Notas iniciais
Minha leitos amadas, mil desculpas por ter demorado mas é que essa semana adoeci :,( Então fiquei sem ânimo para escrever. Mas estou revolta e preparei um capítulo bem legal pra vocês! Ah, e eu prometo que o próximo sai na próxima semana como sempre. Ok?! Muito reviews pra me dá saúde kkkkkk Beijokas!!!!

Capítulo 17

Felicidade... Sim. Essa foi a sensação que Katniss experimentou ao se deparar com a verdade. Peeta era o Garoto do Pão. E ele era exatamente do jeito que ela sempre imaginou: Gentil e generoso. Então por que será que, de repente, um furor incontrolável ganhou força dentro dela?

– Desde quando você sabe? — Katniss perguntou, o olhar não muito agradável.

Peeta deu um passo para trás antes de responder. Sabia como Katniss podia reagir quando provocada. Seu pescoço ainda conseguia ter uma nítida lembrança disso.

– Desde aquela noite. No Centro de Treinamento.

Katniss apertou o olhar. — E eu posso saber por que você não me disse?

Rue, que até então assistia a toda conversa — caladinha — aproveitou a deixa para pegar o saco com os pães e sair de fininho. Ela não era boba. Sabia que aquela conversinha ali ia longe. Mas antes de ir, ainda arriscou dar uma risadinha sugestiva. Sim, ela entendia bem o que estava acontecendo entre aqueles dois.

– Fala, Peeta! — Katniss insistiu, quando ele não respondeu de imediato.

– Sei lá, porque, Katniss! — Soltou Peeta, impaciente. — No início, talvez, porque eu achava que você sabia. Mas depois de ouvir tudo que você pensava de mim no elevador, achei melhor esconder esse segredo até encontrar um momento oportuno para me revelar.

– Então você me traz até aqui. E me faz de idiota. Belo momento oportuno, Peeta. — Ela disse irritada, quase batendo palmas para ele.

Peeta piscou, incrédulo. — De idiota...? Quer saber, Katniss, você é inacreditável! Não consegue nem distinguir um gesto amável quando se depara com um.

– Amável?! — Katniss soltou uma risada sarcástica. — Agora mentir... É ser amável? Não sabia desse novo conceito. E o seu amiguinho gostou de me enganar também?

Peeta piscou mais uma vez. — Amiguinho?! Que amiguinho? Do que você está falando, Katniss?

– Sabe muito bem do que estou falando. Do Finnick, é claro!

Peeta ficou ainda mais confuso. — Katniss, você quer fazer o favor de me dizer em que momento, nessa nossa conversa maluca, o Finn se encaixa? Porque eu, sinceramente, não estou entendendo nada.

Katniss o fuzilou com o olhar. — Peeta, não se faz de sonso! Você sabe muito bem que a Greasy Sae me disse que o nome do garoto que me deu o pão era Finnick.

Peeta arregalou o olhar. — A Greasy Sae disse o quê?

Katniss revirou os olhos. Sério que ele ia continuar se fazendo de vítima? Pensou, irritada. E sem medir as consequências, deu as costas e saiu.

Mas Peeta foi mais rápido e pegou-a pelo pulso, forçando-a a encará-lo. — Espera, Katniss. Eu sei que você pode até não acreditar em mim, mas... Eu juro que eu não fazia a menor ideia disso.

Katniss deu um suspiro. — Não mesmo?

Peeta negou com a cabeça. — Não, Katniss. Eu só pedi para Greasy Sae esconder a minha verdadeira identidade. Mas eu nunca imaginei que ela pudesse inventar um absurdo desse.

Katniss ficou um instante sem saber se acreditava ou não nele. — E por que você pediu pra ela esconder sua verdadeira identidade?

– Acho que você mesma pode responder a essa pergunta.

