Eu, ela, e o fim do mundo.

1 Capítulo 1- Realidade?


Notas iniciais
Nova fic, espero que gostem!

— Não sei.. Talvez possamos ir amanhã até a casa dele! Fazer a velha e boa bagunça de sempre. Que tal?

— Perfeito. Você viu os noticiários? Tá em todo lugar. Liga no canal nove.

— Hã? Só um minuto ..

“Os policias ainda não deram nenhuma pista do que pode estar ocorrendo lá dentro deste prédio. Daqui é possível ouvir–se vários gritos, e muito choro de crianças. É um verdadeiro caos. Uma multidão cerca o prédio aqui em Nova York, todos curiosos e atentos a qualquer coisa que possa servir como informação.”

— O que há de errado nesse prédio?

— Não sei.. ninguém sabe ao certo. Parece que a polícia aqui da cidade recebeu várias ligações, e todos dizendo a mesma coisa : “ Há horríveis monstros comedores de gente aqui!” – A moça falha na tentativa de fazer uma voz assustadora. — não é bizarro? Acho que seria o seu sonho não é Duda? . – Ela ri.

— Seria sim. – Eduarda se cansa de olhar o noticiário e decide ir se deitar. Ela mora sozinha num pequeno apartamento junto a tantos outros, ali mesmo perto ao centro, onde todo aquele caos acontece. – Bom, eu já estou indo deitar... Quer que eu continue na ligação?

— Sim, por favor... Você sabe que eu só durmo bem quando estou contigo. Mesmo que por ligação.

— Claro que sei. – Ela sorri.

— Como você pode dormir com todo esse caos acontecendo? Você é louca?

— Não deve ser nada Ana. E você sabe que eu durmo igual uma pedra. Nenhum barulho me incomoda.

— Sei sim. Mas está demais. São muitas viaturas. Acho que vou lá dar uma conferida de perto. Vamos comigo?

— Ana, por favor, vamos descansar. Eu estou morta. E também já está tarde para ambas sair.

— A qual é. Vai ser rápido. Tem vários policiais nas ruas. Não tem perigo. Se você não for comigo, irei sozinha.

— Então vá sozinha. Cansei de você bancando a doida.

— Okay então! Sua bundona! – Ana ri e desliga o telefone, ouvindo apenas o começo de um palavrão que Eduarda solta.

Pov. Eduarda

Mas caramba! Será que ela nunca me ouve?! Com ela sempre é tudo complicado. Eu e a Ana nos conhecemos desde criança, e ela continua do mesmo jeitinho. E eu continuo totalmente apaixonada por ela. Mas é claro que ela nunca vai saber disso. Primeiro que ela nem merece, segundo, isso seria muito estranho para ela. Eu amo estar em sua companhia, mas sair a essa hora é loucura. Mesmo assim, agora não paro de pensar se ela vai ficar bem. Droga. Decido ligar para ela, quando pego o celular o visor acende. É Ana.

— Eu pensei melhor e eu vou com voc..

— Eduarda pelo amor de Deus vem me buscar! Agora. Por favor! – Ela estava completamente desesperada.

— Ei, o que houve? Onde você está? — Levanto – me apressadamente da cama, já vestindo alguma roupa.

— Em casa! Não consegui sair, tem um bando de ...de .. eu sei lá o que aqui em frente a minha porta. Por favor, vem me buscar!

— Ana isso não é nenhuma brincadeira sua não né? – Falo indo em direção a sala e ligando novamente a televisão.

— Meu Deus Eduarda! Eu pareço estar brincando?! – Ela grita do outro lado da linha.

— Tudo bem, mas você não conseguiu ver quem é que está aí na sua porta? – Por incrível que pareça, o canal que fazia a cobertura do ocorrido, não pega. Começo a ficar desesperada também.

— Sim, são os meus vizinhos. Eles ... eles .. – Ela começa a chorar.

— Calma... Só fique quieta ai até eu chegar. Tranque tudo e vá para a cozinha, pegue uma faca e fique em silêncio. Já tô indo te buscar okay?

— Okay. Não demore... Por favor. – Ela chora baixinho no telefone. Ouvir aquilo deixa meu coração minúsculo. Desligo o celular. Volto lá pra cima e pela janela do meu quarto eu vejo diante dos meus olhos um verdadeiro apocalipse. Eu não podia acreditar no que estava vendo. Era surreal. Milhares de pessoas se atacavam, a rua estava um verdadeiro caos. Mas o que está acontecendo? Lembro–me de Ana. Tenho que ir ajudá–lá.

Um homem ali bem perto ao prédio em que eu moro se contorce de dor no chão frio. Conto até dez : 1... 2.. 3.. Se realmente for o que eu penso, isso vai levar apenas alguns segundos. 7... 8.. 9 e um grito enorme de dor. 10. Santo Deus. Meus olhos presenciam algo inimaginável. Max, eu preciso ligar para ele. Pego meu celular e disco seu número, ele me atende rapidamente.

