Eu e a vida da garota ao lado
1 Capítulo 1 O destruidor de maquetes
Notas iniciais
—Eu quero que você me conte! Se essa historia explica o motivo pelo qual você é uma pessoa tão triste.
—Eu não tenho tempo pra isso...—Ele fala quebrando a fina camada de madeira da maquete quase finalizada.-E eu não sou uma pess- Não toque nisso!
O colega de quarto toca na pequena arvore posta na maquete e ela se parte ao meio:
—Como quer ser medico com essas mãos pesadas?-Hideki fala tranquilo e concentrado no trabalho.
—E como começa?
—Se eu contar... Você me promete que não toca mais nos meus trabalhos?
—SIM!
—Como começa?...Não é difícil de lembrar. Tudo começou a dezesseis anos atrás, em um verão muito quente, eu brincava no quintal e um toyota branco parou em frente o portão. Eu me assustei é claro, pensei que iria ser sequestrado...
—Hahaha!
—É...-Ele riu meio sem jeito.-Então o carro acelerou e parou na casa ao lado, que estava a venda, antes era antiga moradia de um casal de idosos que perderam o filho em um acidente aéreo-
—Que trágico.
—Sim. E então do banco do motorista saiu um homem adulto, magro, cabelos escuros usando um óculos, aquela foi a primeira vez e a ultima que eu vi aquele homem sorrir-
—Serio?!-Ele pergunta surpreso colocando o canudo do copo de cola na boca.
—Sim, essa foi a única vez... Depois saiu a mulher com o sorriso mais lindo que eu ja vi-
—Não me diga que...
—Não!Você é nojento...
—Ah... Foi mal.
— E com os cabelos loiros e lisos e com olhos verdes.Ela me viu e acenou, eu ia acenar de volta mas os barulhos das mãozinhas na janela da parte de trás do carro chamaram a minha atenção "Me desculpe querida!" ela disse. Você deve pensar, minha nossa ele se lembra de tudo mesmo!—Ele tentou falar tudo nos mínimos detalhes,na intenção de faze-lo se cansar rápido de tudo aquilo.- Não, eu não me lembro.
—Então como se lembra dessa frase?
—Você se lembra das frases que marcam a sua vida...-Ele assopra um pouco a cola.-E então ele abre a porta e então finalmente ela sai do carro, e aquela foi a primeira vez que eu encarei aqueles olhos negros, impossível de distinguir a iris da pupila, a primeira vez que eu vi aquele cabelo loiro morango e a primeira vez que vi aquele rosto branco corado...-Ele o encarou esperando algum tipo de gozação.
—Continue...
—Cara...—Tranquilamente ele volta a olhar para a maquete.-Você está mesmo interessado?
—Está ficando muito interessante.
—A garotinha de cabelo curto e liso ficou um pouco constrangida e fechou a porta do carro e foi correndo se esconder no meio das pernas do homem. Eu não vou mentir, sabe quando seu coração bate diferente e o ar te toda a atmosfera desaparece por um segundo. Já sentiu isso?
—S-sim...
—Eu tinha apenas seis anos e senti aquilo, você pode achar estranho vindo de uma criança mas foi o que aconteceu. “Podemos ter um cachorro agora papai?” foi o que ela disse, eles entraram na casa logo em seguida. E na semana seguinte começou a movimentação, o caminhão da mudança chegou, as caixas foram entrando, e no mesmo dia a entrada ficou cheia de caixas de papelão vazia e de resto de plástico bolha. Eu me lembro de ter falado com ela pela primeira vez nesse dia. Eu deixei a bola cair no quintal que acabou interrompendo a brincadeira dela de sambar e pular em cima de um rolo de plástico bolha-
—Barulho de plástico bolha é sensacional!
—Sim...—Ele fala sem desgrudar os olhos da maquete.- O muro tinha um pouco mais que 1m e era feito de cimento com barras de metal, e eu pude ver ela fitando a bola e hesitando em ir me devolver. Mas não foi isso o que nos uniu, foi o convite imediato feito pela mãe dela que saiu de dentro de casa naquele exato momento .E foi ai que tudo começou... A mulher se agachou ficando na altura da filha , pegou a bola e entregou a ela, e então falou baixinho em seu ouvido e a garota veio devagar até mim ,ela murmurou demonstrando o nervosismo, desviando os olhos para todos os lados-e-eu ouvi o nome pela primeira vez...
Ele suspira e volta a encarar a maquete perfeita procurando algum defeito.
—Qual o nome?!-Ele pergunta empolgado.-Qual o nome
Ele tira a arvore defeituosa e começa a reconstruí-la e com voz afeminada ele imita
—Hirota Asuki...-Ele encara o colega de quarto.- Você é irritante..
—Continua...
—Nós nos apresentamos.Eu me lembro de ter acenado e de ter mostrado o sorriso inocente de uma criança o que fez ela sorrir de volta e finalmente eu me apresentei.Ela continuou com o sorriso no rosto , olhou para a mãe dela e voltou a olhar para mim “Vo-você quer brincar de plástico bolha?” ela me perguntou isso colocando um pedaço em frente o meu rosto e estourando uma das bolhas.-Ele deu risada se lembrando.-E foi assim que tudo começou.
—Desde o seu seis anos?
—Já viu que é muito longa. Então é melhor você-
—Não! Por favor, senpai ,continue!
—Não.
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