Sim. Ela sabia. Se Greasy Sae tivesse dito naquele dia que o garoto do pão era Peeta, o filho do Prefeito, Katniss jamais teria aceitado se dirigir a ele ou até mesmo receber a pérola. E mais uma vez Katniss desejou ter um buraco no meio dos dois para que ela pudesse se enfiar.

– Desculpa. — Foi só o que conseguiu dizer.

Ele deu um meio sorriso. — Desculpo. Mas será que da próxima vez dá pra você me ouvir... Antes de querer me jogar na arena?

Katniss corou e baixou a cabeça, envergonhada. E Peeta teve a leve impressão de que os lábios dela tinham formado um pequeno sorriso. Será que foi impressão?

– Não posso prometer. Mas... Vou tentar. — Ela disse com um pouco de humor e o clima entre os dois se abrandou.

Ele sorriu. — Acho que isso já está de bom tamanho pra mim. Mas... Voltando ao assunto... Finnick? Quer dizer que esse tempo todo, você me confundiu com o Finnick? — Ela assentiu com a cabeça, dando um sorrisinho tímido. — Decepcionada?

Ela piscou. Aquela pergunta tinha pego ela totalmente de surpresa. — Não. Pra dizer a verdade, eu estava rezando pra que não fosse ele.

Diante daquela resposta, Peeta sorriu, aliviado. E acabou fazendo um carinho na mão dela com o polegar. Foi só aí que Katniss se deu conta de que ele ainda segurava sua mão.

– Katniss, o Finn tem esse jeito, mas... É um sujeito bacana. Você ia gostar dele, se o conhecesse melhor.

– É, ele deve ser mesmo. Pra fazer você se voluntariar no lugar dele...

– Quanto a isso... — Peeta aproveitou o momento para explicar. — Katniss, eu só me voluntariei porque no dia anterior ao sorteio, Finn tinha me dito que se fosse sorteado, ele iria fugir para bem longe com a namorada. — Resumiu para ela. — E conhecendo bem o Snow, como conheço... Ele iria dividir Panem ao meio até encontrar ele. — Deu um suspiro profundo. — E nesse caso, Katniss, se Snow matasse Finn, poderia ser visto até como um ato de piedade.

Katniss arregalou o olhar. Depois uma ponta de ternura se formou em seu rosto. — Finnick é um garoto de sorte por ter um amigo tão leal.

Peeta sorriu de lado e, ainda segurando a mão de Katniss, puxou-a para junto do seu peito. — Não. Eu é que sou um garoto de sorte. — Murmurou. — Porque no meio dessa confusão toda, eu acabei te reencontrando.

Os olhos de Katniss se prenderam aos de Peeta com uma intensidade tão grande que ela sentiu seu estômago queimando por dentro.

– Peeta... — Ela sussurrou com dificuldade, quando o nariz de Peeta começou a roçar sua bochecha. — É muito bom saber que você é o garoto do pão. — Declarou, um pouco ofegante com a carícia.

Aproveitando o momento, Peeta foi levando os lábios de encontro aos dela, que começavam a se entreabrir à medida que os dele se aproximavam.

E o beijo estava prestes a acontecer se não fosse a interrupção de... Rue.

– Peeta. — A pequena chamou, depois de fazer um ruído com a garganta.

Instintivamente, os dois se afastaram. E enquanto Katniss se recompunha, Peeta foi em direção à Rue.

– Aconteceu alguma coisa, Rue? — Perguntou. A cabeça martelando para saber em que momento ela tinha saído dali... E voltado.

– Aconteceu. — Ela respondeu, o olhar inocente. — Eu preciso te contar uma coisa antes que seja tarde. — Peeta ficou atento. — Meu irmão mais velho, Jacob, anda se reunindo todos os dias com um bando de gente do Distrito. Eles estão falando de rebelião.

Peeta arregalou o olhar. E olhou para Katniss em busca de apoio antes de se voltar outra vez para Rue.

– Rue, — Segurou os ombros dela com firmeza, atraindo o seu olhar para o dele. — Você tem que impedir o seu irmão de fazer isso.

