Eu, ela, e o fim do mundo.
2 Capítulo 2- Rafael
Notas iniciais
Pov Eduarda
— Gostou do nosso primeiro carro?
— Acho que você poderia ter arrumado um melhor.
— Sim eu sei, um bem grandão. Mas os melhores carros dessa rua parece que estão nas garagens. Quem é seu amigo?
— Jonas. — Ele mesmo se apresenta. -Posso ajuda — los no que precisar. É só falar.
— Ótimo Jonas. Você já matou um zumbi antes?
— Um o que? — Max me olha com uma cara de "pelo amor de Deus, não dava pra trazer alguém que ao menos sabe o que é um zumbi?"
— Vamos explicar depois Jonas. Primeiro precisamos chegar até o prédio de Ana.
— Precisamos de armas Duda. Pelo menos uma pistola. Pra segurança.
— Eu tenho uma aqui.. tome. — Ele me entrega um 38.
— Tô começando a gostar de você Jonas. Mas onde conseguiu?
— Nas coisas do Josh. Devia ser para a segurança do prédio eu acho. Ou não. Tenho umas lanternas também, que encontrei no mesmo lugar que a arma. Comida e água. Não muita.
— Excelente Jonas. Você já usou uma arma antes?
— Não, nunca.
— E dirigir?
— Já sim.
— Ótimo, Max, o plano vai ser o seguinte : você vai parar na frente do prédio da Ana e o Jonas vai assumir o volante enquanto a resgatamos. Fique dando voltas pelos quarteirões, se você ver que tem muito caos em certas ruas, não arrisque. Esteja de volta em dez minutos. Ok?
— Sim. Entendi. — Max para em uma rua próxima à do prédio que precisamos entrar, vamos tentar andar até lá sem chamar muita atenção. Deixamos nossas mochilas dentro do carro, apenas levamos o 38, que fica comigo, o facão do Max e minha faca.
Jonas segue caminho. Mando uma mensagem para Ana :
"Estamos chegando."
Não espero ela responder e guardo o celular no bolso de trás da calça. Vou na frente e Max vem logo atrás de mim.
— Precisamos fazer barulho em algum lugar longe do prédio.
— Tá mas isso só funcionaria na entrada, o barulho não atrai eles por muito tempo.
— Ok. Vamos fazer o seguinte.
*****
— Jonas? Está por perto?
— Sim, como pediu. Algum problema?
— Preciso que você faça o seguinte ..
*****
— Isso vai funcionar? — Max pergunta desconfiado.
— Ah fala sério, você nunca viu isso acontecer em The Walking Dead? É claro que vai dar certo.
— É, só que depois o carro não quis mais parar de fazer barulho.
— A gente muda de carro Max. É simples.
— Temos que ir com calma Duda, não sabemos até que ponto vai o Apocalipse. Algumas cidades ainda podem nem ter sido atingidas. Podemos ir para uma destas.
— Sim. Mas primeiro vamos pegar logo a Ana.
Jonas estava demorando muito. Eu já estava preocupada. Decidimos ir andando e nos virando se possível.
— Se aquele cara nos passar pra trás eu juro que mato ele. Não importa para onde ele vá, eu o acho algum dia.
— Guarde suas energias Max. Ele não faria isso.
A entrada do prédio estava completamente desprotegida, isso explica o por que da Ana ter ficado cercada.
— Vamos ir pela escada. — Digo à Max que vem logo atrás de mim com seu facão em mãos. O prédio ainda tinha energia. A maioria das casas ainda também tinham, mas eu não sabia até quando iria durar. A escada levava direto aos corredores onde se encontravam os apartamentos. Eu só tinha que encontrar o seu corredor e o número do seu apartamento, o que não exigia nenhum esforço, eu conhecia bem aquele prédio.
— É claro que não vamos encontrar nenhum zumbi nas escadas. Eles preferem o elevador, assim como eu. — Max reclama.
— Cala a boca Max.
