Eu Vejo Você

1 Prólogo: Teoria Do Caos


Notas iniciais
Bom gente, como falei nas notas da história, espero que gostem! É meu primeiro projeto e estou extremamente animada com ele. Para os que resolveram dar uma chance para a história e estão aqui: muitíssimo obrigada! Sua ajuda conta muito. ♥ Boa leitura!

Observei o ambiente. Em primeira vista, parecia pacífico.

A luz que emanava correria cotidiana das ruas saltava pela janela, deixando alguns pontos de poeira dançantes pelo ar como presente. A ausência de quaisquer móveis fabricava uma sensação de recomeço, enquanto não deixei de reparar em algumas vigas de madeira soltas pelo chão ou teto. Soltei as malas, serena. Para mim, nunca deixou de parecer exatamente o que eu precisava.

Como aspirante a pintora, eu sabia bem das dificuldades que poderia passar caso estivesse no trajeto de conquistar algum reconhecimento. No mundo moderno, se tratava de algo comum observar por entre becos e esquinas artistas em potencial passando fome. E era algo que minha família tinha feito questão de me notificar antes da minha saída: a arte é lixo para quem busca uma vida digna. Se eu concordava? Creio que se a resposta fosse afirmativa não estaria me mudando por conta própria para um dos menores apartamentos da grande cidade, decidida a perseguir meu sonho. Eu tinha que tentar.

Sentei no chão observando as paredes pálidas que pediam para serem redecoradas com ilustrações criativas, ainda afoita refletindo sobre tudo o que havia passado até chegar ali. Eu tinha vinte e três anos e acabara de sair de casa abrindo mão dos dois anos que estava cursando em uma renomada faculdade de direito, apenas para tentar viver dos meus desenhos e o objetivo de me aprimorar em meus talentos – em consequência causando muito mais do que desgosto poderia definir para minha família.

Família essa, que enxergara muito mais do que um pretexto para discutir o que eu estava fazendo comigo mesma ao escolher o caminho das artes para percorrer. Enxergara, na verdade, a oportunidade certa para que eu fosse mandada embora com a finalidade de não terem mais um fardo dentro de casa. Sendo em poucas palavras, essa a minha história.

Puxei então, cabisbaixa, um pequeno bloco com capa dura dentro de minha bolsa. Folheei suas páginas, procurando atentamente por qualquer uma que estivesse em branco. Com o lápis que antes se encontrava firme em meus cabelos os prendendo agora em mãos, rolei os olhos pelo local que seria responsável pelo meu recomeço procurando pelos menores detalhes, o desenhando minuciosamente.

Sorri, como se a arte fosse minha válvula de escape me ninando em seus braços alheia de toda e qualquer infelicidade. Talvez esse fosse o segredo. Minha paixão pela mesma. E tudo fez sentido: essa seria minha nova vida.

Vida que eu teria muito trabalho pela frente se realmente quisesse provar de meu sonho. E eu iria, sei que conseguiria. Ri sozinha e esperançosa, enquanto traçava linhas sobre a folha. Estava pronta para o meu destino. E como se estivesse sendo cortada abruptamente dos meus devaneios, senti o celular vibrando no bolso.

[16:40, 29/9/2018] Desconhecido: Vi que você está na cidade. Preciso falar com você. Vamos nos encontrar no bar mais tarde?

Dizem que a teoria do caos se trata de uma pequena mudança no início de um evento que pode trazer consequências enormes e absolutamente desconhecidas para o futuro. E se tivessem me falado disso antes, eu confesso: talvez não tivesse aceitado.

Notas finais
Gostaram? Fiz o prólogo mais "curtinho" por ser apenas a apresentação para conhecerem melhor a Cecília. Façam uma autora feliz e comentem, amores! Dúvidas, comentários no geral e críticas construtivas serão muito apreciados. Até logo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.