Eu... Você... Nós.

30 Uma Nova Gabriela.


Notas iniciais
Obrigada à DudaStyles pelo review, pelo título e por me avisar sobre um erro.
Valeu!!

Pov. Eduardo.

– Meu filho, você está bem? – fala Isis preocupada.

– O que aconteceu? – sai meu pai correndo do quarto ao ouvir o partir do copo.

– Sei lá, uma sensação estranha. – falo com respiração ofegante.

– Tome. – fala meu pai me dando um copo d’água. – Que sensação? – fala sentando ao lado da Isis enquanto eu bebo a água toda em uma só golada.

– Ah, sei lá, um aperto no peito, como se algo de ruim estivesse acontecendo com... – lembro- me da imagem de Gabriela chorando. – Gabriela. – Pego meu celular e ligo para Marcela, pois não tinha o celular de Gabriela, só o de Marcela. – Alô. – falo após ela atender.

– Edu? – fala com voz sonolenta.

– A Gabi já passou ai? – falo com preocupação.

– Pensando bem... Não, aconteceu alguma coisa? – fala também com preocupação.

– Não que eu saiba, tem como você ver pra mim e depois me ligar? – falo já a beira do desespero.

– Não posso, estou olhando meu irmão, vou assim que possível. – fala com desespero.

– Tá, valeu. – falo trêmulo, e se alguma coisa aconteceu com a MINHA Gabriela?

– Quem é Gabriela? – fala meu pai, percebendo minha preocupação.

– Uma garota da escola. – falo tentando me acalmar.

– Você gosta dela? – fala Isis.

– Ah, Isis! – falo com certo nervosismo. – Só estou preocupado.

– Por quê? – pergunta Isis curiosa.

– Me veio a imagem dela chorando, tenho medo de que tenha acontecido algo com ela! – falo com nervosismo aparente, a essa altura não estava a fim de esconder meu nervosismo.

– Se bobear não aconteceu nada. – fala meu pai tentando amenizar meu nervosismo.

– Assim espero. – falo indo para a cozinha.

Pego a vassoura e uma pá, limpo o vidro quebrado e depois seco a água que derramou. Vou para o meu quarto, tranco a porta e, sem demora, durmo.

Pov. Gabriela.

Acordo sem ânimo nenhum, não queria sair da cama, não queria sair de casa, eu sentia vergonha, me sentia suja, como olharia na cara das pessoas depois do que passei? Como olharia Edu? Como? Eu sentia nojo de mim mesma, mais ainda de Caio. Ao lembrar-me dele uma raiva me cobre por inteiro, eu tinha que planejar minha vingança, os livros devem servir para algo. Levanto da cama, vou para o banheiro, tiro minha roupa e me olho no espelho. As marcas de mordidas (que ainda não haviam cicatrizado) espalhadas pelo meu corpo me traziam as lembranças do pior dia de minha vida, ele conseguiu destruir minha vida por inteiro, não conseguirei mais sorrir com sinceridade, não poderei mais ser feliz graças a ele. Cansei de chorar, cansei de sofrer, cansei dessa vida, eu queria morrer, talvez assim fosse melhor, talvez assim meus problemas não fossem mais existir, talvez não trouxesse mais problema a ninguém, não daria trabalho à minha família e amigos. Tomo um banho com esses pensamentos, eu não iria suportar mais isso, não aguentaria mais a dor de meu coração, não queria mais sentir vergonha. Sento- me ao chão do Box deixando a água cair sobre mim enquanto eu ficava agachada no canto chorando. Chega! Não vou mais chorar por isso. Levanto do chão, lavo meu corpo, saio do banho, coloco o uniforme, vou ao quarto de minha mãe, pego o antidepressivo, que ela escondia no armário, tomo três comprimidos e saio de casa em direção à escola. Passo em frente à casa de Marcela, bom... Vou ter que me distanciar dela, de todos à minha volta, até de Edu.

Pego o ônibus, encosto minha cabeça na janela e, olhando para o nada, penso na vida. Procuro me acalmar, pois o nervosismo estava nas alturas, porque sei que encontrarei Edu primeiro que todos, e ele quem me doía mais ter que machucar, mas não tem outra saída. Chego na escola, subo as escadas e encontro Eduardo sentado, apertando as mãos e olhando para o quadro vazio.