— Tá ouvindo isso? Acho que é o Jonas.
— Eu falei que ele vinha. — O barulho ensurdecedor de buzina de carro ecoa pelo prédio. Será uma ótima distração. Entramos no corredor de Ana, por ali haviam quatro mortos vivos que se dirigiam à escada, ou seja, na minha direção e na de Max, devido ao barulho do carro eles procuravam descer.
— O plano funcionou. Mas na hora errada. Grande Jonas. Perdeu o único ponto que conseguiu comigo. Eu cuido desses dois e você daqueles outros dois.
Max enfia o facão na cabeça do primeiro morto vivo que chega até nós e corta a cabeça do outro logo em seguida. Eu faço a mesma coisa com os outros dois usando a faca, não uso a arma pois poderia piorar a nossa situação. Max sonda alguns apartamentos que se encontram de portas abertas. Eu ligo para Ana para que ela possa abrir a porta.
— Oi meu bem.
— Senti tanto medo. — Ela me abraça apertado. Sinto meu coração acelerar. O que seria de mim se perdesse aquela garota... — Que bom que está aqui. — Ela me diz e sorri.
— Sim, estou feliz que esteja bem. Mas temos que sair daqui.
— Duda, temos que ir. — Max diz. Vejo que ele preparou mais uma mochila. Deve ter encontrado algumas coisas dentro do apartamento. — Ei Aninha. — Ele a cumprimenta rapidamente com um beijo na bochecha.- Você tem algo ai?
— Tenho sim. Coloquei tudo em cima do sofá. ..Tudo o que eu acho que vamos precisar. — Ana diz e entramos em seu apartamento.
— Mas só tem comida no sofá. — Max diz rindo.
— Exatamente. — Sou obrigada a rir também. Ela era magra de ruim.
— Ana onde está aquele taco que pertencia ao seu pai?
— No quarto, por que? Vamos precisar também?
— Sim. Vamos sim. Pode ir pega — lo?
— Claro, só um minuto.
Enquanto ela vai buscar o taco de baseboll do seu pai, eu ajeito tudo corretamente na mochila que ela havia separado.
*******
— Jonas? Já pode se livrar do carro.
— Certo. Vou arrumar um outro e já chego ai.
*******
— Quem é Jonas? — Ana pergunta já com o taco em mãos.
— Meu vizinho, se lembra?
— Aquele gato? Ele vai com a gente? Meu Deus, minha sorte está mudando!
— Sim...Ele vai. Agora vamos. — Digo secamente. Não gostei nada do que ela disse. Max percebe. Nós três somos amigos a bastante tempo. Eu e Ana nos conhecemos desde criança, ela e Max não eram tão próximos mas eram amigos. Max não era muito de demonstrar afeto, mas era uma ótima pessoa, com um bom coração. Só não pise na bola com ele, por que ai ele não voltará mais a confiar em você. Ele não sabia do meu sentimento por Ana, eu nunca havia conversado sobre isso com alguém, mas é claro que o Max me conhecia. Só a Ana mesmo que não percebia; graças a Deus, pois isso poderia acabar com a nossa amizade.
— Espera, mas o que são essas coisas? — Ana pergunta assim que saímos de seu apartamento.
— Essas coisas são os seus vizinhos ué.
— Sério Max? Eu nem percebi.
— Zumbis Ana, mortos vivos.
— Mas como assim? Aqueles dos joguinhos e filmes que vocês tanto assistem? — Ana está boquiaberta. Eu não deveria ter falado assim na lata, mas precisamos andar logo para sair dali. Em poucas horas essa cidade iria desaparecer.
— Isso ai! — Max diz sorrindo.
— Vocês só podem estar brincando..
— Isso aqui parece brincadeira pra você? — Max levanta a cabeça de um dos mortos vivos que se encontra no chão.
— Ah meu Deus. . — Ana me abraça forte.
— Tá bom Max, ela já entendeu, podemos ir agora?
— Ok.