– Eu já tentei. Minha mãe também. Mas o Jacob é cabeça dura, não escuta ninguém.

O sentimento de medo sombreou o olhar de Peeta. — Rue, então você vai ter de me prometer que se a rebelião acontecer de fato, você vai se esconder dentro de casa com seus irmãos menores e com a sua mãe... Até que tudo tenha acabado, e vocês possam sair com segurança.

Rue engoliu a seco, seus olhos se tornando brilhantes pelas lágrimas que começavam a se formar. — Mas e o meu irmão?

– Ele fez a escolha dele, Rue. — Disse, e aquilo doeu mais nele do que nela.

Um lágrima escorreu pelo rosto da pequena. Katniss teve vontade de abraçá-la, mas achou melhor deixar que Peeta tomasse conta da situação.

– Ele vai morrer? — Perguntou a pequena, inocentemente.

Peeta enxugou a lágrima dela com o polegar. — Não, enquanto eu puder impedir. — Ele disse com convicção, sabendo que salvar o irmão de Rue agora era questão de honra.

Diante daquela resposta, a pequena acabou se atirando com os braços em volta de sua cintura. Peeta recebeu o abraço com todo carinho. Katniss ficou observando a cena, fascinada. Peeta era um garoto extraordinário, pensou.

– Agora... É melhor você ir, Rue. Já está ficando tarde. Sua família deve está preocupada.

Rue concordou com a cabeça, mas antes de ir, em um impulso, rumou até Katniss e abraçou sua cintura. Katniss se agachou e retribuiu o abraço com um aperto carinhoso.

– Você gosta dele? — Perguntou ela no ouvido de Katniss, com um sorrisinho bem sugestivo.

– Gosto. Mas isso é um segredo nosso. Certo? — Deu uma piscadela para ela, que sorriu com cumplicidade.

– Certo. — Disse por fim, e saiu correndo apressadamente.

Naquele instante, Katniss sabia que tinha ganhado a confiança da pequena, e se sentiu contente por isso. Mas um ar de preocupação ganhou o seu coração quando percebeu Peeta parado, olhando para o nada, como se estivesse perdido em pensamentos.

– Está tudo bem, Peeta? — Ela perguntou, tocando o ombro dele de leve, quando se aproximou.

Para sua surpresa, a resposta não veio como ela esperava.

– Não, Katniss. Não está tudo bem. — Respondeu ele, se afastando dela.

Katniss quis segui-lo, mas achou que talvez ele quisesse um tempo sozinho. Por isso, de onde estava, ela ficou só observando o que ele fazia. Primeiro ele ficou olhando de um lado para o outro, como se estivesse procurando alguma coisa. Depois de alguns segundos, parecia que ele tinha encontrado, pois se agachou e, com toda sua força, retirou um pedra enorme, que estava embaixo da terra. Katniss teve certeza do quanto aquela pedra devia estar pesada, pois as veias de Peeta ficaram imensamente proeminentes na pele de seus bíceps. Deu um passo em direção a ele, mas parou quando o viu elevar a pedra até a altura da cabeça para em seguida arremessá-la em direção ao rio. Um grito estrondoso saído de sua garganta assustou Katniss, que fez menção de ir até onde ele estava, mas mais uma vez se deteve quando o viu caminhando em direção a um velha árvore. O que ele pretendia agora?

– PEETA, NÃÃÃO! — Ela gritou a plenos pulmões, já correndo em direção a ele para impedí-lo... Tarde demais. Peeta já tinha desferido um golpe no tronco com a mesma força que usara para erguer a pedra. — Por que fez isso? — Katniss questionou, abismada, segurando a mão dele que, naquele momento já começava a sangrar.

– Não sei, Katniss! Não sei! — Vociferou Peeta, atordoado. — Eu só queria descontar minha raiva em alguma coisa. Só isso.

Katniss se solidarizou. — Eu te entendo, mas... Acho melhor a gente lavar isso aqui antes que infeccione.

