Eu eles e Nós
14 Capítulo 10.1 - Lana
Notas iniciais
Meu espanto foi tamanho que eu não consegui articular palavra! Tentei encontrar na expressão dele algo além da serenidade que demonstrava, mas não encontrei nada e isso me surpreendeu por que em geral Dominic gostava de brincar com a minha cara.
— O que você iria perder? – continuou ele – Não pense que estou sendo leviano, pelo contrário, estou apenas expressando um desejo... Eu tinha resolvido que ia esquecer, depois do fora que levei no Brasil e também quando começamos a conversar... Mas eu nunca me conformei, essa é a verdade. – ele riu outra vez, parecia deliciado – Há uma semana, depois de ver você na festa e ver como Matt ficou... Nunca tinha visto ele desse jeito! Daí que agora estou com mais vontade do que naquele dia no Brasil.
— Então tudo não passa de curiosidade. – eu o fitei.
— Talvez! Não sei dizer ao certo só que eu quero muito.
— Agora é mais complicado – não conseguia tirar os olhos dele – Você é meu amigo... Ninguém ia entender...
— Ninguém precisa saber. – ele desviou o olhar – Como você disse, somos amigos e bem resolvidos... Sabemos o que esperar um do outro. Torna tudo mais íntimo e mais simples... – os olhos dele brilharam sardônicos para mim – Deve ser surpreendente!
— Mais fácil para você! Assim você não vai precisar de uma desculpa para me dispensar no dia seguinte! – gargalhei e ele acabou rindo.
— Só queria, – ele se inclinou na minha direção, seus olhos azuis cheio de expectativas e divertimento me olhando diretamente – que você soubesse que não estou tratando disso como mais uma das minhas histórias. É claro que é o que eu quero no momento, por isso estou sendo claro com você. Sabe que eu não mentiria e a prova disso que estou sendo absolutamente sincero aqui, expondo a minha vontade e esclarecendo as coisas. Eu poderia simplesmente lhe seduzir e levar você para o meu quarto, mas não quero tratá-la como eu trataria qualquer uma.
— É isso que me assusta, saber que isso que está me dizendo é verdade. – eu estava mesmo assustada – Pensar que de repente tudo foi por causa...
— NÃO LANA! – ele trincou o queixo – Acha mesmo que eu faria tudo isso só para transar com você?! Que conquistaria sua amizade, que faria você largar tudo no Brasil para se juntar a mim em Sidney só por isso?!Acha Lana? Não provei a você há muito tempo que não é por nada disso?!
Silenciei, esperando que a raiva dele passasse. Dominic estava certo, ele já me dera provas suficientes de que éramos amigos e nada havia além de amizade. Mas o convite dele agora me deixou perturbada sem me deixar escandalizada, o que me surpreendeu, por que em outros tempos eu estaria furiosa.
— Vou pagar a conta. – disse ele quebrando o silêncio – Não vamos tocar mais nesse assunto. Dom pagou a conta e fomos embora em silêncio. No táxi, repousei a cabeça em seu ombro e murmurei baixinho.
— Me perdoe se magoei você. – ele continuou em silêncio e eu aumentei a voz – Eu me expressei mal, não estava falando da nossa amizade... Estava falando dessa noite, do quanto você está animado e você disse que eu estava diferente aquela noite do aniversário de Matt... É como você está agora! Na verdade você sempre está assim, mas nunca comigo e é isso me deixou surpresa.
Ele sorriu, mostrando aquele sorriso que eu adorava. Sua raiva se dissipando.
— Eu que devia pedir desculpas, não devia fazer esses convites a você! Mas você sabe que quando eu quero uma coisa, a tendência é que eu passe como um trator por cima dos obstáculos!
— Sim, você não é nenhum pouco sutil. Mas admita que você só queira transar comigo porque sou a rara exceção, se não a única que ainda não caiu aos seus pés.
— Então vamos esquecer tudo e ficar tudo bem...
— Deixe pelo menos eu pensar no assunto – ele me olhou admirado – Posso mudar de ideia ainda no elevador. Dom afagou minha mão e seu sorriso alargou-se mais. Fizemos o resto do caminho em silêncio. Ele percebeu que eu estava ponderando e não me incomodou mais, porém pude perceber que estava ansioso. O verdadeiro motivo de eu não ter aceitado o convite de Dominic naquele dia não foi Rodrigo, foi algo muito diferente! Foi por pura covardia mesmo. Eu não tive coragem de aceitar o convite por que sabia que não teria coragem para ir em frente e fazer a maior loucura da minha vida! Se eu estava disposta a fazer com Matt, por que não faria com Dominic que seria mais fácil?!
