Quando Hideki chegou no pequeno apartamento alugado, exausto, precisando urgentemente tomar um banho e comer alguma coisa, ele foi rapidamente barrado por Atsuhiko:

—Senpai!

—Agora não.

—O-os garotos compraram hambúrgueres.

Hideki coloca a cabeça para fora do banheiro, e logo em seguida seu estômago roncou, e sua boca ficou cheia de saliva ao pensar na comida americana, cheia de queijo, molhos especiais, bacon e batata frita pra acompanhar:

—Isso é serio?-Ele perguntou tentando manter a calma.

—S-sim, nós pegamos um pouco de dinheiro de cada um e compramos. Me desculpe senpai mas nós pegamos dinheiro da suas economias e-

—S-sem problemas! Mas compraram o que eu gosto não é?!

—S-sim...

Hideki trancou o banheiro e tomou o banho mais rápido do mundo e se sentou na mesa e começou a devorar o lanche com quatro hamburgueres, bacon, queijo e tudo o que há de bom:

—Senpai... Por que não conta a historia enquanto come?

—E o Masuo?

—E-ele caiu no sono...Senpai... Por favor.

—Ta bom...-Hideki respondeu pacificamente.-Aonde paramos?

—No seu primeiro tapa no rosto.

—Ah! Hmmn...-Ele falou mastigando.-Cara! Como você consegue ser vegetariano?!

—Primeiro a historia.

—Ok...Hmmn...Cara, como isso é bom!

—Senpai!

—Dai eu tomei um tapa no rosto...Ela me deu um tapa no rosto e começou a me dar murrinhos no peito e gritando “A culpa é sua!A culpa é sua!”.-Ele imitou a voz de uma garotinha.- isso continuou por uns cinco segundos até a Sra.Hirota segura-la e chacoalha-la enquanto segurava ela pelos braços e pedir desculpas pela filha ter agido daquela maneira, e disse aquilo acariciando o meu rosto e depois pegou Asuki no colo e a levou para dentro.-Ele amassou os embrulhos e guardanapos, e suspirou.-Eu deixei muitas vezes que a inocência da Sra.Hirota me livrasse de umas surras , eu queria que ela soubesse de tudo o que eu fiz e me batesse até eu entrar em coma, por que isso era o que tinha que ser feito.

—Senpai você não pode pensar assim. Você era apenas uma criança.

—Hmmn...-Ele da os ombros.-Depois de um tempo nós começamos a reconhecer a nossa própria punição, isso era o mínimo que ela deveria fazer.Continuando...ela me culpou e com razão. Então depois disso, Asuki parou de falar comigo e a nossa amizade acabou de uma vez por todas.Aquele fiozinho de amizade que nos ligava foi rompido como um fio de cabelo fraco, e eu virei o vilão da historia. Na semana seguinte, antes de começar a aula, as garotas escreviam coisas na carteira dela e então a Yui-san olhou pra mim e perguntou “Quer participar?” e eu não podia recusar o convite da garota da qual eu era apaixonado, e eu fiz , escrevi algumas coisas horríveis na certeira dela. Aquele dia ela entrou desanimada na sala mas a expressão piorou ao ver tudo aqui, e eu me lembro dela reconhecer a minha letra e enquanto limpava a carteira e parou o que estava fazendo e olhou fixamente pra mim, decepcionada, eu não tive coragem de encara-la e virei o rosto. Eu me lembro de ter a minha espinha congelada naquele momento.

—É estranho pensar que uma pessoa igual a você fez uma coisa dessas.

—...-Hideki respirou fundo e continuou.-Mas eu me senti muito bem ao ver ela se sentindo mal, eu me senti superior e melhor, como se todos os meus problemas tivessem desaparecido. Eu pisei em cima dela como se fosse uma barata, pra ouvir aqueles estalinhos e me sentir bem.Então as coisas foram avançando e os outros anos escolares se tornaram um inferno pra ela.Eu tive 90% das participações, desmanchava o penteado dela, quebrava os matérias, e eu e os garotos junto com algumas outras garotas passávamos quase o tempo todo puxando o cabelo dela, uma vez eu coloquei fogo no uniforme dela enquanto ela estava na educação física, outra eu quebrei o nariz dela acertando-a com um balde durante a limpeza da escola, vivia fazendo ela tropeçar, uma vez abaixei a saia do uniforme dela no meio do corredor, e uma outra eu puxei a cadeira que ela ia sentar, nas aulas de artes eu jogava tinta dentro da mochila dela, fora as perseguições depois da aula, ou as surras das garotas que ela levava no banheiro feminino, nem na enfermaria ela conseguia se esconder de mim, uma vez eu a enrolei feito uma múmia com as ataduras da enfermaria...E foram muitas outras coisas horríveis junto com os meus outros amigos, a maioria deles assistiam e davam risada.Essas coisas aconteciam e os adultos nunca achavam os responsáveis ou na maioria das vezes não se importavam, por isso eu nunca fui punido pelas minhas ações. Apesar de tudo, ela relevava todas as brincadeiras e tentava superar tudo, ela aparentava ser paciente e amorosa, eu nunca entendi aquela garota, mas eu queria fazer de tudo pra tirar aquele sorriso do rosto . Uma vez, no final dos segundo ano do chuugakkoo o professor passou um seminário que iria valer 80% da nota do ultimo bimestre e era em dupla, e as únicas pessoa que sobrou na sala foi ela-

—Ai...

— Então ela se virou pra mim um pouco tímida mas ao mesmo tempo sem empolgação e mau humorada “ Quer formar uma dupla comigo?” então eu me levantei e gritei “ PROFESSOR!” e apontei pra ela “ EU NÃO VOU FAZER O TRABALHO COM ESSA MALUCA!” o resto da sala riu mas o professor se virou serio “ Você se acha engraçado não é? Então não faça, seria um desperdício uma aluna exemplar como a Hirota Asuki fazer um trabalho semestral com você. Sente-se e vamos começar a aula.” EU nunca vou me esquecer disso e da vergonha que eu passei.