Pov Ana
— Eu vi o Josh sendo mordido, eu já ouvi falar disso mas não é possível, como? Por que?
— Algo deve ter saído totalmente do controle e é por isso que estamos indo pra cidade vizinha, procurar o por quê. — Max e Jonas conversavam no banco da frente. Ele é lindo fala sério. Moreno, alto, forte, educado, qualquer mulher se apaixonaria. O típico pedaço de mal caminho. A minha sorte começou a mudar, felizmente.
Estou no banco de trás de um carro que eu nunca vi, abraçada com Duda. Ela está séria. Seu olhar vagueia pelas ruas como se procurasse algo.
— Pequena?
— Oi, você está bem? — Ela me pergunta preocupada.
— Sim, você me salvou. — Ela sorri e meu coração se alegra pela primeira vez desde que todo caos começou.
— Eu não vivo sem você chata. Sabes disso. — Ouvir aquilo me deixa calma, por que eu sei que ela me protegerá.
A estrada é longa e deserta, já é noite e me sinto cansada. Felizmente todos nós sabíamos dirigir, podíamos revezar entre nós enquanto os outros descansavam.
— Max liga o rádio. Vê se passa algo. — Duda diz. Ele liga, muda de canais e nada. Apenas faz um barulho irritante. — Que merda..
— Nós não podíamos parar em algum lugar ? — Pergunto. Eu já estava cansada de ficar naquele carro. Nunca passei tanto tempo dentro de um, a última vez que isso aconteceu, meus pais ainda eram vivos.
— Podemos, mas não agora.. somente quando chegarmos à outra cidade. Não vai demorar muito, já estamos perto.
— Aaah, por que Duda? Eu estou cansada.
— Todos estamos, pequena. Mas não sabemos o grau de risco, é complicado.
— Mas está tudo deserto.. — Tento argumentar, mas esqueço que estou conversando com Eduarda, e com ela não há argumentação.
— Você tem razão. Está deserto demais. Essas ruas eram pra estar cheias de pessoas, ou zumbis.
— Nós podíamos parar, encontrar um lugar para passarmos a noite enquanto procuramos algum canal na TV que explique isso. Tem que ter alguma explicação. Pode ser que nas outras cidades isso esteja pior. Não? — Jonas diz e eu fico babando. Ele é tão encantador.
— Certo. Max? O que acha?
— Vamos descansar um pouco e comer alguma coisa.. Tudo bem por ti?
— Tudo, se a maioria concorda. — Eduarda diz meio desanimada, dou um beijo em sua bochecha como forma de gratidão. — Só não saia de perto de mim okay?
— Sim, claro. Não sairei. — Não estava nem cogitando essa idéia. Só quero descansar, é muita coisa pra minha cabeça. Eles estão acostumados com isso, tá certo que o Jonas não sabe muito sobre, mas é homem, e homem lida melhor com mudanças inesperadas.
— Que tal aquela casa ali? — Jonas aponta para o seu lado direito. O lugar é quase deserto. Várias árvores gigantescas ao redor da casa e nada mais. De noite é assustador. As luzes estão acesas, provavelmente ainda está habitada.
— É uma boa. Pode encostar. Eu e Max vamos lá conferir e pedir abrigo.
— Não é melhor ir todos juntos? Não vou deixar você ir sem mim não. Pode parar. — Falo já saindo do carro também.
— Ok Ana. Ok. Do seu jeito então. Como sempre. Vamos. — Max pega seu facão e é inevitável não morrer de ri. Ele fica muito engraçadinho. Bem diferente de Eduarda, que fica extremamente sexy com aquela arma. Qualquer homem cairia duro por ela, e qualquer mulher também. Se isso me inclui? Bom, talvez. .
— O que foi Ana? Algo de errado? — Duda desvia meus pensamentos e é ai que eu percebo que não parava de olhar para ela.
— Hã? Não, não. Tudo certo. — Sorrio sem jeito. Jonas vem logo atrás de mim, com o bastão de madeira na mão.