— Então você está mesmo falando sério? – perguntei a Dom quando saímos do elevador.
— Assim você faz parecer uma caridade. – ele riu – Você não está tão necessitada assim! Sorri meio sem graça e endireitei os ombros.
— Se você prometer que vai ser paciente e que nunca, nunca vai contar isso a alguém, nós podemos tentar e eu digo tentar! E só estou fazendo isso por que eu devo ser uma doida varrida! Dom gargalhou e eu o acompanhei.
Sim, eu ia cair nas garras do Dominic Hawks patife aquela noite.
— Deixa eu me certificar de uma coisa – ele foi até o quarto de Matt e entreabriu a porta
— Dormindo. – depois foi ao quarto de Chris e notei que a porta estava trancada. – Bem entretido eu diria – soltou uma risadinha – Estamos sós e isso é muito bom. No meu ou no seu?
— No meu – fui abrir a porta – Assim você pode ir embora à hora que quiser e me deixar dormindo. Não vou me importar!
Entramos e fui para o banheiro trocar de roupa e tirar a maquiagem, praguejando ao notar que eu não tinha uma camisola apropriada para ocasião. Eu só estava com meus moletons velhos e minha blusa de futebol americano que ganhei de Matt. Revirei um pouco a mala e achei uma camisolinha de algodão que eu colocara no ultimo minuto na mala e nem lembrava! Como não tinha nada melhor do resolvi usá-la. Quando saí do banheiro Dom estava abrindo um vinho. Seu casaco de couro estava no sofá, ele usava apenas a camisa de linho preta e a calça jeans justa.
— Para relaxar – ele disse me estendendo uma taça.
Ver Dom agindo assim era surpreendente. Ele me serviu o vinho, fomos para a varanda e enquanto bebíamos, começamos a conversar sobre o show e sobre as pessoas que encontramos lá. Desatei a falar por causa da minha ansiedade e ele interrompia meu falatório com um o outro comentário espirituoso. Meu vinho acabou e atravessei o quarto para ir até o bar, falando sem parar até que me virei para ver Dominic e então as palavras morreram na minha boca. Ele estava encostado no umbral da porta me olhando como nunca fizera (ou pelo menos eu nunca notei) e isso me deixou sem graça e intimamente lisonjeada.
Seu olhar brilhava e ele tinha um meio sorriso perturbador nos lábios cheios, acentuando sua súbita mudança de estado, como se Dom se transformasse em outra pessoa. E era assim mesmo. Seu jeito moleque e debochado sumia, dando lugar ao um Dominic misterioso e fascinante. Era irresistível! Ele veio até mim, deixando sua taça sobre a bancada enquanto sua mão deslizava pela minha cintura. Seu olhar penetrante bem no meu rosto, depois desceu para a minha boca que eu umedeci involuntariamente... E então ele me beijou.
Foi suave e doce, como se ele estivesse provando uma fruta. Tão delicado que me desarmou por completo.
— Você não vai desistir vai? – pedi num sussurro.
— É tarde demais para isso garota.
E então ele aprofundou o beijo me deixando sem fôlego, os lábios experientes e exigentes moldando minha boca, a língua impondo passagem de um jeito sensual. Por instinto, o enlacei pelo pescoço e ele colou o corpo no meu. Sem nenhuma dificuldade me levou até a cama e nos deitamos ainda aos beijos. Ele se afastou por um momento, me olhando e seu olhar corria pelo meu corpo inteiro, só isso já me fazia estremecer de excitação. Dom era todo senhor de si, ele queria comandar tudo. Deitamos-nos, os lábios carnudos e vermelhos vorazes desceram pelo meu corpo, no meu pescoço e seios, as mãos ágeis e experientes tirava minha camisola. Comecei a desabotoar sua camisa, beijando seu pescoço, minha língua contornando sua orelha e o fazendo gemer, isso me deu satisfação e me deixou ousada. Ele se afastou para recuperar o fôlego, mas eu não permiti que se afastasse, continuei a acariciar-lhe o pescoço, o torso nu com os lábios até que ele se rendeu outra vez e deitou para que eu continuasse, os gemidos roucos saiam dos seus lábios à medida que eu descia mais e mais pelo seu corpo.