Pov. Edu.

Sinto a presença de Gabriela, olho para ela e percebo que ela não estava com o sorriso de todos os dias, o sorriso radiante que iluminava meus dias de manhã... Ela me olha nervosa, mas depois respira fundo e fecha a mão. Joga sua mochila em cima da mesa, coisa que ela não faz, e senta ao meu lado sem me fitar.

– O que aconteceu? – pergunto preocupado.

– Não é da sua conta. – fala quase que em sussurro. Surpreendo- me com a resposta.

– Como é que é? – falo com certa irritação, eu fico preocupado com ela e ela vem com essa resposta.

– Isso o que você ouviu. – fala roendo a unha. Tem alguma coisa errada.

– Fala o que aconteceu. – falo tentando controlar meu nervosismo.

– Tá! Eu não quero mais ser sua amiga. – fala um pouco mais alto.

– É sério isso? – falo irritado. – Eu fiquei preocupado com você, achando que tinha acontecido alguma coisa ruim, e você vem com isso?

– Não mudo minha decisão. – fala como se fosse indiferente.

Entra Caio, me olha e olha por último Gabriela. Ele sorri maliciosamente e, tocando o queixo de Gabriela, diz: — Ontem foi incrível – ela vira o rosto com lágrimas nos olhos e ele vai para o seu lugar com olhar triunfante, tinha algo por trás disso, Gabriela está muito estranha.

Pov. Gabriela.

Sentia ódio de Caio, sentia asco, e sentir o toque dele em meu queixo me deu um nojo tanto de mim quanto dele. A turma começa a entrar e junto dela, Marcela. Bom, um já foi, eu acho, agora era vez de Marcela.

– Nem foi lá em casa hoje né? — fala se sentando ao meu lado com um enorme sorriso no rosto, isso me parte o coração, ter que acabar com o sorriso dela, mas é o necessário.

– Hum. – falo fingindo não dar importância.

– Que foi? – fala preocupada.

– Nada. – falo fria, uma coisa que sei bem fazer.

– Está escondendo alguma coisa? – pergunta mais preocupada.

– Não quero mais falar com você, não quero mais falar com ninguém. – falo escondendo minha tristeza e me mantendo firme.

– Gabriela, essa brincadeira não tem graça. – fala com tristeza aparente.

– Não é brincadeira. – falo fitando o quadro branco. – Não quero mais falar com você. – falo alto, mas não chego a gritar.

Ela derrama lágrimas, o professor entra na sala, repara em Marcela chorando e pergunta:

– Está tudo bem? – fala sem demonstrar preocupação.

– Sim. – enxuga as lágrimas. – É coisa minha.

– Hum. – diz o professor.

O professor senta em seu lugar e começa a aula. A aula estava um saco, e o professor chato. Começo a me sentir tonta.

– Professor... – falo pondo a mão na barriga. Lembro-me que não tomei café e se eu não comer nada posso desmaiar.

– Sim? – fala se virando para mim.

– Posso me retirar? Estou passando mal. – falo pondo a mão na cabeça.

– Pode. – fala ajeitando os óculos.

Empurro a mesa para frente, tirando-a do meu caminho, levanto da cadeira e quase caio, mas seguro à mesa de Marcela. Tento andar me apoiando no quadro, mas tudo se apaga.

Pov. Edu.

Gabriela desmaia no caminho para a porta, não penso duas vezes, levanto e corro para ajuda-la. Agacho ao lado dela e tento acorda-la.

– Leve ela para a secretaria. – fala o professor me olhando.

Pego ela no colo, até que ela é leve, penso indo em direção à secretaria.

– Edu! – fala Marcela, vindo atrás de mim.

– Fala. – falo descendo as escadas.

– Eu vou com você. – fala me seguindo.

Na secretaria a diretora pergunta preocupada:

– O que aconteceu?

– Ela desmaiou na sala. – falo pondo ela no sofá da sala dos professores.