Peeta consentiu que ela o guiasse até a beira do rio, onde os dois se sentaram para que Katniss pudesse jogar água em seu ferimento.

Enquanto Katniss, com todo cuidado, molhava o punho de Peeta, numa tentativa de estancar o sangue, ele aproveitou para admirá-la, fascinado, decorando cada traço dela. A trança ainda encharcada do rio, as orelhas pequenas, algumas poucas sardas salpicadas em seu rosto, seu nariz arrebitado, seus olhos incrivelmente misteriosos e sua boca... Imensamente e enlouquecidamente beijável. Diante disso, um pensamento aterrorizante tomou conta de seu coração... Rue... Rebelião... Guerra... Cato... Snow... Katniss... Perdê-la... Não! Ela não. Nunca. Nunca!

– Katniss, eu mudei de ideia.

Katniss franziu a testa. Depois levantou o olhar para ele. — Sobre o quê?

– Sobre você se envolver nisso tudo.

Ela baixou o olhar, voltando a fazer o que estava fazendo como se não desse a mínima para o que ele disse. E não dava mesmo.

– Tarde demais. Já estou envolvida.

Peeta retirou a mão da dela. Depois, com dois dedos, ergueu o queixo dela, até seus olhos se encontrarem.

– Não, Katniss. Eu já decidi. Assim que a gente voltar à Capital, vou dar um jeito para que você e Prim voltem para o Distrito doze e...

– Não! — Katniss quase gritou, interrompendo-o. — Não, Peeta. Eu não vou voltar.

Diante daquela resposta, Peeta fez um pequeno silêncio, antes de perguntar, desolado: — Por que não?

– Porque quando eu vi a Rue, eu me dei conta do quanto estava sendo egoísta tentando salvar somente a minha família quando não só a família dela como várias outras estão em perigo iminente.

Peeta fixou o olhar no dela, enquanto roçava o seu lábio inferior com o polegar. Uma carícia extremamente excitante para Katniss, que teve de fechar os olhos para não sucumbir ao desejo.

– Katniss, e se alguma coisa acontecer com você? — Murmurou Peeta, com um afirmação implícita naquela pergunta: " Eu morreria". Mas ele achou melhor não dizer.

– E se alguma coisa acontecer com você? — Rebateu ela.

Ele deu um riso triste, soltando o ar pelo nariz. — Começo a achar que o meu pai seria a única pessoa que sofreria com isso.

O coração de Katniss disparou. Como ele podia pensar uma coisa como aquela?

– Não, Peeta. Seu pai não seria a única pessoa que...

Sofreria. Essa era a palavra que deveria ter completado aquela frase. Mas em vez de continuar, Katniss preferiu demonstrar de outra forma... Colando seus lábios nos dele de forma impetuosa e pegando-o completamente desprevenido. Tanto que Katniss sentiu quando Peeta respirou fundo de susto.

Era a primeira vez que Katniss tomava a iniciativa. Tanto que pareceu um pouco desajeitada no início, precisando da ajuda de Peeta para continuar. Mas ao invés dele ajudar, ele segurou o rosto dela entre as mãos e cessou o beijo, deixando Katniss imensamente sem graça.

– Peeta, desculpa, eu não... — Falou Katniss, atropelando as palavras, contudo parou quando percebeu Peeta olhando pra ela, o desejo estampado em suas pupilas dilatadas.

E ela já ia continuar a argumentar, quando escutou Peeta sussurrar o seu nome: — Katniss — Por alguns segundos, os lábios de Peeta ficaram apenas roçando os dela em uma tortura que parecia não ter fim. Até que, com um gemido, Peeta abriu a boca e devorou a de Katniss com urgência, com voracidade... Suas línguas dançando eroticamente dentro de suas bocas e se entrelaçando com loucura.

