Eu eles e Nós

37 Capítulo 25.1 - Lana


Tive um sonho estranho quando consegui dormir (quase amanhecendo, mas tudo bem). Lembro que eu corria muito! Até que finalmente caí exausta no chão. Lembro que o chão estava coberto de vidro e eu estava sangrando muito. Fiquei assustada ao ver tanto sangue até que finalmente acordei! Olhei para a cama e vi o lençol sujo de sangue. Sufoquei um grito e foi aí que lembrei o que aconteceu na noite passada!

Verifiquei os curativos e tudo estava sangrando de novo. Respirei fundo e tentei levantar, meus pés estavam com os piores cortes e eu não conseguia nem andar direito, que dirá calçar algum sapado! Com muito esforço e coragem fui para o banheiro do quarto de hospede e tomei um banho (ele sempre estava abastecido por que invariavelmente algum dos meninos sempre dormia lá). Tinha perdido a cabeça e o ataque valera por uma vida inteira. Nunca em mil anos imaginaria uma coisa assim (a verdade é que muita coisa que acontecia comigo ultimamente eu nunca imaginei)! Não foi só raiva. Foi fúria, descontentamento, foi ciúme... Foi amor.

Foi uma grande besteira também. Dominic tinha gastado aos tubos para reformar o lindo banheiro do quarto dele. Era enorme, com um armário lindo com portas espelhadas e Box de vidro e jacuzzi... Tinha na verdade vidro e espelhos demais! Dominic era egocêntrico e tarado o suficiente para gostar de se ver em quase todas as paredes e ver seu desempenho sexual no espelho!

Depois do banho sai do quarto e encontrei a casa vazia. Fui a todos os cômodos, inclusive no banheiro destruído e não havia mais nenhum sinal de vidro! Dom limpara tudo sozinho e meticulosamente como sempre (Dominic era doente com limpeza, aflito do jeito que estava provavelmente limpara o apartamento inteiro para se distrair!). Fui para a cozinha e bebi um pouco de água, não havia nada mais na geladeira, nós viajaríamos hoje... Lembrei que nosso avião sairia dali à uma hora!

Tentei não pensar em nada e fiquei tomando a água fitando o vazio por um tempo até que ouvi a porta bater lá na frente e fiquei esperando para ver quem era. Chris apareceu um pouco depois e veio se sentar no meu lado.

– Achamos melhor que eu viesse vê-la. – ele jogou uma caixa de papelão rosa bebê na minha frente – Para o caso de você ainda estar furiosa... Afinal eu consigo lhe amordaçar!

– Sabia que você ia dar um jeito de sacanear com a minha cara!

– Eu não podia perder a oportunidade. – ele soltou um risinho e virei a cara – Olha, trouxe para você. Ouvi dizer que quando uma mulher está deprimida chocolate ajuda.

Ele abriu a caixa e pude ver Cupcake, brigadeiros enormes e bombons de chocolate. Peguei um brigadeiro e dei uma mordida.

– Isso aí vai precisar de alguns pontos! – ele observou severo quando viu os cortes nas mãos.

– Estou muito bem se quer saber. – continuei a comer o brigadeiro indiferente. Chris pegou minha mão delicadamente, eu baixei os olhos.

– O que aconteceu ontem à noite?

– Você já deve saber... Onde estão os outros?

– Matt e Dom estão na loja de doces da esquina. Chegamos de manhã bem cedo para ver como as coisas estão. – ele fez questão de examinar a outra mão e os pés. Acabou descobrindo mais cortes nos antebraços e nas coxas – Como não tem nada aqui, resolvemos descer para comer alguma coisa! Você precisa ir ao médico garota.

– Nós íamos viajar daqui a alguns minutos. O que aconteceu?

– Nosso voo foi cancelado. – o olhei aterrorizada, já pensando na bagunça que teria que arrumar num planejamento feito há um mês! – Não foi por causa de vocês! Vocês não são o centro do universo. Não, parece que está nevando demais ou coisa parecida e a companhia cancelou o voo!

– Menos mal... Mas Helen deve estar tendo um trabalhão para arrumar tudo! Preciso falar com ela...

– A gente pode falar com ela depois que você passar no hospital para ver essas coisas. Anda garota não seja difícil!

– Eu já ia Chris... – minha voz um sussurro, estava prestes a chorar outra vez – Não preciso de sermão agora!

– Eu sei Lana – ele me abraçou com carinho – E poderia dizer muitas coisas. Poderia dizer para perdoá-lo, que Dominic pisou na bola e que não vai mais acontecer... Mas quem sou eu para lhe dizer essas coisas? A você que conhece todo o meu histórico!

– O que dói mais é perceber que me amar é um castigo para ele. – falei junto a ele, as lágrimas estavam ameaçando cair – É como se fosse sua pior fraqueza! Por que deus é tão difícil?!

– Eu acredito em Dominic. Sei que ele mudou por você e que a ama, mas tudo ainda é muito novo para ele...

– Eu não vou aguentar outra dessas, não vou! Chris foi horrível ontem. – não consegui segurar mais o choro e ele me abraçou mais forte – Eu surtei! Surtei de ciúme, de raiva dele, dela e de mim mesma! Eu poderia ter matado alguém ontem juro!