— Você não vai fazer isso vai? – ele murmurou de olhos fechados.
— Só se você não quiser. – respondi.
Ouvi-o dizer algo ininteligível que encarei como uma confirmação e continuei a percorrer seu corpo glorioso.
Foi estranhamente surpreendente! Estranho por que somos amigos e até então, eu não sabia que Dominic podia ter esse desejo por mim. Surpreendente pelo mesmo motivo, aliado ao fato de que nos demos super bem na cama! Já éramos tão amigos combinando em várias coisas e agora na cama também (perceber isso me fez rir litros!).
Bem mais tarde, depois de um banho e um lanche da madrugada, voltamos a conversar.
— Tudo bem, você é bom. – disse enquanto comia os morangos – Mas só vou dizer isso uma vez, não tenho vocação para bajuladora!
— Admitir já basta. – disse cínico – Viu como a gente interage bem? Até nisso!
— É verdade! Uma pena que não vá acontecer novamente. – eu o fitei e ele baixou os olhos
— Você tem razão, não seria bom nem justo com você. Apesar de ser uma proposta tentadora – seu sorriso apareceu – Mas é melhor não. Chris se sentiria encorajado, Matt não ia entender e sei que você leva a opinião dele à sério demais.
— Você está viajando. – dessa vez quem baixou os olhos fui eu. Bem, as coisas têm andado diferentes desde a minha quase noite com Matt.
— Sabia que eu sempre tive curiosidade sobre eles? – Dominic apontou para o meu roupão entre aberto – Achava que fossem de silicone!
— Como se eu tivesse dinheiro para isso! – bufei – Tudo aqui é natural meu querido, inclusive as curvas excessivas do meu quadril, essas coxas grossas demais... A verdade é que tudo é muito grande em mim! Comparada com suas “amigas” eu sou uma obesa!
— Para mim está tudo ótimo! É bom ter onde pegar. Você não é obesa garota, tire isso da cabeça. Gargalhei, Dom adorava levantar o meu astral! — Ah e ele é de verdade também, antes que você pergunte – disse sorrindo.
— Já vi maiores – dei de ombros. Se havia uma coisa que eu tinha aprendido com amigos homens, é que nada baixa mais a bola deles do que falar sobre “grande ou pequeno”.
— Eu aqui elogiando e você solta uma dessas! – ele largou o guardanapo na mesinha irritado. Tirei a mesa da cama e o fitei inocentemente.
— Desculpa, mas eu só falo a verdade. – ele resmungou em inglês e virou a cara. Tirei o roupão e deitei displicentemente na cama – Poxa, foi mal. Agora você ficou irritado! Bem então vamos dormir um pouco e esquecer essa conversa. Boa noite Dom. Ele se ajeitou na cama, ainda sem me olhar, até que finalmente se virou.
— Você tem certeza que quer dormir? — Só se você quiser bonitão!
Aí a raiva dele passou num minuto.
* * *
Dom e eu entramos num acordo sobre a nossa noite juntos. Além de nós ninguém jamais saberia que isso morresse com a gente. Dominic sabia que eu me preocupava com Matt pensar de ser bobagem e Helen também, por que ela no fundo achava que eu estava lá para virar a groupie do Muscle e se soubesse que Dom e eu transamos só iria confirmar as suspeitas dela.
Assim nós aguentamos bem por um tempo até que aconteceu uma segunda vez e Dom admitiu que tava achando legal essa história e que não via mal algum em continuarmos. Admiti que também achasse divertido e acabou que a gente se divertia sempre que podia. Tudo seria perfeito se não fosse Dominic. Para minha surpresa e terror ele começou a modificar seus hábitos e claro que Matt e Chris notaram.
— Não acredito que não trouxe Sue para o hotel Dom! O que está dando em você cara?
— Eu não preciso transar toda vez que fico com uma garota Chris! – estávamos almoçando e Chris vinha atazanando Dom desde o café por alguma coisa que aconteceu na noite anterior. Eu não soube de nada por que tinha ficado no hotel com o resto da equipe. Nós jogamos poker quase a noite toda. Matt limpou todo mundo!