— Sua amiga é muito bonita. Mas não conta pra ela que falei isso. — Ele diz. E isso só comprova o que acabei de dizer. Fico meio incomodada confesso, mas nada demais. — Ela namora? — O mundo acabando e o cara me pergunta se ela namora. Essa é boa.
— É lésbica. — O sorrisinho de felicidade dele some. É ilário.
— Bom então quer dizer que você tem bem mais chances do que eu?
— Bom, sim. Mas, ela é minha amiga. Então as chances diminuem drasticamente.
— Ei? Vamos! Não quero que ninguém fique para trás. — Duda diz interrompendo nosso assunto.
— Além de linda é muito mandona. — Jonas sorri. — Vamos. — Reviro os olhos.
Pov Eduarda
Não demorou muito pros dois ficarem de papo. Isso já era esperado.
Nos aproximamos da casa e o barulho lá dentro é quase inaudível. Bato na porta, e as luzes se apagam. Eu e Max ficamos atentos a qualquer movimento. O silêncio reina até que uma voz grossa vinda lá de dentro nos pega de surpresa.
— O que vocês querem?!
— Hã, não vamos causar mal algum. Só queremos abrigo por uma noite. Nós fomos vítimas do caos e tivemos que deixar nossas casas. Não vamos causar mal algum à você e a sua família. — Digo firmemente.
— De onde vocês são?
— Daqui mesmo, só que lá do centro da cidade. Pode nos ajudar? — Ouço a porta ser destrancada.
— Entrem rápido. — Um senhor alto nos recebe. Ele tem a aparência preocupada e cansada. Em suas mãos uma pistola parecida com a minha. Sua casa é antiga e bem conservada. Três mulheres saem de um pequeno cômodo assustadas.
— Perdão pelo incomodo. Nós prometemos que será apenas por essa noite.
— Não tem problema algum vocês ficarem. Parecem ser jovens honestos. Só que todos temos que correr. A cidade será fechada em poucas horas. Não viram essa notícia?
— Na verdade não. — Olho assustada para Max, tentando encontrar alguma explicação.
— Vou lhes mostrar. Venham comigo até a garagem. Marta? Volto logo.
Marta e as outras duas meninas ficam sentadas no sofá junto com Ana e Jonas. Ana me olha preocupada e tento acalma — la com um sorriso.
— Como se chamam? — O velho pergunta.
— Max e Eduarda. E o senhor é?
— Rafael.
— Rafael, são suas filhas? — Max pergunta.
— Sim. Mas tira o olho rapaz. — Sou obrigada a rir da cara de Max. — Minhas filhas, Julie e Julieta, e minha mulher, Marta. Por muito tempo nós ganhávamos a vida aqui no campo. Tenho uma fazenda a poucos quilômetros daqui.
— E por que não se abrigaram lá? É mais seguro. — Digo a ele.
— Foi depois de um comunicado oficial feito pelo presidente, o aviso repete sem parar agora. Diz que toda a cidade de Nova York deve ser evacuada em mais ou menos 24 horas.
— Pelo presidente? — Max pergunta boquiaberto.
— Sim, no começo êxitei, pois dizia sobre mostros comedores de gente, e isso é loucura. Não é? Mas mesmo assim, Marta insistiu para que nós seguíssemos o comunicado. Nós só paramos ali, na nossa outra casa para passarmos a noite, a TV não pega, nenhum canal, no rádio consigo ouvir somente o presidente e nada mais. É bastante incomum. E logo depois vocês batem à nossa porta, dizendo que foram vítima do caos no centro da cidade, exatamente onde se localiza o prédio em que todo o caos começou. — Rafael diz tudo de uma vez, parece mais tranquilo por nos dizer tudo aquilo.
— Espera... Max? Eu e Ana estávamos assistindo um noticiário sobre este prédio. Milhares de pessoas estavam em volta dele então o problema é bem mais complicado do que eu esperava.
