Eu eles e Nós
31 Capítulo 21 - Dominic
Notas iniciais
Voltamos para Londres depois de alguns dias. Depois de toda a bronca jurídica e desculpas sobre o adiamento das gravações do novo álbum podemos desfrutar da pausa. Acabou que todo mundo ficou feliz por conta disso. Matt foi para a Itália aproveitar um pouco a casa e o lago que ele tanto ama, Chris foi para Devon e eu decidi ficar em Londres com Lana no meu apartamento. Sozinhos, para aproveitarmos a companhia um do outro. Funcionou super bem.
– Mas alguns dias e posso me livrar disso!
– Você precisa ter paciência. – Lana falou do chuveiro, sempre a confortadora. Apesar de não atrapalhar meu excelente desempenho, o gesso era um verdadeiro saco! – Isso é para você aprender a não mexer com quem não é do seu tamanho! E não usar as mãos baterista! – e ela começou a rir
– A culpa é dele! Tem a cabeça dura demais!
– Você é doido isso sim! Bater num cara daquele tamanho. Fiquei surpresa com o que fez.
– Não consegui me segurar, estava com tanta raiva! Precisava pensar um pouco, quando vi Christopher meu sangue ferveu! Resolvi que a raiva me daria força suficiente para quebrar a cara dele... Deu certo!
Ela abriu o Box enquanto gargalhava. Pegou meu roupão e vestiu para sair do banheiro, eu tomei o seu lugar no chuveiro. A gente começou a tomar banho separado depois que descobrimos que a gente só continuava no chuveiro o que tínhamos começado na cama.
– Sabia que muita gente se ferra assim? Foi muita falta de responsabilidade!
– Se ferrar? Ah por favor, Dom – gritou lá do quarto – Eu sei me cuidar tá?!
– Sabe é? – imprimi bastante ceticismo no meu tom de voz.
– Tá pensando o quê? – ela voltou ao banheiro – Eu não vivo na idade da pedra e ao contrário de Chris e Ema eu sei o que são métodos contraceptivos... Eu uso anticoncepcional!
– Usa? Pensei que você só usava com o seu namorado! – estava realmente surpreso, mas não deveria. As mulheres com quem me relacionava eram igualmente precavidas. Talvez por que eu nunca tivesse parado para pensar em Lana dessa maneira.
– Nem sempre. Uma mulher precavida vale por duas e não é direito só de vocês curtirem um pouco por aí... Como eu não confio muito em camisinha e em vocês... Solteira não significa sozinha na maioria das vezes e você sabe disso!
– Caramba!
– Você não deveria se surpreender querido – abri o Box e ela sorriu maliciosamente para mim – Só faço a mesma coisa que você!
– Fazia ouviu mocinha? Fazia!
***
Durante essa semana, passávamos a maior parte o tempo em casa, saindo em uma ou outra ocasião. Nós conversávamos, trabalhávamos (ela no seu inglês e nos escritos do seu blog), fazendo amor ou simplesmente ficando juntos, vendo um filme ou o fogo da lareira crepitar. É novidade eu ficar quieto assim, apenas observando ela. Às vezes me pego olhando seus gestos mais rotineiros, enquanto ela escreve ou apenas arruma o closet. Adoro vê-la dormir.
Num dia desses, enquanto eu concedia uma entrevista pelo telefone, Lana zapeava na internet jogada no tapete da sala com o laptop no colo. Alguma coisa chamou sua atenção e ela lia com interesse. Observei suas expressões mudarem, primeiro para curiosidade, depois ela revirou os olhos até que começou a rir.
– Acho que a ligação ficou muda por que Dom não responde! – eu esquecera completamente que estava ao telefone.
– Ah desculpe Sam, pode repetir a pergunta, por favor? – e o interlocutor repetiu a pergunta.
Também foi um período de confissões, tanto minhas quanto dela (devo admitir que Lana fosse melhor nisso do que eu por que ela acabava arrancando de mim mais do que deveria). Conversamos muito, relembrando nossas brigas infantis e tudo mais...