Katniss então começou a sentir aquela eletricidade que sempre sentia quando se unia a Peeta. E se deixou levar por aquele poder inebriante, então quando Peeta segurou seus quadris e trouxe seu corpo para junto do seu, grudando-a nele, Katniss não ofereceu nenhuma resistência. E fez até melhor, passeando com as mãos pelas costas rígidas, largas e nuas dele ao mesmo tempo que cravava suas unhas nelas todas as vezes que ele aprofundava o beijo. Então suas peles começaram a se esquentar, e seus tórax oscilavam freneticamente com a respiração.

Em meio a isso, Peeta também se viu no direito de massagear o dorso de Katniss para sentir a sua pele. Mas ao contrário dele, Katniss já tinha vestido a camiseta, o que ofereceu um pequeno contratempo. Foi aí que — ao sentir as mãos ousadas e ásperas de Peeta entrando embaixo de sua camiseta — uma sensação deliciosa atravessou a espinha de Katniss.

Minutos depois, Peeta desgrudou seus lábios dos dela, provocando um resmungo de protesto por parte de Katniss. Mas sua intenção foi apenas descer os lábios pelo queixo e pescoço dela, mordiscando e traçando uma linha de fogo por onde sua língua passava, o que a deixou ainda mais alucinada. Katniss até pensou em continuar, mas a realidade do que estava fazendo, de repente, tomou conta de sua consciência. Beijar Peeta era muito bom. Aliás, muito mais do que bom. Entretanto sabia dos riscos que corria... Peeta ainda era o filho do prefeito, aquele que mais de vinte meninas estavam disputando para ficar ao lado. Não. Em breve, os jurados iriam escolher uma garota para ele e... Se não fosse ela? Não que quisesse que fosse, mas... Se continuasse se envolvendo assim do jeito que estava, acabaria querendo e... Acabaria sofrendo.

– Peeta... para. — Pediu ela, mal reconhecendo sua voz, que saiu grave e rouca.

Ele não parou.

– Peeta! — Sua voz, saindo agora clara é audível o suficiente para que ele se afaste. — Acho que... A gente deve voltar. — Ela falou quase gaguejando ao observar os olhos frustrados de Peeta, e seus lábios entumecidos e machucados pelo beijo trocado.

Por um instante, ficou com medo da reação de Peeta, mas quando ele segurou sua nuca e encostou sua testa na dela, todo aquele medo se dissipou.

– Você me confunde, sabia...? — Ele murmurou. — Um hora quer me estrangular com as próprias mãos e na outra me beija com tanta vontade! — Afastou-se dela, de repente, deixando Katniss apreensiva. Olhou fundo em seus olhos. — A não ser que... Katniss, isso foi outro beijo por pena?

Katniss teve vontade de dizer que sim só para maltratá-lo. Mas, sabia que não era verdade, e Peeta já tinha demonstrado de todas as maneiras possíveis que não merecia mais ouvir mentiras.

Por isso, em meio aos seus pensamentos, balançou a cabeça de um lado para o outro. — Não. Dessa vez eu te beijei porque... Tive vontade.

Então um sorriso de satisfação se formou no rosto dele. — Se é assim... Fique você sabendo que pode me beijar sempre que tiver vontade. Prometo que não vou achar nem um pouco ruim.

Katniss se afastou bruscamente, mas acabou rindo. Peeta, definitivamente, não existia!

*******

Meia hora depois, o barulho ensurdecedor do aerodeslizador levou-os a perceber que a noite tinha terminado bem antes do que era de costume para Peeta. Instantaneamente, ele estranhou e ficou apreensivo.

Segurou a mão de Katniss, mas ao contrário das outras vezes, sua mão não lhe causou eletricidade, e sim receio.

– Katniss, veste sua roupa. — Peeta pediu, os olhos assustados. — E aconteça o que acontecer, não abre a boca pra falar nada. Certo?

Mesmo não compreendendo, Katniss confiou e concordou. — Certo. — Em seguida, começou a vestir a roupa de pacificador, finalizando com o capacete.

