- Desculpa

— Não peças desculpa! Apenas tenta dar-me ouvidos! Suspirou e relaxou. Depois sorriu — Vá, agora temos que sair daqui antes que alguém dê por nós.

Corremos até ao acampamento, mas eles ainda não tinham chegado. Sentámo-nos num tronco, acendemos uma fogueira e ficámos um ao lado do outro á espera.

— Sabes — disse ele. — Tu és diferente

— Em que sentido?

— És livre, não tens medo de dizer o que sentes Não sei! Mas é interessante observar-te. — Corei. — Quero tentar uma coisa.

Ele aproximou a sua cara da minha e beijou-me.

— Haha, olha o não casal! — Disse o Ruben.´

Não, não Ainda não acabei

— Podes acabar! Ninguém te impede. — Disse sorrindo.

— Como?

— Estavas a dizer que não acabaste

— Não, não disse Pensei!

— O quê? — Disse o Dário. — Mas é impossível!

— Pelos vistos não! — Disse o Bruno. — Disseste que só o sangue humano

— Eu sei o que disse! — Interrompeu ele.

— Já houve alguém, além deles, que optasse por esse regime de alimentação?

— Já Mas já se tinha alimentado por sangue humano meio século, e começou a perder a sua capacidade. Não a perdeu na totalidade, mas não funcionava como antes.

— Então o sangue dos animais dá-nos capacidades, mas não tão boas como quando bebemos sangue humano. — Disse a ju.

— Isso mesmo minha Joaninha. — Disse o Ruben dando-lhe uma festa na cabeça.

— Parece que não somos o único casal. — Comentou o Dário

— Não, não Nós também não somos nenhum casal. — Garantiu a Ju,

— Um não casal então! — Corrigiu o Dário. Obviamente isto provocou gargalhada total.

Era bom ter todo o tempo do mundo para fazer o que quiser, observamos melhor as coisas de uma outra perspectiva. Estávamos todos deitados a ver as estrelas, nunca antes tinha reparado nas estrelas desta maneira. Tudo era maravilhoso.

— Sabes, estou contente por teres ido comigo Eu disse que diria aquilo, mas provavelmente ia passar-me e começar a chorar e sabe-se lá mais o quê

— Até parece que não pensas Olha, eu posso ajudar-te a ter autocontrolo, mas tu nunca poderás voltar a ver os teus pais

— Eu sei — Olhei para ele e sorri. — Sabes, ninguém diria que nos conhecemos hoje

— Realmente quando se é humano, não faz nenhum sentido. Mas quando se é vampiro o cérebro fica diferente. A compreensão, os sentidos, os sentimento, em fim tudo. Por tanto, tu gostas de mim, transmites isso mais facilmente e sendo eu quem sou, percebi isso e também gostei de ti e como temos mais tempo para nos conhecermos Aliás, já sei bastante sobre ti! Agora a sério. Os vampiros assim que vêm a sua alma gémea, têm um clique e apaixonam-se. Parece que és a minha alma gémea!

Sorri. Ficámos a noite toda a ver as estrelas, e mais tarde o nascer do sol.

A Lua acordou e disse que tínhamos que ir embora.

— Vêm aí outros vampiros Mas esses são para nos destruir. — Explicou.

— Como sabes isso? — Perguntou a Ju.

— Não sei como, mas Sei que sei!

— Tiveste uma premonição, os druidas costumavam de as ter. — Disse o Dário.

— Eu nunca te disse que era descendente dos druidas

— Audição apurada! Então para onde vamos?

Ela ficou a olhar para ele.

— Acho que não tens muita escolha Não sabes as novas?

— Como? Tu leste-me?

— Sim é a minha capacidade.

— Parece que tavas errado. Disse sorrindo para o Dário. Quais são as novas?

— Eles namoram.

— Mas isso é absurdo! Só se conheceram ontem

— É mais uma coisa de vampiros — Esclareceu Dário

— Óptimo. Era o que faltava!

— Não gostas de mim.

— Por que haveria? Chegas aqui do nada, não conheces ninguém além da Cris, que também não conheces á mais de um dia, no entanto, ficas aqui connosco como se gostássemos muito de ti e como se fossemos amigos de infância E agora tens que vis connosco.

— Olha, não te fiz nada. Dá-me uma oportunidade!

-Não sei

— Por mim! — Disse eu.

— Não é justo pedires-me isso Mas tudo bem. Vou tentar. Agora põe isto. — Era uma pulseira improvisada. — Isto irá fazer com que o sol não te incomode. Vou fazer uma para ti. — Disse para Dário.

— Vou poder andar ao sol á vontade? Boa!

— Mas está de dia e não me estou a magoar

— Não te magoas, mas se tiveres contacto directo ficas como se tivesses apanhado um escaldão no corpo todo. Não é lá muito agradável

— Mas não devíamos arder, ou algo do género?

— Pensava que não vias filmes de vampiros.

— E não vejo Mas acho que vi isso num desenho animado, quando era miúda. E os vampiros dormiam num caixão.

— Ahaha. Num desenho animado?

Depois disso mudámo-nos de cada 3 em 3 meses, porque Lua voltava a sentir que eles viriam atrás de nós. Começávamos a interagir com os humanos. Eu tinha que ir mascarada, pois ainda se viam cartazes e noticias sobre o meu desaparecimento.

Também já descobrimos a capacidade de todos. O Bruno consegue com que os humanos façam o que ele quer. Descobrimos isso quando um amigo da mãe da Lua nos reconheceu, ele chegou perto dela e olhou-lhe nos olhos.

— Ouça Luísa, ninguém pode saber que aqui estamos Terá que esquecer que nos viu.

— Tenho que esquecer que vos vi.

Depois a Ju consegue paralisar coisas e pessoas. Ela e o Ruben começaram a namorar, mas ela irritava-se quando ele lia tudo o que ela pensava e numa discussão ele ficou tão irritado que atirou a televisão ao chão e ela paralisou a televisão, o seu espanto foi tanto que devolveu o movimento á televisão sem querer e a televisão acabou por se partir.

Eu, para minha felicidade, controlo um dos elementos da natureza. A terra! Descobri isso quando um vampiro que estava a espiar-nos fugiu quando foi descoberto. Ele era mais rápido do que qualquer um de nós. Eu só pensei em apanhá-lo e uns ramos começaram a sair da terra e enrolaram-se ás suas pernas!

— Haha, boa Cris! — Disse o Ruben

— Foste tu? — Perguntou-me o Dário.

— Acho que sim!

Apanhámos o vampiro e levámo-lo para um quarto, prendemo-lo com umas correntes de prata, ou melhor, a Lua prendeu-o.

Ele era pequeno, com o cabelo castanho espetado e com um ar de um doido maníaco.

— Porque nos espias? — Perguntou o Ruben, que quando se irritava conseguia ser o mais perigoso.

— Eu só sigo ordens Por favor soltem-me. — A pele dele queimava com o toque da prata. Podemos ser os maiores predadores á face da terra, mas havia muita coisa que se podia usar contra nós.

— Segues ordens de quem? — Continuou ele.

— Ele titula-se por Drácula! Mas o seu verdadeiro dele ninguém sabe Ele está interessado em vocês.

— Em nós? — Perguntou a Ju. — O que temos nós de especial que os outros não têm?

— Ela. — Apontou para mim.