– Vou admitir fiquei irritada por você ter ficado na festa com aquela loura. Já estava torrando a paciência do pequeno Matt perguntando por você toda hora. E você no dia do show?! Quase teve um filho quando Stuart disse que eu era sua namorada e depois teve aquele ataque de ciúme quando me viu com Brando! – ela disse irritada – Fiquei esperando você a noite toda praticamente e me roendo de raiva! Tive que aguentar toda a zoação de Chris!
– Sou mesmo um grande idiota! – admiti meio sem graça – Fiquei na festa por pura birra podíamos ter passado aquela noite juntos por que mesmo sem admitir, eu estava louco por você e não conseguia ficar com mais ninguém!
– Também sou uma completa estúpida. – ela largou os sanduíches e veio me abraçar – Eu devia ter te arrastado daquela festa!
A gente se beijou, ela aos risinhos. Bem, depois de toda confusão era só o que a gente fazia.
Aos poucos a gente foi se descobrindo e é claro que surgiram os atropelos, mas nada que estragasse nossa felicidade. É que Lana é muito diferente das mulheres com quem já me envolvi e isso me deixa meio inseguro e devo confessar que às vezes não a entendo. Ela é tão volúvel e tem um gênio forte, acho que Lana é muito autossuficiente e isso às vezes nos afasta (ela diz que é por que eu sou mal acostumado por ter as mulheres me bajulando o tempo todo!).
– Às vezes você é direta até demais! – comentei uma vez quando conversávamos sobre Chris e suas traições – Você diz que me ama para depois dizer que se me pegar com outra vai me descartar sem mais nem menos! E se eu estiver com outra é por que as coisas não estão mais fluindo entre nós...
– Bobagem! Você estará com outra por que é um grande patife e quer apenas alimentar seu ego garanhão e largar você será até um favor que me faço. Não sou Kate nem sua mãe para bajular você!
Nossas conversas sobre esses assuntos eram mais ou menos assim. Mas ainda tinha outras coisas como ela não gostar dos meus outros amigos e eu não gostar dela encarnar a nerdzinha! Acho que Lana podia ser uma baita mulher se quisesse crescer de verdade, mas ela nunca perdia aquele jeito moleca travessa dela e isso às vezes era um problema para mim. Na verdade eu estou apenas sendo um reclamão por que é por ela ser diferente que eu a amo. Mas até para ela parecia que eu não era tão perfeito assim.
– Não estou reclamando, é claro que ter você como namorado é diferente de tê-lo como amigo, mas acho que você leva isso tudo ainda na brincadeira e isso pode acabar mal. – ela me confessou, mas eu achava que era exagero e insegurança.
Algumas semanas depois Chris e Matt vieram almoçar conosco e aproveitaram para ficar mais um pouco. Chris estava meio cabisbaixo por que fora a Devon ver os filhos e parece que as coisas entre ele e Ema não tinham melhorado.
– Bem, se antes não tinha jeito, agora qualquer esperança é vã por que ela nunca vai me perdoar. – ele disse remexendo a comida.
– Por que tinha de contar a ela? – ele tinha contado a Ema que ele e Lana tinham...
– Pensei que sendo honesto... Agora é diferente!
– Não acha que agora é tarde demais para ser sincero Chris? – Matt indagou irônico
– Eu queria mostrar a ela que eu posso mudar por ela agora, de verdade... – ele remexeu a comida – Quero que ela confie em mim outra vez.
– Boa sorte então. Mas acho... – meu celular estava tocando na sala, fui atender, saindo da conversa. Quando vi quem era achei melhor ficar pela sala mesmo por que com Matt e Chris em casa e suas línguas, eu acabaria brigando com Lana.
– Oi Stuart, pode falar.
– Só você sendo muito meu amigo para perdoar você! Deve estar muito ocupado para não guardar um tempo para o seu amigo Stu, não responder aos convites dele para sair e me deixar longe da sua nova “amiguinha”. O que é ela não pode saber do seu passado negro ou você tem medo de se tornar o velho Hawks outra vez?