Peeta fez o mesmo, e segurando outra vez a mão de Katniss, — dessa vez com firmeza — guiou-a até onde o aerodeslizador os aguardava.

– Ei, vocês dois! — Gritou um dos pacificadores para Katniss e Peeta, que pararam abruptamente. Em seguida, ele seguiu em direção aos dois, armado. — Onde estavam?

Obedecendo Peeta, Katniss ficou calada, esperando pacientemente que ele se manifestasse.

– A gente escutou um barulho estranho vindo da floresta e fomos até lá para averiguar. — Explicou Peeta, tentando ser o mais firme possível.

O pacificador se aproximou e apontou a arma para a cabeça de Peeta. Katniss se movimentou na intenção de ajudá-lo, mas instantaneamente Peeta virou o rosto para ela — que apesar de estar escondido dentro do capacete — transmitiu uma mensagem para que ela não se atrevesse a intervir.

– E o que era? Posso saber? — O pacificador perguntou, seu tom de voz hostil.

Peeta respondeu, com o nariz empinado, fingindo não ter medo dele. — Nada. Alarme falso.

O pacificador engatilhou a arma. — Tem certeza, soldado...?

Katniss estava para explodir por dentro. Mas Peeta soube se sair bem.

– Absoluta, senhor! — Respondeu em um tom alto como um soldado obediente.

O pacificador ficou em silêncio por alguns instantes, até que um outro pacificador se aproximou.

– Senhor, capturamos o garoto! — Informou o outro pacificador.

Katniss e Peeta se entreolharam, receosos. Mas foi aí que finalmente o pacificador-chefe retirou a arma da cabeça de Peeta.

– Excelente, soldado. Prendam-no! Porque agora mesmo ele vai dar um pequeno passeio na Capital.

Os dois deram uma gargalhada maquiavélica, e Katniss e Peeta sentiram seus pêlos dos braços eriçarem, mesmo sem entender de quem se tratava.

*********

Quinze minutos depois da agonia, Peeta e Katniss, enfim, conseguiram embarcar e descer na Capital sem mais preâmbulos.

Chegando lá, Peeta conseguiu ludibriar os pacificadores tempo suficiente para que Katniss pudesse chegar à grade que dava para o túnel. Dois minutos depois, para alívio de Katniss, Peeta se juntou a ela, e ambos fizeram o trajeto de volta para a cobertura.

– Quer que eu te acompanhe até o seu apartamento, Katniss? — Peeta perguntou, enquanto enfiava os disfarces de pacificadores dentro da mochila.

– Não. — Katniss respondeu de imediato. — Melhor não. É melhor que eu chegue em casa sozinha pra não levantar suspeitas.

Mesmo frustrado, Peeta teve de concordar. — Certo. Então... Boa noite, Katniss. — Despediu-se com um sorriso e deu as costas para ela, que permaneceu parada, tentando criar coragem para o que pretendia fazer.

– Peeta. — Ela chamou. E ele se virou de volta para ela.

Então por alguns segundos, eles ficaram apenas se encarando, até que em um rompante, Katniss segurou o rosto dele entre as mãos e... Pressionou seus lábios contra os dele, dando um selinho profundo e um pouco mais demorado do que ela esperava.

– Boa noite, Peeta. — Ela murmurou, quando afastou os lábios e quase teve vontade de rir ao constatar que Peeta ainda permanecia fazendo biquinho com os olhos fechados.

Ele abriu os olhos. — Acho que vou ter uma boa noite sim. — Sorriu de lado.

Então Katniss, depois de retribuir o sorriso, passou por ele e foi embora antes que ele se oferecesse outra vez para deixá-la em casa. Sim. Porque se ele se oferecesse... Talvez fizesse a besteira de aceitar.

**********

Quando o elevador abriu em seu andar, Katniss enfiou a mão no bolso de trás da sua calça a procura do cartão-chave. Encontrando-o, caminhou até a sua porta, mas parou abruptamente ao escutar um barulho estranho vindo de detrás dela.