— Então já sabemos o por que do presidente querer evacuar a cidade. Se não chegarmos na hora, ficaremos presos aqui com incontáveis mortos vivos. Rafael, tem certeza que ainda temos 24 horas? Será que eu posso ouvir o rádio?
— Sim Max, claro. Para isso que trouxe vocês aqui, ali está o rádio.
— Bom, você se lembra de quanto tempo esse comunicado está a se repetir? — Pergunto a Rafael.
— Sim, não muito tempo. A poucos horas aliás.
— Bom então quanto ao tempo, estamos em vantagem. A cidade mais próxima daqui fica a poucos quilômetros. — Converso com o senhor que nos recebeu tão bem, enquanto Max escuta o rádio que não se encontra numa boa condição.
— Às oito horas da noite Duda. Esse é o horário. Não é uma certeza, mas é um calculo bem próximo, mas, assim que clarear o dia eu já quero estar na estrada novamente.
— Ótimo. Eu também. E quanto a você e sua família Rafael?
— Partiremos com vocês. E eu gostaria que nos ajudassem a chegar até lá, não sabemos nada do que está acontecendo, e vocês já conseguiram fugir de lá. Então se puderem nos ajudar, eu ficarei eternamente agradecido.
— Mas é claro. Claro. Com certeza. Partiremos pela manhã. Agora vamos entrar, não é seguro aqui.
Pov Ana
Os três estavam demorando muito lá fora. Marta, a mulher que nos recebeu, ofereceu seu banheiro para tomarmos um banho e nos ajeitar. Ela preparava algo em sua cozinha e não sei se era por que eu estava com fome, mas o cheiro estava maravilhoso.
— Vocês sabem o que está acontecendo lá no centro? — Uma das meninas, a mais nova, pergunta a mim e a Jonas.
— É claro que eles sabem Julie, eles vieram de lá, não os ouviu dizer?
— Sim... bom, mais ou menos, quem sabe mesmo é a Eduarda, a menina que foi lá fora com o seu pai. Eu estou mais perdida que cego em tiroteio. Mas, assim que ela retornar, eu peço para ela explicar. Tudo bem, Julie? Julie não é?
— Sim. — A menina de cabelos ruivos e pele delicada diz. — E ela é minha irmã, Julieta. Ela é meio chata as vezes, como você pode perceber. — Julieta morria de encantos por Jonas, pois não parava de encara — lo, mal prestou atenção ao que sua irmã disse sobre ela. Finalmente Eduarda e Max retornam. Eles carregam nossas mochilas.
— Então vamos passar a noite aqui? — Pergunto.
— Sim pequena. Mas todos partiremos amanhã bem cedo. Aqui estão nossas coisas, o Rafael cedeu sua casa, podemos tomar um banho e descansar.
— Mas não sem comer alguma coisa antes. Não é mesmo? — Marta diz voltando da cozinha, enxugando suas mãos em um pano de prato.
— Isso é algo que com certeza eu não vou recusar dona Marta. — Digo e todos riem.
— Eduarda, ainda temos bastante a conversar.. mas vou deixar que se instale primeiro. — O moço diz à Duda.
— Claro.
Marta nos oferece dois quartos enormes, a casa em si era bem confortável. Duda e eu ficamos em um, Jonas e Max em outro.
— Você pode tomar banho primeiro, está bem?
— Claro, obrigada pequena. — Eduarda agradece. Ela era a que mais estava cansada, seu corpo pedia uma boa massagem e um descanso. Era exatamente uma hora da manhã quando começamos a tomar banho. Já estava bem tarde.
Eduarda não demora muito, para minha felicidade. Eu também estava precisando muito de um banho.
— Rápida você.
— Sempre. — Duda sorri.
— Posso te fazer uma massagem depois? Parece bem cansada. .
— Sim, se não for muito incômodo. . Eu vou amar.
— Então combinado. Quando formos dormir eu faço.