– Não é bem assim...
– Vai me dizer que agora você está apaixonado?! Ah fala sério Dominic, até parece. – ele deu aquela risada insuportável de cínica – Olha, sábado à noite programei uma festa daquelas na casa de Seth. Apareça! Todo mundo vai estar lá, inclusiva as modelos que estão participando da semana da moda em Londres... Sugiro que você não traga sua namorada.
– Rá, como se eu fosse juntar ela e Kate no mesmo cômodo!
– Então quer dizer que você vem?
– Vou pensar.
Ele desligou e eu fiquei um tempo olhando para o celular. Já tínhamos conversado sobre isso eu e Lana. Ela disse que não ia pegar no pé com relação aos meus amigos e tudo mais, que seria livre para fazer o que bem quisesse e vice-versa, que precisávamos confiar um no outro.
O fato era que eu não confiava em mim mesmo para começar e isso por si só já era um grande problema.
– Já é cobrança demais ser namorada de Dominic Hawks! Até minhas amigas dizem que eu tenho que fazer por merecer – eu ouvi dela quando me aproximei da cozinha, resolvi esperar o resto – Que eu tenho que ser muito melhor do que Kate, que eu preciso me arrumar melhor... Às vezes acho que não sou a pessoa certa para isso!
– Não exagere garota... Como está tudo entre vocês? – Matt perguntou – Está feliz?
– Não dá para notar?! – ela deu uma das suas risadas cristalinas. Adorava o som do seu sorriso. Sim ela estava feliz e eu era o responsável por isso!
– Ainda não acredito que contou a ele. – Chris disse – Fiquei surpreso quando soube que você tinha falado a verdade! Você me pediu segredo então por que resolveu contar a ele?
Houve um momento de silêncio em que eu fiquei ansioso pela resposta dela, que não veio quem falou foi Chris – Quando fui a Devon e vi Ema outra vez eu entendi... Como ter um relacionamento com alguém cheio de mentiras? O que esperar de um casamento assim?
– Ainda bem que entendeu Chris. Confiança é muito importante num relacionamento... Eu queria que Dom soubesse disso, que eu nunca mentiria para ele... Eu não suportaria mentiras entre nós!
– E você acha que ele mudou? Já tem confiança nele?
Outra pausa, como se ela ponderasse. Não podia culpá-la. Nem eu confiava em mim mesmo, por que ela confiaria? E ela sempre com o pé atrás como poderia continuar?
– Eu preciso confiar Matt – ela disse finalmente, depois de um bom tempo – Quero que ele mude por que quer, por achar que nós valemos a pena e tudo mais, não por que eu quero apenas! Não quero ouvir lá na frente coisas do tipo: “Eu mudei por você! Por que você não muda por mim?” ou “Não valeu a pena!” – depois seu tom ficou mais baixo, sentido e isso mexeu comigo – Mas confesso que morro de medo! Por que sei que não posso competir com o ego garanhão incorrigível de Dominic Hawks! Não é com elas que não posso competir, é com ele e não é uma competição justa por que sei que Dominic pode muito bem superar isso e pronto, mas eu... Eu o amo demais Matt...
– É tão complicado não é? Dosar os dois lados, tentar ser compreensiva...
– Não pego no pé dele, Dom pode fazer o que bem quiser... É claro que com os gaviões sobrevoando perto, fica difícil ele não sair voando com eles!
– Stu, Seth e Adam! – Chris soltou uma gargalhada
– Stu é o pior! É o pior por que está mancomunado com Kate e aquela vagabunda magrela não desiste!
– Aí está a garota boca suja do Soho. – eles gargalharam e era a minha deixa para aparecer.
– Quem era? – ela perguntou quando me viu
– Nada, só um telefonema! Nós vamos sair?
– Temos a reunião da gravadora daqui a pouco.
