Notas iniciais
Oi, people... Aqui vai um cap

Como todos os anos, eu, Cristina, e os meus pais, Laura e Guilherme, passamos uma semana no Algarve, na nossa casa de férias. Acho totalmente inapropriado ter uma casa de férias, quando o país está como está Ainda por cima só lá passamos uma semana por ano. Contudo gosto de lá estar, já tenho o meu grupo de amigos e tudo! Sempre que nos juntamos perdemos uns anos e somos autênticas crianças! Festas, parvoíces e muito mais, pode se dizer que é o paraíso.

Ajudei os meus pais a descarregarem o carro e quando entrei em casa, senti um certo deja vu, e relembrei a minha infância. As paredes estavam repletas de quadros de quando eu era criança, de medalhas de mérito dos meus pais, que são ambos policias e quadros que eu pintei.

— Estas pinturas têm que sair daqui. Disse sorrindo. Estão terríveis!

— Na verdade foste tu que nos obrigaste a pendurá-las — Disse o meu pai com uma gargalhada.

Sorri, não consigo de deixar de sentir grata por os meus pais serem assim!

Fui para o meu quarto, arrumei as coisas e saí a correr, queria ainda encontrar o Ruben, o Bruno, a Luana e a Joana antes do jantar.

A casa mais próxima é a do Ruben e também é lá que todos se costumam de reunir, por isso não foi espanto nenhum ao saber que estavam lá todos.

— Adivinhem quem cá está! Gritei ao entrar no quarto!

— Cris?!

— Pensávamos que já não vinhas! Exclamou o Ruben.

— Vieste uma semana mais tarde — Disse a Ju.

— Nem consigo acreditar! Como foi a viagem? Disse a Lua.

— Quando chegaste? Perguntou o Bruno.

-Uau, calma. Vim uma semana mais tarde porque os meus pais só conseguiram tirar férias para esta semana, a viagem foi longa e acabei de chegar. Deus, que saudades pessoal! Lua, o que fizeste ao cabelo?

— O Ruben colou-me pastilha lá Tive que o cortar. Fulminou o Ruben.

— Em minha defesa tenho a dizer que foi sem querer Ela pôs-se á minha frente Eu estava a atirar ao Hugo, o miúdo novo.

-Porque fizeste isso? Perguntei chocada.

— É um ritual Ele quis entrar na team, então tem que passar por isto. Todos passámos por coisas semelhantes.

— Isso é cruel! — Comentei.

— Não mais cruel do que humilhar uma pobre rapariga com esperanças á frente da escola inteira.

— Fizeste isso? Perguntei ao Ruben.

— E ainda pôs na net. Disse a Ju.

— Mas conseguiu-se livrar das culpas. Disse que estava a falar com ela e que quem estava a ver tudo foram pessoas curiosas que se iam juntando e ainda disse que quem gravou tudo não foi ele

— O que é verdade. Disse Ruben interrompendo o Bruno.

— Não tens remédio — Disse fingindo desilusão.

— Mudando de assunto, hoje vamos a uma festa. Queres vir?

— Não dá, Ju Prometi aos meus pais que passava mais tempo com eles e este jantar já foi combinado. Disse enquanto olhava para o relógio, sobressaltando-me. Céus, como o tempo passa depressa. Meninos e meninas, beijinhos a todos que já tenho que ir

Saí correndo. Estava, obviamente, atrasada.

— Cheguei!

— Seja bem-vinda!

— Desculpa, pai, eu perdi a noção do tempo.

— Não ligues ao teu pai, chegaste mesmo a tempo.

Durante todo o jantar pensei na festa e fiquei com uma pontinha de inveja. Talvez ainda consiga ir se me despachar

— Qual a pressa? Perguntou a minha mãe.

— O Bruno, a Ju, a Lua e o Ruben vão hoje a uma festa e

— Não, Cristina Hoje não Tu prometeste. Além disso terás muitas festas para ir com eles.

— É és capaz de ter razão

Depois do jantar fui para o quarto e vi CSI NY até adormecer.