Pov Eduarda
Eu sabia que depois de uma massagem da Ana eu me sentiria bem melhor. Não é a primeira vez que ela me faz uma, e pra falar a verdade eu amava demais. Ela levava jeito pra coisa. Nunca pensei que viver em um apocalipse seria tão complicado. Mas estamos indo bem. Só vou me sentir melhor depois que deixar todos a salvo bem longe dessa cidade.
Vou para a sala e Rafael, Jonas e Max já estavam sentados tomando uma cerveja. Porra esses homens não tomam banho não? Que nojo.
— Aceita? — Rafael estende uma cerveja para mim que pego de bom grado. Ele estava sentado em sua poltrona, a poltrona do chefe de família.
Me sento perto de Jonas e Max, no braço do sofá confortável. A cerveja é boa, uma das minhas preferidas, mas desce ardendo, eu já estava algumas horas sem comer e já estava bem tarde para aquele tipo de líquido. Mas não tô nem aí.
— Vocês tomaram banho ao menos? Que horror.
— Claro que sim. Juntinhos ainda. — Max zoa.
— Hum, bem que eu desconfiava em Jonas. Cuidado com o Max em. Ele é matador. — Pisco para Jonas que se afasta um pouco do loiro no sofá. Max se insinua para ele.
— Só estamos te zuando cara, relaxa aí. — Eu e Rafael morremos de ri.
— Não quero nem saber. Com você eu não durmo cara.
Conversa vai e vem e não demora muito para Ana sair do quarto. Ela me encara e sorri, é impossível não retribuir e ficar desejando ela ainda mais. Eu acho que a cerveja já estava começando a agir na minha cabeça. Hora de parar.
— A comida está pronta. Não fiz nada muito pesado por que o horário já não permite. Mas espero que gostem, foi de coração. — Marta diz toda tímida e calorosa.
— Mulher não se preocupe com isso. Venha cá, sente — se com nós. Tome uma cerveja também.
— Isso mesmo Rafael. A casa é de vocês e não precisam se incomodar de forma alguma. — Ana diz sentando — se ao meu lado e pegando a minha cerveja. Eu nem ia querer mais mesmo..
Todos nos reunimos na sala, até mesmo Julie e Julieta. Marta senta — se no colo de Rafael, nada muito estranho já que são casados, e eu presumo que a bastante tempo.
— Eduarda, conte — nos sobre você. O que fazia da vida até poucas horas atrás.
— Bom, nada demais. Hã, como eu moro sozinha, as coisas são bem calmas e tranquilas em casa. Trabalho meio horário, em um laboratório de análises a poucos quilômetros de casa, estudo em casa e na maioria das vezes estou na frente de um vídeo game. Resumindo é isso. — Sorrio.
— E seus pais?
— Bom, meu pai era ex chefe da polícia de Nova York, morreu a poucos anos atrás, em uma operação. Minha mãe eu não cheguei a conhecer. Ela morreu assim que me deu a luz. Pode parecer uma história triste mas na verdade eu não me incomodo, eu sofri claro, quando o meu pai morreu. Mas, eu não deixei de dizer o quanto eu o amava, então ele foi sabendo do quanto eu era grata por ter ele em minha vida.
— Eu percebi que você tem um espírito de liderança nato, e você acredita que tenha herdado isso dele?
— Bom sim. — Sorrio sem jeito. Eu não esperava aquele elogio. — Já que meu pai era chefe de operações especiais da PNY. Ele me ensinou algumas coisas, que serão bastante úteis daqui pra frente.
— Entendi. É ótimo ter você conosco. — Ele sorri, sincero, verdadeiro. — E você Max?
— Não tem muita coisa pra saber sobre mim. Eu só curto uma boa cerveja, e sou apaixonado por esses mortos vivos. Apaixonado por cravar uma faca em suas cabeças sem dó nem piedade. Atualmente era isso que me sustentava : Jogos criados, para fãs apaixonados. Muitos deles foram criados com a ajuda da Duda. Então sem ela eu seria um bosta. — Sou obrigada a gargalhar das falas de Max.