— Admita logo que você está perdendo o jeito.
— Não é isso! – ele se impacientou – Voltei para o hotel para ficar com Lana, afinal ela veio passar as férias comigo e eu o que faço? Passo minhas horas livre trancado num quarto ou numa farra com vocês!
— Eu já tinha dito isso a você – Matt cortava elegantemente seu bife. Ele estava mais delicado e sereno do que o normal, provavelmente estava com uma ressaca tremenda, aliada ao telefonema de Natalie esta manhã dizendo que não poderia vir (outra vez). – A sorte de Lana é que ela é sociável e está melhorando no inglês, além de ser muito dinâmica.
— Ele está falando como uma enciclopédia ambulante isso é preocupante. – Dom observou.
— Você está se sentindo bem? – coloquei a mão no ombro de Matt – O que aconteceu?
— O de sempre – ele esfregou os olhos – Você viria comigo ver o musical?
— Claro, por que não? – fingi que não vi Dom e Chris trocarem risinhos. Eles insistiam em achar que eu e Matt poderíamos ter alguma coisa! Se ele não amasse tanto Natalie... Eu nem deveria pensar na possibilidade!
— Tenho quatro entradas, vocês querem ir?
— Pensei que você ia apenas com Natalie.
— Eu sabia que ela não viria, então já tinha reservado as quatro entradas pensando em convidar os senhores! – ele entortou a boca – Agora que Dominic não desgruda de Lana, fica difícil levar só ela para algum lugar!
— Vocês deveriam ir sozinhos. – Christopher sorriu zombeteiro – Quem sabe não pinta de novo aquela vontade e Matt não amarela dessa vez?
Devo ter ficado vermelha que nem um tomate por que Chris começou a rir e Dom também. Matt ficou furioso e fechou ainda mais a cara.
— Você não devia ter contado a eles. – murmurei para ele
— Não, não devia. – ele enxugou a boca e se levantou – Pego você as seis no seu quarto. E saiu sem falar com mais ninguém.
— Por que você faz isso Chris? Parece que tem um prazer secreto em provocar as pessoas. – eu também larguei os talhares, me preparando para sair da mesa – Você devia se envergonhar!
— Só não gosto de hipocrisia Lana, gosto de tudo às claras – ele falou tomando o vinho.
Na hora marcada Matt foi me pegar no quarto (isso é até engraçado. Numa situação normal ele ia me pegar em casa!). Quando chegamos ao hall, Chris e Dom esperavam por nós.
— Podemos nos encontrar para jantar? – Dom perguntou – Eu e Chris vamos para uma entrevista agora, Helen marcou em cima da hora!
— Tudo bem – Matt riu – Helen nem me fala mais essas coisas!
— Dá ultima vez que ela marcou uma entrevista em cima da hora para Matt fazer ele ficou furioso! – Chris segredou para mim – Desde esse dia Helen acha melhor não incomodar o pequeno bastardo nesses casos.
Assenti aos risinhos. Já tinha ouvido falar do gênio sensível de Matt. Desse jeito, fomos apenas eu e Matt para ver o musical. Chegamos cedo, o teatro ainda não estava cheio e nos acomodamos nos nossos lugares.
— Você e Dominic estão tendo alguma coisa Lana? A pergunta me pegou tão desprevenida que eu fiquei olhando ele de boca aberta por alguns segundos. Matt me olhava com os olhos azuis risonhos.
— Não... Po... Por que você está perguntando isso?
— Ele está diferente! – Matt deu de ombros – Essas últimas semanas... Mas não se preocupe, não vou pegar no seu pé! Apenas fico pensando em você se apaixonar por ele, sabe como Dominic não é...
— E como! – ri para disfarçar meu embaraço – Eu sei disso, Matt. Não se preocupe os encantos do nosso conquistador não têm efeito sobre mim – falei desdenhosa, ele soltou uma risada – É. Somos amigos demais para se apaixonar um pelo outro.
— Você é imune há muita coisa, diga-se de passagem.
— Nem tudo – eu o olhei bem nos olhos – Ainda posso ser uma boba sentimental que se apaixona por alguém com quem não pode ficar. Para minha surpresa e azar, Matt captou a mensagem oculta nas entrelinhas e baixou os olhos. Eu e minha estupidez!
