel.

Era de Peeta e dizia:

" Eu não beijei a Glimmer, muito menos a Latarsha. E quanto a Madge... Ela não me interessa nenhum pouco. Eu só beijei você e espero beijar muitas e muitas vezes mais. Katniss, entenda que eu... Eu escolhi você!"

Mesmo sem querer, Katniss acabou sorrindo com os olhos. E Prim percebeu, mas não comentou nada, pois respeitou a privacidade de sua irmã.

Ainda em silêncio, Katniss dobrou o papel e se dirigiu até o armário. Abriu-o, e de lá retirou uma caixinha vermelha. Levou-a até a cama, então tirou a tampa. Lá dentro se encontravam seus maiores tesouros: Uma fotografia de seu pai, o broche de tordo e a pérola negra. Agora... Incluía mais um item: O bilhete de Peeta.

Por quê???

Nem ela mesma conseguia compreender. Ainda.

Notas finais
Então, estão gostando? A primeira competição é no próximo capítulo e... Algo que uma leitora querida anda me pedindo para acontecer... Beijooooos!