Christopher gargalhou, mas eu sabia que ele me entendia. Só achava a possibilidade de eu matar uma pessoa engraçada (no mais, ridícula)!

– Nunca tinha passado por isso Chris!

– Gostei de ver, você devia ter dado umas boas tapas em Kate também! Acho você passiva até demais às vezes – eu o larguei e revirei os olhos – Sério! Dominic está assustado com você e Matt também, do jeito que ele contou pareceu sim que você surtou ontem e Matt está uma fera com ele! Imagina se ele a ver nesse estado. Vamos para o hospital?

– O que vou dizer a eles Chris? Vão pensar que estive tentando me matar! Se eu contar a verdade vão me internar.

– Não seja boba – ele estalou a língua – Você está com Christopher Westminster e é namorada de Dominic Hawks! Eles vão engolir qualquer coisa que dissermos naquele hospital garota.

Quando voltamos da emergência Matt e Dom estavam na sala em silêncio. O segundo levantou quando me viu e Matt soltou algum tipo de palavrão bilíngue que eu não entendi. Helen falava no telefone na cozinha quando entramos Chris me amparando. Levei pontos na mão direita, nos pés e na panturrilha, os outros cortes eram menores e o médico garantiu que fechariam sozinhos. Passei direto sem falar com ninguém para a cozinha para falar com Helen.

– E aí garota como você está?

– Vou sobreviver – falei distraída, o notebook estava ligado em cima da bancada. Com certeza Helen estava averiguando as noticias sobre a premiação – Você conseguiu agendar o voo novamente?

– Estou trabalhando nisso... Você não respondeu minha pergunta! – ela me olhou enquanto eu ia para o notebook.

– Recebi algumas ligações, Johnson quer reagendar dois shows. Está muito frio em Washington e a defesa civil não acha muito saudável uma fila imensa com milhares de pessoas fora da arena com esse frio. – continuei zapeando, a procura de noticias sobre a premiação. Tinha muita coisa, os comentários sobre as roupas das celebridades, os shows, a movimentação e claro os barracos. – Liguei para a agência de viagens e como você ainda não tinha entrado em contato com eles, fiz um barraco básico e consegui classe executiva para todo mundo no voo de amanhã de manhã. Clarissa passará tudo para o seu e-mail e o meu

Tive sorte com as noticias. As apresentações bizarras eram um melhor assunto. Apenas duas notinhas sobre o escândalo de Kate e uma declaração dela de que poderia reatar o namoro com Dominic – Você tem que ligar para o Johnson Helen!

– Você está bem para viajar? – ela me olhou atentamente.

– O médico disse que logo estarei boa, os pontos dissolvem depois de sete dias e eu não fiquei aleijada Helen! – olhei para ela irritada

– Você sabe que eu não estou falando disso.

– Eu não disse a você? Todo mundo vai achar que eu pirei agora. – olhei para Chris enquanto me levantava – Agora eu preciso descansar um pouco! O voo sai amanhã ou na terça pelo que Clarissa me disse... Você precisa de mais alguma coisa?

– Não querida. – ela me abraçou com tanto carinho que um nó surgiu na minha garganta – Tente dormir um pouco, mais tarde vou ver como você está e conversar um pouco. Chris a ajude a chegar ao quarto...

– Não, eu faço isso! – Dom estava ali ao meu lado em segundos. Eu o fitei mais friamente que consegui, mas ele não se intimidou e me enlaçou pela cintura.

– Não precisa – me desvencilhei dele – Eu vou sozinha.

Catei o miserável resto de dignidade que me restava e fui me trancar de novo no quarto de hospede, a cama tinha sido arrumada e não havia mais vestígios de sangue. Minha nécessaire estava na mesa de cabeceira, meus moletons surrados estavam na cama... Vesti e deitei, tomando dois comprimidos para dor com água e esperei o sono vir. Ouvi passos no corredor, uma conversa sussurrada e depois alguém bateu na porta.

– Vá embora, quero ficar sozinha.

– Me deixe entrar, por favor. – o tom dele era tão doído que me fez ir às lágrimas, mas eu ainda estava muito magoada. Se eu o deixasse entrar, iríamos brigar outra vez.

– Deixe-me entrar garota! – Matt. E seu tom não admitia uma recusa. Ele estava furioso!

Fui até a porta com dificuldade e abri, Matt entrou e eu fui deitar na cama outra vez, meus pés estavam me matando mais do que tudo, mas seria bom ter Matt comigo naquele momento. Ele sentou ao meu lado e me fitou com aqueles olhos de oceano, agora revolto, era como se eu pudesse ver a minha raiva refletida neles. Ficamos em silêncio, ele brincava com um cacho vermelho, mas seus olhos não deixaram os meus nem por um minuto até que eu encostei a cabeça em seu ombro e dei vazão ao choro.

– Nós podemos dar uma pausa, poderemos ir para a Itália para que você se recupere... Para que vocês pensem no futuro de vocês...

– Não. Nós vamos seguir com a programação conforme o combinado. – me afastei enxugando as lágrimas ruidosamente – Não vai adiantar Matt! Esse é um problema que vamos ter que resolver com a turnê andando, já houve problemas demais e adiamentos também... Dominic vai ter que decidir se vai amadurecer na estrada!

– Você vai acabar com tudo? – ele murmurou apreensivo.

– Se ele não se resolver de uma vez... Sim.