Virou o rosto e o ouvido se aguçou. Nada. Nenhum barulho. Talvez tivesse sido só impressão, afinal tinha passado por muita coisa àquela noite. Deu mais um passo, então o barulho voltou e ela virou para trás rapidamente e a tempo de ver a sombra de alguém atrás do portão que dava para escada. Engoliu em seco. Foi aí que um mão segurou seu pulso e fez com que um grito estrangulado saísse de sua garganta.

– Calma, Katniss! Sou eu... Prim.

– Prim?! — Katniss exclamou ao se virar e se deparar com os olhos azuis e preocupados de sua irmã.

– Quem você achou que fosse?

– Não sei. Não... Eu tive a impressão de ter visto alguém me espionando e... — Katniss explicou, voltando a olhar para porta onde tinha visto a sombra. Mas para seu alívio não havia nada. Segurou a mão da irmã de forma protetora. — Vem, é melhor a gente ir dormir. Já está tarde.

Obediente, Prim seguiu a irmã sem fazer perguntas, então logo as duas entraram no apartamento e Katniss fez questão de trancar a porta... Bem trancada.

*********

A semana passou voando. Durante esse tempo, Katniss evitou ao máximo ter contato com Peeta. Conseguiu fazer isso, se entretendo com as aulas de etiqueta ministradas por Effie e com longas conversas e passeios com a sua irmã. Nas raras vezes em que se encontrou com ele — nos jantares e cafés da manhã — procurava ao máximo desviar o olhar sempre que ele a encarava. O que por muitas vezes parecia impossível, pois os olhos de Peeta a atraiam como um ímã. Isso sem falar no maldito meio sorriso.

Por que fazia isso? Não o sabia. Mas tinha a leve impressão que era por causa da montanha de sentimentos que começavam a se misturar dentro dela. Estava assustada e ficar perto dele não ajudava em nada a pôr ordem naquela bagunça... Coração — mente.

Quarta-feira chegou mais rápido do que todos imaginavam e junto com ela mais um dia de competição.

– Muito bem, selecionadas... — Começou a falar Cato. — A pontualidade pode ser um grande trunfo para vocês. Estão aprendendo depressa.

Ele elogiou, mas mesmo em meio a isso, Katniss, que estava naquele momento junto com as outras selecionadas, só conseguiu revirar os olhos.

Outra vez, todas estavam ali — no Centro de Treinamento — diante de inúmeras câmeras, esperando que o maldito Cato começasse o seu joguinho sujo.

Quando Cato deu início ao sorteio transmitido pelo telão, Katniss passeou o olhar por toda a área em volta a procura de Peeta. Saudade? Sim. Já faziam três dia que não o via, pois ele não tinha comparecido às refeições em comum. E não era nenhum segredo que estivesse também muito preocupada.

– Estranho... Notou que o conquistador deu um sumida? — Johanna perguntou para Katniss.

– Notei. Sabe de alguma coisa? — Katniss perguntou sem querer saber se Johanna ia ou não estranhar seu súbito interesse.

– Nada. Mas... Parece que a tal da Madge também andou sumida. Então... — Johanna não completou, mas seu olhar e risinho sugestivo diziam tudo.

Katniss trincou os dentes. E apertou tão forte os punhos que os nós de seus dedos ficaram brancos.

– Cashmere, Lynna, Amber, Katniss, Glimmer e por fim... — Disse Cato, lendo os nomes sorteados no telão. — Madge.

Claro. Madge. Era só o que faltava! Pensou Katniss, furiosa.

– Na competição de hoje, vocês poderão escolher suas próprias armas, pois irão lutar contra hologramas dentro daquela caixa de vidro. — Todas olharam para onde ele apontava. — Não. Não pensem que será como um vídeo game. Não. Os tiros que eles darão em vocês provoca um dor intensa que dura em torno de três horas. Portanto, além de atirar, é melhor que se esquivem dos tiros deles. Eu garanto que vocês vão querer nunca ter recebido um tiro deles. Nunca!