— Filha da puta desgraçada! Você tá vendo isso?! Mas que merda! — Ele dizia e gargalhava ao mesmo tempo. — Achei que esse dia nunca chegaria! — É, muitas pessoas morrendo, outras desesperadas, umas sem saída, que é o caso de Ana. . E o Max rindo atoa. Fala sério, nós esperamos séculos por esse momento. Eu estaria do mesmo jeito que ele se não fosse a minha preocupação com Ana. Precisamos resgata-la.

— Max, me escuta. É a Ana. Ela tá presa. Precisamos ajudá- la.

— Mas que merda, o apocalipse mal começou e ela já se meteu em encrenca?! Essa aí não dura dois dias!

— Max!

— Brincadeira. Onde ela está?

— No apartamento dela. Você pode vir até aqui?

— Claro. Estava doido pra sair na rua mesmo. Me espere aí que eu já chego. Baterei três vezes na porta. Fica ligada.

— Ok. Toma cuidado.

— Tá falando com o mestre gatinha. Depois de você claro. — Ele diz e desliga. Mando uma mensagem pra Ana.

******

— Ainda ai? — Depois de alguns segundos ela responde.

— Toda cagada de medo mas sim. Cadê você?

— Esperando o Max. Ele já deve estar chegando. Em dois é melhor para te resgatar . Fique tranquila e continue em silêncio ai.

— O Max vem? O que tá acontecendo?

— Já estamos chegando. Explicamos tudo aí. Amo você pequena.

— Também. Bj.

*******

Meu celular vibra, é Max.

Ligação On

— Fala.

— Temos um problema ..

— Temos vários problemas.

— Tem pelo menos 12 deles tentando entrar no seu prédio. Isso inclui seu porteiro.

— Ah merda, pobre Josh.

— Esteja pronta, vou tentar causar uma distração. Isso levará todos eles para um lado da rua. Tempo suficiente para você sair. Começo quando estiver pronta.

— Certo.

Ligação Off

Desligo o celular e começo arrumar uma mochila apenas com coisas necessárias. Coloco uma calça jeans escura, tênis e minha jaqueta preta. Pego duas facas e coloco uma na mochila, a outra eu levo em mãos. Apago todas as luzes e envio uma mensagem para Max.

" Td pronto."

Não demora muito para eu escutar um som alto de buzina de carro. Não acredito que ele roubou um carro sem mim. Abro a porta do meu apartamento, saio e tranco-a logo em seguida. Ando com cuidado até o elevador. Nenhuma alma viva e não viva interrompe meu destino.

Chego ao saguão e está vazio aparentemente, dois deles ainda permanecem perto da entrada, o que dificulta minha vida. Preciso agir rapidamente. Me abaixo para não ser notada e ando assim até o balcão enorme onde o porteiro costumava ficar.

Ligação On
— Droga Max, ainda tem dois na entrada.
— Calma, já resolvo pra você. Mas vai ficar me devendo uma.
— Tá tá. Anda logo!
Ligação Off

Meu corpo fica todo tenso quando sinto uma mão encostar em meu ombro.

— Mas que merda!

— Desculpe, não queria assusta — la. — Era Jonas, meu vizinho. Ele também carregava uma mochila, provavelmente também queria sair dali. — A chave está na porta, quando eu vi o que estava acontecendo eu desci e o Josh estava do lado de fora, vendo todo o caos, eu pedi para ele entrar mas foi tudo muito rápido. Um desses monstros pegou ele. Eu fechei rapidamente a porta e tranquei todos aqui. Será que eu fiz mal?

— Não, não fez. Você salvou a maioria daqui. Mas eles não vão poder ficar aí por longos dias, uma hora eles vão ter que sair, a comida não durará muito tempo. Eu tenho que ajudar uma amiga. Você vem?

— Sim. Melhor do que ficar trancado aqui. Mas, o que são essas coisas?

— Agora não dá tempo de explicar, só não deixa um deles te morder. — A cara de espanto de Jonas me faz sorrir.

Um carro em alta velocidade passa por cima dos dois zumbis que atrapalhavam a minha saída. Corro rapidamente para a porta e Jonas me acompanha.

— Meu Deus! Nós vamos mesmo entrar nesse carro?

— É a nossa única opção. — Abro a porta e finalmente me vejo fora do prédio. Jonas tranca a porta atrás de nós e joga a chave por debaixo da porta de vidro. Se alguém quisesse sair, não precisaria arrombar, desprotegendo todo mundo ali.

— Que Deus nos proteja.

Notas finais
Obrigado por lerem até aqui! Abraço!