– Vou ligar para os pais dela. – fala correndo em direção ao telefone.

– O que está acontecendo Gabriela? – penso alto agachado ao lado do sofá segurando em sua mão.

Para passar o tempo eu fiquei admirando ela dormindo, ela parecia um anjo, com os cabelos, agora, soltos, com uma maquiagem leve e com o uniforme. Admiro o cordão que ela possuía quando vejo uma marca de mordida em seu pescoço, eu comecei a juntar os pontos. O comportamento agressivo de Gabriela, o olhar triunfante de Caio, a marca de mordida... Ele fez algo com ela, disso tinha certeza, mas o que? O que ele fez? Essa dúvida ficava martelando em minha mente...

– Você gosta dela, né? – fala Marcela se agachando ao meu lado e olhando para Gabi.

– Não sei mais se gosto. – falo sem soltar a mão de Gabriela.

– Como assim? – fala surpresa com minha resposta.

– Eu estou confuso. – falo. – As coisas estão mudando, o que sinto por ela está ficando mais forte.

– Você a ama? – fala quando a mãe de Gabi adentra a sala dos professores.

– Filha! – fala em desespero.

– Ela desmaiou. – falo evitando a pergunta: “O que aconteceu?”.

– Como assim ela desmaiou? – fala séria. – Pega um pano e molhe com aquele álcool pra mim Marcela – fala empurrando a perna de Gabriela e se aconchegando ao espaço que foi liberado. – Você é aquele garoto que visitou ela? – fala olhando para mim.

– Sim, eu a desci para cá. – falo olhando para Gabriela.

– Aqui dona Mercedes. – fala Marcela entregando o pano com álcool.

– Obrigada. – fala pegando.

A diretora estava apreensiva, bom, todos estavam. A mãe de Gabi põe o pano no rosto de Gabi, para que ela inalasse o álcool.

Pov. Gabriela.

Abro os olhos devagar e vejo minha mãe olhando para mim com preocupação.

– O que aconteceu? – foi a primeira reação que eu tive, mas foi uma pergunta retórica.

– Filha eu fique tão preocupada! – fala me abraçando.

Avisto Marcela encostada a parede. Olho para os lados, após o abraço, e vejo Eduardo sentado no chão. Eu não queria, mas tinha que ser fria.

– Ele te trouxe pra cá. – fala minha mãe enquanto eu admiro aqueles olhos lindo que Edu tem.

– Hum. – falo fingindo não me importar. – Valeu.

– De nada. – fala Edu sério.

Ponho a mão na cabeça, eu estava com uma dor de cabeça terrível, parecia que ia explodir.

– Está tudo bem? – fala minha mãe pondo a mão em minhas costas.

– Sim. – falo escondendo a dor, mas eu acho que dava para perceber.

– Tomou café? – fala minha mãe preocupada.

– Não. – falo como se não me importasse.

– Por isso então. – fala com irritação. – Você sabe muito bem que tem que comer alguma coisa! Olha o que aconteceu pelo seu descuido! O garoto teve que te carregar escada abaixo para te trazer aqui, a Marcela ficou preocupada, eu perdi um dia de trabalho... – a interrompo.

– Chega! Eu sei muito bem o que aconteceu, não preciso que refresque minha memória! – falo irritada.

– Dona Lourdes – fala com a diretora. – pode trazer um pedaço de pão? – pede.

– Não precisa diretora! – falo contra minha mãe, eu não quero ficar mendigando um pedaço de pão.

– Você tem que comer! É para o seu bem! – fala em tom de repreensão.

– Não estou com fome! – falo.

– Come amiga! – fala Marcela com doçura.

A diretora trás um pão francês e entrega para minha mãe.

– Come! – fala me obrigando.

Pego o pão com raiva e como. Nada me passava pela garganta, não conseguia engolir, fiquei me forçando a engolir e entrego o resto de pão a minha mãe. Finalmente engulo, mas o pão volta, corro para o banheiro e vomito o pouco que havia comido.

Notas finais
Frase: "I Need you."
Obrigada à: DudaStyles, LohBicchieri e NairAlves pelos comentários.