Claro. Katniss já estava até estranhando não ter nada sujo naquele joguinho idiota. Felizmente Prim não havia sido sorteada e isso por si só já representava um imenso alívio para Katniss. Mas... cadê Peeta? Ela se perguntou em pensamento.

– Então vá procurá-los porque o jogo já irá começar e o conquistador tem que estar aqui. — Disse Cato para Tresh quando ele lhe informou do sumiço de Peeta e Finnick. — Sabia que esses dois ainda eram aliados! — Falou para si mesmo, furioso.

– Sim, Cato. Agora mesmo. — Prontificou-se Tresh, já correndo em direção à saída do Centro.

– Pra onde você vai? Pirou de vez?! — Johanna questionou, segurando o pulso de Katniss, que fez menção de seguir Tresh.

– Johanna, eu preciso saber o que aconteceu com o...

– Conquistador. — Johanna completou a frase. — Eu sei. Você pode até esconder dos outros, mas de mim é impossível. Sei muito bem que anda rolando um lance aí entre vocês dois. E eu estou do seu lado, doze. Mas se você sair agora em meio ao jogo, vai dar corda para o Cato te enforcar. E de quebra enforcar o Peeta também. Então sossega o facho e... Tenta se concentrar no jogo. O conquistador logo logo aparece por aí. Aquele ali sabe se cuidar. Já percebi.

Katniss deu um suspiro profundo. Teve vontade de desmentir tudo para Johanna. Lance? Não. Não havia lance nenhum. Mas para quê se enganar? Johanna nunca acreditaria e... Quem sabe? Talvez houvesse um lance sim.

– Cashmere, você é a primeira. — Anunciou Cato, retirando Katniss de seus devaneios. — Escolha sua arma.

**************

Não demorou muito para que Tresh encontrasse Peeta e Finnick. Eles estavam no salão de jantar e pelo que ele pode perceber de longe e escondido... Os dois estavam discutindo.

– Eu disse para o Cato sobre o soco-inglês sim. Se ele achou que foi você quem me disse, se resolva com ele! — Vociferou Peeta para Finnick. — Não posso fazer absolutamente nada quanto a isso.

Finnick olhou para Peeta, fulminando-o. — Pode sim! Você pode ir lá no Salão dizer pra ele que eu não tenho nada a ver com isso, que não fui eu quem te falou sobre o MALDITO SOCO-INGLÊS.

– E por que eu faria isso? Você foi desleal comigo, Finn. Eu quero mais é que o Cato ache que foi você, só assim ele te dá a lição que eu já devia ter te dado desde que eu descobri sua traição suja!

A respiração de Finnick se acelerou a tal ponto que ele teve de trincar os dentes e cerrar os punhos rente ao corpo.

Mas olhando de esguelha, ele percebeu Tresh escondido e sem pensar duas vezes, desferiu um golpe forte e certeiro no queixo de Peeta, que cambaleou e quase caiu no chão.

Imediatamente Tresh saiu de onde estava e segurou Finnick pelos braços, impedindo-o de desferir outro soco em Peeta, tamanho era o seu olhar de fúria para ele.

– Nossa amizade...? — Peeta começou a falar, segurando o queixo e mexendo a mandíbula para se certificar de que não havia quebrado. — Termina aqui! E fique você sabendo, Finnick Odair, que tem volta! Pode esperar!

Tresh ficou olhando de um para o outro, abismado com suas expressões de ódio um para o outro. Cato mais uma vez conseguiu destruir alguma coisa de valor. E dessa vez tratava-se de uma amizade que Tresh achava... Era indestrutível.

Notas finais
E aí, gostaram? Têm alguma idéia de quem seja esse garoto capturado pelo pacificador. E o alguém misterioso que assombrou Katniss, quem será? E essa amizade? Terminou mesmo??? ;)