— Você vai encontrar alguém melhor um dia Lana. – falou sem me fitar – Merece isso! Até Dominic é considerável se você conseguir mudá-lo.
— Está exigindo demais dele, Matt! – gargalhei – A possibilidade de Dom ser fiel é igual à de o homem morar em Urano!
— Oh cristo! Não seja tão pessimista – ele fez uma careta – Sempre há uma possibilidade, seja perseverante.
— Ah Matt!
Depois do musical fomos nos encontrar com Chris e Dom para jantarmos. Era meu último jantar com eles, no dia seguinte eu voltaria para o Brasil e para a faculdade.
— E agora garota quando eu vou te ver de novo? – Chris perguntou enquanto nos servíamos.
— Nas férias Chris, em janeiro provavelmente. Agora que tenho dinheiro suficiente para comprar minha passagem sozinha – Dominic riu e Chris também. Na semana anterior, graças a eles eu consegui uma boa quantia jogando em Las Vegas
— Por que não encontrá-los em Londres depois que essa confusão da turnê acabar? — Você podia vir antes, em dezembro. – Dom serviu o vinho – E meu aniversário? Já pensou na festa que posso fazer sendo o meu próprio aniversário?
— Mas Dom, é época do Natal e Lana pode querer passar as festas com a família dela...
— Faz muito tempo que eu não faço isso Matt – remexi a comida – Minha família não passa junto o natal e o ano novo desde a morte de papai, que foi por essa época inclusive – esse era um assunto difícil. Mas eu me sentia acolhida quando estava com eles e eu já tinha contado a Dominic – Mas você está certo quando fala que não é uma boa ideia eu vir passar as festas com vocês. Já houve confusão demais eu vir passar as férias, então é melhor deixar essa ideia de lado!
— Se você está falando de Natalie, pode ficar tranquila – Matt me olhou com um meio sorriso – Provavelmente até lá nós não estaremos mais juntos. – ele cruzou as mãos sobre a mesa.
— Oh Matt! Eu sinto muito – afaguei sua mão – Eu...
— Estou pensando em passar as festa em Devon – ele me interrompeu e pôs sua mão sobre a minha, num afago amigável.
— Faz tempo que não vou lá nessa época do ano e minha mãe iria gostar muito! Você vai para lá não é Chris?
— Todo ano. Reunir os Westministers no Natal é tradição.
— E você Dom, onde será o fim do ano?
— Se Lana vier, vou para Devon também. – Dom deu de ombros – Mamãe já me cobra tanto isso que estou em dívida com ela faz tempo!
— Nossa, sua mãe ia gostar muito! Da última vez que fui para Devon ela se queixou que você quase não aparece por lá, mesmo quando está de folga – Chris o fitou sério – Que mudança repentina!
— Sempre insisti com Dominic que Devon não é culpada pela morte do pai dele – Matt falou baixinho.
Eu sabia que esse era um assunto proibido para Dom, ele não gostava de falar sobre, mas o principal motivo de não colocar os pés em Devon era para não se lembrar da morte do pai.
— Acho que esse não é um assunto para conversarmos no momento – repreendi-os delicadamente – Voltando ao assunto do fim do ano. A ideia de vocês irem para Devon é maravilhosa e garanto que a família de vocês irá gostar muito! Só acho que eu não me encaixo nisso tudo – Dom estava prestes a retrucar, mas continuei sem dar por ele – Passar as férias com vocês é uma coisa, mas as festas?! É de praxe que o natal seja comemorado em família e para vocês é ainda mais importante por que passam o ano inteiro longe de casa! O que eu tenho que me intrometer lá?
— Não vai ser diferente do que quando você passa as festas na casa de Ang – Dom se virou para mim – Não se sinta constrangida por estar conosco. Será um pouco complicado por causa do seu inglês, mas garanto que será divertido.
— É claro que não precisa ir se não quiser. – Matt continuava com a mão na minha – Mas eu gostaria que fosse.
— Posso pelo menos pensar? – eu dei um meio sorriso
— Tudo bem, mas não vou parar de encher você até dizer que vem!
— Eu espero que você se comporte lá se caso eu resolva ir – lancei a Dominic um olhar de alerta – Se comportar ouviu?
