Eu e a vida da garota ao lado

4 Capítulo 4 O anjo da guarda


—Se lembrou senpai?­—O colega de quarto perguntou jogando os pacotes de salgadinhos em cima da mesa de estudos.

—Hmnn?Do que?

—Da parte da historia?

—Hmmn... Vejamos...O boato do nosso beijo de inocente havia se espalhado por toda a escola, graças ao baixinho do meu grupo de amigos chamado Ganta, na maioria das vezes ele era inconveniente e sempre acabava soltando o segredo de um dos colegas. Eu me lembro como se fosse ontem, a roda de garotos de oito anos formada e o assunto era sobre beijo, eu não me manifestei eu tinha “experimentado” e sabia o quanto era “nojento” .Sempre um dos garotos falava um discurso de ódio sobre garotas, aquele mesmo de sempre “Garotas são nojentas! Elas tomam banho todos os dias e tem medinho de tudo...” “O senpai ja beijou uma garota! Não é senpai?!” o garotinho com a metade da minha altura ,com cabelos claros e que me admirava mais que tudo nesse mundo perguntou empolgado ,eu neguei é claro mas ele acabou contando para todos os garotos ali e a Sayuri a valentona, a garota mais alta da classe, uma das amigas da Yui perguntou se aproximando, puxando Yui pela mão, ela demonstrava estar tensa “É-É! O senpai beijou a Hirota! E eu o admiro por isso! Por que o meu sonho e beijar uma garota!” Ganta gritou levantando os braços,ela me encarou com odio nos olhos enquanto a Yui começou a chorar, então pra limpar a minha barra eu inventei a desculpa de que a Asuki tinha me beijado,e foi assim que a historia se espalhou. Dois dias depois toda a escola já estava sabendo e é claro nos dois negávamos. Mas eu me sentia aliviado por que o peso não estava caindo sobre mim mas sim em cima da Asuki. Quase todos os dias quando chegávamos na sala de aula havia sido escrito coisas horríveis na carteira dela como “ Falsa, mentirosa, safada, metida”, o professor via tudo e sempre perguntava quem era o culpaado mas é claro que ninguém se manifestava, e então ela fazia Asuki pegar um pano com água e limpar toda a carteira antes de começar a aula e nós ficávamos esperando. Mais coisas começaram a acontecer ,como trancar ela no box do banheiro, escrever e estragar o caderno dela, eu me lembro dela ter que refazer três vezes todo o caderno de japonês em um mês, e jogarem partes do material dela na privada-

—Cruel...

—Sim...-Ele falou um pouco envergonhado.-Mas eu assistia tudo aquilo e nunca fazia nada, eu não queria que soubessem que eu era amigo da “garota safada”. Mas eu me lembro de sair ileso de todas as minhas idiotices graças a ela. Uma vez eu propositalmente quebrei a janela da sala de aula brincando com a vassoura, é claro ela me ajudou inventando uma mentira, isso aconteceu e muitas outras coisas, mas eu nunca me esqueço no dia que ela enfrentou um garoto do colegial-

—Como foi isso?!

—Ah... Eu sempre esperava ela duas ruas depois da escola para voltarmos juntos, e na volta ela não era mais a garota engraçada e divertida com que eu me divertia no caminho para casa, ela voltava calada e de cabeça baixa, e naquele dia eu lembro de estar segurando uma bexiga cheia de água e quando nos passávamos por uma praça vazia eu a puxei para atrás de um arbusto de frente para um casal de adolescentes sentados em um banco, o garoto colocava o cabelo dela atrás da orelha e no momento em que ele ia beija-la eu arremessei o balão de água e acertou em cheio os dois, eu rapidamente me abaixei e comecei a rir, ela se abaixou também mas ficou tremula, então o garoto me puxou pela camisa do uniforme e quando ele ia me acertar com um soco ela me defendeu acertando ele no estômago com uma pedra...-Ele deu uma como se tivesse sido hipnotizado.-Enfim depois disso nós dois corremos sem parar até em casa.

—Senpai...Você fazia essas coisas?

—Sim...Mas eu ainda não me tornei o vilão da historia.