– Ah, que bom que você lembrou Matt! Chris venha buscar o resto das suas tralhas que ficaram no quarto de hospedes! Você pode levar para sua casa, é caminho do escritório da gravadora – ela saiu andando com o Chris e ficamos na cozinha eu e Matt.
– Bem, você deve ter ouvido a conversa e espero que não ceda aos apelos dos seus amigos cretinos ou vai magoá-la. – ele se levantou magnânimo e também saiu.
Então Dominic Hawks, você está sozinho nessa e se fizer merda tem muita gente para matar você!
Fomos para a reunião e Lana ficou em casa arrumando algumas coisas. Nossos planos eram de deixar Matt e Chris com Morgan que tinha acabado de chegar dos Estados Unidos para se divertirem e ficarmos com o apartamento só para nós. A sorte seria se nós conseguiríamos.
– Estou faminto! Vamos jantar no restaurante de sempre? – Matt perguntou assim que saímos da gravadora.
– Vamos ao Massala! Quero comer comida indiana hoje!
– Ah não Chris! Vamos ao Belgos...
– É uma boa ideia Morgan. O que acha Dominic?
– Eu não sei, nem estou com tanta fome assim... Acho q vou para casa com Lana, comer uma pizza...
– Ah Lana! Faz tempo que não a vejo, vai ser bom vê-la novamente.
– Então você reconsiderou? – Matt deu aquele sorriso de demônio de quem está afiando as garras. Ele parecia querer se divertir essa noite – Bem, para quem dispensou a garota do pior jeito em Washington... Acha que ela vai cair na sua conversa outra vez?
– Ah duvido! Ela me contou sobre o toco que você deu nela em Washington e na época ela não tava nada feliz! – Chris resolveu se juntar a Matt e Morgan estava perdido.
– Bem, vocês são amigos dela, – e ele se virou para mim zombeteiro – mas ao que parece tudo continua na mesma por aqui. Não custa nada ver o que acontece.
– Estou com ela na linha – Matt, como a peste que era tinha ligado para Lana – Vou colocar no ‘viva voz! – ele aproximou o celular – Vamos garota, não seja difícil!
– Eu tinha outros planos... Dominic está com vocês?
– Está e Morgan também! – Matt sorriu cínico – E ele está louco para ver você.
– Ah é? Então quem sabe eu não deva satisfazê-lo? Afinal, tenho contas a acertar com ele!
E ela desligou. Nem preciso dizer que as gargalhadas sardônicas foram unânimes!
***
Lana foi se juntar a nós no restaurante ‘Belgos. Se Morgan estava apreensivo por vê-la não demonstrou, pelo contrário. Quando a viu, ficou todo animado e cortês. Chris e Matt estavam adorando! Eles iam usar meu ciúme como diversão e a noite prometia.
– Que bom que veio Lana – eles se cumprimentaram com um abraço e Morgan aproveitou para enlaçar Lana pela cintura. Ela estava vestida para provocá-lo. Quando eu torço para que ela use suas roupinhas de garota nerd, ela resolve colocar a mulher fatal para trabalhar. Ela usava um vestido vinho que deixava sua tatuagem toda a amostra, de cintura marcada o tecido moldava suas belas curvas.
– Bom mesmo Morgan? – ela exibiu um sorriso arrasador – Vamos ver se você continua com a mesma opinião durante o jantar.
Sentamos e fizemos nossos pedidos para a comida e para os aperitivos. Eles vieram primeiro como de praxe.
– Nossa garota, você poderia sentar mais próximo de mim. – reclamou Morgan que ficara na outra extremidade da mesa.
– Achei que deveria manter o mesmo nível de proximidade que mantivemos no México.
– Bom então chegou a hora de reconsiderar. – Nós nos olhamos, Matt assumiu aquela cara que era ao mesmo tempo anjo e demônio – Eu mereço pelo menos uma chance de me explicar.
– Pois então pode começar. Estou curiosa para saber o motivo daquela debandada em Washington!
