Eu e ele? Nunca!
8 Ashton
Notas iniciais
POV Ashton
Assim que desligo a chamada com a Lau percebo que ela está escondendo algo de mim. Eu a conheço desde sempre e apesar de nos últimos anos nós não termos nos encontrado muitas vezes pessoalmente eu sei cada detalhe da vida da minha prima.
Sua voz estava ofegante, o que não é tão anormal assim para alguém que não estava se sentindo bem, mas ela estava nervosa. Nervosa demais para alguém que só foi dar um passeio.
Ela deve achar que eu sou idiota para acreditar nessa história. Sei que ela estava com algum garoto, só me resta descobrir quem é o babaca que anda de gracinha com a minha prima.
Luke. Ele também tinha o período livre, pode ter visto ela saindo com alguém!
–Calum, você viu o Luke?
Pergunto.
–Não, acho que ele deve estar na sala de ciências. É a nossa próxima aula.
Responde o moreno, voltando a falar com as garotas.
Agradeço corro para a sala. O loiro estava conversando com uma das lideres de torcida, que estava praticamente se jogando para cima dele. O estranho era que ele nem estava prestando atenção na garota gostosa na sua frente.
Não acredito, Luke Hemmings deve estar apaixonado por alguém! Nossa, eu vou rir tanto da cara dele. Só falta eu descobrir quem é a azarada.
–Hey, posso falar com você em particular?
Pergunto, dando a deixa para a garota sair. Felizmente ela entendeu o recado.
–O que houve, Ash?
Pergunta, indo para o fundo da sala, onde larga a mochila.
–Eu falei com a Lau pelo telefone, ela disse que estava se sentindo mal.
Começo, me sentando na cadeira em sua frente.
Foi impressão minha eu ele resmungou "Claro que ela disse".
–Sei quando a minha prima está mentindo, Luke. Você viu ela com alguém?
Ele para de brincar com o piercing e fica tenso.
–Por que está me perguntando isso?
–Sei lá, é que você também tinha o período vago. Achei que pudesse ter visto algo.
Digo, estranhando sua reação.
–Nem prestei atenção na Lauren, estava tomando o meu suco.
Diz.
–Você ainda toma aquele suco com a caixinha do Superman?
Rio e ele revira os olhos.
–É gostoso!
–Bem, já que você não viu nada eu vou ter que descobrir sozinho. Mudando de assunto, quer ir lá em casa mais tarde? Não quero ficar sem nada para fazer.
Falo e percebo que ele relaxa os ombros.
–Claro, vou para lá depois de largar minhas coisas em casa.
Sorri.
Olho para o relógio e percebo que faltam dois minutos para o sinal tocar. Me despeço de Luke e saio da sala, andando sem pressa para a aula de química.
Estava quase chegando na sala quando vi pela janela do corredor o carro do Dean entrar pelo portão. Consegui ver a silhueta de uma mulher ao seu lado, mas não consegui ver o seu rosto. Mais uma dessas putinhas que ele leva para casa e depois joga fora.
Reviro meus olhos e saio, não tem motivo para eu querer ver quem é a companhia dele de hoje.
POV Lauren
Chego em casa e corro para o meu quarto, me atirando na cama. Durante o caminho de volta o Ash ficou me perguntando várias coisas. Se eu estou gostando da escola, se achei alguém bonito, se vou sair com alguém.
Mas o que mais me deixou incomodada foi o que ele me disse quando já estávamos quase chegando.
Flashback on
–Então, interessada em algum garoto?
Ele parecia tão desconfortável quanto eu em me perguntar isso, mas perguntou mesmo assim.
–Acho que não.
Respondi, tentando encerrar o assunto.
–Mas quando ficar vai me contar, não é? Quer dizer, não sou uma das suas amigas e tal, mas me importo com você.
Ash virou o rosto em minha direção, me fazendo encarar seus olhos verdes.
–Claro que vou contar.
Digo, engolindo a culpa.
Ele perguntou se eu estava interessada em alguém e eu acho que não estou pelo Dean, só gosto do beijo dele. Nada mais. Então não estou mentindo, certo?
–Não gosto quando você mente para mim, Lau. Faz com que eu pense que não confia em mim.
Ele falou isso em um tom triste, voltando seu olhar para a estrada.
–Não estou mentindo.
–Agora talvez não, mas eu te conheço o suficiente para saber que você mentiu para mim no telefone. Quando estiver pronta para me contar onde estava, estarei aqui para ouvir.
Meu sangue gelou. Eu deveria ter inventado uma desculpa mais convincente.
–Eu não menti!
–Mentiu sim, Lauren! Não quero que você sinta a obrigação de me contar cada coisa que faz, a vida é sua, mas eu gostaria de saber onde você está quando deveria estar na escola! Quero proteger você, apenas isso. Não quero te ver chorando ou machucada, isso acabaria comigo.
Falou, um pouco mais alto.
Durante os segundos restantes nós dois ficamos em silêncio. Foi ruim, eu odiava esses momentos constrangedores. Cogitei contar a verdade, mas lembrei da sua reação quando falamos da festa do Dean no refeitório. Quem sabe outro dia eu conte.
Flashback off
Fico um tempo apenas deitada, sem fazer nada. Acho que uma meia hora depois comecei a ficar com fome, então decidi descer para fazer um sanduíche.
Desci as escadas correndo, apenas por diversão, e fui para a cozinha. Ash estava sentado no balcão, sorrindo bobamente para o telefone.
–Com quem está falando?
Perguntei, abrindo a geladeira.
–Claire. Ela perguntou se eu não quero ir para a casa dela agora para tomar banho de piscina.
Diz, sem desviar a atenção do celular.
–Nós temos piscina, por que você iria para a casa dela?
Perguntei, confusa.
–Para nos conhecermos melhor, eu acho. Queria poder passar um tempo sozinho com ela.
Explica, rindo da minha pergunta.
–Ah... Então vai lá.
Digo, separando os ingredientes.
–Não posso, já convidei o Luke para passar a tarde aqui. Ele já deve estar chegando.
Diz.
–Pode ir, eu vou utiliza-lo como professor de matemática.
–Deixar vocês dois sozinhos?! Não, obrigado. Quero ter casa para morar quando voltar!
Ri da sua reação.
–Quem ele vai deixar sozinho?
Dei um pulo de susto ao ouvir a voz do Hemmings, entrando na cozinha.
–Ele queria sair com a Claire, mas não quer deixar nós dois juntos em um mesmo ambiente sem uma babá.
Explico, terminando de preparar o meu lanche.
–Ah... Pode ir, cara. Juro não mato ela.
Fala o loiro, roubando a minha comida.
–Eu não prometo nada.
Digo, pegando de volta o sanduíche.
–Não vou demorar muito. Se comportem.
Diz Ash, me dando um beijo na resta e saindo de casa.
–Bem, pronta para aprender matemática, baixinha?
Provoca Luke.
–Não começa com esses apelidos, idiota.
Retruco, levando minha mão até o cando da sua boca, onde estava sujo de maionese. Limpo com cuidado e lavo as mãos.
–Eu gosto desses apelidos.
Se defende, chegando por trás de mim.
–Mas eu não, Lucas.
Falo, desligando a torneira.
Suas mãos rodeiam minha cintura e ele sussurra no meu ouvido:
–Vou continuar te chamando mesmo assim. Vamos subir, preciso dos seus cadernos.
Ele escorrega os lábios pelo meu pescoço, me deixando arrepiada, e se retira da cozinha. Idiota.
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