— Ah Lana, mas Dom não pode ser devasso na frente da mãe dele – Chris gargalhou – Ela o mataria se encontrasse uma garota diferente a cada manhã em casa!
— Ele sabe do que estou falando. – nos olhamos e nenhum dos dois conteve a gargalhada, principalmente diante das expressões intrigadas de Matt e Chris.
— Humm... Acho que já sei por que Dominic anda tão quieto ultimamente. – Chris nos olhou de soslaio – É não é. Vocês estão juntos!
— Juntos? – Matt piscou aturdido – Como assim juntos?
— Não é nada disso que você está pensando – Dominic cruzou os braços – Lana e eu e não estamos tendo nada...
— É só sexo no fim das contas. – interrompi o que seria uma esquiva longa e confusa – Não estamos namorando nem nada... A gente só ficou algumas noites, só isso! Que mal pode haver?
Eles nos olharam pasmos, pensei que Matt me olharia indignado e vomitasse mil acusações, mas quem fez isso foi Chris.
— O quê?! – gritou ele – Quer dizer que vocês estão transando? Só transando?! Então um olha para cara do outro e diz: E aí, vamos dar “umazinha”?! Como você pode participar disso Lana? E você Dominic, como tem coragem de dizer que ela é só sua amiga e que a trouxe aqui na melhor intenção quando a convenceu a transar com você?! Seu hipócrita! Dando uma de amigo protetor quando na verdade estava só ganhando terreno para você mesmo pegar ela! E ainda cheio de sermões sobre não brincar com sentimentos alheios?! Ah fala sério Dominic! O que você tem na cabeça, é um grande patife isso sim!
— Para alguém que é infiel e diz que ama a esposa você está me saindo um verdadeiro inquisidor da igreja – observei fitando as unhas. – Enfie o seu discurso sobre moralidade naquele lugar e pare de agir como se tivesse moral para falar tudo isso.
Alguns minutos de silêncio satisfatório para mim e constrangedor para Chris.
— Você está pensando besteira – Dom estalou a língua – Aconteceu por acaso... Não foi nada premeditado e você só está todo nervosinho assim por que não é com você! Se fosse, acharia a coisa mais natural do mundo.
— Você tem uma sorte dos diabos isso sim! – Chris riu um tanto irritado.
— É verdade isso? – Matt se virou para mim – Sobre você e Dominic...
— Desculpe, mas eu nunca disse que era uma santa. – respondi de má vontade. A reprovação nos olhos dele doeu mais do que as palavras de Chris.
— Hei! Não é o que está pensando. – ele pegou minha mão outra vez – Não estou reprovando você! Quem sou eu para julgar? Vocês são livres, podem fazer o que quiserem... Só acho isso perigoso... – ele olhou de esguelha para Dom – Se torna difícil ficar indiferentes estando tão próximos um do outro e...
— Pode apostar Matt que indiferente Dominic nunca fica! – Chris gargalhou
— Estou falando sentimentalmente. – continuou ele – E se você se apaixonar por ele? Vocês têm certeza do que estão fazendo?
— Matt! Você fala como se eu não conhecesse Dominic. Acha mesmo que se eu não estivesse realmente segura do que sinto eu arriscaria alguma coisa com ele? Claro que não! Nossa amizade já é bem resolvida, não temos dúvidas quanto a isso e se a gente não vê nenhum mal em passar algumas noites juntos, que mal há?
— Era exatamente o que eu ia dizer. – Dom bateu na mesa, satisfeito.
— E eu já disse que essa história de se apaixonar ficou para escanteio por um tempo – remexi no cabelo – Isso só traz problema para mim ultimamente!
Nós rimos e Matt balançou a cabeça, mas parecia convencido dos meus argumentos. O jantar terminou e voltamos para o hotel. Antes de ir dormir, Matt me disse:
— Você é mesmo surpreendente. Não me admira que Dominic tenha se esforçado tanto para ter você por perto, você o transformou numa nova pessoa... Na verdade modificou a todos nós!
— Você está desapontado por que eu e Dom...
— Por que estaria? – ele riu – Se estivesse no lugar de Dominic e tivesse metade da coragem dele, faria a mesma coisa ou você pensa que não me arrependo de não ter “ido em frente” àquela noite?
Depois ele se foi e me deixou soltando pragas contra a sua conduta sempre irrepreensível.
Fale com o autor