– Apareceram uns problemas urgentes, – o tom dele não convenceu ninguém – eu ia conversar com você antes. Juro!
– Isso está me cheirando a uma mulher. – ela o olhou de soslaio – É obvio que você tem uma pequena que quando estala os dedos por aí você sai correndo!
– Rá! Garota você tem que parar de andar com Christopher... Anda tão boa quanto ele em criar histórias mirabolantes! Uma garota, bah!
– Vamos Morgan, confesse que você tem esse amor escondido por aí que faz você de cachorrinho. Confesse que você só queria mesmo era apanhar a pobre Lana para se divertir! – Lana gargalhou – E não é aquela coisinha que estava com você em Roma, não. Essa tem cara de que é a mulher fatal!
– Não é a mesma realmente!
– Eu sabia! – Lana apontou para ele – Desde o início! Morgan seu grande patife, você está apaixonado.
Morgan riu sem jeito e nós gargalhamos ainda mais. Ele seria a vitima da noite e eu estava adorando!
– Não é como você pensa. – ele bebeu o drinque e se recuperou. – Nós nos encontramos de tempos em tempos... Ela é muito ocupada e eu também... Ela precisava de uma mão, foi só.
– Vocês não têm nada sério, mas você sai correndo para encontrá-la sempre que ela liga? – Chris resolveu entrar na jogada.
– Como eu disse, ela precisava de ajuda e como faz tempo que não nos víamos...
– Quanto tempo Morgan?
– Ah Matt, uns seis meses... – ele estalou a língua – Seis meses e alguns dias!
– Você estava contando os dias! Não há duvidas, está apaixonado!
A encarnação foi geral, até Lana não deixou de tirar sua casquinha. Aquela conversa toda estava me divertindo um bocado.
– Morgan seu hipócrita, por que não admitir que a ama?
– Não temos nada sério, somos como seria eu e você se tivesse dado certo. – ele me olhou com um sorriso cínico – Temos vidas diferentes, viajamos muito e sendo assim um relacionamento fica inviável.
– Não é verdade! Parece que virou moda agora todo mundo botar a culpa na falta de tempo para justificar a covardia de não admitir as coisas.
– Por falar em não admitir as coisas – Chris fez uma pausa quando o garçom apareceu com o nosso jantar – Temos ótimos exemplos disso na mesa. Lana e Dominic devem saber disso melhor do que ninguém.
– Ainda sim acho bobagem... – ela ignorou o comentário dele se virando para mim – Está vendo Dominic, é um homem desses que eu quero para mim.
– Um hipócrita?
– Claro que não! – ela revirou os olhos – Alguém que largue tudo e venha correndo atrás de mim sempre que eu chamar!
– Acho que você já tem isso Lana – Morgan tomou o vinho – Dom foi buscar você no Brasil... Agora só falta ele dar o braço a torcer!
A gargalhada dos quatro chamou a atenção de todo o restaurante. O matrie nos olhou de sombracelha arqueada e nós diminuímos o volume, mas os risos demoraram a cessar.
– Você finalmente se tocou não foi? – ele balançou a cabeça – Rá seu patife! Você caiu em si e descobriu que está caído de amores por essa garota. Já não era sem tempo!
– E você pode e guardando seu charminho de quinta para a sua mulher fatal misteriosa por que essa aqui. – eu abracei Lana – Já tem dono.
– Ah tá! Até parece. – mas ela me deu um beijo.
Começamos a jantar e a conversa cessou um pouco, só um ou outro comentário ocasional. Depois que a maioria acabou, Matt e Morgan engataram uma conversa estranha sobre as pessoas precisarem de autoafirmação e aprovação da sociedade. Não sei bem por que a conversa foi parar nesse rumo, só sei que de repente Lana entrou nela contando algo sobre passividade.
– Ás vezes passividade demais traz infelicidade – ela disse – Atrapalha a vida e você perde um tempo precioso. Vou confessar que eu já fui muito conformada e que hoje em dia isso me dá arrepios. Lembrei-me de uma história que vou contar para vocês agora, sobre uma amiga e a conversa que tivemos uma vez sobre certo caso meu aí...