— Que nada, eu conheci ele a muito tempo e ele já fazia sucesso com seus jogos. Eu só dei uma ajudinha. E é por isso que nós dois conhecemos, sabemos um pouco sobre o que está acontecendo. É como se nossos jogos, séries, filmes, ganhassem vida real. Entendem? Essas coisas que estão soltas por ai, são perigosas, até mesmo para nós que sabemos um pouco. Não podemos basear o que está acontecendo aqui somente em nossos filmes e jogos. Isso aqui é realidade. Então alguma coisa deve mudar, algo não deve seguir o padrão já conhecido por nós. Mas, algumas coisas continuam as mesmas que na ficção.
— Como por exemplo? — Marta pergunta.
— Hã, por exemplo. . Não deixe nenhum deles te morder, por que você pode virar um deles. Atire sempre na cabeça para matá — los.
— Marta se encolhe no peito de Rafael. Provavelmente eles nunca ouviram falar nisso. — Sim é bem assustador. Nós já vimos alguns de perto. Estão por toda parte lá no centro da cidade. Mas, para nossa felicidade, eles ainda são zumbis lentos.
— Como assim? — A pequena Julie pergunta, ela estava atenta a tudo o que eu dizia.
— Quantos anos você tem Julie? — Falo indo até ela e colocando ela sentada em meu colo.
— Dez, por que?
— Por que você está muito novinha pra essas coisas não acha? — Sorrio para ela.
— Um pouquinho. Mas eu gostei de zumbi. E de você também tia Duda. Posso te dar um abraço?
— Claro pequena. Vem cá. — O pedido me surpreende. Fazia tempo que eu não conversava assim com uma criança. Ela me abraça forte. — Mas agora está na hora de você deitar não é mesmo? Prometo que conversamos sobre zumbis numa outra hora.
— Ela tem razão Julie, você já deveria estar na cama, me distrai com a história que nem me toquei. Vem, vou te ajeitar. Você também Julieta. Amanhã saímos cedo e você é um horror para acordar.
— Mãe eu estou conversando com o Jonas, não vê? Que saco. — E estavam mesmo, eles pareciam desligados de nós. Isso é ótimo para mante — lo longe de Ana, a mesma continuava a beber. Já estava na terceira garrafa.
— Já tá bom por hoje não? Você ainda tem que fazer a minha massagem.
— Sim é verdade. Mas não se preocupe, ainda tô legal. — Ela sorri docemente. — É a última prometo.
— Acredito. Vou lá fora com o Max e Jonas, vê se está tudo certo e volto para me deitar.
— Ok. Eu te espero. Não demorem. E tomem cuidado. Por favor.
Saímos com atenção para verificar se estava tudo em ordem. Enquanto Max coloca nosso carro para dentro do quintal, Jonas e eu damos a volta pela casa.
— Desde que saímos lá do nosso prédio mal nos falamos em.
— É verdade. — Respondo sem animação.
— Ana me disse que você é lésbica. É verdade? — Hã? Não entendo.
— Sim. Mas por que ela te disse isso?
— Ah não, nós só estávamos tendo um papo rápido. Coisa boba.
— Hum.
O resto da vigília ele faz em silêncio. Eu não entendi o por que do assunto, mas resolvo deixar pra lá. Pelo menos por enquanto.
— E ai? Algum movimento estranho? — Max pergunta.
— Não, nada. Estamos bem afastados. Vai demorar um pouco até o caos chegar por aqui. Bom, Deus me ouça. Deixe umas tochas acessas aqui na frente. Isso vai prender a atenção deles por alguns minutos, caso apareçam.
— Sim, pensei no mesmo. Você pode ir descansar. Não se preocupe. Eu e o boy magia aqui vamos cuidar de tudo. — Max pisca para Jonas. Tadinho.
— Para de zoar ele Max. Retardado. Bom, eu vou indo sim. Até logo. Tranquem tudo quando entrarem.
— Sim senhora.
— Vai se foder Max.
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