Acordei cedo, vesti um fato de treino e fui correr, sabia que não os ia encontrar acordados. Provavelmente acordariam por volta do meio-dia e eu iria ter que arranjar uma nova forma de me entreter enquanto esperava.

Depois da corrida tomei um duche e vesti-me.

— Cris? Chamou a minha mãe.

— Sim?

— Tas vestida?

— Estou, porquê, precisas de alguma coisa?

— Não. Só que eu vou ao shopping e era para saber se querias vir.

— Claro, dá-me só um minuto.

Fomos ao pingo doce e compramos uns aperitivos, depois andámos por aí a ver as montras, como não havia nada de jeito voltámos para casa. Enquanto a minha mãe fazia o almoço, eu e o meu pai víamos o telejornal.

Na madrugada de ontem, um acidente provocou a morte de 1 jovens e 4 desaparecidos, os jovens desaparecidos estavam num Mercedes e o jovem que morreu num Smart. A colisão deu-se por volta das 23h, quando os jovens que circulavam no Mercedes se dirigiam para a discoteca LuckySong. Olhei para o meu pai assustada.

Não podia ser É apenas uma coincidência

Os jovens do Mercedes Continuou o Jornalista eram: Bruno, o condutor, Luana, Joana e Ruben, segundo as identificações que estavam no carro. A policia judiciaria continua á procura dos corpos, pois nada na colisão mostra possíveis sobreviventes

Isto não pode estar a acontecer pensei. Comecei a chorar.

Ainda não conseguia acreditar no que se passava. A polícia diz que temos que os dar como mortos apesar de não haver corpos.

— Eles podem ter sobrevivido. Resmunguei.

— É muito improvável A destruição do carro mostra que os corpos foram esmagados lá dentro

— Devias estar a ajudar-meEles têm que estar vivos Comecei a chorar. Eu devia ter ido com eles

— Para quê? Interveio logo o meu pai. Para te acontecer o que aconteceu a eles?

— Não Para saber o que lhes aconteceu Para saber porque é que os corpos deles não estão ali Quem é que levaria os corpos? Eles ainda podem estar vivos. Alguém pode tê-los encontrado e tê-los ajudado

— Querida Há coisas que acontecem e não podemos explicar Tu não podias ter feito nada. Agora anda. Precisas de descansar. Disse a minha mãe.

Fui com ela, não queria descansar, portanto fiquei a pensar nas nossas aventuras e todas as coisas boas que nós tínhamos feito juntos. Eles não podem estar mortos É só um pesadelo, amanhã vou acordar e vai estar tudo bem. O Ruben é um rapaz alto, loiro e musculoso, bem como o Bruno, só que este era mais baixo e tinha cabelo preto, a Lua é a pessoa mais racional do grupo, é baixa, tem olhos azuis e cabelo preto ondulado, a Ju tem uma estatura média, uma pele cor de cacau linda, o seu cabelo é natural e comprido. Eles são todos muito unidos e amigos, no primeiro fim-de-semana que fui para o Algarve eles receberam-me logo de braços abertos e rapidamente fizeram-me sentir como alguém do grupo.

Não sei quanto tempo tive a pensar neles, mas depois acabei por adormecer.

Acordei com a minha mãe ao pé de mim.

— Toma, come isto. — Disse- Depois vai tomar banho e veste-te. O velório é daqui a 2 horas.

O velório Tinha me esquecido completamente. Levantei-me num ápice.

Olhei-me ao espelho. Eu estava uma desgraça. O meu cabelo castanho ondulado estava selvagem e os meus olhos cor de mel, pareciam estar mais escuros. Não gostava nada desta imagem

Um banho e fico como nova pensei enquanto me dirigia para a casa de banho.

Na banheira deixei a água quente bater-me no corpo, fazendo relaxar os músculos que pareciam ter estado sempre tensos. Passado 10 minutos já estava vestida.

Mal entrámos no velório, vi as fotos deles todos e comecei a chorar.

— Tem coragem, tu consegues. Disse a minha mãe abraçando-me.

Notas finais
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