– Opa! Histórias de ex – Chris esfregou as mãos – Picante?
– Chris, por favor. – Matt murmurou desgostoso.
– Continuando! – Lana se impacientou – Ela não entendia por que eu não queria mais ver o cara e tal. Achava que eu era uma chata metida que só queria arrumar um deus! Disse que eu era doida por dispensar um cara como aquele que era lindo, inteligente, era bem de vida e etc. Ela listou inúmeras qualidades!
– Ah se ele era tão perfeito, por que ela não ficou com ele? – comentei ácido
– O que ela não sabia, era que apesar de ter essas inúmeras qualidades, ele não tinha algo que para mim era essencial num cara e sério gente. É a primeira qualidade que eu procuro por que se não der certo, como é que vai ficar o resto? – ela riu meio sem jeito – A verdade é que mesmo com todas essas qualidades, ela não podia saber que o defeito dele suplantava todo o resto. E até eu só vim descobrir depois de um tempão ficando com ele e tudo...
Gargalhei. Não conseguia me segurar quando via Lana se atrapalhando desse jeito. Ela podia ser muito sincera, falar tudo que pensava, é até algo natural dela! Mas Lana ainda tinha receio de despertar certos assuntos (principalmente com a gente por que depois ela sofria o diabo nas mãos de Chris e Morgan).
– Acho que Dom descobriu o defeito do seu carinha! – Chris também já estava rindo como o bom patife que era.
– Lógico que eu não sou a deusa do sexo para julgar ninguém, mas... Eu tenho pelo menos o direito de querer o melhor!
– Bem, deusa do sexo também é demais...
– Engula agora mesmo esse comentário Chris Westministers ou eu faço você engoli-lo. – falou Lana entre dentes.
Ele se calou, mas a expressão de perversa diversão não sumiu. Não adiantava falar, Chris gostava de insinuar as coisas, isso o fazia se divertir, mesmo que machucasse alguém.
– Expliquei a ela esse pequeno detalhe e ela me disse que isso não tem a menor importância! Que ele tem qualidades suficientes que superavam esse probleminha pode?!
– Isso é ridículo! – exclamei, recebendo murmúrios de concordância em volta – É o mesmo que ter um parque de diversões com brinquedos quebrados!
– Claro que é! Absurdo mesmo... – Lana tomou seu vinho enquanto ríamos – Como não ter isso? Eu acredito que quando se ama uma pessoa e decidimos ficar só com ela, tudo é perfeito e estou falando de tudo mesmo! Ser fiel – e ela me olhou – é consequência de cumplicidade, não é apenas por obrigação. Se tudo é perfeito com ela e eu estou falando de sexo, amor, interesses e gosto, mesmo que seja distinto você não precisa procurar nada lá fora. Está tudo entre elas!
– Concordo com você. – Morgan se recostou na cadeira
– Você tem razão Lana. Acredito sinceramente que mesmo sendo diferentes, já que estamos falando de um homem e uma mulher, o amor e a cumplicidade acabam por superar os obstáculos entre eles. Há sempre uma forma de conciliação.
– Não se eles forem muito diferentes Matt! Veja você e Natalie, por exemplo.
– É aí que entra o meio termo e as concessões. Numa relação sempre temos que abrir mão de certas coisas, que no final não valem tanto a pena mesmo! Vejamos nós por exemplo. Passamos mais tempos juntos do que com nossas famílias e somos relativamente diferentes... Agora falando de relações em geral.
– Morgan tem razão. É preciso um esforço de adaptação e tudo vale por alguém que se ama de verdade.
– Ah, a Lana sentimental – Chris fez graça.
Era uma conversa banal, uma conversa que surge numa roda de amigos, mas que para mim pareceu mais um alerta. Roxanne sempre dizia que quando a gente se sente culpado sempre leva tudo que ouve para o lado ruim.
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